Não era amor

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Tal e qual a música do Molejo, uma bela de uma cilada. Eu não sei quem foi o ser humano em sã consciência que disse que crescer era 100% legal. Hoje, aos 25 anos e depois de um braço quebrado, algumas crises de rinite e uma gastrite adquirida com o tempo, só posso dizer que: não vale o estresse, amigo.

Sempre tive memória muito boa, o que para alguns era uma qualidade sem igual e para outros, um peso desnecessário. Me lembro que, no auge dos meus 5 anos, eu queria ser adulta por exatos 4 motivos. 1- Eu queria sair sozinha na rua. 2- Eu queria usar maquiagem (meus pais não deixavam nem um mero batonzinho infantil, diziam que estragava a pele). 3- Eu realmente achava que ser adulto era legal. 4- Eu queria usar um sapato da minha mãe em específico que (obviamente) não cabia perfeitamente no meu pé.

Moral da história: 1- Eu cresci e saí na rua sozinha e, então, fui assaltada. 2- Eu cresci, usei maquiagem e hoje não gosto mais de usar porque sim, realmente estraga minha pele. 3- Ser adulto nem é legal assim, a gente gasta dinheiro com produto de limpeza. 4- O sapato da minha mãe não durou nem dois anos e foi para o lixo. Nessa toada meu pé não havia crescido nem 4 numerações. Enfim, não valeu o esforço, né mores?

Crescendo, eu aprendi que não queria crescer. Na verdade eu só queria ser aquilo que não era e isso, meus amigos, não é legal. Vale também para momentos da vida em que a gente quer dar uma determinada resolução para uma situação mesmo sabendo que tudo não se encaixa da maneira que realmente tem de ser.

Uma grande perda de tempo achar que aquilo que não vivemos é melhor que tudo o que passamos no presente. Nem tudo, jovem. É claro que existem responsabilidades e mudanças que vem junto com o tempo que realmente valem a pena, como conquistar uma profissão, ser mãe (ou pai), conquistar sua independência financeira e até mesmo construir relações amorosas ou de amizades que fazem valer a nossa existência. É óbvio, existem tantas outras coisas no mundo que valem mais que o dinheiro, e isso é indiscutível.

Eu não sei se você acredita em Deus, em Buda, em Javé, ou qualquer outra denominação que sua crença use, mas as coisas realmente acontecem quando elas tem que acontecer e por alguma razão. Não é saudável querermos apressar as coisas, mesmo que você não acredite que tudo nesse mundo é obra de Deus. Um bolo não fica pronto antes do tempo, uma fruta não cai do pé sem estar madura, o ponteiro do relógio não marca uma nova hora sem se dar ao trabalho de passar por diversas fases. Não vai ser você que vai mudar o curso do tempo e da vida. E nem eu, inclusive.

Aproveite o tempo e faça com ele aquilo que ele permite. Pode não ser o momento, pode não ser a hora e pode não ser do jeito que você quer, mas é. E só por ser, já merece sua consideração. Nós, meros mortais, não somos, apenas estamos. Não misture as coisas.

Tenho 25 anos, sou jornalista, mas bem poderia ser qualquer outra coisa, devido à minha necessidade de aprender. Escrevo, fotografo e sorrio. Acho que é assim que se vive, não é?