Kuala Lumpur

Bom dia queridos leitores da Immagine!

No começo de março, no finalzinho do meu projeto na Indonésia, dei um pulo em Kuala Lumpur, a capital do país vizinho, Malásia. Para quem nunca viajou para  Ásia não acha que Malásia é muito famosa. Mesmo quem já viajou às vezes não sabe muito da Malásia já que não é tanto um lugar turístico comparado com por exemplo Tailândia ou Indonésia.

O país na verdade é mais conhecido no mundo de negócios por Kuala Lumpur ser um hub internacional:  é uma base perfeita para quem quer fazer negócios no Sudeste Asiático. Fiquei sabendo também que é uma base boa para quem quer viajar para Austrália: às vezes fica mais barato comprar uma passagem para Kuala Lumpur e depois de Kuala Lumpur para Austrália (que tem voos de companhias aéreas de baixo custo) do que tentar ir direto. E quem está tentando lembrar da onde já ouviu o nome Kuala Lumpur antes: a cidade apareceu na mídia internacional quando o meio-irmão do líder da Coreia do Norte foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur (4 dias antes de eu ir para lá).

Mesmo não sendo tão turístico como alguns outros países na Ásia, a Malásia é um país bem interessante. O país existe de duas partes: uma parte, chamada ‘Malásia Peninsular’, está grudada na Tailândia e é onde fica localizado a capital. No sul desta parte fica Cingupura. A outra parte, chamada ‘Malásia Oriental’ fica na norte da ilha de Bornéu (onde também fica o país bem pequeno chamado Brunei, e que pelo resto é território da Indonésia). O país não é muito grande, com somente 30 milhões de habitantes. É um país até bem desenvolvido, um pouco mais caro do que a Indonésia, com uma infraestrutura e transporte público bom. A língua oficial é a ‘Bahasa Malaysia’, que é bem parecida com a língua da Indonésia.

Eu fiquei quase 4 dias lá, em quais principalmente passeei em Kuala Lumpur e também fui um dia para Putrajaya. Estes dois lugares dariam para comparar com a São Paulo e a Brasília, a Kuala Lumpur é o coração econômico, e a Putrajaya é o centro das atividades governamentais. Mas ao contrário do  Brasil, estas duas cidades só ficam 35km de distância entre um e outro.

KUALA LUMPUR

Não tem como descrever a Kuala Lumpur em algumas palavras. A cidade é uma mistura gigante de prédios antigos e novos, de arquitetura européia e árabe, de mesquitas, templos budistas e hindus, de bairros malaios, índios e chineses, e de comida de todo canto do mundo. Veja você mesmo:

  1. Torres gémeas de Petronas

Petronas é o Petrobras da Malásia (com menos escândalos). A empresa construiu estas torres, que na hora da inauguração em 1998 foram as mais altas do mundo.  Os dois prédios servem como escritório para Petronas e como um dos lugares turísticos mais visitados da cidade. As torres são localizadas no bairro chamado KLCC (Kuala Lumpur City Center), um bairro bem moderno com bastante shopping, lojas e escritórios e com um parque bem gostoso que fica nos pés das torres.

 

 

  1. Kampung Baru

Pertinho do KLCC tem um bairro que é exatamente o contrário do bairro moderno e cheio de KLCC. Kampung Baru (literalmente traduzido “aldeia nova”) é como se fosse uma cidadezinha de qual em volta a cidade foi crescendo. Nestes dias é famoso por ainda conseguir achar casinhas no estilo antigo (com na parte de trás os prédios modernos da KLCC) e também por ter uma concentração de restaurantes, o que virou o bairro num lugar muito popular à noite.

 

  1. A praça da Merdeka

Esta praça também é chamada ‘a praça da independência’, por ter sido o lugar onde em 1957 a independência da Malásia foi declarada. A praça mesmo na verdade não é espetacular –  é um lugar aberto com grama, pronto – mas em volta há alguns prédios bonitos, como por exemplo o prédio do Sultan Abdul Samad e o Royal Selangor Club.

 

A praça da Merdeka com do lado esquerdo a edificação do Sultan Abdul Samad

 

Pelo outro lado da praça, o Royal Selangor Club

 

  1. Mesquita Nacional da Malaysia – Masjid Negara

Não tão longe da estação de trem central ( KL Sentral), tem um bairro bonito com um parque muito grande e em volta alguns museus e o orgulho da cidade: a mesquita nacional. A mesquita tem uma arquitetura totalmente diferente das mesquitas tradicionais e é bem bonita para visitar. Cuidado, nos horários de reza não está aberto a turistas (isso conta para todas as mesquitas).

 

  1. As cavernas de Batu

Fora do centro de Kuala Lumpur tem as cavernas de Batu. Uma parte das cavernas dá para entrar gratuitamente. Precisa subir uma escada de 272 degraus e chega na entrada da caverna de 400m fundo e 100m alto. O lugar inteiro é um lugar de culto para os hindus: tanto nos pés da caverna quanto dentro da caverna há templos hindus, e -a parte mais chamativa deste lugar- na frente da entrada há uma estátua dourada de 42m de altura do Murugan, o deus hindu da guerra e da victoria.  

