Inteligências

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Na década de 80, o psicólogo norte-americano Howard Gardner desenvolveu com sua equipe a teoria das inteligências múltiplas. A ideia principal de Gardner era mostrar a grande variedade de habilidades cognitivas humanas. Portanto, não existe uma inteligência no singular; mas sim inteligências no plural. Na prática a gente sente isso quando percebe que tem mais aptidão para uma ou outra área de conhecimento em detrimento de outra.

Eu sou péssimo em lógica e matemática – embora não me sinta menos inteligente por isso. Tenho amigos que falam inglês, grego, hebraico e uma carrada de idiomas – fico impressionado com a capacidade de memorização que estes têm. Admiro a inteligência musical de Beethoven e o som (de igual forma inteligente) de quem toca aquele violãozinho no final de semana.

Mexer o corpo também requer inteligência, todo e qualquer movimento seja no balé ou no boxe esconde muito treino e estudo. Para construir, reformar, pintar, esculpir, localizar-se: Inteligência espacial. Conhecer a si mesmo (identificando hábitos inconscientes e transformando-os em atitudes conscientes) e entender as intenções, motivações e desejos dos outros também requer neurônios – muitos neurônios!

Plantar jardins, conhecer os ciclos de plantio-colheita, conhecer a natureza em sua imensidão é um conhecimento privilegiado. Da mesma forma que ponderar e filosofar sobre questões fundamentais da existência não é tarefa para qualquer um. Sim, cada qual de nós tem uma aptidão ou aptidões (não sejamos reduzidos ao singular!). Mas aptidão não é sinônimo de acomodar-se ao mesmo.

Comer a mesma comida. Vestir o mesmo tipo de roupa. Frequentar os mesmos ambientes. Conviver com as mesmas pessoas. Ler o mesmo tipo de livro. Fazer sempre o mesmo caminho na ida-volta do trabalho. Assistir a mesmíssima programação da TV… Isso tolhe a capacidade de desenvolvimento cognitivo de qualquer pessoa – além de deixar a vida bastante chata!

Uma pessoa com sede de conhecimento e disposta a desenvolver inteligências se desafia a provar um prato diferente; a usar uma cor diferente; a visitar lugares novos; a dialogar com pessoas que discordem dela; a ler poesia ou um livro de economia para variar; a perder-se por um caminho diferente na volta para casa; a ir ao cinema… Inteligências precisam ser desenvolvidas. Por isso, burrice mesmo é ficar na mesmice.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.