Apego e desapego: já pensou nisso?

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Se tem uma palavra que caiu no gosto do povo é “desapego”. Até aí, tudo bem, pois desapego, de uma maneira resumida, significa desprendimento diante da vida, das superficialidades, da vaidade em prol de fatos importantes e que tenham sentidos mais profundos, que estão vinculados ao saber dividir e compartilhar a vida de uma maneira generosa.

Mas, no cotidiano, a palavra desapego tem sido associada a romances frustrados, paixonites não correspondidas, venda de bens materiais e um não “importar-se” de maneira geral com a vida. Enquanto apego aparece, quase sempre, com um sentido negativo, de posse em relação a pessoas, situações ou objetos.

Da mesma maneira que desapego tem um sentido muito mais profundo e de transformação interior, o apego também está relacionado a aspectos positivos da conduta e do caráter humano. A primeira definição de apego, segundo do dicionário Michaellis, é de “afeição, afeto, inclinação”. Outros vão mais além, incluindo o sentimento de simpatia, de bem-querer e de apoio.

Lendo assim, vejo apego como elo, aquilo que nos une às pessoas, que nos faz importar-se com elas e abrir mão de determinadas atitudes, prazeres, programas por alguém. E isso de uma forma natural, com liberdade, sem pressão ou possessividade. É querer estar junto, aceitando o outro da maneira que ele é. Apego é, assim como o desapego, abrir espaço para momentos de felicidade, de importar-se com a vida, com o próximo. É dizer “sim” para o outro sem dizer “não” para si mesmo.

Tem um texto sobre abelhas que circula na internet, de autor desconhecido, que explica bem o que significa desapego (e eu incluiria até o apego, no sentido positivo da palavra).

“As abelhas nos dão um grande exemplo de desapego. Após construírem a colmeia, elas abandonam-na. E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento. Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado. Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás. Num ato incomum, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente, o soltam sem preocupação se vai para outro. Deixam o melhor que têm, seja pra quem for – o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou dirigir a doação para alguém de nossa preferência. Se queremos ser livres, parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar um único desejo: o de nos transformar. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda. O sofrimento vem da fixação a algo ou a alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar. Se não abrirmos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?”

Mais do que desapego e apego, eu penso que as abelhas nos ensinam sobre felicidade.

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