Drive

Uma das melhores e mais rápidas leituras que fiz esse ano, “Drive”, de James Sallis, é um prato cheio para amantes de histórias sobre crimes, ambientes sujos, personagens enigmáticos e carros, muitos carros. O Piloto, personagem principal cujo nome nunca é revelado, é o centro da história.

Ele, que costuma dizer que “apenas dirige”, é o melhor no que faz. Durante o dia, trabalha como dublê de filmes. À noite, faz serviços fora da lei. E ele deixa bem claro que sua única função é conduzir o veículo até o local, esperar o ato e fugir dali. Só que tudo desanda quando um dos assaltos não ocorre como esperado e, a partir daí, a trama gira em torno do Piloto tentando salvar a sua própria vida.

Seguindo uma linha do tempo não-linear, a estrutura pode deixar o desenrolar dos acontecimentos meio confuso a princípio, sendo necessário retornar algumas páginas em certos momentos para compreender melhor em qual parte do tempo determinado capítulo está. Porém, isso não atrapalha o entendimento da história. E alguns deles centram-se em outros personagens, como o Doutor e o vilão, Bernie Gold, o que deixa o livro ainda mais interessante.

O texto possui um vocabulário bem coloquial, cheio de gírias, palavrões e um humor negro bastante refinado. Os locais são bem detalhados, e o leitor, de certa forma, entra no ambiente. E por se tratar de relações entre personagens cujas atitudes são bem questionáveis, o teor de algumas cenas é de bastante violência.

Assim como o livro que falei sobre no último texto, “Drive” também ganhou uma adaptação (bem elogiada e vencedora de prêmios, por sinal) para os cinemas. Ryan Gosling fez o papel do Piloto e, apesar de achá-lo um bom ator, sua atuação não me convenceu e as mudanças da adaptação em relação ao livro me incomodaram. Entretanto, a película é de uma fotografia e direção impecáveis, lembrando muito a estética de filmes noir.

Falando em modo particular, até tento, não consigo desassociar a obra literária da cinematográfica. Logo, o filme não é tão brilhante quanto o livro. Se o leitor consegue fazer tal distinção, os dois serão de todo agrado.

Boneco de Neve

Nem Michael Fassbender conseguiu salvar a bomba que é o filme “Boneco de Neve”, baseado no ótimo livro do norueguês Jon Nesbo.

A obra impressa, que é narrada em terceira pessoa e alterna capítulos passados no presente e alguns flashbacks, conta a história de Harry Hole, um dos melhores (se não o melhor) detetives da polícia norueguesa e único do país a capturar um serial killer (isso na Austrália, se a memória não estiver falha) e Katrine Bratt, sua nova parceira de investigação, na busca ao chamado “Boneco de Neve”, suspeito de ser o primeiro serial killer a atuar na Noruega.

O livro surpreende com uma exuberante riqueza em detalhes, personagens muito bem desenvolvidos e momentos de pura tensão, enquanto o filme peca ao conduzir a história de forma rasa e simplória, deixando de lado o suspense (praticamente inexistente) e adotando uma forma mais direta em desenrolar os acontecimentos.

“Boneco de Neve” foi a terceira aventura que fiz no campo da literatura policial e, por coincidência, todas foram adaptadas ao cinema. Porém, ao contrário de “Boneco de Neve”, as outras duas histórias foram muito bem contadas na sétima arte.

Uma delas é “O Colecionador de Ossos”, onde acompanhamos Lincoln Rhyme, um brilhante investigador cuja carreira é interrompida após um acidente que o deixa tetraplégico. Porém, com a mente ainda funcionando, ele utiliza todo o seu conhecimento e percepção na busca pelo assassino que está assustando a população com métodos não-convencionais para levar suas vítimas à morte, tendo como base a Nova York do início do século 20. O filme baseado no livro tem a presença de Denzel Washington e Angelina Jolie nos papéis principais e é muito bom.

A outra é nada menos que “O Silêncio dos Inocentes”, um clássico absoluto do cinema. Aqui temos Clarice Starling, uma ainda novata do FBI que, a partir de conversas com o psiquiatra/psicopata Dr. Hannibal Lecter, investiga pistas para encontrar Buffalo Bill, um serial killer que esfola mulheres e as despeja em rios por vários estados diferentes. A atuação magistral de Anthony Hopkins como Lecter tornou o vilão um ícone da cultura pop.

