Panorama: onde abastecer em LEM e como anda a paralisação dos caminhoneiros

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Um dos efeitos da paralisação iniciada pelos caminhoneiros é a falta de combustível. No início, quando tudo ainda girava em torno de rumores, muitas pessoas encheram os tanques de seus automóveis com medo de ficarem sem ter como chegar ao trabalho ou até mesmo realizarem suas atividades cotidianas. Mas lá se vão 10 dias de paralisação e quem tinha combustível de sobra começa a sentir a escassez na pele.

Hoje conversamos com a maioria dos responsáveis pelos postos de combustível de Luís Eduardo Magalhães para podermos traçar um panorama que ajude nossos leitores. Fomos atrás de informações como valor, quantidade e até mesmo se determinado posto tem ou não combustível em suas bombas para oferecer aos seus clientes. De uma visão geral, a gasolina e o etanol estão escassos em LEM, e no momento é mais fácil abastecer se você tiver um veículo movido a óleo diesel e, ainda assim, é recomendável que escolha pela versão S-10, a única encontrada com uma pequena abundância na cidade (e com preços nada atrativos, convenhamos).

Confira como está a situação do abastecimento dos postos de combustível na cidade:

Onde abastecer:

Auto Posto Imperador
Endereço: Rodovia BR 020, s/ n°
Funcionamento 24h

– Diesel S-10: R$ 3.75 / litro

Auto Posto Fórmula 1
Endereço: Rua Enedino Alves da Paixão, n° 3242
Funcionamento: 24h
– Diesel S-10: R$ 3,99 / litro

Posto Porto Brasil
Endereço: Avenida Barreiras, n° 5
Funcionamento: 24h
– Diesel S-10: R$ 3,94 / litro (Até o momento da matéria, só haviam 3 mil litros nas bombas)

Postos da Rede 90

Funcionamento: das 6h às 23h

– Diesel S-500: R$ 3,63 / litro
– Diesel S-10: R$ 3,73 / litro

Até o fechamento desta matéria, os únicos postos que aguardavam e tinham previsão de chegada de combustível para hoje – mas sem saber o horário exato e muito menos a quantidade – são os da rede ALE.

– Auto Posto Columbia
Endereço: Rua Paraíba, n° 1249 – Mimoso I

– Auto Posto ALE
Endereço: Rua Juscelino Kubitscheck, n°2-16 – Jardim Paraíso

Horário de funcionamento de ambos: das 6h às 22h

Não conseguimos contato com os responsáveis pelos postos Ipiranga/Cristal, Posto 020, Mimosão, MS, Auto Posto 100 e Auto Posto 88. O posto Jardim Imperial, situado no bairro de mesmo nome, não possui nenhum tipo de combustível disponível em suas bombas.

O encarregado administrativo do Auto Posto Fórmula 1, Gelson Sturmer, afirma que, mesmo tendo uma liminar que o dá direito por justiça a receber abastecimento para repassar a seus clientes, a previsão de chegada de combustível ainda é uma incógnita. “Deveria ter recebido hoje alguns litros, mas os caminhões não estão passando pelas rodovias e chegando até aqui”, disse.

A situação dos cidadãos que precisam dos combustíveis como gasolina e etanol para abastecerem acaba se agravando e, de certa forma, não possui data para ser normalizada.

Entenda a paralisação

Há 10 dias, como citado acima, caminhoneiros de todo o Brasil resolveram parar e reivindicar uma diminuição nos impostos referentes ao valor do óleo diesel e também à isenção da cobrança de pedágio referente aos eixos suspensos dos caminhões. A paralisação dos mesmos causos um desabastecimento em grande escala que afetou o país todo, em suas devidas proporções em cada região levada em conta. Hoje, quarta-feira, dia 30 de maio, ainda é desconhecido um acordo que seja útil ou justo para que a classe trabalhadora cesse a paralisação.

Na opinião de Guilherme Quintão, cientista político e diplomata, a atual mobilização dos caminhoneiros é mais um exemplo do esgotamento do pacto social e do modelo distributivo no Brasil. “Ao longo da história recente, o Estado brasileiro sucumbiu aos mais segmentados interesses a fim de que seus governantes se assegurassem de uma mínima estabilidade institucional e de um ambiente de “normalidade democrática””, diz. O problema, segundo Quintão, é que o atendimento de pleitos de segmentos públicos ou privados específicos – porém poderosos – fizeram-se às custas da classe média e das camadas mais pobres da população, as que mais pagam impostos no Brasil, como vários estudos recentes têm demonstrado.

Em suma, um dia a corda ia estourar.

Para o ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, o movimento dos caminhoneiros só existe porque existe uma demanda que depende do serviço que esses atores prestam à economia industrial e de consumo. Aragão frisa a importância em se destacar a existência de dois tipos de transportes rodoviários de carga no Brasil: um, oferecido por grandes empresários; e outro, individual, promovido por autônomos.

O primeiro grupo na opinião do ex-ministro tem gordura para negociar as condições fiscais dos seus empreendimentos, pois, “faturam e pagam suas obrigações com prazos mais largos, têm capital de giro e geralmente diversificam seus investimentos”. O segundo normalmente recebe por viagem, assumindo os custos de sua atividade e os riscos inerentes à precariedade de nossa infraestrutura logística. Esses, de acordo com Aragão, precisam cobrir o preço do combustível, do pedágio e do próprio suprimento de comida e outros itens ao longo do caminho.

“Esses profissionais cumprem itinerários e prazos rígidos que lhes são impostos por contratantes e não dispõem de flexibilidade financeira. O dinheiro que recebem é no mais das vezes de preço fixo e gasto em boa parte no período de descanso obrigatório e inevitável entre um frete e outro, ou no retorno sem carga. Devem horrores às financeiras e vivem na estreita greta de sua (in) viabilidade econômica. Longe de suas famílias, passam dias e noites dirigindo seus caminhões, mantendo-se acordados com uso de rebites e altas doses de cafeína, seja na forma de chimarrão ou de cafezinho requentado em garrafa térmica”, argumenta Aragão, destacando que viagens que antes pagavam 8 mil reais, passaram a oferecer apenas 5 ou 6 mil.

O problema é que os custos da atividade transportadora não diminuiu. “Pelo contrário, o governo, insensível para com as necessidades do setor, liberou o preço do combustível na refinaria e na bomba, bem como autorizou aumentos é mais aumentos do pedágio rodoviário”, pontua Aragão.

Texto: Anton Roos e Even Vendramini

Uma agência incomum de comunicação integrada.