Ufa, não precisamos de alucinógenos

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O gado que a certa altura da noite corria sem saber pra onde ir ameaçando atravessar a última porteira entre o estacionamento e a pequena multidão que se aglomerava ansiosa pelo início de mais uma edição do Chá das 5, talvez, tenha sido o máximo de perigo e loucura presente na festa mais cult e roqueira de Luís Eduardo Magalhães e, quiçá, de todo oeste.

Confesso, com alívio, que a exceção das cavalares doses de álcool ingeridas por todos que acompanhavam a movimentação e os shows, não precisamos de alucinógenos ou feitiços para levantarmos na manhã seguinte, com a certeza de termos vivido um dia ímpar e inesquecível em nossas vidas.

Há quem diga que o caldo que desembarcou em dado momento da festa, tenha sido providencial para a injeção de ânimo derradeira naqueles que ainda queriam desfrutar dos momentos finais da edição de 2014 da festa.

Apenas isto. Sem interferências duvidosas.

Todos os eventos vividos em meio a toda poeira e energia vindas do palco foram reais e, para nossa absoluta sorte, nem chegaram à remota possibilidade de se tratar de um evento ficcional.

Pois se assim fosse, talvez você não se pegaria com a cara inchada olhando para o espelho, na manhã ou tarde seguinte, e com um sorriso amarelo e amassado ainda pudesse confirmar:

– Ufa, não precisamos de alucinógenos.

Nenhum de nós, independente de opinião ou conceito.

Das peripécias do apresentador com chapéu de cortador de cana, ao mini baterista que emocionou a todos – dos recém iniciados aos anciãos – até a lisergia promovida pela banda que viajou mais de 2.500 quilômetros pra se apresentar, não houve tempo sequer para que, num estalo, pudéssemos questionar a razoabilidade ou até cogitar que tudo não passou de um sonho bom.

Os eventos da última noite de sábado se transformaram em história. A nossa. Escrita com as duas mãos levantadas aos ares acompanhando o grito em desabafo de quem tem sede de rock de verdade.

Sim.

Aquele criado a base de riffs de guitarra, baixo marcante, bateria pulsante e um vocal energético. Do jeito e com cara da nossa “identidade”. Porque talvez devesse constar nesse malfadado documento de identificação pessoal um item específico para dizer:

Sangue roqueiro.

Azul, vermelho, preto ou o escambau.

Pois o todo compartilhado entre a meia tarde e as primeiras horas da madrugada do domingo serviu pra nos provar que viver é muito mais legal do que toda essa onda de chatice que nos faz ter vontade de chutar o balde de vez em quando.

Um brinde e um salve a todas as colheres imaginárias que foram postas a prova de suas existências e contribuíram para transformar a energia daquela noite em única.

Especial e inesquecível.

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Fotos do Chá por Anderson Zart AQUI.

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.