 

Uma outra parte que eu gostei bastante desta visita eram os macaquinhos que moram lá. Bem, eu gostei, já que nos meus olhos eles eram fofinhos, mas um dos outros turistas que estava subindo a escada na minha frente deve ter gostado menos: um macaco rasgou a sacola que ele estava carregando e comeu na hora o lanche do cara. Ou seja, para visitar este lugar: tente ir de manhã quando ainda não tem muito sol na escada para a subida ficar mais tranquila, e não leve comida (ou guarda bem dentro da mochila)!

 

  1. Caminhando nas ruas…

 

Uma partezinha da rua Jalan Bukit Bintang: uma rua cheia de shopping e lojas luxuosas.

 

 

Só para demonstrar as oposições da cidade: do mesmo tanto que tem prédios super chiques, você acha lugares muito mal cuidados e dilapidados.

 

Um templo hindu

 

 

O começo da rua mais popular da Chinatown, cheio de lojinhas

 

  1. Comida

Quem gosta de viajar e experimentar novas comidas, com certeza recomendo Malásia! Acho que experimentei mais comida do que vi lugares turísticos lá, e tem tanta coisa gostosa! Aqui alguns exemplos:

 

Roti tisu (literalmente traduzido ‘pão guarda-napo’), bem fininho, crocante, um pouco oleoso mas que gostoso! E com a bebida Teh tarik, bem típica da Malásia, feito com chá preto e leite condensado.

 

Cheese Naan: o pão de queijo da Malásia. Tem um queijo derretido lá dentro e vem junto com um molho.

 

 

Igual à Indonésia, gostam de fritar a comida, e a banana frita é um dos favoritos também. Mas eu gostei mais ainda da banana com leite condensado e chocolate, que delícia!

 

 

Exemplo de um buffet no restaurante

 

PUTRAJAYA

Conforme eu disse, a Putrajaya dá para comparar com a Brasília. Até que dá para fazer esta comparação não somente por ser construída por fins governamentais, mas por também ter uma arquitetura impressionante e por ser um lugar onde tudo fica tão longe de um e outro que precisa de um carro. É uma cidade novíssima, concluída somente em 1999.

Os três prédios mais impressionantes são:

  1. Perdana Putra

Este prédio é o escritório do primeiro ministro da Malásia, e o prédio que mais chama atenção na cidade, já que fica num morrozinho no final da avenida principal.

 

  1. Tribunal da Justiça

 

  1. A mesquita rosa – Masjid Putra

Esta mesquita é a mesquita principal da cidade e foi feita de granito rosa. Veja por você mesmo o tanto que é bonita:

 

 

 

ALGUMAS DICAS

  1. Ônibus gratuito em Kuala Lumpur

Chamado “Go KL”, existem 4 linhas de ônibus dentro de Kuala Lumpur que são completamente gratuitos. Você consegue uma mapa das linhas nos escritórios oficiais de turismo da cidade ou pelo site (clique aqui) . Não confunda o ônibus Go KL com os ônibus Hop-on Hop-off. Este último é especificamente para turistas e é meio caro, enquanto com o Go KL você também consegue passar por todos os pontos turísticos. Para ir nos lugares que estas linhas de ônibus não passam, ou para ir de um jeito mais rápido, posso recomendar muito o metrô. Não fica caro e é bem moderno.

  1. Do aeroporto ao centro

O aeroporto de Kuala Lumpur achei um pouco confuso, porque, igual a tantos outros aeroportos, ele tem dois terminais, chamados de KLIA1 e KLIA2, porém, para trocar enter os terminais não existe um trenzinho do aeroporto, mas precisa pegar um transporte público pago, como se você estivesse indo para um outro lugar. Acabou sendo bem baratinho, nem R$ 3,00, e rápido, mas achei meio confuso. Principalmente porque não todos os jeitos de transporte para o centro saem dos dois terminais.

O jeito principal, o trem chamado KLIA Express, dá para pegar tanto no terminal KLIA1 quanto no KLIA2. O trem vai até a KL Sentral, a estação de trem central em Kuala Lumpur. A viagem custa RM35 (~ R$ 25,00) e leva meia hora. Um jeito mais barato de ir ao centro é um ônibus. Tem o SkyBus, que também vai até a KL Sentral, ele leva uma hora e pouco e custa RM9 (R$ 6,5). Este ônibus somente sai do KLIA2, que é o terminal onde chegam principalmente os voos da companhia aérea AirAsia. Se chegar em KLIA1, dá para pegar o trem para KLIA2 e de lá pegar este ônibus, ou pegar um ônibus direto da KLIA1, por exemplo da companhia Airport Coach, que custa RM18 (R$ 13).

   

  1. Walkway KLCC – BB

Kuala Lumpur tem algo que eu achei genial e adorei: uma passarela no ar de um meio quilômetro, ar-condicionado, que interconecta o centro de shoppings da Jalan Bukit Bintang com o bairro do KLCC onde ficam as torres de Petronas. O que pelas ruas seria uma caminhada de quase 2km, ficou uma caminhada bem agradável no ar condicionado de nem 10 minutos.

Para concluir, posso dizer que a Kuala Lumpur me deixou com a mesma sensação de Singapore: parece uma cidade bem legal para morar, com de tudo um pouco. Tem uma atmosfera bacana à noite quando os habitantes locais saem para jantar (o que eles fazem até meio tarde, por volta das 21hs – 22hs você vê bastante pessoas ainda jantando) e ficam lá nas mesas conversando com os amigos. Para fins turísticos, acho que vale a pena de ter visto a cidade e ter ficado lá alguns dias, mas também acho uns 3 dias o suficiente.

