Múltiplos de 5

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De longe os meus melhores amigos se enquadram no que a sociedade chama de “normalidade”. Está entre aspas justamente porque é uma categoria irreal. Como dizia um famoso seriado: “de perto ninguém é normal”.

Quando falo de melhores amigos, me refiro aos que estão bem próximos e compartilham os meus segredos mais íntimos, os relatos mais calientes e as fossas mais profundas. É como se fossem círculos concêntricos. Sabe aquele efeito de jogar uma pedra no lago? O círculo mais próximo são os melhores amigos e, bem, eles só não me viram pelado ainda porque é necessário manter relativo pudor – embora eu não me importasse com isso. Já os círculos que se formam com mais distância são os ‘conhecidos’. Nos cumprimentamos, falamos do calor, da seca, da chuva e fica por isso. É melhor assim.

O círculo dos melhores amigos é pequeno mesmo. Nesse círculo existe reciprocidade. Não é monólogo, mas todos compartilham o que pensam e vivem. No diálogo você conhece os outros, aprende da experiência deles e de quebra conhece a si mesmo. O curioso é que quanto mais você acha que conhece um amigo, tanto mais ele pode te surpreender. E não é que isso aconteceu esses dias?

Um amigo me disse que detesta múltiplos de 5. Pasmei. Ri. Não entendi (não necessariamente nesta ordem). Ele me explicou que costuma marcar o tempo sem usar múltiplos de 5. Como assim? Ele jamais vai acordar às 07:00h da manhã, tampouco às 07:15h. Seu despertador começa a tocar, por exemplo, às 07:12h. Confesso que achei isso bem ‘anormal’.

A sua explicação veio em forma de pergunta: Porque não podemos marcar o tempo utilizando números ‘quebrados’? Porque a normalidade precisa ser 07:00h, 07:15h, 07:30h?

Eu que sou um defensor da anormalidade, ruborizei. De fato, a lógica é boa. O que me faz lembrar que o que consideramos ‘normal’ alguém (ou alguéns), em um determinado momento, convencionou que assim o fosse.

Chega de convenções, agora normalmente acordo às 06:38h.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.