Um resumo da minha história

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Nasci em um parto prematuro, com seis meses e meio, junto com um irmãozinho gêmeo, que infelizmente não resistiu. Fui diagnosticado com paralisia cerebral ainda bebê, pois minha mãe percebeu que meus movimentos não correspondiam com os das outras crianças da minha idade. Desde então, minha família passou por diversos questionamentos e inseguranças. Na época, não tínhamos referências, não sabíamos de fato onde eu poderia chegar ou quão normal minha vida poderia ser.

Para você ter uma ideia, fui dar meus primeiros passos aos sete anos, apesar de sete médicos terem afirmado que isso seria impossível. Desde então, percebi que o impossível é apenas mais uma barreira a ser ultrapassada em nossa jornada. Digo nossa pois a família tem um papel fundamental na evolução de pessoas especiais.

Apesar das adversidades, minha infância foi muito alegre, porém, na adolescência resolvi abandonar tudo. Saturado da rotina de fisioterapia e achando bizarro o meu jeito de andar, mergulhei numa vida de terceirização do problema e vitimização. O resultado disso foi que fiquei acamado por alguns dias, com o ciático encurtado e músculos travados por conta da espasticidade em grau grave.

Passei por três ortopedistas e a solução convencional seria a cirurgia. Um deles, porém, me disse que se eu retomasse a rotina de exercícios, em um ano poderia não necessitar mais da cirurgia. Somente isso não foi determinante para a minha mudança.

Uma conversa que minha mãe teve comigo após essa série de consultas, na qual ela me disse as seguintes frases “Sam, a gente sempre onera alguém” e “Se você não gosta de si mesmo, inicie a mudança por mim e pelo seu pai”, foi o que de fato me tocou para que eu decidisse assumir as rédeas da minha vida e resolvesse dar a volta por cima! Você percebe a importância da família nessa jornada?

Foto: Gioavanna Bembom

Daí para frente retomei minha rotina de exercícios e sempre busquei fazer um pouquinho mais a cada dia.

Mudei minha mentalidade!

Isso refletiu diretamente na minha evolução física. Uma coisa que colaborou para eu ter ficado esse período muuuito triste, é que não via pessoas com as mesmas dificuldades que eu conseguindo bons relacionamentos, bons empregos etc. Mas isso foi há 15 anos. Hoje, graças à internet, somos capazes de ver pessoas com deficiência tendo uma vida praticamente normal.

Muitas vezes sou procurado por pessoas em condições semelhantes a minha e também por seus familiares. Compreendo suas angústias e dores, pois já vivi muitas delas, e com muito menos respaldo e perspectiva.

Dou palestras, propago minha história de vida por todo Brasil, mas acreditando que posso ajudar muito mais pessoas e resolvi, junto com a minha mãe, que tem uma importância gigantesca na minha vida, criar um curso para que todos possam enxergar que podemos ser muito felizes. Uma das frases que eu mais gosto é “diagnóstico não é destino”.

Palestrante, Paratriatleta e Empresário. Aos 28 anos, desafiou o impossível tornando-se a primeira pessoa no MUNDO, com o seu grau de deficiência, a completar um Triathlon. Sua extraordinária história de superação contada na palestra Senhor do Próprio Destino, contribui para que empresas alcancem grandes resultados extraindo o melhor de seus colaboradores através de uma importante reflexão: Será que você está sendo a sua melhor versão?