Resenha: Alias Grace – O poder das palavras de Margaret Atwood

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Eu não sabia da existência de Margaret Atwood até que surgiu a série The Handmaids Tale, exibida pela plataforma de streaming Hulu. E eu não sabia o quanto a autora era maravilhosa até descobrir a adaptação para de Alias Grace para a TV. O livro é mais uma obra da autora, que – graças a Deus – vem recebendo o espaço que merece entre nossos conteúdos consumidos.

Alias Grace, que recebeu o nome de ‘Vulgo Grace’ no Brasil, é uma minissérie dividida em 6 episódios. Já disponível na Netflix, a adaptação foi dirigida por Mary Harron e escrita em parceria por Sarah Polley e a própria Atwood, que ainda atua como escritora na plenitude de seus 78 anos.

O livro, publicado originalmente em 1996, conta a história de Grace Marks, uma imigrante irlandesa que se muda com a família para o Canadá. A menina, então ainda adolescente, sai em busca de melhores condições de vida no ano de 1840, mas o que ela não pensava é que sua vida fosse mudar de maneira radical. Quando digo sobre mudanças, falo sobre um duplo assassinato.

Alias Grace

A minissérie, como eu disse, é baseada em uma história real, onde a protagonista é vivida por Sarah Gadon. Grace Marks é o ponto central da trama, e o grande objetivo é desvendar o duplo assassinato pelo qual ela foi culpada. Não se sabe se ela é realmente culpada ou não. Só se ouve versões ditas por pessoas que participaram do crime, mas já morreram. Nem mesmo as versões de Grace são levadas tão a sério e, por isso, grande parte do enredo se passa com ela prestando “depoimento” a um médico, especialista em psiquiatria, a fim de que o mesmo consiga desvendar a mente de Grace e escrever o relatório que pode soltá-la ou não.

A narrativa da minissérie é bastante reflexiva e explora assuntos mostrados em uma época antiga, mas que poderiam acontecer atualmente sem qualquer impedimento. Grace sofre quando jovem e isso fica claro durante as cenas dos primeiros episódios. O que não passa em nossa mente é o fato de que existe um fator – bastante sério – para ela ser como é. Descubra quando assistir!

A televisão finalmente descobriu que as obras de Margaret Atwood possuem um peso crítico que – pasmem – fazem muito mais sentido hoje do que quando foram publicadas. E isso, meus amigos, é maravilhoso. Quero dizer que: amo Atwood e vou defende-la!

*Acreditem ou não, eu assisti essa série em uma dia só! Sim, eu, a procrastinadora de séries assistidas.

 

Tenho 25 anos, sou jornalista, mas bem poderia ser qualquer outra coisa, devido à minha necessidade de aprender. Escrevo, fotografo e sorrio. Acho que é assim que se vive, não é?