Como a gastronomia interfere nas nossas relações

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Pensando sobre qual livro escrever aqui no blog me deparei com um do Luis Fernando Veríssimo que adoro, sempre com histórias leves e recheadas de humor. Já havia escrito sobre esse livro antes, mas é sempre bom recordar – e reler – cada parágrafo que me traz boas risadas. O livro é A Mesa Voadora, de 2001, tem 152 páginas e foi publicado pela editora Objetiva. Uma leitura fácil e gostosa.

Com humor, ironias e uma visão bem peculiar, Veríssimo conta muitas histórias verídicas pelas quais passou relacionado ao belíssimo ato de comer, beber – degustar. Dentre os capítulos, tem desde situações entre dar moral para a mulher do amigo versus perder a amizade e a costela maravilhosa do amigo, enviar a conta de um restaurante divino para um amigo via carta só para passar inveja, paquera e disputa mediados pelo paladar.

Dentre os capítulos, três são memoráveis. O capítulo inicial, Buffet, dá até dicas para a hora do “ataque”: macetes, impiedade e coação. O início do capítulo já diz tudo:

“Um dos martírios da vida social moderna é o buffet. […] Diante de um buffet você deve se debater entre dois sentimentos: a vontade de comer tudo e o remorso por estragar a arquitetura. Depois, é claro, de agradecer à providência por pertencer aos 30% da população que comem e à minoria ainda menor que é convidada a buffets. Pois o buffet também é a apoteose da boca-livre.” (VERÍSSIMO, 2001, p. 11-12)

O segundo capítulo memorável é “O come e não engorda”, o sonho de todos nós. “Ninguém é mais admirado do que o come e não engorda. Você o conhece. É o que come o dobro do que nós comemos e tem a metade da circunferência e ainda se queixa: – Não adianta. Não consigo engordar”.

Um dos melhores capítulos, o terceiro da minha seleção, é o que fala dos ovos. Me identifiquei do início ao fim, pois, quando criança, adorava comer ovos e não podia exceder a dois por semana, por conta daquele papo de que ovo demais faz mal. Vale até o esforço de digitar um pedacinho do texto:

“Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema. […] E agora estão dizendo que tudo foi um engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca. A próxima notícia será que bacon limpa artérias.” (VERÍSSIMO, 2001, p. 65)

Vale a pena cada segundo de A mesa voadora. Nunca ri e tive vontade de degustar ao mesmo tempo. Episódios passando em minha mente. Ah, sim, pecado terrível esse da gula.

Título: A mesa voadora

Autor: Luiz Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva

Especificações: 126 páginas

Preço médio: R$ 38,00

Jornalista, observadora, intensa, amante da vida. Gosto de inovação, planejamento, comunicação, cultura, cidadania, informação, organizações, empreendedorismo, mídia e sociedade. Pessoas, cidades, conhecimento, curiosidades, desafios, filmes, livros, histórias e liberdade também integram essa lista. Acesse www.kalynemenezes.com.br e conheça mais sobre mim.