“Varejo de moda para um novo mundo: a transformação das pessoas e dos valores” foi tema de encontro na última quinta-feira

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A noite de quinta-feira foi de muito conhecimento e insights para o varejo da Moda em Luís Eduardo Magalhães. Profissionais de várias empresas do segmento se encontraram com Luciane Robic que é palestrante, diretora de Marketing do Instituto Brasileiro de Moda e Doutora em Comunicação e Semiótica em evento mediado pelo SEBRAE Conecta.

No evento, André Reis, do SEBRAE Conecta explicou um pouco sobre opções de atendimento especializado do SEBRAE para as empresas da área, acesso a conteúdos que ele possibilita, além de assessoria, consultoria e menor custo em investimento com qualidade para iniciar a palestra.

O tema geral da noite foi o Varejo de moda para um novo mundo, em que a consultora Luciane Robic trouxe um pouco da sua experiência no ramo da moda e vários casos reais de marcas e empresas brasileiras e estrangeiras para complementar o assunto. Para ela, a roupa é um dos produtos mais recicláveis do mundo: assim que comprado, se usa para sair, depois para ficar em casa, depois para dormir e, chega o momento em que a roupa vira pano de chão!

Nesse contexto, Robic cita a Fashion Revolution, um movimento global que ocorre em cerca de 92 países e que objetiva a conscientização da moda sobre seu real custo e impacto no mundo. Perguntas como: “quem fez minha roupa? Qual o seu real custo? Como eram as condições das pessoas que a costuraram? Como ela chegou até aqui?” fazem parte dessa análise. Inclusive, o movimento Fashion Revolution no Brasil também tem atraído pessoas e promoverá vários fóruns na próxima semana em diversas cidades do país (principalmente em capitais). Com essa consciência, entra o momento e a questão dos brechós, que não só vendem roupas, mas tratam da ressignificação e sustentabilidade das peças de roupas para as pessoas.

Para entendimento sobre o tema e imersão nele, a palestrante divide a noite em três momentos: entender que mercado é esse, o que o novo mundo quer e como é essa transformação das pessoas e dos valores. Quanto ao mercado da moda, Luciane traz a sua importância para a economia brasileira, seus números e mapeamento, inclusive o crescimento do e-commerce, que já alcançava 48 milhões de consumidores em 2016.

Além disso, ela expõe com propriedade a sofisticação do novo consumidor, que sabe o que quer, está bem informado, leva em consideração a estética, a arte, o design e a cultura; se orienta mais pelo estilo de vida que pelo status, é exigente ao se preocupar com o que consumir, como consumir e com a origem dos produtos, além de fazer parte da economia do compartilhamento. Ou seja, é um consumidor do novo mundo que considera mais importante fluir do que possuir, é alguém que estima o desapego e a consciência.

A doutora também fala sobre o crescimento das lojas de departamento, analisando uma mudança em como o consumidor a percebe nos últimos 10 anos, principalmente depois de a C&A convidar Gisele Bündchen como modelo para sua marca. Atualmente, muitas lojas de departamento buscam passar uma percepção de qualidade e estilo, ao ponto de existir quem passe a conotação de grife, inclusive, como a Riachuelo da Oscar Freire, em São Paulo, localizada entre lojas de marcas internacionais, que imprime em seus cabides e sacolas da loja o nome “Oscar Freire” junto ao nome da loja.

Pensando nisso, é falado também sobre a transformação das pessoas e valores nessa era da desmaterialização, em que conta mais a experiência de algo do que a posse em si, em que entram a identificação com a loja e o estilo de vida que ela propõe. As lojas que tem obtido sucesso atualmente potenciam o imaterial, exploram a identidade visual, a comunicação, a presença do produto, a arrumação e ambiente da loja, exploram um estilo de vida, um “DNA que vai além da roupa”, mas um desejo e uma real experiência do cliente. Quem cria, quem vende e quem compra o produto tem tudo a ver, são todas pessoas que se identificam com a marca, como é o caso da marca Farm.

As empresas vendem conceito, sustentabilidade, compartilhamento, empoderamento, oferecem experiências se aproveitando da tecnologia para trazer inovações, não apenas com o e-commerce. A inovação pode ocorrer na entrega do produto, na sua logística, apresentação, localização, tudo para entender melhor as pessoas, os seus clientes, e aumentar o valor da marca ao utilizar a tecnologia a seu favor. É nesse contexto que Luciane Robic traz a moda não só como produto, mas como sentido, a sua redução pela proposta de identidade aliada à experiência: “as pessoas não querem o melhor produto o tempo todo, elas querem o melhor relacionamento”.

Assim, como diretora de Marketing do Instituto Brasileiro de Moda, Luciane cita que o valor dos produtos tem aumentado e o número de peças tem diminuído, pela uma maior consciência e entendimento do consumidor, pouco a pouco. Ela sua experiência de cerca de 20 anos no ramo da moda, vinda de São Paulo capital pela primeira vez a Luís Eduardo, garante que a Bahia é um estado-país, com muita diversidade e um repertório cultural gigante, inclusive em seu processo de interpretação, das preferências e do consumo da moda. Foi uma noite de gratidão por todo o conhecimento compartilhado!

Uma agência incomum de comunicação integrada.