#Tbt

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Todas as quintas-feiras fico atento ao feed dos meus contatos nas redes sociais. Não sei porquê, mas a quinta-feira foi escolhida como o dia da nostalgia. Talvez porque a segunda-feira seja o dia de reclamar que a semana começou, a terça seja o dia do trabalho resignado, a quarta seja o dia de comemorar o meio da semana, a sexta-feira carregue o conhecido slogam de “sextou” preparando a maioria para desfrutar do descanso de sábado e domingo. Restou à quinta-feira a nobre missão de resgatar o passado.

Throwback Thursday (traduzindo: quinta-feira do retorno ou quinta-feira do regresso) ou simplesmente #TBT é uma brincadeira que consiste em o usuário postar uma foto antiga em alguma rede social na quinta-feira. Trata-se de uma brincadeira bastante séria, pois evocar memórias e lembranças é algo muito mais complexo do que o breve like angariado. Toda hashtag tbt nasce de uma saudade. E saudade é coisa séria.

Somos seres que vivem de memória. Nossas próprias memórias e toda uma ancestralidade de informações e sentimentos que nos tornam quem somos. Num passado nem tão distante, registrávamos tudo em livros, buscando colocar em palavras sentimentos e acontecimentos que merecessem ser recordados. Prova disso são nossos livros de história, os romances e porque não os quase-extintos diários. Mas não bastavam palavras, precisávamos registrar imagens, porque não dá pra confiar apenas no registro da memória. Surgiram fotografias e toda a sua escala evolutiva, passando por álbuns preto e branco, fotos coloridas até chegar nas “nuvens” que armazenam um sem-fim de imagens. Tudo isso para não esquecer.

Rubem Alves certa vez referiu-se às fotografias como “arquivo paralisado de felicidade perdida, que retornam quando de novo as vemos”. Creio que seja essa a melhor definição de saudade. O desejo de re-experimentar o que foi bom, feliz e especial com o intuito de fortalecer-se para enfrentar o presente, ou esperançar o futuro. A verdadeira experiência de espiritualidade brota do cotidiano, inclusive nos seus contornos mais digitais, quando nos consolamos com um rito virtual de ressuscitar a felicidade que um dia perdemos.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.