Livro do mês: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Talvez esse seja o primeiro romance adulto que eu li e, por não ser tão escancarado, tenha me ganhado. É bastante descritivo (o que me incomoda um pouco), mas construído brasileiramente, onde os personagens podem ser facilmente criados na nossa imaginação.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios
Autor: Marçal Aquino
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005
Páginas: 232

O livro conta a história de um triângulo amoroso formado por Cauby, Lavínia e Ernani. O primeiro, um fotógrafo que chega numa cidade nova e conhece Lavínia, a mulher mais linda que talvez ele já tenha visto. Lavínia era “casada” com Ernani, pastor da igreja evangélica que sabia da vida quente e atribulada da garota, mas que fazia vista grossa para todos os seus efeitos.

Ela, que possui um passado mergulhado nos problemas familiares, nas drogas e na prostituição, encontra abrigo nos braços de Ernani, mas busca paixão nos braços de Cauby. Embora isso pareça apenas um livro de traição, o enredo vai muito mais a fundo, pois nele podemos encontrar poesia, mesmo que não feita em estrofes. Lavínia é a própria, com duas pernas, um corpo esguio e duas personalidades: contamos também com Shirley, a personalidade esvoaçante de uma mulher segura de si e determinada a ponto de cegar quem estiver pela frente. Lavínia é Lavínia, mas gosta de ser Shirley nas horas vagas.

No filme, Lavínia é interpretada por Camila Pitanga

Para deixar o livro mais poético, Aquino fez questão de incorporar à trama um elemento chave interessantíssimo: um livro de um terapeuta que fala sobre amores, suas dores, consequências e teorias. Não demora muito para que sejamos capazes de encaixar alguma frase em nossas vidas, já que somos humanos e sentimos tal e qual Cauby. Enquanto o livro se dá, percebemos que existe um passeio pelo passado, o que explica muitas das ações dos 3 personagens centrais.

Página que inicia o livro

O enredo é fluído, leve, e o livro não é muito grande. A história é escrita com uma linguagem moderna, que não coloca obstáculo algum ao seu entendimento.

Se você quiser ler, é mais fácil encontra-lo para download na internet, pois as versões físicas estão sempre esgotadas ou em falta nos sites. Já sabe, né? Se precisar, só me chamar! 😉

Mulheres na literatura: 5 livros para ler em 2018

O dia internacional da mulher está chegando. Algumas livrarias virtuais já anunciaram que vão fazer promoção para a data e eu acho muito digno que nós pensemos em dar uma chance para mulheres escritoras.

Graças ao bom Deus nós, mulheres, não precisamos mais sofrer quando queremos ser pessoas normais. Você já ouviu sobre as histórias antigas de mulheres que queriam apenas estudar e não podiam, tenho certeza. Hoje, eu jornalista, posso escrever, estudar e ser tão bem sucedida quanto ou até mais que um homem. E isso, meus amigos, é sensacional. Espero que cada vez mais possamos ver mulheres fazendo sucesso e ocupando postos que até ontem eram ocupados majoritariamente por homens.

E como eu falei ali em cima, vamos aproveitar que alguns sites irão fazer promoções com descontos interessantes e aumentar a listinha de leitura de 2018? Desta vez separei livros escritos por mulheres.

  • Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex

Não sei se você já ouviu falar no famoso caso do “manicômio” de Barbacena, cidade localizada em Minas Gerais. Esse livro fala sobre isso. É um livro-reportagem (meus preferidos) que retrata a história do Hospital Colônia de Barbacena, onde cerca de 60 mil pessoas morreram no século 20. Conta histórias, investiga o passado e relembra os horrores vividos pelos pacientes que, em sua maioria, sequer apresentavam problemas mentais. É um livro forte.

  • O Sol é para Todos – Harper Lee

É considerado um clássico da literatura mundial e aborda questões como injustiça e racismo, narrando a história de um advogado que precisa defender um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. O livro é narrado por Scout, filha do advogado, que retrata as represálias sofridas pelo pai na sociedade racista de 1930.

  • Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

É um livro de poesia moderno, mas totalmente atemporal. A autora é indiana e tem como temática a sobrevivência, onde seus poemas retratam experiências de abuso, amor (inclusive o próprio) e a perda feminilidade. Ficou por mais de 40 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times. Apesar de não ser um dos meus preferidos – quem me conhece sabe que não suporto poesia -, reconheço que é um livro necessário principalmente para aquelas pessoas que precisam se lembrar de como é o amor próprio.

  • A Guerra Não Tem Rosto de Mulher – Svetlana Alexijevich

Svetlana foi a primeira bielorussa a receber o Prêmio Nobel e destaca que mesmo que as mulheres estejam na linha de frente, elas são inviabilizadas nas histórias de guerra. No livro a autora reconstrói conflitos da Segunda Guerra Mundial a partir da perspectiva das combatentes soviéticas – que eram mais de 1 milhão no Exército Vermelho.

  • A Vida que Ninguém Vê – Eliane Brum

Sou suspeita para falar de Elianinha. No livro, a autora é uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoas que não são celebridades. As crônicas reunidas na obra eram publicadas no final dos anos 90 no jornal Zero Hora, e agora emocionam os leitores pela sensibilidade de Brum.

Estes foram alguns títulos que podem te ajudar a sair da zona de conforto ou até mesmo a conhecer um pouco mais da literatura criada pelas mãos de mulheres. Existem outros nomes que merecem atenção, como:

– Elena Ferrante, Fernanda Torres, Cora Coralina, Lygia Fagundes Telles, Lena Dunham, Margaret Atwood, Alice Munro, Hilda Hist.