Com este post terminei a série de posts sobre a minha aventura de alguns meses no Sudeste Asiático. Neste momento já estou morando de novo na Bélgica, então os próximos posts serão sobre a Europa!

Até!

A cultura indonésia (2)

Exatamente duas semanas atrás foi o meu último dia na Indonésia. Depois de uma passada curta na Bélgica estou agora curtindo bastante pão de queijo, coxinhas e brigadeiro nesta terra linda do Brasil. Mas conforme prometi, dedicarei mais um post a Indonésia, já que é uma cultura tão diferente que ainda tem bastante coisas a contar.

Vamos começar pela comida, sempre um assunto gostoso. No meu primeiro post, passei as palavras “pedas” (piquante) e “goreng” (frito) que já são um bom indicador de o que você pode esperar na Indonésia. Passarei mais umas palavras aqui relacionadas à comida, que – claro – foi o vocabulário que eu aprendi o mais rápido.

– Makan: Tem que começar a listinha pela palavra mais óbvia, “makan”, o que quer dizer “comer”. Se ficar hospedada na casa de alguém, pode ter certeza que será a palavra que mais escutará.
– Nasi: Na bahasa Indonesia existem várias palavras para arroz, já que eles fazem uma diferença entre o arroz que ainda está no campo, o arroz que já foi colhido e o arroz pronto para comer. Nasi é o arroz que está no seu prato mesmo e é o que eles comem como café da manhã, almoço e janta. Os Indonésios falam que, se para uma destas refeições não comer arroz, é igual a não comer nada, independente de quantas outras coisas tinha no prato. Um café da manhã com chá, pão, frutas e iogurte então é um absurdo para eles (um comentário que eu tive que ouvir bastante cada vez que eu optei para um café da manhã não-asiático).
Eles também preparam o arroz diferente do jeito brasileiro, já que eles usam uma máquina. Realmente todo mundo tem uma máquina assim em casa e também em restaurantes é como fazem o arroz. Isso quer dizer que eles simplesmente jogam água, sem adicionar nada de tempero. A primeira vez que mandei uma foto do meu prato com arroz para uma amiga brasileira, a reação dela foi: “este arroz está grudento demais!” E quando eu fiz um arroz para mim na Indonésia do jeito brasileiro, a avó da casa lá estava discordando muito com meu jeito de preparo. Precisei de uma tradutora para explicar para ela que era assim que eu queria comer e que não, não estava faltando água e tempo de cozinhar…


– Lontong: Como se não for suficiente de comer arroz três vezes por dia, existe algo chamado Lontong, que é um arroz pressionado junto e embalado em folha de banana. Às vezes é cortado para misturar num prato, mas muito vezes eles comem assim, na mão mesmo, como lanche!
– Ikan: Ikan quer dizer peixe, e algo que achei muito engraçado (e esperto) é que bastante casas no interior tinham um lagozinho no jardim com peixes. Na hora de querer comer peixe, era só pegar um, limpar um pouquinho e fritar!
– Warung: Um “warung” é o nome que dá para um pequeno restaurante, que geralmente é aberto na rua. Quando vai num outro país os turistas às vezes ficam com medo de comer num lugar assim que fica na rua e geralmente não é muito organizado. Mas nos meu tempo todo na Indonésia só almocei ou jantei em warung, e posso dizer que é a melhor escolha. Muitas vezes a comida é preparado na hora, é baratinho e é muito gostoso!


Também o jeito de comer é diferente. Os dois jeitos mais usados é de comer somente com colher, ou com a mão. Digo “a mão” no singular porque realmente é para usar somente a mão direita. Isso não é somente para por exemplo pegar a coxa do frango, mas é realmente para comer o prato todo, com arroz e tudo (descobri que se não quiser ter que ficar procurando arroz debaixo da sua unha, este método de comer não é recomendado a pessoas com unhas compridas). A ‘sorte’ é que na Indonésia é muito normal comer a sua comida morno ou até frio, então pelo menos não queima a mão. Para comer miojo eles também usam palitinhos, com como alternativa um garfo, mas para os outros pratos é somente colher mesmo. O hábito de usar uma faca não existe (eu sou especialista em cortar minha comida em pedaços extremamente pequenas então precisei de me acostumar bastante com isso), e praticamente nem tem faca em casa, só uma ou duas maiores para cozinhar.

Além disso, é muito normal de sentar no chão para comer. No dia a dia come na mesa, mas quando tem uma festa na casa de alguém o mais comum é de colocar um tapete e sentar no chão. Isso também existe em alguns “warung”: eles botam um tapete na calçada e você senta lá para almoçar ou jantar.

No meu primeiro post comentei sobre a atenção que estrangeiro (“bule” na língua indonésia) chama, mais ainda quando é branca, alta e com cabelo loiro como eu. Quando me mudei da cidade para a vilazinha, descobri que lá realmente tem pessoas que nunca viam uma pessoa branca na vida real. Assim uma pergunta típica das crianças era como foi que eu consegui ter olhos azuis, ou também se eu estava usando uma lente colorida. Até tinha criança perguntando para a professora porque eu sim fui liberado de pintar o cabelo e eles não (é moda de menino pintar o cabelo moreno, mas a escola não liberava). E já que eu tenho cabelo loiro, a única possibilidade para eles é que eu pintei.