É certo assumir certa injustiça ao exigir que um filme de duas horas consiga extrair por completo um tijolo de 418 páginas, mas o diretor Tomas Alfredson poderia, sim, ter contado a história de forma mais fiel e intensa quanto o livro, assim como os diretores de “O Colecionador de Ossos” e “O Silêncio dos Inocentes” fizeram. Decorrer uma investigação de modo tão raso e monótono foi como derreter o próprio boneco antes mesmo que ele tivesse alguma forma.

Os três livros eu encontrei na Americanas de LEM e todos com um ótimo preço, numa época em que a loja não estava infestada de livros de auto-ajuda e “biografias” de youtubers. Já os filmes, digamos que utilizei formas “alternativas” para assisti-los.

Clássicos que amamos: livros do tempo da escola que você perdeu muito se não leu

Eu sei, com certeza você era um adolescente que não gostava de ler. A maioria das pessoas que conheço me dizem ter sido um jovem que não lia, e mais: não lia porque não gostava. Uma boa parte da justificativa dessas mesmas pessoas era a obrigatoriedade de leitura, principalmente quando estavam no período escolar e os professores faziam aquelas listas gigantescas (e maravilhosas, porque eu amava).

Fui uma adolescente de extremos. Ao mesmo tempo que amava os clássicos, também lia Crepúsculo e afins. E por isso, possuo uma lista de leituras feitas até que considerável no currículo da vida. É possível amar os livros clássicos tanto quanto amamos a literatura contemporânea que surge dia a dia sob os nossos olhos. Quer umas dicas de livros clássicos para ler e se apaixonar de vez? Se liga!

O ateneu – Raul Pompeia

Amo esse livro com todas as minhas forças, e tudo começou quando eu ainda estava no ensino fundamental. Li um livro chamado “Onde fica o ateneu?” que fazia parte de uma série especial, onde eram feitas histórias semelhantes e lotadas de referências ligadas ao livro original. Foi ali que me deu muita vontade de ler a obra de Raul Pompeia. Assim o fiz, e foi ótimo.

O cortiço – Aluísio Azevedo

Mais um que surgiu em minha vida através da série especial que citei acima. Após ler “Dez dias de cortiço”, veio a curiosidade sobre a obra de Azevedo. Eu acho esse livro incrível por conta de suas personagens, que são extremamente bem construídas e até um pouco caricatas. Cada um, com sua personalidade, faz a diferença no romance que conta a história de João Romão, o dono do cortiço que dá nome à obra.

Clarissa – Érico Verissimo

Publicado em 1933, esse livro foi um achado. Sem muita ação, ele conta a história de Clarissa, que relata com muita naturalidade e até mesmo um pouco de inocência o que acontece a sua volta. A maneira como Verissimo narra essa história é genial, conferindo uma grande riqueza de detalhes à obra, que nos faz ter uma ideia muito legal de como era o Brasil nesse período.

A Paixão segundo GH – Clarice Lispector

Se engana quem pensou que eu colocaria “A hora da estrela” na lista. Minha obra preferida de Clarice é essa, e eu sempre sofro ao explicar às pessoas sobre o que ela fala. Um tanto quanto inquietante, o livro passa ao leitor as preocupações emocionais da personagem GH, uma mulher bem sucedida profissionalmente e que busca seu conhecimento interior.

GH não tem nome, o que faz com que ela se identifique com todos os seres do mundo. O enredo – a demissão da empregada doméstica faz com que a patroa faça uma faxina no quarto da funcionária e encontre uma barata -, que é considerado extremamente tolo por alguns, se torna um momento de profunda reflexão existencial. É profundo…

Mar Morto – Jorge Amado

Ah, esse talvez seja meu preferido.

Foi escrito em 1936, quando o incrível Jorge Amado tinha apenas 24 anos. O livro conta histórias da beira do cais da Bahia, como diz o próprio escritor na primeira frase do livro. União da mitologia em torno de Iemanjá e história ricas em detalhes que nos ambientam dentro de nosso estado. E sim, a novela Porto dos Milagres foi inspirada nele. Mas te conto que o livro é mil vezes mais legal!

