Intercâmbio? ‘Produção’, é isso mesmo?

By  |  2 Comments

Pra quem não me conhece ainda, meu nome é Poliana Cristina Guerra, tenho 21 anos e atualmente sou estudante do 3º ano de Engenharia de Produção na Universidade Federal de Viçosa (UFV) em Viçosa, Minas Gerais.

Hoje vou contar para contar pra vocês como a palavra “intercâmbio” surgiu na minha vida! Como esse é meu primeiro texto, espero de coração que vocês gostem e se vocês quiserem sugerir dicas ou mesmo críticas, vou adorar. Espero também contaminar alguns dos leitores com a vontade de virar intercambista e se apaixonar pelas diferentes culturas do mundo – no meu caso a francesa!

CAM00487

Da ideia “Mãe, vou fazer um intercâmbio!” até o check-in no Rio de Janeiro, aconteceram tantas coisas num espaço de tempo tão curto (oito meses) que fico cansada até de lembrar! Mas vou detalhar algumas partes importantes pra vocês.

Quando eu entrei na faculdade, sempre pensei em fazer um intercâmbio! Na verdade, não era um pensamento fixo, mas a ideia sempre esteve presente. Se eu conseguisse fazer, parfait, se não, pas de problème! Mas em 2013, entre janeiro e fevereiro (e em meio à confusão de aula, férias de uma semana e estresse ao extremo para consertar o período devido à greve das Universidades Federais durante 2012), a UFV liberou um edital de intercâmbio para engenharias, chamado BRAFITEC (BRAsil France Ingénieurs TEChnologie), pela primeira vez para o curso de Engenharia de Produção.

Lembro que comecei a falar sobre isso com meus amigos, não sei ao certo o porquê, mas a vontade de encarar esse desafio cresceu quase que exponencialmente. Mas gente, como assim? Eu, Poli, super ligada à minha família, amigos e ao Gian (meu namorado, que mora em Luís Eduardo Magalhães) conseguiria ficar UM ANO longe de tudo isso?

CAM00481

Enfim, conversas vão, conversas vêm. Alguns amigos também se inscreveram para o edital e, inclusive, vieram para a mesma cidade (Tati, Carlos e Nati, não poderia deixar de citar o nome de vocês! Vocês sabem que foram um dos meus alicerces aqui! Obrigada por tudo). Todos os meus amigos de Viçosa me aconselharam: “Poli, é uma oportunidade única! O que você está esperando? Não vai perder nada indo. Um ano passa rápido. Você vai aprender tanta coisa, visitar tantos lugares e o melhor, ainda voltar com o francês fluente”.

Vivi em um turbilhão de pensamentos! Sim, eu fiquei completamente perdida, insegura e a maior verdade é que estava com muito medo! Dormia e acordava pensando nisso enquanto o tempo pra inscrição do processo seletivo estava se esgotando.

Mas num segundo, resolvi a dúvida da maneira que sempre faço, deixei meu coração falar mais alto, deixei aquela vontade de vencer mais um desafio aflorar e na hora que eu pensei comigo: “Poli, pra quem saiu de casa com 18 anos pra fazer faculdade, numa cidade desconhecida e longe pra caramba, dando à cara a tapa pro futuro, isso vai ser fichinha!” Peguei o telefone, liguei pros meus pais e disse “mãe, vou me inscrever pro intercâmbio”. Acho que vocês devem imaginar a reação dela, haha.

Depois da aprovação, eu me lembrei de um fator superimportante: eu não sabia nada de FRANCÊS. E aí? Como que faz? Nesse momento, estava a 5 meses do embarque pra França! Desesperei, morri de medo de novo (e esse medo não morreu até chegar aqui) e botei a mão na massa… Foram 3 longos meses de curso de Francês a partir do zero (na Aliança Francesa, que aliás, super recomendo.. Eles possuem ótimos profissionais, com uma metodologia de ensino dinâmica e prazerosa), 2 horas por dia, 5 dias por semana, mais as manhãs de sábado! Isso tudo sem contar as aulas da UFV, burocracias do intercâmbio, enfim, correria sem fim, tinha virado um zumbi! Só que tudo isso só foi possível porque tínhamos o apoio um do outro. Nosso grupo Brafitec (ou melhor dizendo “Desesperados do Brafitec”) sempre foi muito unido, todos tínhamos dúvidas, medo e ansiedade para descobrir como seria, afinal fomos as cobaias né! Vir em grupo foi minha âncora!

Pulando alguns detalhes, vou finalizar essa parte da caixinha de memórias dizendo como foi chegar lá.  Acho que já escrevi muito! É que são tantas lembranças…

No dia 30 de agosto, desembarquei na França. Para tudo! Quando eu li “Bienvenue” na saída do aeroporto, pensei comigo “caramba, o que eu fui fazer?” Aquilo era loucura. Eu mal sabia pedir um café em francês! Sorte que a Tati nos salvou durante uns bons 2 meses (o francês dela era muito melhor que o nosso). Por falar nisso, era muito engraçado! Tudo que falavam com a gente, todos olhavam pra ela com cara de “Tati, traduz aí!” Mas não tinha mais como voltar atrás.

poli

Então, como eu achava que seria: vai ser fichinha, já aprendi muita coisa no francês, vou saber me virar, vou aprender rápido, vou falar fluente com seis meses… E como realmente foi: depois de desembarcar em Lyon às 2 horas da manhã com 2 malas gigantes onde tudo é em francês, não tem mais ninguém falando português, cansados mas animados: uma comédia, definitivamente!

Passamos alguns apertos com a língua (nem tudo se traduz ao pé da letra), com a comida e com a comunicação com o Brasil. Mas graças a Deus só encontramos pessoas boas no caminho, e continuamos a encontrar até hoje! Franceses muito educados, gentis e prestativos, nenhuma ajuda foi recusada, (o primeiro mito sobre franceses: não, eles não são todos mal-educados!) e um brasileiro, em especial, nosso amigo de Viçosa, Breno, que simplesmente nos ajudou muito com tudo! Mais do que isso, nos ensinou a viver na França.

Se me perguntarem é claro que digo que faria tudo de novo e de novo! É inexplicável o quanto essa experiência me fez crescer… Nos próximos post’s conto mais sobre a vida na França!

CAM00498

Sagitariana com força e muito alto astral. Odeio ficar sozinha, adoro conhecer novos lugares e estou sempre em movimento. Naturalmente baiana e luiseduardense com orgulho, acabei de realizar um intercâmbio de 10 meses e meio na França.