Que o Natal seja um bom motivo…

Natal de novo. Permitam-me mudar de pontuação: Natal de novo!?!? Foi minha reação ácida ao praticamente ser atropelado por levas e levas de pessoas carregando os famosos presentes, exalando felicidade e um cheiro de ‘lá foi o cartão de crédito’. Mas não falemos de consumismo. Porque já é de senso comum todos criticar o consumismo exacerbado, mas lotarem os carrinhos de compras. Conclusão: tal crítica é uma falácia, não funciona porque todo mundo compra e gosta de comprar.

Talvez porque nas compras se projete um pouco de felicidade, um pouco de altruísmo, a sensação de pelo menos uma vez ao ano dar ou dar-se um presentinho (caro de preferência) e que seja útil. Gosto da ideia de lembrancinhas. O diminutivo da palavra não ajuda, porque automaticamente já associamos com quinquilharia. Mas não é isso. Lembrancinhas são válidas, mas precisam ter um caráter simbólico forte e certo nível de intimidade com o presenteado. Assim, de fato o presente não precisa ser de muito valor, mas o seu significado será captado instantaneamente.

Dar e receber presentes que são ‘a cara da pessoa’ é uma arte. Não existe sensação mais maravilhosa. Claro, isso requer convivência, algum tempo de amizade e bastante percepção. Assombro-me com casais que vivem anos e anos juntos e ainda conseguem errar no gosto do cônjuge. Errar no tamanho é perdoável, mas errar no gosto…

Minhas ressalvas se dão quanto ao ‘amigo secreto’. Caramba! Será que só eu tiro a pessoa com quem tenho menos contato e por consequência não faço ideia do que presentear? Embora não creia nisso, deve ser algum tipo de maldição natalina.

É preciso muita coragem e motivação para enfrentar o Natal. Coragem para suportar a data longe da família ou da pessoa amada. Coragem para reconciliar-se com algum desafeto (mesmo que você tenha toda a razão na história!) no intuito de estar em paz consigo mesmo. E claro, coragem para manter a dieta durante as comilanças de final de ano.

A maratona de compras natalinas revela certo grau de motivação. Não é por qualquer pessoa que você vai ao front das lojas em busca de um presente. Mas a motivação não precisa converter-se necessariamente em algo palpável. O Natal pode transforma-se num motivo para muita coisa que você deixa de fazer ou até mesmo esquece no transcorrer do ano.

Pois então, que o Natal seja um bom motivo para… Ligar para aquele amigo que você não vê desde os tempos da faculdade, visitar aquele parente lá no fim do mundo à esquerda, passear com os filhos, assistir um bom filme melodramático de natal na TV, fazer uma oração, ler um livro, cumprimentar e conversar mais que cinco minutos com o vizinho, convidar alguém para sua ceia de Natal, surpreender alguém… Motivos não faltam!

Ah, o mais importante: Que o Natal seja um bom motivo para estar feliz (com ou sem presentes).