Patriotismo

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Em clima de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, vejo inúmeras pessoas considerando-se patrióticas pelo simples fato de colocarem sua camisa verde e amarela para sair às ruas ou ficar em casa torcendo. É um bom começo, sem dúvida. Mas é raso. O que define uma pessoa apaixonada pelo seu país engloba coisas muito mais profundas e mais cotidianas de que se pode imaginar.

Para bem ou para mal, nós brasileiros temos a facilidade de levar tudo ou quase tudo na brincadeira. Acontece algo e, em seguida, chovem memes satíricos de tudo quanto é tipo, dos criativos aos esdrúxulos, para todos os tipos de humor. Bom humor é fundamental para sobreviver ao ritmo castrante no qual temos sido obrigados a viver, mas existem coisas que devem ser levadas muito, muito a sério.

Não acho graça das sátiras feitas com a história do Brasil, do tipo “o Quinto dos infernos”, minissérie que explorava o lado mais execrável dos personagens históricos nacionais. Não estou salvando a reputação daqueles que deram o ponta-pé inicial na chamada ‘história oficial’ do Brasil. Penso que como seres humanos, pessoas de carne e osso tiveram suas potencialidades e limitações. Mas porque sempre destacar as limitações de forma debochada? Sinto-me envergonhado ao perceber que isso não mudou com o passar dos anos (e lá se vão mais de 500 anos!).

Na atual conturbação nacional, percebo que a nação consegue levar um jogo de futebol mais a sério do que a situação sócio-política-econômica do país. É mais fácil zoar de um político nas redes sociais do que cobrar deste soluções concretas para resolver os problemas da cidade. É mais fácil ser patriota num oba-oba de torcida do que numa audiência pública ou até mesmo na reunião de pais e mães na escola. Nos 90 minutos de jogo à moda “pão e circo”, vamos esquecer que estamos pagando quase cinco reais no litro de gasolina e não venha dizer que é a única alegria nacional. Recuso-me a crer que um jogo pode nos fazer mais felizes do que um país honesto e tentando funcionar da melhor forma possível.

Patriota mesmo é quem veste a camisa ver e amarela todos os dias: Quem torce (e vota!) para termos bons políticos; Quem põe o lixo na hora certa e de forma adequada para o lixeiro recolher; Quem não faz queimadas e zela pelo verde da bandeira; Quem respeita e luta pelos direitos de todas as pessoas, que são a maior riqueza de uma nação; Quem economiza água e mantém seu automóvel ajustado para não poluir o ar, para que o azul do pendão nacional não seja ofuscado por nuvens de CO2.

Pois bem, seguirei o exemplo do hino nacional hoje enquanto o Brasil estiver jogando: Estarei deitado em berço esplêndido, porque esse tipo de patriotismo raso não me representa.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.