O universo conspirou a favor e eu me tornei escritor

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Recebi as duas opções para capa, contracapa e orelhas do meu livro A gaveta do alfaiate. Depois dos ajustes finais, escolha de uma delas e revisão dos seus textos, falta pouco para mandar o arquivo para impressão.

Isso significa que em breve não terei mais escapatória a não ser admitir aquilo que meu amigo Alec Silva tenta me convencer a algum tempo:

– Você é um escritor cara.

A cautela em assumir tal condição, talvez, seja até natural.

Mais ou menos como disse em entrevista a um jornal local algumas semanas atrás: “Eu não considero que tenha ingressado no universo literário. Quero ver meu livro impresso primeiro. Amo escrever e o que está nesse primeiro livro diz muito sobre o que eu sou e meu estilo na frente de um computador. Acho que depois que finalizar a etapa de lançamento desse livro, ai sim vou poder dizer que sou um escritor e até ter mais fôlego para novos projetos”.

Meus dois pés atrás, no entanto e aparentemente, são só meus. Talvez seja culpa do signo. Geminiano do dia de Santo Antônio. Confuso, indeciso e cauteloso em demasia.

Para não soar muito pretencioso e repetitivo, encomendei os textos da orelha e contracapa do livro ao amigo jornalista Luciano Demetrius.

Olha só o que ele escreveu:

“Este jornalista com perfil de escritor (ou seria um escritor nato que se formou em jornalismo?) usa seu senso de observação para meticulosamente transformar a mesmice em crônica. Linha, tesoura, fita métrica, giz e agulha. São essas as ferramentas de trabalho deste alfaite que usa as palavras para confeccionar o melhor texto do cenário cotidiano”.

De novo o lance do escritor.

É como se o mundo já soubesse e até autorizado a inclusão da alcunha depois do meu nome, da vírgula e do jornalista e eu ainda dissesse: não, vamos esperar mais um pouco.

Tipo aquele momento que a morena de cabelos cacheados e óculos de grau não para de olhar pra ti e todos a tua volta te cutucam pra dizer, cara, ela tá afim de ti seu bocó, vai lá falar com ela e você, ainda assim, responde:

– Não. Deve ser pra outra pessoa.

Não é. É para você. Pra mim. Sou eu. Um escritor e jornalista, ou o contrário, que vai lançar, ainda que de maneira quase independente seu primeiro livro em novembro. Digo quase, porque não dá pra negar a importância e o apoio que a EX! tem dado a este e outros projetos.

Pesa, claro, o fato da editora ainda ser nanica, o mercado editorial no país ser elitizado e o hábito da leitura ser cada vez mais raro. Em meio a tudo isso há uma conspiração favorável e a impossibilidade de continuar negando o fato de eu ser um escritor.

E ai, tudo que me resta é deixar a mensagem, o alerta, o pedido de socorro:

A gaveta do alfaiate continuará aberta e rendendo novas crônicas, novas histórias e realizações.

Leiam.

Incentivem seus filhos a ler, busquem conhecer o trabalho de novos escritores. Pratiquem o hábito da leitura.

Quanto mais leitores houver, muito melhor nosso mundo será.

 

***

 

Confesso que a rima usada no título desse artigo/crônica é de uma pobreza miserável e grosseira, mas, serve para a ocasião. Em tempo, só pra lembrar, estou escrevendo meu segundo livro, o qual, provavelmente terá seu título e capa anunciados no lançamento do primeiro. Bom, ao menos, esta é a intenção. Novidades sobre o lançamento de A gaveta do alfaiate em breve.

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Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.