Todos esses livros são super fáceis de serem encontrados, e eu tenho certeza que seriam uma ótima porta de entrada para você que quer ler mais. Fica a dica para 2018. Quem sabe não surge um novo leitor aqui, hein? 😉

Bazar Desapegar Faz Bem LEM – Edição de Natal

O Bazar que reúne atitude sustentável e peças com valores a partir de R$ 10 acontece no dia 02 de dezembro na Agência Immagine

 

O Bazar que movimentou mais de 200 pessoas na sua última edição, já tem data marcada para o próximo! O bazar de Natal Desapegar Faz Bem LEM acontecerá no dia 02 de dezembro, sábado, entre 09h e 19h na Agência Immagine (Rua Glauber Rocha, 307, Empresarial Leal, Jardim Paraíso, LEM).

O Desapegar Faz Bem LEM surgiu da busca por um consumo mais consciente e atitudes sustentáveis. Afinal, estamos vivendo na era do Slow Fashion que, na moda, é um movimento sustentável, uma alternativa à produção em massa, que vem ganhando força e veio pra ficar. Assim, nossas convidadas vão desapegar de roupas à livros, para que essas mesmas peças conquistem o coração de novos donos.

Além dos produtos à venda, quem for ao Bazar vai encontrar ótimas energias, música, bebidas e comidas deliciosas, e muitos achados fashions com preços irresistíveis. Na última edição, houve peças de marcas famosas como BoBô a partir de R$ 10. Confira abaixa a listagem das convidadas e quais são os produtos que elas vão desapegar. PREPARE-SE!

❤Vanessa Horita

Roupas, carteiras e bolsas.

 

❤Bia Müller

Roupas, sapatos e vestidos de festa.

 

❤ Alessandra Zanotto

Roupas, calçados, bolsas, cintos e óculos.

 

❤Carminha Missio

Roupas e livros.

 

❤ Rute Granich

Roupas, sapatos, bolsas e lenços.

 

❤ Dávila Kess

Roupas e livros.

 

❤Isabela Cruciol

Roupas, óculos e bolsas.

❤Tamires Vieira

Roupas.

❤Dalita Dutkievicz

Roupas, maleta de maquiagem e livros.

 

❤Ana Greyce Gatto

Roupas, sapatos, bolsas, cintos e óculos.

 

❤Claudia Leão

Decoração.

 

❤ Tizziana Oliveira

Roupas, sapatos e livros.

 

❤ Camila Franciosi

Rupas e bolsas.

 

❤Mônica Zanotto

Roupas e livros.

 

❤ Ana Gudrin

Roupas, calçados e acessórios.

#DESAPEGAR FAZ BEM LEM – EDIÇÃO DE NATAL

Achados Fashion – Roupas – Décor – Livros – Música – Comidinhas – Gente do Bem – Bebidas – Alegria – Atitude Sustentável

Vamos fazer parte dessa ação do bem?

Sábado, 02 de dezembro
Das 09h às 19h

Na Agência Immagine
Rua Glauber Rocha, 307, sala 02, Jardim Paraíso (entre os restaurantes Mandacaru e Galetíssimo)

Telefone para contato: (77) 9 9933.3055

This Is Us: uma série para amar e chorar

Eu realmente acredito que o mundo esteja saturado de histórias tristes e de pessoas doentes. A maioria gritante dos livros e filmes produzidos atualmente contam a trajetória de pessoas passando por dificuldades e de amores interrompidos e eu simplesmente não tenho paciência para mais do mesmo. Mas com This Is Us, é diferente.

Lançado no ano passado, me deparei com a proposta de incluir mais uma série na minha extensa grade meio que do nada. Uma amiga que entende muito do assunto postou em seu Facebook que estava assistindo e eu, curiosa que sou, falei: “ah, vou dar uma chance”. Caminho sem volta. Fui pega. Foi um momento bem Pabllo Vittar com “seu amor me pegou, bateu tão forte com o teu amor”.

This Is Us é transmitida pela NBC e conta a história de três irmãos que nasceram no mesmo dia: Kevin, Kate e Randall. Jack e Rebecca são pais de primeira viagem que se esforçam diariamente para criar as crianças que possuem personalidades distintas. Kevin é um ator acostumado a lidar com o sucesso, mas que está cansado de interpretar papeis superficiais; Kate sofre com a obesidade e enfrenta a eterna luta dos padrões impostos pela sociedade, lutando arduamente para perder peso e medidas; Randall é um empresário bem sucedido que precisa lidar com o maior dilema de sua vida: encontrar seu pai biológico e se reaproximar.