Já sabe, né? Se ler algum desses ou se tem alguma dica nova para compartilhar, chama nos comentários! Vamos prestigiar as mulheres desse mundo!

3 livros para ler e refletir sobre a vida

Antes de qualquer coisa, quero dizer que foi bastante difícil reduzir esta lista à 3 títulos. Acumuladora que sou, tenho livros demais, e sou uma das pessoas mais indecisas do mundo, até mesmo no momento de escolher o que ler/assistir/ouvir. Mas independente do fato de ter muita coisa nas estantes, posso afirmar que alguns títulos se sobressaem.

Existem livros que nos fazem descansar a mente, enquanto outros nos fazem trabalhar ainda mais os neurônios. Alguns nos instigam a pensar e até mesmo a querer sermos melhores como ser humano; outros nos alertam sobre assuntos muitas vezes esquecidos por nós no dia a dia. Hoje escolhi 3 títulos que nos fazem pensar (e muito, na verdade). Vamos à lista!

  • Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

Obra que também possui uma produção cinematográfica e que dispensa maiores apresentações por conta do fator Saramago, não é mesmo? No livro, um homem é acometido à condição de cegueira repentinamente, mas não uma cegueira comum; aconteceu como se uma lente branca fosse colocada em seus olhos. Esse foi o primeiro caso da epidemia de cegueira branca que se espalharia gradativamente por todo o país.

A medida que os governantes tomavam conhecimento da “treva branca”, eles direcionavam todos os contaminados a um local de isolamento, onde eram obrigados a viver em conjunto, sem enxergarem e com pouquíssimos recursos. Apenas uma mulher ficou ilesa à cegueira, e ela ocupa um lugar bastante importante na narrativa, pelo fato de ter olhos quando os outros os perderam.

Conforme a trama se desenrola, conseguimos perceber que as pessoas não perdem os hábitos e nem mesmo seus pudores, já que em dados momentos onde trocam suas roupas, sentem-se envergonhados frente aos companheiros de isolamento. São assuntos que nos fazem repensar como vivemos, o que fazemos e que para onde iremos. O instinto de sobrevivência é algo fortemente abordado na obra, quando vemos o que as pessoas são capazes de fazer para continuarem vivendo; assim como a ganância pelo poder e pelo controle.

Afinal, quem somos? Saramago mostra com maestria que somos, no fundo, nada. O dinheiro não resolve tudo e todos vão para o mesmo lugar no fim das contas.

  • Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

Perturbador, sem um pingo de terror. É assim que este livro é. Conta a história de Kevin, uma criança muito difícil de lidar e até mesmo de ser dominada. Na trama, são contados todos os problemas de Kevin com sua família, onde descobrimos que ele não era uma criança amada pela mãe, que tinha uma dificuldade imensa para criar laços com a criança.

Kevin possuía qualidades especiais e causava problemas com muita facilidade, o que faz com que muitos leitores lidem com a personagem de maneira equivocada. Existem os que o veem como monstro, e existem aqueles que  entendem porque seus pensamentos são de tal maneira.

É um livro para se pensar, acima de tudo. Mas é preciso ter uma certa coragem e até mesmo um bom embasamento e estabilidade emocional para a leitura, já que a obra traz à tona muitos questionamentos familiares e até mesmo psicológicos. Um livro que retrata a maldade fria, cruel e calculista. Uma maldade que muitos de nós não acreditam existir por medo de acreditar que ela exista.

  • Extraordinário – RJ Palácio

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética que lhe deixou algumas sequelas. Com os problemas causados pela síndrome, Auggie precisou passar por diversas cirurgias e algumas complicações médicas e, por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade.

A iniciação de crianças na escola já não é algo muito fácil, pois acontece uma quebra de hábitos bastante intensa. E na condição de Auggie, com um rosto tão diferente, prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, o menino tem uma missão nada fácil pela frente: convencer seus colegas de que, apesar de sua aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

A autora criou uma história repleta de amor e esperança, onde um grupo de pessoas tenta espalhar compaixão, aceitação e gentileza. O livro é narrado da perspectiva de Auggie em boa parte, o que o torna mais emocionante ainda, e também por seus familiares e amigos. Contém momentos extremamente comoventes e alguns outros até mesmo descontraídos.

É um livro que consegue nos fazer refletir sobre a maneira como tratamos as pessoas e qual a importância que damos à nossa família e amigos. É forte, comovente e, sem dúvida alguma, vai tocar o leitor da melhor maneira possível. Ah, e vai virar filme em breve, fique de olho!

Indico fortemente a leitura destes 3 títulos. Tenho certeza de que muitas pessoas gostaram! Se quiser saber mais opiniões sobre o que eu costumo ler, acompanhe minhas redes sociais!

Instagram: @evenvendramini
Skoob: Even Vendramini

“Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” | Anton Roos lança seu terceiro livro

E temos novidades do escritor mais charmoso de todo o oeste baiano (e colunista do Blog da Immagine)! Anton Roos está lançando seu terceiro livro, “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo”. A obra fala sobre o amor não compartilhado, a perda, a desistência e a solidão, com aquele jeitinho caraterístico com que Anton escreve.

