A cultura indonésia (2)

By  |  0 Comments

Exatamente duas semanas atrás foi o meu último dia na Indonésia. Depois de uma passada curta na Bélgica estou agora curtindo bastante pão de queijo, coxinhas e brigadeiro nesta terra linda do Brasil. Mas conforme prometi, dedicarei mais um post a Indonésia, já que é uma cultura tão diferente que ainda tem bastante coisas a contar.

Vamos começar pela comida, sempre um assunto gostoso. No meu primeiro post, passei as palavras “pedas” (piquante) e “goreng” (frito) que já são um bom indicador de o que você pode esperar na Indonésia. Passarei mais umas palavras aqui relacionadas à comida, que – claro – foi o vocabulário que eu aprendi o mais rápido.

– Makan: Tem que começar a listinha pela palavra mais óbvia, “makan”, o que quer dizer “comer”. Se ficar hospedada na casa de alguém, pode ter certeza que será a palavra que mais escutará.
– Nasi: Na bahasa Indonesia existem várias palavras para arroz, já que eles fazem uma diferença entre o arroz que ainda está no campo, o arroz que já foi colhido e o arroz pronto para comer. Nasi é o arroz que está no seu prato mesmo e é o que eles comem como café da manhã, almoço e janta. Os Indonésios falam que, se para uma destas refeições não comer arroz, é igual a não comer nada, independente de quantas outras coisas tinha no prato. Um café da manhã com chá, pão, frutas e iogurte então é um absurdo para eles (um comentário que eu tive que ouvir bastante cada vez que eu optei para um café da manhã não-asiático).
Eles também preparam o arroz diferente do jeito brasileiro, já que eles usam uma máquina. Realmente todo mundo tem uma máquina assim em casa e também em restaurantes é como fazem o arroz. Isso quer dizer que eles simplesmente jogam água, sem adicionar nada de tempero. A primeira vez que mandei uma foto do meu prato com arroz para uma amiga brasileira, a reação dela foi: “este arroz está grudento demais!” E quando eu fiz um arroz para mim na Indonésia do jeito brasileiro, a avó da casa lá estava discordando muito com meu jeito de preparo. Precisei de uma tradutora para explicar para ela que era assim que eu queria comer e que não, não estava faltando água e tempo de cozinhar…


– Lontong: Como se não for suficiente de comer arroz três vezes por dia, existe algo chamado Lontong, que é um arroz pressionado junto e embalado em folha de banana. Às vezes é cortado para misturar num prato, mas muito vezes eles comem assim, na mão mesmo, como lanche!
– Ikan: Ikan quer dizer peixe, e algo que achei muito engraçado (e esperto) é que bastante casas no interior tinham um lagozinho no jardim com peixes. Na hora de querer comer peixe, era só pegar um, limpar um pouquinho e fritar!
– Warung: Um “warung” é o nome que dá para um pequeno restaurante, que geralmente é aberto na rua. Quando vai num outro país os turistas às vezes ficam com medo de comer num lugar assim que fica na rua e geralmente não é muito organizado. Mas nos meu tempo todo na Indonésia só almocei ou jantei em warung, e posso dizer que é a melhor escolha. Muitas vezes a comida é preparado na hora, é baratinho e é muito gostoso!


Também o jeito de comer é diferente. Os dois jeitos mais usados é de comer somente com colher, ou com a mão. Digo “a mão” no singular porque realmente é para usar somente a mão direita. Isso não é somente para por exemplo pegar a coxa do frango, mas é realmente para comer o prato todo, com arroz e tudo (descobri que se não quiser ter que ficar procurando arroz debaixo da sua unha, este método de comer não é recomendado a pessoas com unhas compridas). A ‘sorte’ é que na Indonésia é muito normal comer a sua comida morno ou até frio, então pelo menos não queima a mão. Para comer miojo eles também usam palitinhos, com como alternativa um garfo, mas para os outros pratos é somente colher mesmo. O hábito de usar uma faca não existe (eu sou especialista em cortar minha comida em pedaços extremamente pequenas então precisei de me acostumar bastante com isso), e praticamente nem tem faca em casa, só uma ou duas maiores para cozinhar.

Além disso, é muito normal de sentar no chão para comer. No dia a dia come na mesa, mas quando tem uma festa na casa de alguém o mais comum é de colocar um tapete e sentar no chão. Isso também existe em alguns “warung”: eles botam um tapete na calçada e você senta lá para almoçar ou jantar.