A série trata de dramas reais, como adoção, doenças terminais, padrões de beleza, ego, depressão, dificuldades financeiras, autoestima, amor, família, racismo, entre tantos outros. Tudo é abordado de maneira tão delicada que é impossível não por o dedo na consciência e pensar a respeito, nem que seja por míseros 5 minutos. É uma série delicada e ao mesmo tempo muito forte, assim como seu elenco, encabeçado por Milo Ventimiglia (o eterno Jess de Gilmore Girls, o namorado que queríamos para Rory – ainda vou falar sobre isso em um outro post) e Mandy Moore (minha – e de muita gente também, tenho certeza – musa de Um Amor Para Recordar). Gosto muito de como os dois combinam nos papeis de Jack e Rebecca, muito mesmo.

Nos episódios da série, que não passam de 45 minutos cada, é possível perceber dramas reais, que muitas pessoas próximas a nós enfrentam. E não me espanta o choro descabido e “sem explicação” que começa DO NADA no meio de um episódio. Nem vou te julgar se isso acontecer com você, porque sempre assisto a essa série sem qualquer tipo de maquiagem, para não correr o risco de ficar parecendo um panda. Choro mesmo.

This Is Us vai te fazer lembrar da sua infância, do seu pai ou da sua mãe que já se foram ou moram longe, de um ex namorado embuste que te tirou o rumo da vida, ou simplesmente de você. This Is Us pode te lembrar de pensar em como você leva sua vida ou até mesmo como você lida com seus problemas diários. Afinal, todos nós temos muitos.

A série não está disponível na Netflix, mas a gente é brasileiro e sempre dá um jeitinho, né? Se quiser dicas de sites para assistir ou para baixar, me chama! A trilha sonora é igualmente maravilhosa e está disponível no Spotify!

Livros que li, picolés que chupei

Primeiro eu ia escrever sobre a garota que me vendia picolés. Ainda não consigo me decidir sobre o porquê de ter abortado a ideia. Ela tinha cabelos cacheados. Longos e cacheados. Não sei se macios ou cheirosos. Infelizmente, não tive oportunidade de conferir. Quando ela me vendia picolés, os cachos estavam sempre escondidos, enclausurados numa touca. Descobri que eram longos e cacheados pelo Facebook. Quanto atrevimento, procurei pelo nome dela nas redes. Achei e até esbocei um flerte. Ah, deixa para lá. Talvez ainda escreva sobre ela.

Ando tão relapso com esse espaço. Essa rotina. Essas quartas-feiras. Falta de assunto, diria um amigo/leitor. Mas, não sei, ando indeciso. De novo, não consigo me decidir se é apenas falta de assunto. Escrever sobre a garota que me vendia picolés, por exemplo, não me parece falta de assunto. Não mesmo. Ela já ganhou um parágrafo quase só para ela, porque não, uma crônica inteira?

Decidi escrever sobre os livros que li esse ano. Catorze. Pouco, bem sei, mas em se tratando da média de livros que são lidos pelo brasileiro anualmente, meu escore é, até, alto. Se a calculadora do meu notebook estiver certa são quase dois livros por mês. É pouco. Já disse. Deviam ser três, quiçá, quatro ou cinco leituras/mês. Nunca tinha lido tanto num ano. Vergonha, né? Mas, verdade. Eis o fato.

Gostaria de saber quantos livros a garota que me vendia picolés leu este ano. Quem sabe sugerir algum. Saramago, talvez. Ou alguém da nova safra de autores nacionais, que tal a Natalia Borges Polesso, o André Timm, a Carol Bensimon.

Será que ela ia gostar?

Que tal, O ano em que vivi de literatura, do Paulo Scott?

Era uma boa vendedora. Convincente. Na primeira vez me fez comprar cinco picolés de uma vez. Levei para casa. E, confesso, chupei um a um, pensando nela, a garota que vendia picolés. Que diabo isso tem a ver com os livros que li esse ano, não sei, repito, ando indeciso. Será possível entender? Tenham paciência. É só o que peço.

Em alguma revista acadêmica li algo sobre serem dois o número de livros que um leitor — foge-me a palavra, vou usar uma similar — assíduo lê por ano no Brasil. Peço escusas, estava doente, garganta inflamada, mal conseguindo engolir a saliva. Sei que li. Tenho testemunhas, um casal de amigos e o irmão vegano da moça, que aliás (ela, claro), é musicista, violinista.

Dois.