O que sempre achei bem legal é que todo mundo te chama de “Miss” (= “senhorita”). Eles aprendem um pouquinho de inglês na escola e assim conhecem as palavra “Miss” ou “Mister”. Já que é uma cultura de respeito e bem educada, todo mundo, seja vendedor ou alguém querendo tirar foto com você ou aluno de escola, te chama de “Miss”. Até quando homem quer mexer com você na rua, o que nem tem muito (eles olham bastante, mas não mais do que as mulheres e as crianças), o máximo que acontece é que falam “Miss, how are you?”. Quase é bonitinho, principalmente se comparar com o que tem que ouvir andando nas ruas no Brasil.

Umas outras coisas típicas de Indonésia:
– Lagartixa: Se não gostar de lagartixa, você tem um problema. Ou seja, eu tinha um problema. Acho que no final parei de morrer de susto cada vez que passava uma na parede do meu lado e até quando tinha uma no meu quarto, eu ia dormir em vez de ficar morto de sono olhando ela para ver se com certeza ia sair alguma hora. Mas nunca vi tanta lagartixa na minha vida e com certeza não dentro da casa.
– Censura: O primeiro filme que por acaso vi passando na televisão era Os Três Mosqueteiros. A personagem feminina principal no filme usa um vestido de espartilho bem apertado e então, um decote bem chamativa. Isso no filme original, já que na Indonésia, o decote ficou censurado! Depois descobri que eles censuram tanto decote, quanto cigarro (mesmo que passa propaganda de marca de cigarro toda hora (mas somente depois das 22hs)), álcool e armas nas programas de televisão.
– Sapato: Sempre tem que tirar o sapato para entrar numa casa. Isso também é quando vai sentar por exemplo num “warung” que botou o tapete na calçada: você tire o sapato antes de pisar no tapete.
– Natação de roupa: Este foi bem diferente para mim: quando vai em piscina, mulher usa uma calça comprida, uma camiseta e continua com véu na cabeça. Não é muito confortável e com certeza não é prático para tomar sol (para mim então, já que as Indonésias não querem tomar sol mesmo).


– Gatos: Existe muito gato de rua na Indonésia e coitado dos bixinhos mas, eles são muito muito feios. Estão magro demais, não quero nem imaginar de quantas doenças tem e o pior de tudo, eles tem um rabo cortado! Na verdade eu pensava que o rabo foi cortado, e um Indonésio também me confirmou isso, mas parece que uma possível explicação é que eles nascerem assim, que é uma raça de gato. Eu só sei que eu perdi a vontade de ficar passando mão em gato de rua. Interessante também é que quase não vemos  cachorro, e muitas pessoas que conheci lá falaram que tem medo de cachorro. Na ilha de Java quase não tem porque muçulmanos acham que cachorro é sujo.
– Batik: Quem vai para Indonésia, com certeza vai encontrar este tecido. É um tecido estampado tradicional da Indonésia, que sempre é usado para roupas de festas e também para roupa formal por exemplo de funcionário público ou professor. Na verdade o tecido mesmo não achei muito agradável para usar como roupa, mas é bonito.

Para terminar meus posts sobre a Indonésia, gostaria ainda de contar sobre um lugar turístico, que na verdade é o único lugar bem famoso que visitei já que por causa do projeto de voluntária eu viajei pouco. Este é um lugar sobre qual achará informações em qualquer guia de turismo porque é um dos pontos mais famosos na ilha de Java. O lugar chama “Candi Borobudur”, traduzido como “Templo do Borobudur”, que é o maior monumento budista do mundo. Está localizada entre Semarang (onde eu fiz um mês de projeto) e Yogyakarta, uma cidade bem turística na Java. Deixo as fotos falarem por si mesmo:

No meu próximo post falarei sobre minha viagem de um dia para Cingapura, um país bem interessante e muito agradável!

Até!

A cultura indonésia

Hoje é meu último dia na Indonésia e gostaria de compartilhar mais umas coisas com vocês sobre a cultura, que na minha opinião é uma cultura muito bonita e que consequentemente acabei gostando bastante.

O que com certeza vai ficar mais na minha memória é a bondade das pessoas aqui. Não sei se é algo da cultura da Indonésia, da cultura da Java (a ilha onde estou) ou da cultura muçulmana – o mais provável é que é uma mistura das 3- mas as pessoas são muito gentis, abertas e hospitaleiras. Já falei isso no meu primeiro post mas é algo que marcou tanto a minha experiência aqui e de qual vi todo dia prova, que com certeza vale repetir de novo.

Além de serem muito gentis, eles são muito humildes. Na verdade achei que eles são quase humildes demais quando se trata de estrangeiros. Só de você estar na casa deles, eles já acham uma honra. Eles te enchem de comida, botam um membro da família para dormir na sala para que você possa ter um quarto e na hora de despedir ainda pedem desculpa porque acham que talvez fizeram algo errado.