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Capa do livro

O romance conta a história de Andrei, um homem solitário e atormentado pelo fantasma de seu primeiro casamento e pelo fim de um relacionamento conturbado com uma mulher mais jovem. Desiludido e sem esperanças, ele adquire um estranho objeto para ajuda-lo com a mais importante e radical decisão de toda sua vida. Porém, após visitar uma casa de prostituição, conhece uma garota de programa chamada Bruna, e, aos poucos, a sucessão de erros cometidos por ele no passado e suas pretensões de futuro deixam de fazer sentido, fazendo com que sua vida ganhe novos contornos.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que fizemos com Anton para descobrir um pouco mais sobre sua nova obra. E já pode escrever no caderninho: você vai ficar morrendo de vontade de ler o livro!

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Suas primeiras linhas foram escritas em 2014, como conta o próprio Anton. “As primeiras coisas que escrevi para esse livro, a princípio, tinham uma conotação quase autobiográfica, no entanto, logo percebi que a história precisava seguir seu próprio rumo”, conta o escritor. “À época foi algo que eu precisava extravasar tipo numa espécie de desabafo que, no meio da madrugada, a gente faz na frente do espelho depois de chegar bêbado em casa”, disse. Mesmo com o início levado para o lado autobiográfico, no momento certo tais características passaram a ser apenas inspiração.

O livro mescla personagens com sutis apropriações de algumas pessoas que fazem parte da vida do autor, o que é natural para Anton que acredita que a inspiração está e precisa estar em todo lugar.

Mesmo falando sobre o amor, “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” não trata de amores clichês, pares perfeitos ou caras metade. Anton conta que “o livro fala daquele amor que se vive, se sente, mas muitas vezes não se pode compartilhar. Aquela espécie de amor que te consome e te impede de seguir em frente”.

O terceiro livro de Anton Roos marca sua permanência na ficção, já que seu segundo livro, “A revolta dos pequenos gauleses”, foi seu primeiro passo no gênero. O primeiro livro, “A gaveta do alfaiate”, é uma coletânea de crônicas. O escritor acredita que se não fossem as duas obras anteriores, provavelmente este terceiro não existiria e fala, ainda, sobre a importância deste último. “Talvez por ser um romance, esse novo livro tenha um significado ainda mais especial. Foi um livro difícil de escrever. Acredito que como tudo na vida tem sua hora de ser, esta é a hora para esse livro”, conta Anton.

Em conversa sobre o mercado editorial brasileiro, Anton o analisa atualmente como seletivo, acirrado e controlado por uma minoria que geralmente define o que é bom e o que não é bom para chegar às prateleiras das principais livrarias.

O escritor participou de um concurso de uma editora de pequeno a médio porte do Rio de Janeiro que teve mais de 500 inscrições para seleção de duas obras. “Infelizmente, as editoras maiores apostam muito pouco em novos talentos. E ai se não houver um bom apadrinhamento as chances se reduzem ainda mais. Felizmente, existe um mercado alternativo muito forte e crescente, mantido por gente que ama a literatura e ainda consegue dar suporte para uma quantidade considerável de publicações”, conta.

Anton publicou seus dois primeiros livros apenas com o suporte técnico de edição feito por uma editora pequena sediada em Luís Eduardo Magalhães, mas os custos ficaram mesmo por sua conta. O autor contou seus planos para a terceira obra: “Para esse terceiro livro, nesse primeiro momento, o foco é o lançamento em formato digital e ocasionalmente, quem sabe, abrir espaço para uma tiragem limitada em formato físico”, conta.

Como comprar um exemplar de “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo”?

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Começou hoje, dia 13 de outubro, a pré-venda do livro em formato de E-book. Você pode adquirir seu exemplar inicialmente até o dia 29 de outubro, pelo site da Amazon e com preço promocional: https://goo.gl/VvlWgO

A ideia é lançar o livro também na versão impressa, mas ainda não há data confirmada para isso.

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Você se interessou pelo livro, pela pré-venda ou até mesmo pela ideia de uma tiragem impressa? Então você precisa acompanhar as novidades a respeito da nova obra de Anton Roos.

Que tal assistir ao próprio autor falando sobre “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” no Facebook? Ele estará ao vivo na fanpage da Immagine neste sábado, às 11h! Já marque na sua agenda e não perca o horário!

Live com Anton Roos na fanpage da Immagine
Dia: Sábado, 15 de outubro
Horário: 11h

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“Escrever é traduzir os detalhes da vida. Seduzir por meio de palavras. Preencher as lacunas, os vazios. Escrever é uma experiência sem igual, até mesmo difícil de descrever. Quando você escreve muito, você acaba se isolando em um universo todo seu. Único. Cheio de sonhos e aspirações. Escrever é viver. Tentar tornar a vida das outras pessoas menos estafante. Escrever é estar vivo. Respirando”. (Anton Roos)

Romance fora de moda

Esses dias, enquanto andava numa rua qualquer, reparei numa música sertaneja de sucesso cuja letra se tratava de ciúmes, como uma porção de letras musicais desse e de outros estilos. Normal, já que ciúmes, romance, amor, traição e tudo quanto é tipo de sentimento sempre embalou e continuará embalando nossas vidas nos mais diversos estilos musicais. Mas o que me chamou atenção foi que, a partir dessa música em particular, comecei a perceber que não se tratava de ciúmes, mas de obsessão.

Algumas canções soam quase como uma perseguição, é a mulher que não para de ligar, é o Whatsapp que não para de piscar, é a senha do celular que é motivo de briga, a pessoa traída que não vive a vida e sequer dorme, ligando sem parar para outra que está na balada. É um ciúme doentio, obsessivo, que destrói relacionamentos e qualidade de vida. Eu sequer chamaria isso de romance, tão pouco de amor.