Um livro por semestre. Um livro. Se eu sinto vergonha da quantidade de livros que leio, quem dera, o brasileiro padrão. Será que padrão é uma palavra adequada. O que seria padrão? Este que trabalha oito horas/dia, enfrenta trânsito, tumulto, come mal, e à noite, assiste novela e Jornal Nacional ou vice e versa. É isso?

Não me sai da cabeça esse número. DOIS. E eu com meus catorze livros lidos até aqui. Meados de agosto. O décimo quinto iniciado ontem à noite e já pensando nos próximos da lista, sonhando chegar em vinte. Será que consigo ler vinte livros esse ano? Será que consigo manter essa média no ano que vem e no próximo e assim por diante?

Estou farto e cansado de ler e ouvir que o hábito de leitura vem de berço. Influência dos pais. É quase como se você nascer numa casa em que papai e mamãe não leem com frequência, você está, digamos que, salvo. Isento. Que pena, não podemos fazer nada, ele (ou ela) não cresceu num lar onde se incentive a leitura, onde existam livros, uma biblioteca. Como se isso servisse e isentasse escola e sociedade de promover o incentivo à leitura. É cômodo.

Basta de comodismo neste país, não acham?

Mais fácil ligar a televisão, colocar num canal de desenho animado, afinal, todos tem SKY, mesmo que pirateada, ou, vasculhar o Youtube em busca de algo que ofereça entretenimento raso. Para quê livros? É chato. Porque vou ler se meu pai e minha mãe não leem? Se nunca os vi com um livro na mão?

Porque cargas d’água haveria eu de procurar conhecer a obra de Gabriel Garcia Márquez, por exemplo?

Ou, pior, investir mais de setenta moedinhas de um real num livro de capa dura de quinhentas páginas que trata de um homem quase sexagenário, em crise, com uma vida medíocre, em vias de ver sua amada filha partir para uma aventura na África e, ainda assim, descobrir que este é um dos melhores livros que poderia ter lido na vida.

Tirza, o nome, se interessar. Arnon Grunberg, o autor.

Aliás, eu até emprestaria esse pra garota que me vendia picolés.

3 livros para ler e refletir sobre a vida

Antes de qualquer coisa, quero dizer que foi bastante difícil reduzir esta lista à 3 títulos. Acumuladora que sou, tenho livros demais, e sou uma das pessoas mais indecisas do mundo, até mesmo no momento de escolher o que ler/assistir/ouvir. Mas independente do fato de ter muita coisa nas estantes, posso afirmar que alguns títulos se sobressaem.

Existem livros que nos fazem descansar a mente, enquanto outros nos fazem trabalhar ainda mais os neurônios. Alguns nos instigam a pensar e até mesmo a querer sermos melhores como ser humano; outros nos alertam sobre assuntos muitas vezes esquecidos por nós no dia a dia. Hoje escolhi 3 títulos que nos fazem pensar (e muito, na verdade). Vamos à lista!

  • Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

Obra que também possui uma produção cinematográfica e que dispensa maiores apresentações por conta do fator Saramago, não é mesmo? No livro, um homem é acometido à condição de cegueira repentinamente, mas não uma cegueira comum; aconteceu como se uma lente branca fosse colocada em seus olhos. Esse foi o primeiro caso da epidemia de cegueira branca que se espalharia gradativamente por todo o país.

A medida que os governantes tomavam conhecimento da “treva branca”, eles direcionavam todos os contaminados a um local de isolamento, onde eram obrigados a viver em conjunto, sem enxergarem e com pouquíssimos recursos. Apenas uma mulher ficou ilesa à cegueira, e ela ocupa um lugar bastante importante na narrativa, pelo fato de ter olhos quando os outros os perderam.

Conforme a trama se desenrola, conseguimos perceber que as pessoas não perdem os hábitos e nem mesmo seus pudores, já que em dados momentos onde trocam suas roupas, sentem-se envergonhados frente aos companheiros de isolamento. São assuntos que nos fazem repensar como vivemos, o que fazemos e que para onde iremos. O instinto de sobrevivência é algo fortemente abordado na obra, quando vemos o que as pessoas são capazes de fazer para continuarem vivendo; assim como a ganância pelo poder e pelo controle.

Afinal, quem somos? Saramago mostra com maestria que somos, no fundo, nada. O dinheiro não resolve tudo e todos vão para o mesmo lugar no fim das contas.

  • Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

Perturbador, sem um pingo de terror. É assim que este livro é. Conta a história de Kevin, uma criança muito difícil de lidar e até mesmo de ser dominada. Na trama, são contados todos os problemas de Kevin com sua família, onde descobrimos que ele não era uma criança amada pela mãe, que tinha uma dificuldade imensa para criar laços com a criança.

Kevin possuía qualidades especiais e causava problemas com muita facilidade, o que faz com que muitos leitores lidem com a personagem de maneira equivocada. Existem os que o veem como monstro, e existem aqueles que  entendem porque seus pensamentos são de tal maneira.

É um livro para se pensar, acima de tudo. Mas é preciso ter uma certa coragem e até mesmo um bom embasamento e estabilidade emocional para a leitura, já que a obra traz à tona muitos questionamentos familiares e até mesmo psicológicos. Um livro que retrata a maldade fria, cruel e calculista. Uma maldade que muitos de nós não acreditam existir por medo de acreditar que ela exista.

  • Extraordinário – RJ Palácio

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética que lhe deixou algumas sequelas. Com os problemas causados pela síndrome, Auggie precisou passar por diversas cirurgias e algumas complicações médicas e, por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade.

A iniciação de crianças na escola já não é algo muito fácil, pois acontece uma quebra de hábitos bastante intensa. E na condição de Auggie, com um rosto tão diferente, prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, o menino tem uma missão nada fácil pela frente: convencer seus colegas de que, apesar de sua aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

A autora criou uma história repleta de amor e esperança, onde um grupo de pessoas tenta espalhar compaixão, aceitação e gentileza. O livro é narrado da perspectiva de Auggie em boa parte, o que o torna mais emocionante ainda, e também por seus familiares e amigos. Contém momentos extremamente comoventes e alguns outros até mesmo descontraídos.

É um livro que consegue nos fazer refletir sobre a maneira como tratamos as pessoas e qual a importância que damos à nossa família e amigos. É forte, comovente e, sem dúvida alguma, vai tocar o leitor da melhor maneira possível. Ah, e vai virar filme em breve, fique de olho!

Indico fortemente a leitura destes 3 títulos. Tenho certeza de que muitas pessoas gostaram! Se quiser saber mais opiniões sobre o que eu costumo ler, acompanhe minhas redes sociais!

Instagram: @evenvendramini
Skoob: Even Vendramini

Estante: como usar na composição da sua casa?

Oi, pessoal! Andei sumida do blog mas estou de volta!

Aproveitando a deixa linda dos posts da Carol Redlich onde ela explicou como armazenar os livros de forma correta e como planejar a sua estante para que ela seja eficiente, hoje vou falar sobre um assunto que citei no Snapchat na quinta-feira passada, quando estava em uma serralheria fazendo o planejamento da estante que estamos projetando para um cliente que é super adepta dos livros. Planejamos um móvel com ferro, madeira e um desenho bastante contemporâneo.

As estantes estão em alta na decoração. Não sei se é um retorno à leitura da maneira mais tradicional que está estimulando seu uso mais frequente ou se é o charme que dá quando muito bem decorada apoiando os objetos queridos de cada um, os livros, as memórias de viagem, aquele belo arranjo de flor ou enfim, aquilo que cada um mais gosta na sua casa ou á alguns anos as mostras de arquitetura vem trazendo vários exemplos de estantes lindas em seus ambientes e ganhando cada vez mais adeptos.

Já projetamos várias estantes e confesso que o primeiro passo é exatamente o que a Carol falou: qual é a sua necessidade? Quantas coisas precisam estar na estante e quanto de espaço vai sobrar para apenas decorar? Em qual ambiente ela melhor se adequa?

Eu particularmente não gosto de usar estantes ou prateleiras no home; acho que fica poluído e que são usos diferentes, mas eventualmente, se não houver outro jeito, ela pode ter um desenho mais leve e se encaixar bem. Nas salas de jantar temos visto também ambientes de estudo e até como divisória, sendo toda vazada que fica super legal.

Comprar uma pronta ou fazer sob medida? Acho que existem várias opções lindas prontas, mas como sou fã de carteirinha de um espaço bem pensado, as medidas da peça vão direcionar a compra pronta ou sua fabricação. Quando fabricada, você abre o leque de possibilidades podendo inclusive dividir os espaços para que possa atender a necessidade de cada livro ou objeto de objeto de acordo com o seu tamanho. Isso você faz medindo as peças e ajustando cada nicho ou prateleira com o que vai ficar exatamente em cada local. Claro que o mais legal da estante é poder brincar com os objetos e muda-los de lugar de vez em quando, mas ter um local certinho para aquele livro gigante é muito bom.