No meu primeiro post comentei sobre a atenção que estrangeiro (“bule” na língua indonésia) chama, mais ainda quando é branca, alta e com cabelo loiro como eu. Quando me mudei da cidade para a vilazinha, descobri que lá realmente tem pessoas que nunca viam uma pessoa branca na vida real. Assim uma pergunta típica das crianças era como foi que eu consegui ter olhos azuis, ou também se eu estava usando uma lente colorida. Até tinha criança perguntando para a professora porque eu sim fui liberado de pintar o cabelo e eles não (é moda de menino pintar o cabelo moreno, mas a escola não liberava). E já que eu tenho cabelo loiro, a única possibilidade para eles é que eu pintei.

O que sempre achei bem legal é que todo mundo te chama de “Miss” (= “senhorita”). Eles aprendem um pouquinho de inglês na escola e assim conhecem as palavra “Miss” ou “Mister”. Já que é uma cultura de respeito e bem educada, todo mundo, seja vendedor ou alguém querendo tirar foto com você ou aluno de escola, te chama de “Miss”. Até quando homem quer mexer com você na rua, o que nem tem muito (eles olham bastante, mas não mais do que as mulheres e as crianças), o máximo que acontece é que falam “Miss, how are you?”. Quase é bonitinho, principalmente se comparar com o que tem que ouvir andando nas ruas no Brasil.

Umas outras coisas típicas de Indonésia:
– Lagartixa: Se não gostar de lagartixa, você tem um problema. Ou seja, eu tinha um problema. Acho que no final parei de morrer de susto cada vez que passava uma na parede do meu lado e até quando tinha uma no meu quarto, eu ia dormir em vez de ficar morto de sono olhando ela para ver se com certeza ia sair alguma hora. Mas nunca vi tanta lagartixa na minha vida e com certeza não dentro da casa.
– Censura: O primeiro filme que por acaso vi passando na televisão era Os Três Mosqueteiros. A personagem feminina principal no filme usa um vestido de espartilho bem apertado e então, um decote bem chamativa. Isso no filme original, já que na Indonésia, o decote ficou censurado! Depois descobri que eles censuram tanto decote, quanto cigarro (mesmo que passa propaganda de marca de cigarro toda hora (mas somente depois das 22hs)), álcool e armas nas programas de televisão.
– Sapato: Sempre tem que tirar o sapato para entrar numa casa. Isso também é quando vai sentar por exemplo num “warung” que botou o tapete na calçada: você tire o sapato antes de pisar no tapete.
– Natação de roupa: Este foi bem diferente para mim: quando vai em piscina, mulher usa uma calça comprida, uma camiseta e continua com véu na cabeça. Não é muito confortável e com certeza não é prático para tomar sol (para mim então, já que as Indonésias não querem tomar sol mesmo).


– Gatos: Existe muito gato de rua na Indonésia e coitado dos bixinhos mas, eles são muito muito feios. Estão magro demais, não quero nem imaginar de quantas doenças tem e o pior de tudo, eles tem um rabo cortado! Na verdade eu pensava que o rabo foi cortado, e um Indonésio também me confirmou isso, mas parece que uma possível explicação é que eles nascerem assim, que é uma raça de gato. Eu só sei que eu perdi a vontade de ficar passando mão em gato de rua. Interessante também é que quase não vemos  cachorro, e muitas pessoas que conheci lá falaram que tem medo de cachorro. Na ilha de Java quase não tem porque muçulmanos acham que cachorro é sujo.
– Batik: Quem vai para Indonésia, com certeza vai encontrar este tecido. É um tecido estampado tradicional da Indonésia, que sempre é usado para roupas de festas e também para roupa formal por exemplo de funcionário público ou professor. Na verdade o tecido mesmo não achei muito agradável para usar como roupa, mas é bonito.

Para terminar meus posts sobre a Indonésia, gostaria ainda de contar sobre um lugar turístico, que na verdade é o único lugar bem famoso que visitei já que por causa do projeto de voluntária eu viajei pouco. Este é um lugar sobre qual achará informações em qualquer guia de turismo porque é um dos pontos mais famosos na ilha de Java. O lugar chama “Candi Borobudur”, traduzido como “Templo do Borobudur”, que é o maior monumento budista do mundo. Está localizada entre Semarang (onde eu fiz um mês de projeto) e Yogyakarta, uma cidade bem turística na Java. Deixo as fotos falarem por si mesmo:

No meu próximo post falarei sobre minha viagem de um dia para Cingapura, um país bem interessante e muito agradável!

Até!

Sou a Veerle, belga de nacionalidade, mas um pouquinho brasileira de coração, tanto por interesse profissional (sou graduada em Negócios Internacionais) como por lazer. Tento viajar o máximo possível e sempre conhecer novas culturas e novos lugares. Além de viajar, gosto de música, ler e yoga.