O mês mais longo do ano

Depois de agosto, dezembro é, sem dúvida, o mês mais longo do ano. Novembro se vai com as lembranças daquele filme marcante com Keanu Reeves e eis que bate na sua porta a expectativa pro natal, ano novo, viagens, 13º salário, férias, feriados, doces, panetones, dormir muito sem hora pra acordar, parar de pensar em mudar o mundo (nem que seja por um dia), receber flores, encontrar um amor na esquina, mudar de emprego e viajar pelo mundo carimbando o passaporte. E fica lá.

Porque dezembro, ô mês difícil viu? A gente louco pra pegar a estrada e fazendo mil planos pras férias. E os dias contam 24 horas, com sensação de 53, só pra não pegar pesado. Entra shopping, sai shopping, veste saia, blusa, calça. Aquele chapéu pro meu pai e uma camiseta adolescente pro sobrinho. Brinquedos de papai noel, sapato pra minha mãe e o novo batom da Mac, que é claro que eu mereço, afinal também posso receber presentes.

Aí, finalmente, chega o tão esperado dia de viajar, de ser feliz, uhuuuu, fazer aqueles pedidos de ano novo, uma lista escrita, digitada ou guardada na memória. A chatice que vem acompanhada do Natal, claro, mas também os bons abraços e sorrisos e comidinhas quentinhas saindo do forno. De repente cai chuva – justo nas festas -, e aí a gente lava a alma depois do dia 31 porque o ano-novo-novo-ano já vem com tudo, amarrando alguns dias e testando nossa paciência.

Poxa, dezembro, você chegou, atracou porto. E quando pensei que ia ficar aqui parece que você já está indo, todo apressado, tropeçando nas duas últimas semanas nas filas, supermercados, apostas, mega e jogo do bicho, farofas, pêssegos que estão em falta no mercado e gelo que sempre acaba. Dezembro, fique mais, espreguice as pernas e vamos ver aquele filme legal, fazer pipoca e jogar playstation. E por favor, já que você está levantando e vai deixar poeira, traga aquelas bolachinhas amanteigadas que adoro.