Também no meu aniversário, que foi bem no final do primeiro projeto que eu fiz, as pessoas do bairro – que eu só conhecia durante um mês então – organizaram uma festa surpresa para mim, com decoração, um bolo, as crianças da minha aula de inglês cantando Happy Birthday,… No final da festa a organizadora me disse ‘Muito obrigada!’, e eu fiquei, ‘como assim, muito obrigada? Sou eu que tenho que agradecer você!’ Aí ela respondia: ‘Não, obrigada à você por ter gostado!’ Eles realmente ficam felizes por conseguir deixar você feliz.



Eles também são muito alegres, adoram dar risada, brincar, cantar (adoram karaoke), conversar com todo mundo que encontra na rua, ir na casa do vizinho onde sempre terá um chá bem doce e alguma comida (bem provavelmente frita). O que admiro muito aqui é que, por causa da religião, eles não bebem álcool. Eles adoram reunir pessoas, mas quando fazem está sendo servido água, chá ou café, e nunca álcool. Mas pela tanta de alegria e risada que tem nos eventos assim, dá para ver que com certeza não faz falta!

Falando da religião – que foi um dos motivos por quais achei legal eu vir para Indonésia e mais especificamente a ilha Java, já que aqui o Islam é a religião dominante e me pareceu interessante a conhecer melhor –  gostaria de fazer algumas observações sobre esta religião que nestes dias é tão mal vista. Eu pessoalmente são agnóstica então as observações são feitas de um ponto de vista cultural/antropológica, não religiosa.

Os muçulmanos indonésios são bastante religiosos. Por exemplo, desde criança eles aprendem a ler árabe para assim conseguir recitar o Alcorão. Todo mundo aqui realmente consegue ler e escrever a escrita árabe, fiquei bem impressionada com isso. Eles também só comem carne halal e não comem carne de porco. Conforme mencionei num post anterior, as mulheres também seguem as regras de roupa muçulmana, se vestem com manga comprida, roupa sempre cobrindo os joelhos e usando um véu (somente tampando o cabelo, não o rosto).


Eles também seguem o ‘sholat’, as 5 rezas por dia. Pode ser dentro da casa, onde existe um quarto separado para isso, ou na mesquita. É um costume que também os jovens ainda fazem. Eu sabia deste costume de rezar 5 vezes por dia antes de vir para cá e na época me pareceu algo meio radical. Mas na verdade, assistindo estes momentos de perto, deu para ver que são simplesmente 5 momentos por dia que eles tomam um tempinho para si mesmo e que eles conseguem expressar o gratidão deles para a vida que eles têm. Na vida ocidental está sendo muito recomendado de fazer meditação e Yoga já que as pessoas têm uma vida corrida demais e precisam de técnicas para relaxar. Na verdade não vejo diferença entre alguém precisar de um momento de Yoga, ou ir correr por meia hora, ou de relaxar na frente da televisão para poder desligar a cabeça um pouco, com estes momentos de reza. Algo que confirmou isso para mim foi quando uma menina aqui estava me contando sobre um momento estressante que ela tinha passado e me falou ‘eu só queria rezar naquele momento’.


Ao mesmo tempo que eles são bastante religiosos, eles são muito diferente daquela imagem radical do Islam. Por exemplo, nestes dois meses somente uma pessoa tentou me converter a virar muçulmana, e 3 outras pessoas pediram desculpa por ela ter feito isso.

 

Claro que como em todo lugar do mundo existem pessoas mais radicais. Tem por exemplo uns partidos políticos que acham que o governo deveria se basear nos princípios da Islam e que nestes dias estão protestando contra o governador de Jakarta, que é um cristão. Mas as pessoas com quem eu conversei aqui sempre condenam qualquer forma de violência no nome do Islam e enfatizam muito o fato que o Islam ‘puro’ é uma religião de tolerância e de paz. Inclusive a palavra ‘Islam’ vem da palavra árabe ‘salema’ o que quer dizer ‘paz, pureza’.

Também a imagem da mulher ser subordinada ao homem não faz parte da cultura indonésia. Na família na qual eu fiquei – de qual a mãe inclusive é uma professora de religião – ficou bem claro que é a mãe da casa que mandava em tudo, e o pai ajudava a limpar a casa e a cozinhar, bem o contrário do estereótipo.

Eu fui avisada na hora de chegar aqui que eu talvez encontraria homens que não iam querer dar uma mão para mulher para comprimentar. Por isso me avisaram que como mulher é melhor nunca esticar primeiro a mão para comprimentar um homem (algo difícil de lembrar). Mas na verdade todo homem sempre me dava uma mão que eu acabei de esquecer desta possibilidade… até claro acontecer que eu estiquei a mão e o homem não quis aceitar. Na hora é uma sensação bem ruim, principalmente porque eu estava do lado de um outro voluntário masculino de quem foi aceito sim, como se eu valesse menos do que ele. Mas mesmo quando foi assim, o homem não me olhava feio. Ele sorria, pressionava as duas  mãos juntos e acenava com a cabeça como jeito de cumprimentar. Nestes dois meses só encontrei uns 5 homens que me cumprimentavam assim em vez de dar uma mão.

 

Então não vou dizer que as mulheres são totalmente iguais ao homens ou que não existem homens que acham que as mulheres valem menos, mas encontrei mulheres com uma função alta em empresas, entre os jovens os meninos tem amizades normais com as meninas, e as meninas vão do mesmo tanto para a faculdade quanto os meninos.