Há sim um bem-querer, estar perto, um cuidado que desperta um leve ciúme, como se quiséssemos proteger alguém. E isso ocorre entre casais, irmãos, amigos, pais e filhos. Mas há limites, se alguém deixou de viver normalmente as tarefas diárias ou vive imerso em brigas por conta de outra pessoa, quem quer que seja, é preciso repensar e, se for o caso, procurar até mesmo ajuda. Motivamos pelo ciúme, que inclusive é travestido de “cuidado”, muitas pessoas matam famílias, destroem vidas, não se desligam de situações doentias e destruidoras.

Nessas situações, é hora de ligar o alerta e perceber que isso não é romance, e que esse “ciúmes” nunca esteve na moda. Procure ajuda! Em muitas cidades há grupos de terapia e apoio a homens e mulheres que amam demais (como o MADA/RJ ) e também atendimento clínico e psicológico em hospitais públicos, como os universitários e de referência. Esse “amor excessivo” prejudica a todos os envolvidos, mas tem tratamento. Amor de verdade é livre, leve, solto e não oprime!

Clara Nunes – Obsessão

E começou a FLIB – Feira Literária de Barreiras | Veja a programação

Alô apaixonados por literatura!

Começou ontem a FLIB – Festa Literária de Barreiras, parte da programação oficial do mês de aniversário da cidade. O show de abertura ficou por conta do talento do cantor Bosco Fernandes, que hoje, 19 de maio, comemora 50 anos de vida. A festa reúne autores, estudantes, professores e a comunidade local com uma diversificada programação musical, feira e lançamento de livros, artesanato, roda de conversas, debates, literatura e muito mais. É um evento para você ir com toda a família e se deixar encantar pelo maravilhoso mundo da literatura.

Segundo o site oficial do evento, AQUI, estão presentes na feira os autores Rui Rezende, Clebert Luiz, Roseane Muniz, Miriam Hermes, Solange Cunha, Ananda Lima, Alberto Mariani, Pádua, Pedro de Deus, Marilde Guedes, Celso, Roberto Sena, Ronaldo Sena, Luciana Roque, Irlã Rocha e Joaquim Reginaldo da Mata.

A programação da Flib se divide entre os espaços Tenda do Autor, Palco dos Artistas, Cinema Aberto (palco 1) e Flibinha. Entre os destaques há minicursos, aulão de literatura, oficinas, palestras, performances, lançamentos e muito mais. A programação completa você confere abaixo:

 QUINTA-FEIRACaptura de tela 2016-05-19 10.53.47

SEXTA-FEIRA

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SÁBADO

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DOMINGO

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A Flib está acontecendo no Parque de Exposições Engenheiro Geraldo Rocha e a entrada é gratuita. Também haverá lançamento de livros de novos e relançamento de algumas obras de escritores mais antigos. Ao todo são de cerca de 20 livros de autores da região. A exposição ficará aberta para o público até o dia 22 desse mês e depois os livros estarão expostos no Palácio das Artes.

Mais informações no site: http://festaliteraria.barreiras.ba.gov.br/

Aproveite a oportunidade e visite a FLIB!

Livro | Bonsai, de Alejandro Zambra

Comprei o livro Bonsai por acaso, numa promoção de livraria. Inicialmente me chamou atenção pela capa e pelo preço (claro!), mas a descrição do livro e o fato do autor ser chileno também aguçaram minha curiosidade. Além de Bonsai, comprei também A vida privada das árvores, do mesmo autor. Ao final da primeira página já havia me encantado pela escrita cativante de Alejandro.

Bonsai é um livro que lemos de uma única vez, rapidamente, em pouco mais de uma hora. As 96 páginas foram suficientes para mostrar o quanto um livro breve pode ser intenso. A história gira em torno de Julio e Emilia, um casal de estudantes chilenos de Letras que se conheceu em uma noite de estudos e festa. A relação deles gira em torno dos livros que leram e que não leram, como os do escritor Marcel Proust.

Rapidamente aprenderam a ler os mesmos livros, a pensar parecido e a disfarçar as diferenças. Logo moldaram uma vaidosa intimidade. Ao menos naquela época, Julio e Emilia conseguiram se fundir numa espécie de vulto. Em resumo, foram felizes. Disso não resta dúvida.

Mas o livro não é sobre uma história de amor, mas sobre o desdobramento dela. Já na primeira linha sabemos que “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes de morte dela, de Emilia”. Calma, não estou dando spoiler, esse é só o começo da trama toda.

Bonsai nos conta que apesar das relações serem passageiras, nem por isso são menos importantes. E que após a ruptura de um grande amor ainda existem experiências a serem vividas, descobertas, sem necessariamente remeter às relações anteriores. O livro é basicamente sobre o que restou de Emilia e Julio após o término e de como os dois se relacionam com as recordações desse romance.

Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida? Disse isso, e Julio, estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida.

 

É uma leitura cativante! Boa leitura!

Título: Bonsai

Autor: Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 96

Preço médio: R$ 22,00

Disponível para baixar: http://goo.gl/LL72jX

Dia Mundial do Livro – Entrevista com Escritores

Já dizia Voltaire: “um livro aberto é um livro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído,um coração que chora“. Monteiro Lobato também disse que “um país se faz com homens e livros.” Como eles já afirmaram acima, é impossível negar a importância e o impacto que os livros têm na sociedade.

