Jalapão – Dicas para ir sem medo por conta própria

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Há 8 anos moro em Luís Eduardo Magalhães (Bahia) e tem pelo menos 6 anos que sonho em conhecer o Jalapão. Finalmente fui e voltei ainda mais apaixonada por esse lugar! Bruto, selvagem, inacreditável, incrível! 

Antes de ir procurei muita coisa na internet, mas achei poucas. Por isso, hoje compartilho com vocês um post quentinho com as dicas que vivi na pele no Jalapão. A primeira delas é VAI! O Jalapão é mesmo inesquecível <3

A segunda dica, leve dinheiro. Quase nada passa cartão. Terceira: peça um mapa do Jalapão na sua pousada, ele é ilustrado e ajuda muito a se localizar. Foi meu guia.

 

Contratar guia ou ir por conta própria?

Antes de ir pro Jalapão, queria muito contratar um guia por lá. Primeiro porque praticamente todas as matérias e dicas que li, falavam para ir com guia. Mas, por ter pouca informação na internet, todos os guias e agências que encontrei saíam de Palmas – o que pra mim é totalmente contra mão.

Resumindo, dá sim – E MUITO – ir por conta própria. Se você tiver um carro 4×4, aí sim vá sem medo. Conhecidos já foram com carro pequeno, mas eu indico ir com um carro alto e ser bom motorista. Tem que ter um pouco de conhecimento em andar na areia para ir ao Jalapão por conta própria. As estradas tem muita areia, e alguns lugares, muita areia fofa – bem fácil de atolar.

Sem guia, talvez você não conheça muitas coisas, quando fui (fiquei 3 dias), conheci mais as atrações perto de Mateiros e que os locais diziam que dava pra ir de carro (carro alto mas sem tração). No entanto, lá conheci alguns guias muito bacanas e peguei o telefone para a próxima ida (que irei, com certeza). São guias que podem te encontrar em Mateiros e te levar de 4×4 para outros atrativos, como as Dunas. Segue aí: Rodrigo (ele é a cara do He-man rs) – 63 9208-7589 e Claudemir – 63 9956-1373. Outro guia, que gosto muito, é o Bruno (ele é da Chapada dos Veadeiros, mas também faz Jalapão): 61 9856-7804 @brunodiasguia

Chegando em Mateiros

Distância LEM / Mateiros

A distância de LEM até Mateiros é em torno de 350 km, de estrada de chão na sua maioria. Nos dias que eu fui, não choveu, então a estrada estava ótima.

A Pedra da Baliza fica no caminho pra Mateiros, pra quem vai pela Bahia

 

Cachoeira do Formiga

O lugar que eu mais queria conhecer no Jalapão era a famosa Cachoeira do Formiga e foi o primeiro que fui, claro. ELA É SIMPLESMENTE INCRÍVEL! Não tem uma queda d’água impressionante, mas todo o resto dela te encanta. A cor da água é inacreditável, sem contar que também é morninha (chega a ser quente comparada com a água dos rios na Bahia).

A piscina que se forma logo abaixo da cachoeira tem cerca de oito metros de diâmetro e quase dois de profundidade. É uma das cachoeiras mais lindas que já vi, quase como a Santa Bárbara na Chapada dos Veadeiros (é a minha preferida).

A água é azul, a vegetação ao redor verde e exuberante e a estrutura é muito boa. Tem restaurante pertinho, além de banheiros.

A estrada até a cachoeira foi a mais tranquila de todas e foi bem sinalizada, só seguir as placas e você encontra bem fácil. Vá sem medo de ser feliz.

 

Fervedouro Encontro das Águas

Um garçom de Mateiros sugeriu o Fervedouro Encontro das Águas. Segui a dica e foi o primeiro que conheci. Só posso dizer que vale a pena ir nele primeiro! Pra chegar até lá, a estrada também estava boa, com areia ok. No mesmo caminho tem outros fervedouros, que fui depois. Quando cheguei pela manhã, tinha fila para entrar. Capacidade de 4 pessoas por vez, 20 minutos, pois é um fervedouro pequeno. Coloquei o nome na lista e fui conhecer o Encontro das Águas que, como o nome diz, é o encontro de dois rios. Bem agradável, dá pra nadar e espantar o calor.

Depois, a hora de conhecer o fervedouro. À primeira vista, parecia um poço de água parada. Mas, ao entrar, a sensação é indescritível. No centro, você não pisa em nada, simplesmente flutua! Não tem um chão pra pisar, mas você não afunda.

É incrível mesmo. Esse fervedouro é um dos menores, e mais forte. A força dessas nascentes varia de fervedouro para fervedouro, e esse foi o mais forte que conheci.

