Por um mundo mais colorido

A legalização da união homoafetiva nos Estados Unidos  representa uma conquista mundial na ampliação dos direitos e nos faz pensar em questões que ainda temos que avançar, não apenas no que diz respeito à homossexualidade, mas a outros grupos e causas mundiais. Além das mensagens positivas sobre o assunto – que ‘inundaram’ minha timeline do Facebook -, também li algumas críticas, como ao exagero da celebração por parte dos brasileiros (dizendo que aqui no Brasil não houve essa alegria toda quando legalizamos a união gay) e ao fato de que existem causas mais importantes a se lutar, como a fome mundial.

É verdade que no Brasil a união homoafetiva é reconhecida desde 2011 pelo Supremo Tribunal Federal e que o Conselho Nacional de Justiça liberou o casamento civil no país em 2013. E sim, comemoramos com passeatas, manifestações de apoio e diria que mais timidamente nas redes sociais. Mas vale lembrar que em 2011 as redes sociais não tinham a utilização e a força que têm hoje, e não figuravam como um meio de tanta mobilização como é em 2015. E “pena que o Facebook não é de um brasileiro pra gente ter feito essa graça toda em 2013. Mas é sempre tempo de reafirmar que qualquer maneira de amor vale a pena”, li em um dos comentários e assino embaixo.

EUA, Argentina, Brasil, Irlanda, África do Sul e Uruguai estão entre os 22 países que reconhecem a união homoafetiva, e em Moçambique a homossexualidade deixou de ser considerada crime. A luta pela igualdade continua e ainda temos muitas conquistas a serem alcançadas. E é por isso que a decisão dos Estados Unidos e de outros países são mais um motivo pra comemorar, representam mais um avanço na igualdade de direitos e ampliam discussões sobre o assunto.

Em meio a tanta intolerância e desamor que vemos no dia a dia na internet, porque o amor não pode colorir uma rede social, em apoio a uma minoria que ainda é constantemente discriminada? Mesmo com os avanços legais, a cada 27 horas uma morte LGBT acontece no Brasil , o país continua sendo campeão mundial de crimes motivados por homo/transfobia. Toda luta para mudar essa realidade é bem-vinda.

 

 Uma causa não anula outra

Repercutindo o assunto, vi nas redes sociais uma foto em oposição à celebração da notícia, que tinha uma criança africana com fome, a imagem era colorida com as cores do arco-íris. A foto dizia “O dia que a nação se unir por essa causa, me chama que eu quero participar”. Algumas pessoas que compartilharam essa imagem, infelizmente, o fizeram com profunda hipocrisia, muitas vezes fingindo serem solidárias a outras causas quando de fato não fazem nada para apoiar e mudar outras realidades.

Para essas pessoas, faço a mesma pergunta do texto do Conti Outra: como assim me chama? Se você está esperando ser chamado para combater a fome – e/ou outras causas – talvez você precise dar um clique diferente na tela do seu computador ou andar pela sua comunidade para descobrir que há muitas maneiras de fazer isso, seja por meio de ONGs, instituições e programas, seja onde você mora.

Muitas pessoas morrem diariamente de fome, como morrem por homofobia, por gênero, por racismo, por outros tantos “motivos” utilizados para permitir a violência. Quem tenta deslegitimar a vitória LGBT com o disfarce da preocupação com a fome mundial reforça mais o preconceito. A gente apoia, torce e luta para que a fome na África acabe até 2025 (ou melhor, antes disso) e que milhões de meninas, como Malala, possam ter direito de irem à escola. Não existem causas ‘mais justas’, todas são igualmente válidas e é por isso que cada conquista, de qualquer movimento, merece e deve ser celebrada.

Se o amor é modinha, que seja. E que seja uma moda permanente. Que seja a Era das pessoas que lutam por amor, por felicidade, por respeito, por justiça, por direitos, por paz e que abominem qualquer forma de violência e de preconceito. ‘Amai-vos uns aos outros’, amai o próximo como a ti mesmo. Porque nada pode ser mais bonito e sublime do que o amor.