Livros têm o poder de mudar pensamentos, abrir a mente e interferir diretamente na formação do indivíduo. A literatura é cultura. Não importa o gênero, quando terminamos de ler um livro já não somos mais quem éramos antes, alguma coisa muda dentro de nós: uma ideia, uma opinião ou um novo aprendizado. Para aqueles que acham “chato” ler, o professor Pierluigi Piazzi dizia em suas palestras que “só obtém algo interessante da vida, da escola, do trabalho que lê muito e só lê muito quem lê por prazer.”

Em 1996, a UNESCO definiu o dia 23 de Abril como Dia do Livro e Dia do Direito ao Autor. Essa data também é bastante significativa por ser homenageado nela três dos maiores escritores de todos os tempos: nesse dia comemora-se o nascimento (1564) e a morte (1616) de William Shakespeare; a morte de Miguel de Cervantes e o nascimento de Vladimir Nabokov.

Como é impossível falar de livros sem falar dos autores que os escrevem, convidamos alguns representantes para uma entrevista especial no Dia do Livro! Conheçam nossos convidados e boa leitura:

Jader Pires (São Paulo), é escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.

Anton Roos (Luís Eduardo Magalhães) Jornalista e escritor, começou a escrever na adolescência e hoje é autor dos livros A gaveta do alfaiate (2014) e A revolta dos pequenos gauleses (2015). É também colunista aqui no blog onde escreve crônicas semanalmente.

Alec Silva (Luís Eduardo Magalhães), é começou a escrever motivado por Jurassic Park, mas o primeiro livro, Ariane, escrito em 2007, bebeu da lenda de Eros e Psiquê. Publicou Zarak, o Monstrinho em 2011, inaugurando o gênero autobiográfico fantástico e, em 2013, apresentou A Guerra dos Criativos.

 Baltazar de Andrade (Curitiba), nasceu com outro nome, mas acha Baltazar muito mais bonito. Criado nas imediações de Curitiba, cresceu rodeado pela coleção de livros do pai.  Metamorfose – O Inimigo Nas Sombras é seu primeiro livro. Paralelamente a série “Rastro Psíquico” está escrevendo o livro O Vidente de Aparelho Quebrado.
Amante inveterado da literatura nacional e criador relapso de idéias fugitivas.

Ricardo Haseo (Luís Eduardo Magalhães), é um leitor voraz, principalmente de horror, focando neste gênero para conceber seus trabalhos. Participou da coletânea Fragmentos (2015) estreando com o conto Imperdoável, em seguida publicou a noveleta O Último dos Dias. 

Como e quando iniciou seu interesse pela escrita?

Alec: Bem, não sei ao certo com que idade, mas sempre tive fascínio por letras, pelos símbolos que elas representam quando ainda não sabemos ler; quando aprendi a ler, algo me chamou tanto para a leitura quanto para a escrita, e quando dei por mim, em 2004, vendia livretos feitos a mão na escola e, em 2007, tinha escrito um livro com quase 100 folhas de sulfite, também a mão.

Anton: Minha relação com a escrita vem da infância. Creio que na adolescência isso se acentuou a partir de algumas boas influências e acabou por se consolidar com minha entrada para cursar jornalismo. Desde o primeiro dia na academia eu sabia que o que eu queria fazer era escrever.

Baltazar: Com o exemplo, meu pai não saía de casa sem algo pra ler, eu acabei pegando esse hábito. Desse vício moderado até a dose mais forte que é a escrita foi só um passo.

Jader: Foi algo tão orgânico que nem sei precisar. Mas buscando na memória, eu sempre fui de me meter com as artes. Tive banda quando era garoto, pichei muro, fiz grafitti, gostava de cantar, desenhar, assistir filme e desenho. Da música veio o gosto de botar palavras de um jeito bonito no papel. Poesia, cartinha para as namoradas, desejos, ficção. Cheguei aqui, nessa conversa contigo.

Ricardo: Quando criança, eu adorava criar minhas próprias brincadeiras, imaginava personagens e papéis. Na adolescência, não dava mais para ficar brincando com bonecos (risos), então desviei essa criatividade para o papel, primeiro com poemas, depois para pequenos contos.

O que te dá inspiração para escrever?

Alec: Uma música com uma letra legal, alguma coisa que leio numa revista, uma emoção ou um questionamento; qualquer coisa pode inspirar um conto, por exemplo. Mas, no geral, busco muita inspiração em mitologias, história antiga e simbologia, sobretudo porque escrevo histórias de teor fantástico.

Anton: Inspiração é algo bem subjetivo. Varia muito do meu humor, do momento que estou passando. Gosto das coisas do cotidiano, as miudezas desse universo real e fascinante dos seres humanos.

Baltazar: Só o vício me move, se eu ficar sem escrever por muito tempo ataco o vidrinho de Rivotril, então a inspiração é obrigada a aparecer.

Jader: Eu escrevo sobre o cotidiano. Um cara esperando para atravessar a rua e jogando seu cigarro no chão me dá motivos para escrever. O processo que fiz fui fazer do olhar, uma lente que vê beleza até no trivial e no sujo. O que me inspira é ver essa gostosura no que é bobo, ou seja, em todos nós.

Ricardo: Muitas coisas, desde filmes e livros a situações do cotidiano. Viver me dá inspiração, já que o mundo ao meu redor é vivo; na minha mente eu o distorço e o recrio sob uma nova ótica e ordem, depois é só passar para o papel. Meu gênero favorito é o horror, então creio que, entre todas as coisas, meus pesadelos sejam minha maior fonte de inspiração.

