Março: o mês das mulheres – vamos recordar?

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Chegamos ao final do mês de março de 2017, o “mês das mulheres”, pois nele está contido o Dia Internacional das Mulheres, celebrado no dia 8 de cada março desde 1975. Isso já passou, podem pensar vocês ao ler o título, mas optei por escrever no final do mês para lembrar que a luta pela vida e direitos para as mulheres deve ser uma pauta cotidiana.

Assim, o que conhecemos como versão oficial é a data em homenagem às trabalhadoras da indústria têxtil mortas em um incêndio e da instituição, pela ONU em 1975, do 8 de março como Dia Internacional das Mulheres. Infelizmente, o machismo espalha uma falsa história e busca apagar a luta de muitas mulheres ao longo do tempo.

A ideia de um dia específico para marcar como um dia de luta e reflexão sobre a condição da mulher foi proposto pela socialista alemã Clara Zetkin no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em 1910. E essa história não pode ser confundida com a de mulheres estadunidenses mortas em um incêndio numa fábrica lutando por direitos em Nova York em 1911. Essa associação começou a ser feita nos anos 1970, período da Guerra Fria e dos discursos contra os comunistas que de toda a forma terminou por invisibilizar a história daquelas mulheres. O resgate dessa história é importante para relembrar sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.” (Eva Alterman Blay)

A história das mulheres é uma história de luta em todos os tempos. O 8 de Março é um dia que representa a luta por iguais condições de vida entre mulheres e homens. Este não deve ser um dia para o mercado vender flores e presentinhos para as mulheres. Esse é um dia que devemos refletir e estar prontas para agir por nossos direitos a uma vida digna.

Compreendo o 8 de março como uma data de reconhecimento das conquistas das mulheres, mas mais ainda de reivindicação por dignidade para todas as mulheres. Assim, em 2017, mais do que nos anos anteriores, a data foi resgatada através de uma articulação internacionalista de uma GREVE INTERNACIONAL DE MULHERES. No capitalismo, o trabalho das mulheres no mercado formal é apenas uma parte do trabalho que realizamos. As mulheres são também as principais realizadoras do trabalho reprodutivo – trabalho não remunerado que é igualmente importante para a reprodução da sociedade e das relações sociais capitalistas (trabalho doméstico e cuidado das crianças). A greve das mulheres destina-se a tornar este trabalho não remunerado visível e enfatizar que a reprodução social é também um local de luta.

Sem dúvidas, vivemos em um momento em que há um levante das mulheres em todo o mundo contra a perda de direitos, em defesa da vida das mulheres e pelo fim da desigualdade entre homens e mulheres. No Brasil, nós mulheres lutamos contra o machismo, a exploração e a retirada de direitos, como está previsto na reforma da previdência ao aumentar o tempo de contribuição das mulheres e na reforma trabalhista ao precarizar ainda mais as condições de trabalho das mulheres. É de “presente” no mês das mulheres, a reforma da previdência deve entrar na pauta de votação ainda esse mês.

Essa desigualdade é o principal problema na sociedade capitalista, que explora o trabalho feminino pagando salários menores do que aos homens numa mesma função, e nos remete aos tempos da revolução industrial, em que mulheres trabalhavam muito mais e ganhavam muito menos. Essa desigualdade se soma a desigualdade de direitos entre homens e mulheres, estabelecido pelo patriarcado, uma estrutura social de dominação masculina, ou seja, onde o que é masculino é considerado superior ao feminino.

Nessa sociedade, nós mulheres sofremos com o machismo, a manifestação em ações dessas desigualdades. Assim, recebemos menos que os homens, trabalhamos fora de casa e trabalhamos dentro de casa, acumulando a responsabilidade de cuidar da casa e das crianças, um trabalho que não é remunerado nem valorizado; sofremos violências físicas, sexuais, morais; somos mortas dentro de casa e na rua, somente por sermos mulheres (feminicídio); nos é negado o direito de escolher com quem é quando fazer sexo e se e quando ter filhos/as (direitos sexuais e reprodutivos).

Precisamos lembrar de nossa diversidade, somos MULHERES! Somos negras, índias, brancas, do interior e da capital, da cidade e do campo, jovens e idosas, heterossexuais, lesbicas, trans, bissexuais, baixas, altas, gordas, magras. Somos muitas, portanto plurais. Reconhecer e respeitar essa imensa diversidade é fundamental para o fim das desigualdades.

É preciso que fiquemos atentas em relação ao que o mercado faz com a data, buscando vender nossas lutas em produtos que nada tem a ver com nossas bandeiras em busca de condições de vida em segurança. Assim, o feminismo, movimento político, filosófico e social que estuda/analisa/busca eliminar a condição social de desigualdade entre homens e mulheres e mulheres e mulheres é o horizonte a ser mirado por nós como a melhor saída para todas essas relações de desigualdades expostas.

Baixinha retada que mora em Barreiras, velho oeste da Bahia, pedagoga, servidora pública federal, educadora por formação e opção, geminiana típica, comunista por escolha ideológica, feminista por necessidade e hiper militante em prol de causas sociais coletivas.