Pensar na poltrona e na iluminação ideal para a leitura também é muito legal. Criar aquele cantinho intimista onde você pode soltar a mente e se esbaldar em uma linda história, relaxando ou apenas contemplando o seu espaço… Saiba que esta é uma grande tendência. Trazer mais aconchego e criar cantinhos agradáveis, aproveitar pequenos espaços para cuidar de você: são assuntos que virão logo logo em outro post.

Vou mandar alguns exemplos de estantes para vocês se inspirarem e soltarem a criatividade na hora de colocar os objetos que mais amam. E uma dica: na decoração, intercale objetos de materiais diferentes, como madeira, metal, vidro, coloque um vasinho de planta, apoie quadros, solte mesmo a criatividade (ou chame um profissional para te ajudar a montar).

É muito legal misturar tamanhos, cores e texturas diferentes, mas o ideal é que tudo tenha harmonia. Pode ter certeza que vai ficar lindo!

E mais uma dica: se for postar sua estante, seu cantinho ou seu livro preferido no insta, use a #shelfie. Você irá encontrar vários adeptos, assim como você.

Vejo vocês no Snapchat (@canaldaimmagine) hoje!

Confira alguns exemplos de estantes lindas que servem de inspiração para nossas ideias:

 

 

 

 

Decoração: Como transformar a mesa de centro na vitrine da sua casa

Você sabia que a sua mesa de centro pode se transformar em uma verdadeira vitrine da sua casa? Conversando com a Camila e a Joana Franciosi, proprietárias da loja Adorno, surgiram muitas ideias e elas fizeram uma seleção com dicas e inspirações para compartilharmos com vocês. Na loja você encontra opções de mesas sob encomenda, além de objetos decorativos. Mas a ideia desse post é mostrar que todos podem utilizar alguns objetos que já fazem parte de suas casas na decoração. 

Uma coisa que achamos muito bacana é que as meninas acreditam que a decoração, não só das mesas de centro, mas da sua casa em geral, deve parecer com você ou com o que sua família gosta. E este é o primeiro passo para que sua casa fique sempre aconchegante e, claro, com a sua cara. Mas, como podemos fazer isso?

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1- Caixa de osso / 2- Peças de Murano / 3- Plantas / 4- Livros decorativos

Livros e revistas sempre fizeram parte da decoração das mesas e são utilizados há anos como uma forma de recepcionar quem visita sua casa. Na sua mesa de centro você pode colocar livros que pareçam com você e sua família. Vamos ver alguns exemplos?

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Esta mesa foi montada pela Adorno em parceria com a arquiteta Susane Quesinski. Na loja tem muitos livros decorativos e você precisa ver como são todos lindos! “A bandeja aproveitamos de outro ambiente e então conseguimos utiliza-la na mesa de centro, juntamente com outros objetos decorativos da loja”, explica Joana.

Decoração irreverente, também contendo a ideia da bandeja em cima da mesa de centro

Outro exemplo de uma mesa montada com os objetos que você encontra na loja:

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E, que tal utilizar colares na decoração da sua mesa? “Na foto abaixo, vemos muitos livros na parte debaixo da mesa e, na parte de cima, três colares lindíssimos entrelaçados”. Da artista Milena Liberman (Registros Casacor SP)

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Colares na decoração das mesas de centro? Sim!
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Mais um exemplo com muitos livros, muranos e caixas.

Dica da Joana: Vai visitar a casa de alguém e não sabe o que dar de presente? Leve um livro, pois ele é sempre bem vindo na decoração, em mesas de centro, prateleiras de escritório e até cozinhas.

“Separe algum objeto antigo de família ou que tenha algum significado especial para você. Esses objetos tem ‘personalidade’, então por que não apostar neles?” Também há a possibilidade de expor um objeto que você adquiriu em alguma viagem. Fica bem legal!

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Outra dica das meninas é fácil de se aplicar: “Para trazer mais aconchego na sua mesa de centro, use e abuse das plantas. Artificiais ou não, elas sempre dão um efeito especial ao ambiente em que estão”. A ideia de fazer alguns terrários também é ótima, já que pode-se usar plantas que pedem pouca manutenção, como os cactos e suculentas. Na Adorno você encontra algumas opções!