“Fervedouros são piscinas naturais que não deixam as pessoas afundarem. O motivo de ser praticamente impossível afundar, é uma rocha impermeável que não oferece vazão para o lençol freático logo abaixo. Quando a água nasce, a pressão é tão grande que empurra a areia para cima. A água fica com alta densidade e as pessoas quando entram nos poços flutuam em partículas de areia”. Fonte: https://goo.gl/kQMsFu

Fervedouro do Ceiça

É realmente um dos mais bonitos. É a mesma estrada do Fervedouro Encontro das Águas.

Parece uma paisagem de cinema, coisa mais linda, com muita vegetação. O fervedouro é bem maior que o outro, capacidade de 10 pessoas por vez. As nascentes que não te deixam afundar ficam em alguns pontos específicos. Água muito gostosa, uma paz que só tem nos fervedouros do Jalapão (pois não pode pular nem fazer zoeira).

Uma dica: sempre que for no fervedouro, obedeça às orientações pra preservar esse paraíso.

Fervedouro do Rio Sono

Foi o último do dia, quando cheguei já estava mais fresco e tinha sombra em todo o fervedouro. Acabei tirando poucas fotos. É um fervedouro bem gostoso de ir também, mas menos impressionante que os outros. Nesse, também, a água é um pouco mais fria que os outros. Capacidade de 6 pessoas por vez, valor R$ 15. Nele também tem um restaurante muito organizado, com muitas redes pra descansar.

Ah, sim, abasteça sempre: é tudo longe e a gasolina acaba mesmo. Na volta desse passeio aos fervedouros, encontrei um carro no meio da estrada – sem gasolina.

 

Fervedouro dos Buritis

Esse fervedouro me impressionou muito. Foi o meu preferido da viagem. Quando cheguei, tinha uma turma já no fervedouro, então esperei no rio ao lado até a minha vez. No fervedouro, um lado é com menos pressão e no outro, pressão forte também. Ele é grande, com capacidade de 10 pessoas.

Bem perto do fervedouro, tem um restaurante, onde almocei e tirei um cochilo na rede. Tem também um pé enorme de caju. Detalhe: nunca gostei de caju, mas provei esse e gostei muito. Maduro, delicioso, você colhe do pé. Uma delícia.

Depois do almoço, o fervedouro estava vazio – não tinha ninguém lá embaixo. Não deu outra, voltei pro fervedouro, dessa vez sem ninguém pra dividir. Que experiência! Foi a despedida perfeita do Jalapão.

PS: A estrada para esse fervedouro foi a que mais tinha areia. Não deu outra, na volta, uma distraída e atolamos. Sorte que passou uma caminhonete que puxou o carro. Por isso, pra ir no Jalapão por conta própria significa levar corda e também algumas ferramentas que possam ajudar a desatolar. Ah, e não dar bobeira também, nem sempre a ajuda chega rápido.

 

Onde comer

De boa no Restaurante da Dona Rosa

Levei muita comida de casa, mas na maioria dos atrativos que fui tinha restaurante, então não precisa se preocupar. Almocei no primeiro dia em Mateiros (o mais difícil de conseguir comida, foi lá), no Restaurante da Dona Rosa. Também almocei na comunidade Mucumba (perto do Fervedouro Encontro das Águas) e no Fervedouro do Buriti. À noite tem poucas opções, acabei indo no Espetinho do Tavares, pertinho da praça. Não tem (ou eu não achei) restaurantes ou barzinhos legais pra comer em Mateiros, o foco é curtir o dia e dormir à noite.

 

Onde dormir

Procurei pousada pelo Instagram mesmo – sigo várias. Dei sorte e consegui ficar na Pousada Santa Helena @pousadasantahelena, que tem uma super estrutura, com piscina iluminada e tudo. Muito confortável, espaçosa, quarto grandão, chuveiro muito bom e o café da manhã ainda melhor – tem muita comida. Na pousada tem uma arara de estimação. Acredito ser uma das melhores pousadas de Mateiros, pois tem uma estrutura única mesmo.

Passei em um fervedouro no segundo dia que não entrei, mas junto dele tem uma pousada sustentável muito legal. São casinhas com cama e ventilador de teto, tudo de madeira, e tem também um espaço tipo cozinha comunitária. É como se fosse um acampamento, mas com um pouco mais de estrutura, junto com o fervedouro. Muito, muito legal mesmo. Pena que esqueci o nome.

E dá sim pra ir com crianças, elas vão amar tudo lá. Na próxima ida espero levar a Gabi (minha filha, 7 anos). O difícil é só ter vontade de ir embora!

 

Curtiu as dicas? Tem mais fotos no insta @mozanotto, segue lá!

 

Uma menina do interior apaixonada pela comunicação. Trabalhando na área desde 2007, mora em Luís Eduardo Magalhães e é sócia da Immagine junto com a Dávila. Apaixonada pela filha e pelo trabalho, vive seu melhor momento. É fã de literatura, pessoas, cinema, música e internet.