Oitenta: Se a vida é feita de cruzamentos, a arte de Maria Adair é representá-la com sensibilidade através de linhas

By  |  0 Comments

Dávila Kess Pimentel da Silva

Em exposição desde o dia 14 de setembro, Maria Adair diz tanto sem precisar sequer despregar os lábios. Da grande teia intitulada ‘vida’, é possível notar seus invólucros desatados e sem nós. Sua arte é seu DNA. Das linhas características que ultrapassaram horizontes e fronteiras surgiu ‘Oitenta’, uma verdadeira tessitura de tramas e cruzamentos – tal e qual a vida.

Suas extensões levam um pouco de sua proposta, como o local em que vive na Barra, em Salvador. Do imóvel ao móvel, do que tem vida ao que não tem – mas passa a ter diante seus olhos e seu dom, cada molécula da atmosfera contida no recinto expressa as ideias da artista que integra a arte com a vida. Plural, como sua arte, é pintora, desenhista, muralista, gravadora, artista intermídia e professora, tendo se formado em Desenho e Plástica pela Escola de Belas Artes da UFBA em 1976. Em constante ascensão, cruzou o mundo através de suas linhas. Sóbria, enérgica, criativa e disciplinada, hoje é ativa no cenário local e nacional.

Cruzar, cortar, entrelaçar, preencher, ritmar, refletir, experimentar. É o que fazem as linhas, que dão base ao trabalho de Maria Adair. Sua primeira tela data de 1953. Não há limitações, somente complementações. Óleo, guache, aquarela, nanquim, lápis, esferográfica, acrílica, xilogravura, gravura em linóleo, serigrafia, fotografia, esmaltes sintéticos e cerâmicos, jato de areia, pintura fixada a vapor, aplicação de folhas de ouro, prata, cobre, metais, pintura digital, vida. É um pouco do que ela tem para oferecer. Um pouco, não tudo. Jamais.

Ao celebrar seus 80 anos de existência e única como sua trajetória, Adair expõe ao universo suas trajetórias. Em quase 50 anos dedicados à arte, ela se dispõe a criar durante 2017 e 2018. Reinventa ao rever, cria ao imaginar, encanta ao viver. Sua sensibilidade ímpar salta aos olhos ao passo que seus próprios passos transpiram. Traços, cores, inovação, vida.  “Você coloca uma semente no chão, ela germina, começa a sair um fiozinho; depois as folhas, as flores aparecem, os frutos; a vida é uma sequencia interminável de multiplicidades e formas”.  A vida é uma sequência de transformações intermináveis.

O impacto de ‘Oitenta’ ressoa no cenário artístico local e contribui para a interpretação livre. Reflexão passível de interpretação tão livre quanto. A ausência de contextualização, por si só, é uma contextualização. É possível ser, desde que saibam o que. Ou é possível ser, mesmo sem o conhecimento.

A exposição de Maria Adair se estende até o dia 6 de outubro e acontece na Galeria Paulo Darzé. Com organização de Paulo e Thais Darzé e Produção Executiva de Cica Lima e Júlia Bitencourt, tem início durante a semana das 9 h às 19h. Aos sábados – e último dia para apreciação, das 9h às 13h.

Horário: 19h ás 22h
Exposição: 14 de setembro a 06 de outubro
Onde: Paulo Darzé Galeria: Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8, Corredor da Vitória,Salvador-BA.

A autora:

Dávila Kess Pimentel da Silva é formada em Design de Moda pela Unipar, pós graduada pela UEL de Londrina em Moda: Produto e Comunicação, especializada em Processos e Produtos Criativos pela UFG, Mestranda em Artes Visuais pela UFBA, filha, mulher, madrinha, e profissional. Na Agência Immagine, fruto de sua co-criação, oferece soluções em comunicação integrada desde 2012.

Uma Capricorniana inquieta, baiana de vários sotaques, onde a moda, cultura e comunicação norteiam sua vida. Apaixonou-se pelo estudo da imagem no mestrado da FAV/UFG em cultura visual e então criou a IMMAGINE e junto com a Mônica Zanotto vem fazendo um trabalho com comunicação integrada cheia de alma e amor.