Então para mim a imagem do islam que a mídia está pintando estes dias e os preconceitos que seguem a partir desta imagem, foi mais do que refutada graças à cultura que assisti aqui na Indonésia. Fiquei bastante feliz de ter conhecido esta cultura muito bonita, que ainda contém aspectos de uma vida simples que já ficou um pouco perdido na Europa: se preocupar mais com as outras pessoas do que com dinheiro, ser grato pela vida que tem e principalmente ser feliz e alegre.
Ainda tem bastante coisas a contar sobre a Indonésia então também vou dedicar meu próximo post à Indonésia, mais específico sobre mais alguns costumes daqui e os lugares que visitei. Até!

Fazendo trabalho voluntário na Indonésia

Conforme mencionado no meu último post, hoje falarei sobre o trabalho voluntário que estou fazendo na Indonésia. Quando decidi que queria sair do meu emprego para conhecer outro lugar do mundo, tinha vários motivos que me ajudaram a escolher um projeto voluntário em vez de somente viajar.

Um dos maiores motivos, para mim, era que uma estadia longa em um mesmo lugar  realmente possibilita conhecer a cultura local. Você acaba fazendo amizades com pessoas de lá mesmo, em vez de somente conhecer outros viajantes com quem você compartilha um mesmo quarto no hostel durante uns 3 dias. E são estes amigos locais que te ensinarão a cozinhar os pratos típicos, com quem você vai praticar a língua e que te levarão naquela caminhada na natureza lindíssima que não está mencionada em nenhum livro turístico.

Fazer um trabalho voluntário também é uma oportunidade de desenvolver seus skills (habilidades) e conhecimento. Além da parte de aprender a língua local, também tem o fato que no trabalho voluntário você acabará fazendo atividades que no seu dia a dia normal não faria. Estas atividades diferentes te dão a oportunidade de sair da sua zona de conforto, o que sempre tem como resultado um autodesenvolvimento forte. E sim, além de ter novos skills, simplesmente o fato de mencionar que fez trabalho voluntário é algo que fica bom no seu currículo também.

Talvez você se pergunta agora: “Bem, isso são motivos meio egoístas, um trabalho de voluntarismo não deveria ser por querer ajudar os outros, em vez de ser bom para si mesmo?”

Na verdade, isso é o que fez dessa experiência ainda mais perfeita: enquanto eu estaria aprendendo novas coisas e vivendo uma experiência muito boa, eu também estaria fazendo algo bom. Porém, o motivo por qual não mencionei isso como a minha maior motivação, é porque eu comecei este projeto com uma visão muito realista sobre o quanto de impacto o meu trabalho teria. Ficar dois meses em um lugar onde não conhecia a língua nem os costumes? Eu não ia mudar a vida das pessoas. Se o meu maior motivo de fazer o projeto fosse melhorar o mundo, eu ficaria muito frustrada por somente poder fazer bem pouquinho. Mas aproveitar certas vantagens e, ao mesmo tempo, poder contribuir um pouquinho, me parece melhor do que nada.

Foi conversando com uma amiga sobre esta ideia, que ela me recomendou o site de uma organização belga que faz parcerias com organizações de projetos voluntários do mundo inteiro. Assim, eles tem um database com projetos que variam de ajudar tartarugas no México, construir casas na África, cuidar de elefantes na Tailândia e dar aula de arte para crianças no Rio de Janeiro. Tem projetos que focam em experiência cultural, por você ser o único voluntário lá, e tem projetos focando em trabalho com time internacional, quando você tem que executar um projeto junto com outros voluntários.

O processo de participar em um projeto de trabalho voluntário normalmente não é difícil – por exemplo comparando com conseguir uma bolsa para estudar num outro país – pelo simples motivo que você está pagando para participar. É algo de que muitas pessoas não têm consciência e até acham estranho, mas para participar em um projeto voluntário, você quase sempre tem que pagar uma taxa de participação. No meu caso eu precisei pagar uma taxa para a organização belga e chegando na Indonésia também tive que pagar uma taxa por mês à organização aqui. Além disso, tem o custo da passagem de avião e do seguro de viagem e saúde que também são de responsabilidade do participante.

Concluí estes passos administrativos e financeiros e no dia 3 de janeiro cheguei na cidade de Semarang. A organização local, chamada IIWC of PKBI, estava me esperando no aeroporto e me deu um dia de orientação sobre a Indonésia e o projeto. Depois me mudei para a Nuansa Mandiri, a cooperativa onde eu ia efetuar meu primeiro projeto.

Nuansa Mandiri, literalmente traduzida “Tons de independência” é uma cooperativa de microfinanciamento com 200 membros. Os membros são mulheres da classe baixa – geralmente proprietárias de estande de feira – que não se sentem bem-vindas em banco (por causa do horário de abertura limitado, as taxas altas, os requisitos para conseguir um empréstimo…) A Nuansa Mandiri funciona como banco, oferecendo empréstimo e/ou conta poupança para os membros. Porém, a grande diferença é que em vez dos membros terem que ir até o local da cooperativa, as funcionárias da Nuansa Mandiri vão todos os dias visitar os estandes dos membros para receber o dinheiro que irá pagar o empréstimo ou que gostariam de colocar na poupança (quantias pequenas variando de R$ 1 até R$ 25).

