Tempus fugit

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Faz um tempo que me “acusaram” de ser pontual em demasia. Faz um tempo que venho pensando em todas as nuances dessa afirmação. Não foi uma crítica construtiva, daquelas que destroem e a gente finge que constrói para não ser deselegante. Foi simplesmente uma constatação de que ando na contramão da maioria das pessoas. Sim! Eu chego pontualmente até em festa de aniversário. E até agora, não me sinto nenhum pouco culpado por isso – exceto pelo aborrecimento de esperar todos os convidados e os donos da festa chegarem.

Faz muito tempo, desde que me conheço por adulto enclausurado na rotina do “crônus” que odeio e detesto esperar. Logo, valendo-me da regra da retribuição: Não deixo os outros esperarem, porque detesto que façam o mesmo comigo. A única que posso perdoar é a noiva. Mas isso é até uma questão de tradição, mas por favor atraso matrimonial de 15 minutos está excelente e cumpre os requisitos da tradição. Mais que isso é deselegância pura!

O que é a rotina do crônus? É a nossa famosa ordem sistemática de acordar e fazer a mesmíssima rotina guiada pelos ponteiros do relógio toda hora, todo dia, toda semana e por aí vai. Tal rotina oferece segurança e simultaneamente uma sensação de esvaziamento de vida.

Faz tempo que venho pensando que mau-uso o meu tempo: Deveria estar estudando mais, lendo mais… culpo-me, assim como inúmeras pessoas, pelo tempo ocioso. Mas o tempo ocioso é tão bom! Porque sentir culpa? Porque o tempo passa e temos a sensação de que deveríamos estar fazendo tudo e mais um pouco para alcançar plenitude.

Em contrapartida, faz tempo que penso que deveria levar uma vida menos cronometrada e sim, me permitir atrasos. Aproveitar uma rotina de vida mais biológica e menos mecânica – o que é um desafio enorme. Penso logo nas famílias com bebê ou até mesmo animais de estimação. É impossível não frear o tempo para aninhar e acolher as necessidades de quem depende de você. Frear o corre-corre e deixar-se invadir pelo ócio é sinal de saúde mental e psicológica – devemos estar loucos mesmo!

De todo tempo perdido ou ganho (depende da sua perspectiva), só sei que o tempo foge, nas palavras do saudoso Rubem Alves: “quem sabe que o tempo está fugindo, descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será”.

Até aí. Com licença. Estou atrasado – é meu novo mote de vida.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.