Você tem livros publicados?

Alec: Sim, tanto físicos quanto em e-books, que são em maior número.

Anton: Tenho dois livros publicados em formato físico: A gaveta do alfaiate (2014) e A revolta dos pequenos gauleses (2015). O primeiro é uma coletânea de crônicas e o segundo de contos ficcionais. Além destes, tenho um conto e três crônicas publicadas na antologia Fragmentos (2015), que reúne 100% de autores locais. Também participei de um e-book no final do ano passado com um conto chamado “Tapete de castanhas”, além das versões digitais dos contos “Maquete” e “Adolfo”, todas disponíveis na Amazon.

Baltazar: Só em e-book, um romance e uma porção de contos meia-boca.

Jader: Tenho o Ela Prefere As Uvas Verdes, meu primeiro livro de contos.

Ricardo: Tenho dois contos publicados, o primeiro se chama “Imperdoável”, publicado na coletânea “Fragmentos” (2015), que reúne contos, crônicas e poemas de autores locais; o segundo é “O Último dos Dias” (2015). Ambos possuem formato físico e digital, publicados pela EX! Editora Independente.

Quanto tempo levou para escrever seus livros e como foi a experiência? 

Alec: Depende muito o tempo de escrita; tem conto menor que 7 mil palavras que leva semana para ficar pronto; outros, com mais de 10 mil escrevi em quatro dias. Meu primeiro romance, em 2007, levei quatro meses; o mais demorado, que me exigiu pesquisas intensas acerca de física quântica, foi concluído em dois anos. E geralmente é divertido e enriquecedor, pois acabo aprendendo coisas no decorrer da escrita ou usando algo que sei e não teria muita utilidade no cotidiano em algum momento na história.

Anton: A gaveta do alfaiate estava praticamente escrito antes de sequer cogitar publica-lo. Tudo que fiz foi selecionar, revisar e dar uma nova roupagem para as crônicas escolhidas. Já no caso de A revolta dos pequenos gauleses, escrevi o conto que dá nome ao livro, a princípio para lança-lo isoladamente. Creio que demorei uns três meses pra finalizar esse material. Os demais contos do livro, escrevi no período em que o livro já estava começando a ser formatado. Para ambos livros, a experiência foi incrível. Primeiro, por ver um livro seu publicado, palpável. Segundo, por ter a oportunidade de descobrir na ficção um universo muito atraente e plenamente possível.

Baltazar: O romance, uma ficção científica, demorou sete meses pra ser escrito, sou uma tartaruga manca, escrevo bem devagar. Foi um laboratório, serviu para que eu pudesse obter certa maturidade quanto ao mercado

 Jader: Olha, acho que foram três meses para escrever o livro e mais uns três pra lapidar tudo, texto, revisão, capa, título. A experiência foi a mais deliciosa possível, finalmente botar em uma obra maior o meu esforço de contar histórias do cotidiano.

Ricardo: “Imperdoável” levou algumas semanas; já escrever “O Último dos Dias” foi uma experiência completamente diferente, levou cerca de oito meses desde o processo de escrita até revisão e publicação; foi um conto que me deixou orgulhoso, consegui transmitir nele todo meu estilo e formar meu perfil como escritor.

Quais são as dificuldades para que um autor consiga ter um espaço e ser conhecido no mercado literário brasileiro?

Alec: Falta incentivos de todos os lados, sobretudo do leitor, e arrisco até a dizer do leitor local, que parece ter receio ou preconceito quando descobre que o escritor é da cidade em que mora; mas isso aos poucos é trabalhado e acaba sendo derrubado. Há ainda o descaso do poder público, mas não entrarei muito nesse caminho. E para alcançar o mercado literário brasileiro, estar em livrarias, é preciso ter nome conhecido, e é difícil ter nome conhecido sem apoio ainda na base, quando estamos começando.

Anton: Tem vários fatores que dificultam. O primeiro deles é que naturalmente, em especial com a incursão cada vez mais assídua da tecnologia na vida das pessoas, o interesse pela leitura de livros impressos diminuiu. Isso, logicamente, acarretou em menos investimento na publicação de novos autores. As editoras, de um modo geral, tem apostado em autores que sejam certeza de bom retorno. Com isso, os autores iniciantes — que são muitos — pendem para a auto publicação e editoras menores, normalmente, bancando a maior parte dos seus livros.

Baltazar: Fica difícil numerar, tanto que nem gosto de falar das dificuldades. Se o autor for se importar com elas entra em depressão. Temos que vê-las apenas como degraus em um caminho de árduo aprendizado.

 Jader: São as mesmas de qualquer artista de qualquer vertente no Brasil que quer produzir mais arte que produtos culturais. É muito ruído e muita gente tentando para pouco público realmente engajado. O Brasil consome pouca cultura, infelizmente, o que impede, muitas vezes, que o cabra consiga simplesmente pagar suas contas com o que produz artísticamente. Não é nem ser famoso e rico. Só ter o mínimo. Mas a gente acorda, todos os dias, na luta. Eu tive a sorte de poder, hoje, sobreviver disso.