Parte do meu projeto era ir junto com estas funcionárias às feiras para buscar o dinheiro dos membros. De volta ao escritório eu ajudava com a parte administrativa da cooperativa. Foi bem interessante ver o funcionamento de microcrédito, um sistema que estimula o desenvolvimento social e econômico e para qual o inventor, Muhammad Yunus, ganhou o prêmio nobel em 2006.

Além disso, a Nuansa Mandiri oferece certas atividades sociais para os membros, por exemplo, seminários sobre saúde, aulas de inglês, aulas de esporte…
Estas atividades eram a minha principal responsabilidade e assim eu dava aula de inglês para as crianças, aula de aeróbica e aula de yoga.


Em primeiro de fevereiro me mudei da cidade para uma aldeia, chamada Mogá, para iniciar um segundo projeto, que é organizado por uma organização local non profit, chamada Literasi Kampung (“Alfabetização da aldeia”).  O que gostei desta organização é que foi iniciada por um grupo de jovens locais (entre 20 e 30 anos), que decidiram estabelecer a primeira biblioteca da aldeia. Além de construir esta biblioteca fixa, eles também levam os livros para outras aldeias em volta, criando assim uma biblioteca móvel.

As minhas tarefas envolvem esta biblioteca móvel e também o intercâmbio cultural: visito as escolas das aldeias em volta daqui, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, para contar um pouco sobre a vida na Europa e dar uma oportunidade às crianças e adolescentes de praticarem o Inglês.


Uma parte do meu projeto também se localiza numa outra aldeia, chamada “Tourism village of Cikendung”. É um lugar lindíssimo, no meio de plantações de chá, campos de arroz e bananeiras, que está tentando desenvolver o turismo. Lá dou aula de inglês para os guias (que são treinados para subir o vulcão “Mount Slamet” que fica aqui perto), e tenho a sorte que, em troca disso, a cidade me oferece atividades culturais que também são oferecidas às turistas. Assim estou aprendendo a tocar Gamelan e a dançar Menthelan, um estilo de música e uma dança tradicional.


Neste momento quase terminei meu segundo mês de projeto e depois de uma pequena viagem para Kuala Lumpur, o capital da Malásia, eu já estarei voltando para a Bélgica.

Com certeza foi uma experiência única que realmente recomendo a todo mundo. Claro que não é todo mundo que tem 2 meses para ir fazer um projeto voluntário, mas às vezes pode ser legal incluir um projeto de 2 semanas na sua trajetória, ou em vez de tirar um mês de férias para ir pulando de cidade em cidade, usar este mês para fazer um projeto voluntário. O que você “perderia” em ver lugares turísticos e famosos, vai ganhar em dobro de experiência cultural.

Conhecendo a Indonésia com Veerle Monkerhey

Queridos leitores do blog Immagine, bom dia!

Me chamo Veerle e aparecerei aqui quinzenalmente para lhes contar um pouco sobre as viagens que estou fazendo e que já fiz.

Igualmente à minha colega Renata aqui do blog (veja os artigos dela para saber mais sobre a África do Sul!), peguei a vontade de viajar e conhecer outras culturas quando fiz um ano de intercâmbio depois do meu ensino médio.

Eu sou belga, e aquele intercâmbio me trouxe 10 anos atrás pela primeira vez para o Brasil. Na época não fazia ideia do quanto eu iria me apaixonar por este país maravilhoso e muito menos que eu acabaria morando nele por quase 4 anos. Perdi meu coração com a comida (adoro brigadeiro e coxinha), com a língua Portuguesa, com a natureza, com as pessoas tão simpáticas e – já deve dar para imaginar – com um brasileiro em particular. Fiz amizades com pessoas maravilhas (uma destas é a Dávila Kess), e foi assim que eu cheguei aqui para compartilhar minhas histórias com vocês.

Nestes 10 anos desde meu primeiro intercâmbio, além de ficar aqueles 4 anos no Brasil, visitei os Estados Unidos, Chile, Argentina, China, Turquia e muitos lugares maravilhosos na Europa. Lhes contarei mais sobre estes lugares, e claro, sobre a vida na Bélgica, nos meus posts futuros, mas gostaria de começar hoje pelo lugar que estou neste momento: a Indonésia.

Ano passado me peguei em um daqueles momentos da vida em que sentimos precisar de uma mudança. Então saí do meu emprego na Bélgica e decidi ir fazer um projeto voluntário durante dois meses numa região que eu ainda não conhecia: o sudeste da Ásia.

A Indonésia é o quarto país com maior população, com 255 milhões de habitantes, e fica um lugar na frente do Brasil. A população está espalhada em 17.000 (!) ilhas, porém mais da metade mora na ilha Java, onde também tem a capital Jakarta. Comecei o meu projeto na cidade de Semarang, o capital do distrito ‘Java Central’.

Um detalhe que achei interessante quando escolhi o país, é que a Indonesia tem a maior população muçulmana do mundo, já que 90% do país segue o Islam como religião. Porém, o país é secular, ou seja, o Islam só é considerado uma religião, não a base para aspectos políticos e governamentais. Neste momento onde a mídia apresenta uma imagem tão ruim sobre o Islam, me pareceu interessante conhecer a religião ainda na forma mais ‘pura’.

