Segunda edição do MMAD promove a diversidade e se consolida no calendário de eventos da cidade

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O apagar das luzes da estrutura do palco em dado momento da apresentação do coral adulto da Igreja Presbiteriana do Brasil de Luís Eduardo Magalhães, na noite do sábado, 14 de novembro, durante o encerramento da segunda edição da Mostra de Moda, Arte e Decoração (MMAD), serviu como uma espécie de controlador da emoção de muitos daqueles que fizeram do evento o sucesso que foi. Não foram poucos os que levaram o dorso da mão direita — ou esquerda — aos olhos, no intuito de enxugar as lágrimas.

Aquela altura havia o que comemorar. E, mesmo que se preferisse chorar sem a claridade de todas as luzes acesas do salão do Clube Rio de Pedras, era, praticamente impossível evitar duas ou três lágrimas deslizarem pelo rosto enquanto a comunhão de vozes, de todos aqueles homens e mulheres, enchia o ambiente ao som de:

— Emanueeeel, Emanueeel…

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Pois, se aquele, já nos momentos derradeiros da mostra, acabou por se configurar como um dos mais belos dos três dias de MMAD, antes, e é preciso que sejamos francos e honestos a fim de não deixar passar nada pela teia de sonhos que acabou por se transformar essa segunda edição do evento, fomos todos surpreendidos com uma avalanche de energia positiva e flashes de felicidade plena, daquelas que costumamos guardar com carinho no lado esquerdo do peito.

E talvez, seja preciso retroceder um pouco no tempo até a primeira atração da vasta programação, na manhã da quinta-feira, 12 de novembro, a mesa redonda sobre decoração, demonstração mais que óbvia que a Mostra de Moda, Arte e Decoração 2015 seria um grande sucesso, a ponto de torná-lo quase que instantaneamente parte do calendário de eventos da cidade de 2016 em diante._DSC4061

E tal certeza parece evidente no que se sucedeu: gastronomia, artesanato, fotografia, comunicação, literatura. Sim, e com direito, a paletó, boina e camiseta do velho safado, Charles Bukowski, e uma apresentação sobre personagens sem nome e gauleses revoltados pelo escritor Anton Roos, para um público que variou de estudantes de ensino médio à empresários e políticos, autógrafos e fotos, antes de uma noite de desfile arrebatadora, em que não faltou requinte, glamour, charme e um grand finale, digno de todos aplausos possíveis.

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Pois se não temos quem reproduza as linhas vocais rasgadas de Jon Fogerty, somos gratos pelo talento da voz quase angelical da Viviane à frente da Vintage Band que reproduz as estrofes das canções do saudoso Credence Clearwater Revival com tanto amor que nem sequer percebemos os pés, as mãos, o corpo e os lábios mexendo na escuta de clássicos como “Proud Mary” e “Have You Ever Seen The Rain”.

A declaração de Vivianne Peruzo talvez nos ajude a melhor compreender o que foi o MMAD. “Nos dias 12, 13 e 14 tive a oportunidade de participar da II edição de um dos melhores eventos que já aconteceram nesta cidade, batizado de MMAD (Mostra de Moda, Arte e Decoração), acho até que é uma sigla “pequena” para tanto significado, o MMAD é muito mais que M-M-A-D”.

Sim.

É muito mais.

MMAD é infinitamente muito mais do que as palavras que cada letra significa ao pé da letra. É, como, também definiu Vivianne, responsável por ministrar duas oficinas gastronômicas durante o evento, “uma injeção de cultura, solidariedade e união, nunca vistos nesta cidade”. E mais: “Este, foi um dos momentos mais especiais que pude viver nos últimos anos. Raras foram às vezes que tive a oportunidade de ter minha família, igreja e amigos reunidos e engajados em um mesmo propósito”, resumiu.

E engajamento é, de fato, uma daquelas palavras mágicas e certeiras para sintetizar esta edição da mostra. De todos que participaram da organização, do sonho encabeçado pelas incansáveis e dinâmicas Dávila Kess e Mônica Zanotto, todos expositores que acreditaram no evento, apoiadores, visitantes. Não fosse pelo engajamento, cada qual a sua maneira, o MMAD não teria alcançado seus objetivos.

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Quiçá, teria superado as mandingas de uma sexta-feira, 13. Mas, não! Ninguém. Zero. Não teve quem quer que fosse para lembrar que o segundo dia do MMAD aconteceria numa data tão cheia de superstições. Aliás, quem se importou? De novo e desde as primeiras horas da manhã, a movimentação, a participação e o entusiasmo fizeram o diferencial do evento. De A a Z. Da primeira à última atração._DSC4680

A propósito, Rui Rezende é um personagem singular. Diferenciado. Exemplo de superação e tão talentoso que quase não coube no MMAD. Em pouco mais de hora e meia, discorreu sobre sua história com a fotografia e sobre o acidente que quase lhe tirou a vida. E por fim, deixou para a história a mensagem e o legado:

— Para se alcançar um objetivo é preciso sempre dar um passo a mais.

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Mas, talvez o que ninguém, nem no mais louco dos sonhos esperasse, é que o passo mais, veio logo na manhã e tarde seguinte. Sob a timidez de uns pingos esporádicos de chuva, um grupo de jovens escritores chamava atenção de uma porção de outros jovens, de olhar atentos, querendo descobrir esse universo tão peculiar. Mesma reação de quem se aventurou com a oficina de cinema e com a sessão de filmes curta-metragem que tomou conta de toda tarde.

Se, aquela altura, o otimista que se dividia entre um café da Donuts, um picolé da Bomboneros ou uma mini torta de limão da Manas Café quase não controlava mais o riso de satisfação, em sequência, precisou aplaudir a apresentação de saxofone do Dr. José Rogério, dos bailarinos da Class Escola de Dança, o teatro improvisado da Cia Teatralizando e as crianças do coral infantil da Igreja Presbiteriana do Brasil.

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Porque se aquela altura não havia razão para nenhuma lágrima, tão logo as luzes do palco foram desligadas, a emoção, tal qual descrita no primeiro parágrafo, foi inevitável. Tem mais MMAD em 2016 e isso é o que importa.

 

Texto: Anton Roos

Uma agência incomum de comunicação integrada.