Quem será o menos odiado?

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O próximo presidente do Brasil não será o melhor candidato, tampouco, aquele com melhor perfil para ser o líder que o país precisa.

Acreditar nisso é enganar a si mesmo. Eu mesmo já desisti.

Não existem boas opções. No máximo, menos piores. Boas, jamais.

O vencedor das eleições de sete de outubro — ou em segundo turno — será aquele com menor rejeição.

Hoje, existem apenas dois lados. O resto é balela. Há quem seja contrário a Lula e o PT e quem seja contrário a Bolsonaro. Nada além disso. Logo, a eleição será decidida pelo ódio. O menos odiado dos dois receberá a faixa presidencial (No caso de Lula, Haddad seu escolhido).

Um está preso e é o líder máximo de um partido corroído que está na situação que está por se achar acima do bem e do mal. O outro é um cara que diz o que pensa, no afã do momento e por essa razão, enfileira aspas nervosas, desnecessárias e de gosto duvidoso. Ambos adoram um discurso vitimista. São teimosos e insistem em se colocar numa posição tacanha de opressão, perseguição e blábláblá.

Os dois adoram uma teoria da conspiração. O primeiro jura de pé junto que é inocente e que está sendo vítima de complô. O segundo chegou a epifania de afirmar que qualquer resultado que não sua vitória nas urnas representará uma fraude.

Detalhe: ambos sofreram um atentado gravíssimo e ambos os lados tentam — ou tentaram — diminuir o ataque sofrido pelo adversário.

O percentual de eleitores que odeiam tanto um quanto outro é gigantesco e será fundamental para decidir os rumos da eleição e do país no futuro próximo.

O verbo é esse mesmo: odiar.

Achar-se melhor que o outro e ponto final. Atacar. Combater. Se for preciso, ir as vias de fato. Xingar. Disseminar a raiva. Chamar a imprensa, ora, de esquerda, ora, de direita.

Em suma, odiar, odiar e odiar.

Os rótulos das bebidas alcoólicas advertem: aprecie com moderação.

A linha que separa o amor do ódio é tênue, quase invisível. Os dois lados que disputam essa eleição são os únicos capazes de provocar tamanha comoção popular. É aí que reside o perigo.

Quando paixão se confunde com fanatismo perdemos o prumo.

Quando apontamos nosso olhar apenas para um ponto perdemos nossa capacidade de perceber as diferenças.

Ficamos cegos.

Embriagados de um sentimento raso de superioridade. O Brasil não elegerá o melhor para o país, apenas, dirá ao mundo quem odeia menos.

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.