Sexo

Erra quem acredita que o homem — e a mulher — não vive quase que exclusivamente em função do sexo. Aliás, erra e erra feio. O ser humano é movido pelo ato carnal, desde o bocejo preguiçoso dos primeiros filetes de luminosidade da manhã até os encantos libertinos de um sábado à noite, depois de três doses de uísque e energético.

Na pior das hipóteses, a relação homem/sexo pode ser comparada ao combustível necessário para fazer um carro sair do lugar. Sem o primeiro, o segundo não é nada e vice-versa.

Estaciona.

Empaca.

Torna-se inútil.

E etecetera e tal.

Um homem ou uma mulher sem sexo, guardadas, claro, as devidas proporções, a exemplo do carro sem combustível, estaciona, empaca e se torna um completo inútil, isso quando não se transforma numa quase “bomba relógio”, instável, irritante e, obviamente, coberta de todo etecetera e tal possível imaginável.

A proibição do sexo, se houvesse, catalisaria o caos, talvez, numa dimensão nunca antes vista na história da humanidade.

Tudo por um motivo simples: ninguém admite ser forçado a parar de fazer sexo. Você pode até ser convencido ou recomendado a não tomar refrigerante, mas não a parar de transar. Você pode até mudar de partido, deixar de acreditar em gnomos, parar de ouvir Nat King Cole, mas nunca e jamais abandonar os prazeres da carne, assim, como por osmose.

Isso, jamais.

Nunca.

Nunquinha.

Quando cogitei, em meio a uma conversa com outras três pessoas, que, talvez, que o único meio de frear o nascimento de mais e mais crianças seria pela proibição do sexo, quase apanhei.

Claro que não sou defensor da tese e até admito que a hipótese levantada tenha sido utilizada pela curiosidade acerca da reação que as pessoas que participavam da conversa teriam.

Vamos lá:

Prefiro morrer a ser proibida de transar — disse uma delas.

— Que se distribua mais e mais camisinha e se invista em novos métodos anticoncepcionais — disse outra.

— Proibir o sexo? Você tá louco? — apontou-me o dedo, a terceira.

Resumindo: qualquer coisa, menos proibir o sexo.

Recapitulando o dito, em algum parágrafo acima: a proibição do sexo geraria o caos mundial.

Ponto.

Poderia encerrar aqui se quisesse.

Vou continuar, para que fique claro, okay.

O ato sexual é praticado porque se gosta. Porque é bom, como diria, grosseiramente, o velho punk rock dos gaúchos da Tequila Baby. E, tanto é bom esse dito cujo que permite delírios como desejar a própria morte ante a mínima possibilidade de sua proibição.

Qualquer coisa a não ter o direito de fazer sexo onde, com quem e que horas se quiser.  Desse jeito, como um tratado de lei, rabiscado por Raulzito e Paulo Coelho em algum confim da década de 1970.

A atividade sexual é tida, após a maioridade, como uma conquista, um direito adquirido e por isso, vedada a possibilidade de não fazer parte da rotina de qualquer homem ou mulher em sã consciência e pleno gozo de suas funções naturais.

Aliás, é o que se quer.

O que se almeja.

Muito mais que um carro novo ou a casa própria. A propósito, esses são desejos existentes unicamente para que se tenha e se faça sexo.

O universo capitalista que vivemos existe para tornar as pessoas atraentes às outras e assim, dar continuidade a indústria do sexo, seja ela real e palpável, como as casas de prostituição e mercado pornô, seja ela plantada no imaginário coletivo de maneira subliminar, na novela das oito, na propaganda de cerveja à beira-mar ou para encontrar um hotel no exterior.

E não se fala mais nisso.

Não quero apanhar.

Que se transe. Com segurança. Sempre.