Ricardo: Dificuldades existem de sobra, desde conseguir uma editora de qualidade até ser publicado. A internet trouxe o advento das redes sociais, que possibilitaram os autores se divulgarem gratuitamente, e meios de publicação baratos e eficientes, como a Amazon. O grande problema é que há editoras de todas as formas, desde as picaretas até aquelas que querem realmente fazer um trabalho sério, mas acabam sendo esmagadas pelas “grandes”. Em meio a tanta competição, é quase impossível um autor conseguir um espaço significativo sem ajuda; contudo, há alguns que conseguem se sobressair e alcançar seu lugar ao sol, mas também há verdadeira joias literárias que ficam reservadas ao esquecimento.

 

Um livro nacional que você recomenda?

Alec: Há vários, mas citarei um que combina muito com o poder da leitura: “Livraria Limítrofe”, de Alfer Medeiros, um amigo e incentivador que me ajudou bastante quando eu estava amadurecendo a escrita.

Anton: Barba ensopada de sangue, Daniel Galera

Baltazar: Não há um livro em específico, mas indicaria todos do Samuel Cardeal, do Alfer Medeiros, Walter Tierno e vou parar por aqui pra não superlotar a lista.

Jader: Poxa, vou de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, do Raduan Nassar, e o clássico dos clássicos, Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa.

Ricardo: Não é preciso ir muito longe: Luís Eduardo Magalhães possui um acervo literário modesto, porém, precioso. “A Guerra dos Criativos” e “A Gaveta do Alfaiate” são leituras fascinantes, seja no campo da fantasia de Alec Silva ou no deleite das crônicas de Anton Roos.

Quais dicas você daria pra quem quer seguir a carreira de escritor?

Alec: Leia de tudo e muito, e não apenas o que você gosta. Escreva de tudo e muito, ou ao menos o suficiente para desenvolver sua escrita e seu estilo. Aceite conselhos, mas saiba recusá-los, aprenda com seus erros e os erros dos outros. E o mais importante: nunca aceite um elogio como uma verdade absoluta e nem uma crítica negativa como uma derrota definitiva; aprenda a extrair o melhor de cada momento.

Anton: Escreva. Não pare de escrever. Reescreva se for preciso. Não se desespere com as criticas. Elas viram e são necessárias para que você cresça como escritor. O mundo do escritor é muito solitário. Difícil. Você logo vai perceber que há pouca valorização, até mesmo de quem está próximo a você. Não estagne, achando que a oportunidade de ouro vai lhe bater a porta. Escreva. Publique suas obras em formato digital. Ouça o que outros autores tem a lhe dizer. Respeite e principalmente, não tente copiar ninguém. Seja você. Faça com que teus textos tenham a sua identidade.

Baltazar:  “Perdei toda a esperança, oh vós que entrais”, mas falando sério, a maioria pensa que é escrever, ser descoberto e faturar milhões. Quando a realidade é bem mais suor e gasto do que lucro financeiro. Se você quer escrever um livro porque quer ganhar dinheiro, pare por aqui. Eu escrevo pra ser lido, o resto é secundário.

Jader: Respira, amigo. Inspire (leia bastante, adquira repertório, vocabulário, estilos) e expire (transpire, escreva, trabalhe tudo o que você absorve). O hábito vai te lapidar.

Ricardo: Esteja ciente que este é um mercado competitivo e brutal, que você enfrentará dificuldades, mas se é isso que você quer, vá em frente, não desista. Absorva todas as críticas e tente melhorar com elas; e o mais importante de tudo: escreva primeiro para você, ame aquilo que você faz, se debruçar sobre a caneta ou o teclado, e coloque o coração naquilo, da forma mais crítica e séria possível, pois se nem você acreditar no que escreve, não tem o direito de pedir para que os outros acreditem.

 

Nossos sinceros agradecimentos aos autores que colaboraram com essa matéria!

Conheça melhor o trabalho de cada um:

Jader: AQUI

Ricardo Haseo: AQUI

Alec Silva AQUI

Baltazar de Andrade AQUI

Anton Roos AQUI

Inscrições abertas para o projeto “Ler é bom, Experimente!”

Não é de hoje que sabemos da importância que a leitura tem na educação de todas as pessoas. Porém, o hábito da leitura é algo pouco visto nas escolas. O Projeto Ler É Bom, Experimente! vem para ajudar professores, educadores e diretores de escolas a incentivar, de forma divertida, os seus alunos a lerem.

O Projeto, que já tem 15 anos, foi criado pelo escritor Laé de Souza e é aplicado em escolas públicas de todo país. Nele cada aluno recebe um livro e, após a leitura, participa da discussão dos temas e realização de atividades onde desenvolve textos com possibilidade de tê-los publicado em uma coletânea, que reúne os melhores textos produzidos pelos estudantes participantes do projeto. A unidade escolar recebe como doação de 38 a 114 exemplares de uma das obras de Laé de Souza.

Em 2016, o projeto será aplicado com a utilização dos livros “Quinho e o seu cãozinho – Acampamento escoteiro” e “Espiando o mundo pela fechadura“. A escola poderá participar com até três classes e serão doados a todos os alunos exemplares desses títulos. Caso a escola possua aluno com deficiência visual, poderá receber exemplar do livro “Espiando o mundo pela fechadura” em braile.

Junto com os livros, a escola também recebe material didático (folhas pautadas para redação, questionários e um caderno de atividades para turmas do ensino infantil) para aplicação do projeto em sala de aula. O único gasto que a escola terá será do transporte desse material. A escola poderá solicitar lotes de um mesmo título ou diversificar os lotes, de acordo com as classes que participarão do projeto, sendo que o total definido não poderá ultrapassar três lotes.

