Primeira ocorrência de Ferrugem Asiática na Bahia na safra 17/18 é encontrada em São Desidério. Saiba o que fazer.

A doença mais perigosa da soja, a Ferrugem Asiática, é causada por um fungo que prejudica e reduz a produtividade desta cultura, gerando perdas consideráveis para o produtor. A doença teve sua origem na Ásia e no Brasil foi encontrada no final da safra de 2000/2001, no estado do Paraná. Hoje, no entanto, a doença se espalhou e atualmente tem incidência em todos os estados produtores do País, causando preocupações generalizadas nos produtores.

Na safra 17/18, no estado da Bahia, a primeira incidência a Ferrugem Asiática foi encontrada no município de São Desidério, oeste baiano, no dia 03 de janeiro, em lavoura comercial. Segundo informações da Dra Monica C. Martins, da Círculo Verde, empresa luiseduardense que identificou e confirmou a presença do fungo, a semeadura ocorreu em novembro, ou seja, dentro do intervalo estabelecido pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), que determina o plantio entre os dias 08 de outubro e 15 de janeiro. As plantas estavam no estádio R3. “Neste momento é importante que os produtores intensifiquem o monitoramento em suas lavouras, porque já foi encontrado o primeiro foco da doença. Isso significa que os esporos já estão no ar, ou seja, há a possibilidade de surgimento de novos focos. É imprenscindível que os produtores, ao fazer o controle químico, utilizem bons fungicidas, aplicados no momento correto, e que utilizem protetores nessas aplicações. Até porque o clima está bem favorável para a doença, com chuvas frequentes e mormaço. Não é momento de desespero, mas de atenção para as lavouras, afim de evitar a propagação da doença”, explica a Dra. Monica.

Segundo ela, a previsão climática que alegra os produtores, também é motivo para redobrar a atenção no monitoramento das lavouras. “Para esta safra, há a perspectiva de as doenças serem mais intensas, em função da previsão de chuvas para a região, pois a intensidade e regularidade das chuvas previstas, caso se confirmem, formam um ambiente propício para o desenvolvimento da soja, mas também da Ferrugem Asiática”, confirma.

Em nota divulgada pela Aiba, o coordenador do Programa Fitossanitário de Combate à Ferrugem Asiática da Soja na Bahia, Armando Sá, sinaliza que a ocorrência de chuva regular na região, com temperaturas mais frias à noite e com formação frequente de orvalho, beneficiaram o desenvolvimento da soja, mas também formaram condições favoráveis para o aparecimento da doença. “Mesmo o foco tendo sido encontrado tardiamente, comparado com outros estados, a previsão é que a chuva continue no Oeste da Bahia de forma continua até o fim de janeiro, por isto, os demais agricultores devem estar alerta e intensificar o monitoramento nas áreas plantadas. Nossa equipe de técnicos já se encontra na região de São Desidério para auxiliar e informar os produtores”, ressaltou.

As lesões causadas nas folhas da planta pela doença podem variar de acordo com o cultivar. Caso seja um cultivar suscetível, as lesões predominantes são castanhas claras; já em cultivares resistentes, as lesões predominantes são castanho avermelhadas. No início dos sintomas, a Ferrugem pode ser facilmente confundida com outras doenças em um monitoramento mais superficial, o que prejudica a sua identificação nos primeiros dias.

Segundo o mapa do Consórcio Antiferrugem da Embrapa, já foram identificadas 77 ocorrências na safra 17/18 em todo o Brasil. O estado com mais focos é o Paraná, onde foram observadas 46 ocorrências. Nosso vizinho Tocantins ainda não relatou nenhum foco da doença. A união dos produtores e monitoramento constante e intenso das plantações é que fazem a diferença no combate desta doença, que pode resultar em uma perda de produtividade de até 90% em casos mais graves.

 

* Como estratégia de transferência de tecnologia para a ferrugem asiática da soja, foi criado em 2004 o Consórcio Antiferrugem. Paralelamente à criação do Consórcio foi formada uma rede de ensaios cooperativos para testes de fungicidas entre pesquisadores de todo o Brasil, responsável por gerar conhecimento para subsidiar as ações de pesquisa, de técnicos e de produtores no campo. Atualmente a rede de ensaios cooperativos também compõe o Consórcio Antiferrugem. Acesse o site e saiba mais. 

https://www.embrapa.br/soja/ferrugem/consorcioantiferrugem