O que você busca na internet?

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Nós já falamos um montão aqui sobre a internet e seus diversos efeitos em nossa vida. No post anterior que envolve o assunto, falei um pouco sobre a vida perfeita que mostramos no Instagram  e recebi alguns feedbacks muitos legais a respeito. Pessoas que perceberam como vivem um ritmo automático nas redes sociais, pessoas que nunca haviam pensado no assunto, pessoas que se tocaram do quanto essa vida pode ser tóxica para a nossa autoestima.

Desta vez o assunto é relacionado, mas eu pensei muito antes de fazer esse post, por vários motivos: 1- eu trabalho com internet e não posso ser hipócrita ao dizer que não sofro dos mesmos males aos quais aponto o dedo; 2- as pessoas podem estar cansadas de ouvir falar sobre os “malefícios” trazidos pelo mal uso – relativo – da internet; 3- eu não sou uma especialista em comportamento humano para dar pareceres concretos e que realmente façam sentido. Mas eu gosto de observar como as relações humanas e as interações atuais se dão. Isso me anima com a mesma intensidade que me desanima.

É inevitável que nós saibamos sobre a vida alheia das pessoas na internet. Onde foram, o que comeram, onde compram, o que vestem, quem namoram, do que gostam, etc. Vivemos numa era de blogueiras, em meio a uma realidade praticamente virtual, onde as pessoas preferem assistir a um show pela tela do celular, enquanto transmitem o espetáculo numa live em alguma mídia social. E parece que quanto mais eles fazem isso, mais nós queremos fazer igual. É aí que eu quero chegar.

Cada um busca alguma coisa quando entra em contato com outra pessoa, seja ela uma blogueira, uma celebridade, entre tantos outros tipos. O que você busca na internet: Inspiração ou identificação?

O Instagram (novamente vou falar dele) é o principal canal onde as pessoas procuram por inspiração e também por identificação, e as duas razões são muito diferentes. Foi criada uma receita, onde alguns passos devem ser seguidos para que o sucesso seja alcançado, no caso do mundo dos iinfluenciadores digitais. A vida com filtros e perfeita – pelo menos aos nossos olhos – sempre agrada a quase todo mundo, e é muito bom pensar que nós poderíamos ser como as pessoas famosas que viajam, vestem, comem e vivem o que há de melhor.  Mas a vida não é assim.

Como eu li um dia, existem dois tipos de influenciadores: aqueles que são pessoas reais, com as quais os leitores se identificam e querem conhecer/serem amigos, e a pessoa que vive a vida dos sonhos e faz com que os leitores sonhem com sua realidade – mesmo que aumentada. Não preciso nem dizer que ser adepto da segunda opção não é nem um pouco saudável, não é?

Uma youtuber que eu gosto muito fez um vídeo recentemente falando sobre a imagem que as pessoas mostram na internet e por que nós não devemos nos comparar com aquilo que vemos nas mídias sociais. Ela fez basicamente um “tour” pelo seu corpo, comparando poses e imagens que ela posta no instagram com a realidade.

 

 

Isso tudo faz cair por terra aquele conto de fadas que diz que a vida das pessoas e seus corpos são perfeitos. E isso é muito importante para nos alertar sobre um ponto muito interessante: será que nós estamos seguindo as pessoas que realmente acrescentam algo em nossa vida?

É o ponto principal deste texto: você busca por identificação ou inspiração na internet? E isso que você busca, tem feito bem à sua mente e ao seu corpo? Porque sinceramente duvido que as pessoas consigam ser inteiramente felizes quando vão a uma loja comprar o biquíni que a blogueira postou e, quando percebem estão levando para casa uma roupa com um número menor que o de costume. Essas coisas mexem com a nossa autoestima, e por isso é muito importante prestarmos atenção nos exemplos de vida que seguimos. Nem tudo o que vemos é positivo.

É importante lembrar também do fato de que um influenciador só consegue seu objetivo se VOCÊ, leitor, quiser. Afinal, alguém só influencia se você se deixar ser influenciado.

Trabalhe para que seu ambiente na internet seja o mais saudável possível, ou para que ele pelo menos não mude quem você é. Não faz sentido deixar de ser porque lhe dizem que é errado. Busque inspirações positivas, seja você.

Tenho 25 anos, sou jornalista, mas bem poderia ser qualquer outra coisa, devido à minha necessidade de aprender. Escrevo, fotografo e sorrio. Acho que é assim que se vive, não é?