Quinho e o seu cãozinho: Esse módulo atende alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A partir da leitura do livro “Quinho e o seu cãozinho – Acampamento escoteiro” e questões propostas em um caderno de atividades, o aluno é estimulado pelo professor a escrever uma pequena história com base na obra lida. Alguns alunos terão os seus textos selecionados para inserção na coletânea “As melhores histórias infantis dos projetos de leitura – Volume 8”, cuja publicação ocorrerá até meados de novembro/2016. A escola que for contemplada com o texto de um aluno nessa coletânea receberá três exemplares destinados ao aluno, ao professor e à escola.

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Espiando o mundo pela fechadura: Esse segundo módulo atende alunos do 6º ano até o Ensino Médio. A partir da leitura do mesmo e o desenvolvimento de várias atividades sugeridas, os alunos respondem a um questionário sobre a obra e desenvolvem textos baseados nas crônicas ou nas personagens. Os autores dos três melhores trabalhos recebem como prêmio outro livro de Laé de Souza e concorrem à inserção do seu texto na coletânea “As melhores histórias dos projetos de leitura – Volume 8”, cuja publicação ocorrerá até meados de novembro/2015. A escola que for contemplada com o texto de um aluno na coletânea receberá três exemplares destinados ao aluno, ao professor e à escola.

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Para inscrever a sua escola nesse projeto acesse o site PROJETOS DE LEITURA.

 

 

Quando o carnaval me deixou doente

Nem sei se os Raimundos já haviam regravado a música do Fábio Jr, mas, eu estava prestes a entrar nos meus vinte e poucos anos. Toda uma geração estava. Aquela era a minha geração e aquele refrão era basicamente o que queríamos dizer.

Gritar.

Cuspir.

“Nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que meus vinte e poucos anos”.

Ao menos para mim fazia sentido e, grosso modo, eu era ainda um neófito em terras baianas.

Naquela época havia uma regra quase imutável — provável que continue a mesma — de que o carnaval precisava ser vivido integralmente, com todas as loucuras que fossem possíveis suportar, do último raio de sol da sexta-feira, até o meio dia da quarta-feira de cinzas, sem maiores interrupções além de algumas parcas horas de sono num colchonete sujo esparramado na sala de um imóvel alugado exclusivamente para as orgias carnavalescas.

Em linhas gerais, estar presente no circuito do trio elétrico era estar vivo. Aliás, a única chance de provar os batimentos do coração. A juventude. De se deixar embalar pela Dança do Vampiro. Os cinco dias de carnaval significavam ser parte de um organismo único, onde todos a sua volta queriam e desejavam estar. E sem querer querendo, eu também estava. De corpo presente, atravessando a avenida debaixo de chuva, num trote insano, de quem procurava entender os motivos de tudo aquilo ser do jeito que era.

Aliás, toda aquela maratona ainda soava como uma novidade e, ao mesmo tempo, um desafio, ainda mais para um recém-chegado as vizinhanças do Posto Mimoso e por isso, incapaz de sequer imaginar o que poderia acontecer ao longo de cinco dias de exageros inconsequentes.

De todas as histórias que se contava a respeito, era impossível não desejar ser parte integrante de algumas delas, não apenas para poder contá-las no ano seguinte, mas para superá-las.

De peito cheio.

Vangloriando-se das bocas beijadas, das brigas e do excesso de bebida alcoólica e lança perfume.

Pois na sexta-feira, como adiantado aí em cima, corri e não lembro por que. Corri como um louco por toda extensão da avenida, talvez para provar que não tinha medo de chuva. Posso estar enganado, mas há uma ligeira chance de ter sido o banho de chuva o responsável pelo início da minha derrocada no carnaval.

Eu me lembro do único lábio que aquela aventura me proporcionou, embora me fuja a fisionomia e os trejeitos da morena, bem como o nome da moça, ainda que não tenha perguntado, talvez, cumprindo uma dessas regras insossas da folia de que ninguém é de ninguém nessa época do ano.

Também me recordo do momento exato que recusei a primeira cerveja e comecei a tomar uma garrafinha d´água depois da outra, virando motivo de chacota de quase todos a minha volta. É nítido na minha mente, com uma perfeição quase preocupante, o cheiro nauseabundo da manteiga da pipoca e de xixi impregnado no meio fio.

Mas de todas, a maior lembrança é da espiga de milho verde assado que ousei dar umas mordidas e do vômito. Sim, eu vomitei com se não fosse conseguir mais parar, bem em cima de um engradado de cerveja, cuidadosamente depositado nas águas cristalinas do Rio de Ondas e sob os olhares acusadores de uma multidão, inclusive meu tio que não poupou esforços em me chamar de porco. Muito mais de uma dezena de vezes.

Ali eu já estava doente. Lutando com alguma força desconhecida para me manter de pé. Para comer. Virou lenda a vez que fomos a um restaurante e eu, pálido e quase sem conseguir segurar o prato, servi-me apenas de duas rodelas de tomate e um pedaço de melão. Eu não vivi as maiores loucuras que o carnaval poderia me proporcionar. Se muito, sobrevivi, mal e parcamente, até quando alguém resolveu olhar para mim com mais frieza para constatar:

— Cara, tu tá amarelo.

E eu estava. Amarelo e com hepatite. Bem no carnaval, bem no meio da única chance que eu tive de me tornar um folião convicto. Se quase morri, também nunca mais tive coragem de repetir uma aventura como aquela. E a música do Fábio Jr regravada pelos Raimundos, obviamente também deixou de fazer sentido pra mim e provável para toda aquela geração.