O que mais gosto no Dia dos Namorados é que não tem fogos de artifício.

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Tá, vamos começar pelo título gigantesco: o que mais gosto no Dia dos Namorados é que não tem fogos de artifício.

Porque não tem nada mais chato que dias comemorativos com fogos de artifício.

Não sei quem inventou de unir uma coisa à outra, mas fica aqui meu repúdio.

Exceção à regra, só quando incute na cabeça de um dos pombinhos apaixonados a necessidade de contratar um serviço de mensagens ao vivo. Porque aí não tem jeito e o responsável pela execução do serviço vai soltar uma caixa de fogos de artificio debaixo da tua janela ou na porta do teu trabalho e o bairro todinho vai ver tua cara de tacho e vergonha.

Quem inventou essa de mensagens ao vivo é um ser iluminado, só pode. Igual, só o infeliz que solta fogos de artificio no Natal. Vá lá no Réveillon e em jogos da Seleção Brasileira na Copa, mas no Natal não tem nada que sirva para justificar a babaquice. Só falta inventarem de propagar barulho pelos ares para exaltar a chegada do Coelhinho da Páscoa.

Que estou muito, mas muito longe de morrer de amores por fogos de artifício, creio que tenha ficado claro, e talvez, toda essa introdução seja para deixar, também claro, que não tenho muita afeição com o Dia dos Namorados. Uma das maiores decepções que tive em toda vida aconteceu justamente num Dia dos Namorados, que, casualmente é véspera do meu aniversário, dia do tal santo casamenteiro.

Posso até estar bancando o dramalhão por dizer que não tenho ou tive sorte — devo ou não usar aspas aí? — em aniversariar no dia seguinte ao Dia dos Namorados. Não sei. Por ora também não vem ao caso. O Dia dos Namorados é como um bônus que serve para você conquistar uns pontos extras no relacionamento. É o tipo de data que precisa fazer parte do calendário para evitar que a maionese desande.

Resumindo antes que alguém levante a mão e diga que eu não tenho bagagem suficiente para comentar sobre: Dia dos Namorados é dia de celebrar.

Isso.

Celebrar.

Pedindo uma contribuição do dicionário:

Festejar, comemorar, enaltecer, solenizar.

Dar a entender ao mundo que A ama B e vice e versa.

Ponto.

No pior Dia dos Namorados de toda minha vida eu não tinha o que celebrar, festejar, comemorar, enaltecer, solenizar. E diga-se, só saí de casa aquela noite por conta de uma pauta para o jornal que trabalhava na época. E aí aconteceu. Se tivesse ficado em casa não teria me decepcionado. Não teria visto. Não teria nada.

O que eu não quis entender à época é que apenas eu não tinha o que celebrar, festejar, comemorar, enaltecer, solenizar. A pessoa responsável pela minha decepção tinha e por isso estava celebrando, festejando, comemorando, enaltecendo, solenizando. Eu era página virada e insignificante o fato de ser meu aniversário no dia seguinte. Melhor, nos minutos seguintes, porque tudo aconteceu as vias de fato do dia 12 pro 13.

A pauta para o jornal foi encerrada num prostíbulo. Não porque resolvemos prolongar a cobertura na farra, mas porque era fonte. A última. Alguém, pelo que me lembre cogitou me presentear com uma noitada ou pedir um desconto especial. Rimos. Eu, nem tanto. Na minha cabeça, infelizmente, eu já tinha meio que auto tatuado algo como: odeio Dia dos Namorados.

Bom que existe um ditado que por mais clichê que pareça sempre nos diz verdades: não há nada como um dia depois do outro.

Continuo sem nunca, a exceção das raras ocasiões das mensagens ao vivo, ter visto ou ouvido fogos de artifício no Dia dos Namorados.

Ainda bem.

 

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.