Outra coisa que achei interessante na Indonésia: a língua, que se chama ‘Bahasa Indonesia’. Primeiramente, contrário ao chinês, japonês, tailandês, a língua usa a escritura romana, o que facilita muito para estudá-la. Em segunda, durante centúrios a Indonésia foi colonizada pela Holanda, e assim a língua teve influência do holandês (a minha língua nativa). Além disso, o idioma é bem parecido ao da Malásia, então aprendendo a Bahasa Indonésia dá para se virar nos dois países.

Algumas das primeiras palavras que aprendi aqui:

– Bule: o entusiasmo das pessoas aqui por estrangeiros, especificamente por estrangeiros brancos, chamado de ‘bule’, é impressionante. Qualquer lugar que vou, tem pessoas pedindo para tirar selfie. Quando visito uma escola, quase passo medo: as crianças vem de longe correndo para mim para poder dar um bom dia e quase brigam para chegar mais perto de mim e poder dar um mão. Em algum ponto eles até chegaram em mim com papelzinhos pedindo assinatura!

– Goreng: Goreng quer dizer ‘frito’ e é a palavra que você mais encontrará num cardápio. Praticamente tudo é frito aqui. Uma vez até vi que eles jogarem alface na fritura! E o prato típico de arroz junto com pelo menos algum item frito é consumido no café de manhã, almoço e janta! Ou seja, não é fácil viver uma vida saudável aqui.

Tidak pedas: – continuando o assunto da comida que é bem gostosa, mas muito muito picante! Então as primeiras palavras que aprendi aqui foram ‘tidak pedas’ (não picante), e pedindo assim eles preparam o seu prato sem pimenta.

– Rupiah: É a moeda daqui. Tive de me acostumar um pouco com a quantidade de nulos aqui: 1 euro é 14.000 rupiah (~ 1 real = 3.500 rupiah)! Tudo aqui é muito barato! Um prato de comida varia entre 2 e 6 reais, passagem de ônibus é 1 real mas tem um tipo de Uber aqui, chamado de Gojek, que é feito com moto e carro. Com uns 6 reais dá para cruzar a cidade inteira.

– Mandi: É raro achar um chuveiro do jeito que a gente está acostumado. Os banheiros tem algo chamado ‘mandi’, que parece uma banheira pequena, sempre cheia de água. Tem um baldezinho nele, e você toma banho jogando água em seu corpo com ele. Detalhe: é água gelada. Os dias em que faz 30°C é até de boa, mas de manhã cedo ou depois de uma noite de chuva é bastante sofrido.

Falando sobre ‘de manhã cedo’, pode pegar ‘cedo’ bem literalmente! Os muçulmanos rezam 5 vezes por dia, e eles sabem que é hora de rezar porque as mesquitas tem uma instalação de som de qual sai o som das orações. O som é bem alto e dá para ouvir até dentro da sua casa (todo bairro tem uma mesquita). A primeira reza do dia é quando a primeira luz aparece, então às 4.30hs você acorda com elas. E mesmo quem não faz esta primeira reza, parece que já levanta às 5hs da manhã! Umas das atividades do meu projeto voluntário era dar aula de aerobics, e isso às 6 da manhã no domingo!

No meu próximo post vou contar mais detalhes sobre este projeto que estou fazendo. Para terminar o meu post de hoje, só mais algumas das minhas primeiras impressões e observações sobre a Indonésia:

– As pessoas são extremamente gentis, hospitaleiras e prestativas. Parece que sempre estão felizes e que realmente vem do coração o sentimento de querer te ajudar. Uma desvantagem disso é que sempre querem te dar muita comida e parece que recusar praticamente os ofende (mas realmente repetir 4 vezes comida frita é meio complicado).

– Por ser um país muçulmano, as mulheres sempre usam roupas que cobrem no mínimo os ombros, de preferência com manga comprida e com calça ou saia até debaixo do joelho. Já percebi que elas utilizam estas roupas compridas não somente pela religião mas também pela imagem de beleza aqui, onde o objetivo é ficar o mais branca possível. Num calor de 30°C até usam meias dentro dos chinelos e botam luvas para andar de moto, tudo para não pegar  bronze!

– Já vi vários sinais de que aqui que existe uma cultura de confiança. Por exemplo, praticamente todo mundo anda de moto. Quando estacionar a moto, você simplesmente deixa a capacete em cima dela, e não é roubado! Também quando come num restaurante, o seu pedido não é anotado. Depois de terminar de comer, você chama o garçom, fala para ele o que você consumiu e ele calcula o preço. Às vezes tem até pratos com comida na mesa que você pode ir pegando o tanto que quiser, eles contam com você de no final falar quantas peças você consumiu.

– Sabe aquele joguinho de computador bem antigo onde você é uma galinha tentando travessar uma rua? Me sinto assim todos os dias. É muito trânsito na rua e não tem faixas para pedestres (vi uma vez, mas não tinha nenhum carro parando de qualquer jeito). Então tenho que simplesmente esperar, esperar, esperar, e quando abre um pequeno buraquinho, ir correndo. E lembrar que os carros vem do outro lado! (Aqui dirigem do lado esquerdo da rua)

No meu próximo post conto mais informações sobre este país que realmente deixou uma primeira impressão muito boa em mim e também sobre o projeto voluntário que estou fazendo! Até mais!