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Home Office da Patricia Hagobian para a Casa Cor SP 2016

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Casa Cor SP 2016 – GILBERTO CIONI

Veja abaixo uma ideia que é muito simples, mas traz muito efeito: vaso de vidro com uma simples Costela de Adão, aquela planta com folhas bem largas e lindas (você pode usar as plantas que tiver no seu jardim). Livros e objetos decorativos especiais dão o toque perfeito na decoração.

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“As nossas sugestões de peças decorativas, caso você ainda não tenha sua mesa montada, além dos livros, incluem as peças de Murano feitas a mão (com a técnica do sopro, com ouro ou sem ouro, com bolhas ou sem, transparentes ou leitosas). Também indicamos as caixinhas de osso, madeira ou espelho. Aproveite-as para esconder controles remotos, chaves e o que mais fica sobre a sua mesa. Vale até guardar algumas balas para servir aos seus convidados”.

Essa é uma foto da loja, onde podemos ver alguns livros e muranos especiais:

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A ideia de esconder (guardar) algumas coisas dentro das caixas é ótima. Tira a bagunça de vista e deixa tudo mais bonito. Inspire-se:

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Mais inspiração com muranos, pincéis, livros e um colar de sementes:

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Muranos, livros e lupas:

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Bowl com suculentas, caixinhas de osso e livros:

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Esta é uma composição com caixas de osso, pinhas e uma bandeja. A Foto é da  Casacor SSA 2015:

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Esta é uma referência mais conceitual de mesa decorada, com vasos de cerâmica branca de formatos diferentes, realçados pela cor da mesa de madeira:

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“Existem apenas alguns cuidados que você deve ter ao decorar a mesa de centro da sua casa: não utilize objetos que tenham o mesmo revestimento que seu móvel, evitando que ele não seja realçado, por exemplo: espelho com espelho, madeira com madeira, vidro com vidro. Tudo depende da ideia a ser colocada em prática, mas tome cuidado”. 

Esperamos que tenham gostado das nossas indicações! Vários produtos mostrados aqui você encontra na Adorno. Aproveite para passar na loja tomar um café com a Camila e a Joana e pegar várias inspirações sobre a decoração da sua mesa de centro!

Adorno – Design e Decoração

77 3628.1666 / 9 9905.1666 (whatsapp)

Avenida JK, 2893, Jardim Imperial, LEM

E começou a FLIB – Feira Literária de Barreiras | Veja a programação

Alô apaixonados por literatura!

Começou ontem a FLIB – Festa Literária de Barreiras, parte da programação oficial do mês de aniversário da cidade. O show de abertura ficou por conta do talento do cantor Bosco Fernandes, que hoje, 19 de maio, comemora 50 anos de vida. A festa reúne autores, estudantes, professores e a comunidade local com uma diversificada programação musical, feira e lançamento de livros, artesanato, roda de conversas, debates, literatura e muito mais. É um evento para você ir com toda a família e se deixar encantar pelo maravilhoso mundo da literatura.

Segundo o site oficial do evento, AQUI, estão presentes na feira os autores Rui Rezende, Clebert Luiz, Roseane Muniz, Miriam Hermes, Solange Cunha, Ananda Lima, Alberto Mariani, Pádua, Pedro de Deus, Marilde Guedes, Celso, Roberto Sena, Ronaldo Sena, Luciana Roque, Irlã Rocha e Joaquim Reginaldo da Mata.

A programação da Flib se divide entre os espaços Tenda do Autor, Palco dos Artistas, Cinema Aberto (palco 1) e Flibinha. Entre os destaques há minicursos, aulão de literatura, oficinas, palestras, performances, lançamentos e muito mais. A programação completa você confere abaixo:

 QUINTA-FEIRACaptura de tela 2016-05-19 10.53.47

SEXTA-FEIRA

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SÁBADO

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DOMINGO

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A Flib está acontecendo no Parque de Exposições Engenheiro Geraldo Rocha e a entrada é gratuita. Também haverá lançamento de livros de novos e relançamento de algumas obras de escritores mais antigos. Ao todo são de cerca de 20 livros de autores da região. A exposição ficará aberta para o público até o dia 22 desse mês e depois os livros estarão expostos no Palácio das Artes.

Mais informações no site: http://festaliteraria.barreiras.ba.gov.br/

Aproveite a oportunidade e visite a FLIB!