Roger Waters em Salvador: rock e resistência

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Passando pelo Brasil com a turnê Us+ Them, que pode inclusive ser a última de sua carreira, o lendário Roger Waters fez história. Aos 75 anos de idade e com o mesmo gás que esbanjava na criação e performance dentro do Pink Floyd, o cara fez seu show em um dos maiores palcos do mundo, desbancando até mesmo algumas estrelas do pop em suas apresentações. É só para quem pode, né? E ele pode muito.

Fazendo a alegria daqueles que amam as clássicas do Pink Floyd, Waters é indiscutivelmente um dos maiores músicos que o rock já teve (e ainda tem, graças a Deus). No Brasil, já passou por São Paulo (com direito a show em uma data extra), Brasília e Salvador. Ainda possui agenda para visitar Belo Horizonte (21/10), Rio de Janeiro (24/10), Curitiba (27/10), e Porto Alegre (30/10), fechando sua passagem majestosa pelo Brasil.

Em Salvador, colocado como alvo de duras críticas por conta de sua abordagem referente à política de nosso país, Roger Waters manteve seu posicionamento, que sempre foi contra o sistema, e encorajou aos brasileiros. Ao fazer uma homenagem emocionante a Moa do Katendê, que foi brutalmente assassinado por uma discussão política, reforçou o quanto tem de ativismo em suas veias. O show em Salvador aconteceu no último dia 17, quarta-feira.

“Eu queria apena tomar um minuto para relembrar um de vocês. Este é um grande artista local. Mestre Moa, que foi brutalmente assassinado após o primeiro turno das eleições presidenciais. Ele foi um grande exemplo para todos nós em espalhar amor, caridade, empatia e coragem” (Roger Waters)

Durante a homenagem, um telão de 70 metros de largura integrado ao palco exibiu uma foto do capoeirista de braços abertos. O público foi a loucura. Roger Waters pediu paz e chorou no palco.

Nós falamos com dois amigos que estiveram por lá e toparam compartilhar conosco suas impressões sobre esse show histórico e também sobre a abordagem política feita pelo ex-líder do Pink Floyd. Deise Machado, que é de Brasília, disse compreender o momento em que Waters alegou não saber muito do que se passava no Brasil, pois muitos de nós também não estamos entendendo, não é mesmo?

“O show foi espetacular, com efeitos sonoros e visuais que são característicos do Pink Floyd e do próprio rock progressivo. Detalhes que tornaram tudo muito lindo de se ver. E nós não precisamos necessariamente concordar com a posição política dele, mas dizer que ele não deve se posicionar é algo difícil, já que tanto ele como a banda fizeram isso durante toda a carreira”, disse Deise. E olhem só o carinho com os fãs, quando ele se permite estender as mãos e entrar em contato físico com todos ao redor.

Para Pablo Lucena, que também considerou o show incrível, Waters mostrou a que veio. “Ele é um artista comprometido com a visão de mundo. Em Salvador, ele foi grandemente acolhido e foi muito bom ver seu posicionamento num momento tão crucial como o que estamos vivendo em nosso país”, contou.

A Dávila Kess também esteve no show e nos trouxe imagens maravilhosas e que nos deixaram com muita vontade de fazer parte de tudo. Confira algumas na galeria!

“Eu admito: desliguei o celular, a mente, todas as questões da vida e me entreguei, de corpo, alma, coração. Todas as células do meu corpo estavam entregues a todas sensações que cada nota reverberaram em mim. Depois de algumas horas do show, ainda permaneci anestesiada, extasiada e, sem dúvida, Roger Waters proporcionou neste dia 17 de outubro, uma das experiências mais fascinantes desta minha jornada. O show ainda vai correr algumas capitais, meu conselho: junta o dinheiro que tem e vai, se não tiver, pede emprestado, quebra o cofrinho, mas vai. Você não vai se arrepender. Ah, e hoje eu entendo porque tantas pessoas tatuam #pinkfloyd em seus corpos, é insano mesmo. Surreal!”, disse Dávila.

Se você não sabe quem é Roger Waters (o que nós achamos que seja muito difícil), te ajudamos a entender.

George Roger Waters é um dos fundadores da banda de rock progressivo/psicodélico Pink Floyd, onde atuou como baixista e também vocalista. Foi letrista, compositor e líder conceitual do grupo. O músico deixou a banda em 1985, mas estima-se que até 2010, o grupo tenha vendido mais de 200 milhões de álbuns no mundo todo.

É estranho que ainda tenhamos de explicar às pessoas qual o viés das músicas do Pink Floyd, mesmo depois de tantos anos ocupando o topo de paradas musicais. Uma história escrita pelo pensamento que busca ir contra o sistema imposto pela maioria das autoridades, algo que vem nos assombrando nos últimos tempos. Ao “aderir” à hashtag #EleNão, Roger Waters reforça aquilo que muitos de nós esquecemos: como amar. Sejamos humanos. Sejamos como devemos ser. Resistam!

Uma agência incomum de comunicação integrada.