Greve dos caminhoneiros escancara indignação geral da população

By  |  0 Comments

A greve dos caminhoneiros iniciada na última segunda-feira, 21, alcançou seu momento mais crítico. Na manhã desta quinta-feira, 24, enquanto o presidente da república, Michel Temer, reunia-se com representantes do alto escalão do seu governo e com o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, por todo país começava-se a confirmar o óbvio, após quatro dias de greve: “está faltando combustível nas bombas dos postos de combustível”. Nas últimas 24h formaram-se filas gigantescas de motoristas tentando abastecer — muitas vezes, em vão — seus veículos.

De acordo com o presidente Câmara dos Dirigentes Lojistas de Luís Eduardo Magalhães, Gilson Sena, no município a tendência para as próximas horas é que a falta de combustível atinja a totalidade — ou quase — dos postos de combustível. “Alguns já estão sem combustível e em outros está acabando”, observa. Na manhã desta quinta-feira, 24, cerca de 2 mil postos do interior do Estado — ou 50% do total — estavam sem gasolina e álcool.

Segundo o Presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias Alternativas e Lojas de Conveniências do Estado (Sindicombustíveis), Walter Tannus, houve um agravamento da situação, entre o terceiro e quarto dia de greve. “As companhias não conseguiram suprir os postos nas suas quantidades, então, começou a faltar combustível em alguns postos e, com isso você passa a ter uma procura nos postos que ainda tem produtos, os levando a também ficarem sem”, comentou.

No interior a situação é ainda pior. “O Extremo Sul já está quase sem combustível. Região de Barreiras, região do Oeste. Hoje eu já confirmei Amargosa, Conquista, Barreiras, toda essa região sem produto”, elencou Tannus.

A falta de combustível nas bombas, aparentemente, é só o início de um problema que deve se agravar caso a negociação entre governo e representantes dos caminhoneiros não evolua.

O anúncio da Petrobrás em reduzir 10% no preço do diesel nas refinarias soa tão-somente como um paliativo, o tipo de medida tampão que não agrada a ninguém e serve para empurrar o problema para longe, quando a poeira baixar e/ou cair no esquecimento. “Entendemos que uma das grandes dificuldades é a possibilidade de que exista uma trégua, um tempo para uma discussão mais serena dos temas complexos em debate”, disse o presidente da estatal, Pedro Parente.

A bronca dos caminhoneiros é — mais do que nunca — de toda população, ao que tudo indica, doa a quem doer, afinal, os efeitos da greve já começam a ser sentidos em outras áreas. O transporte público das grandes cidades, por exemplo, está comprometido. Por falta de diesel, ônibus começaram a circular em horários reduzidos. Nos aeroportos alguns voos foram cancelados e há chance de faltar querosene — ainda nesta quinta-feira — para abastecimento de aeronaves. Em alguns estados começaram a faltar alimentos nas prateleiras de supermercados. Por meio de nota a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) disse que “está buscando sensibilizar o governo federal para que uma solução seja tomada imediatamente, evitando, assim, que a população sofra com a falta de produtos de necessidades básicas e com uma eventual elevação nos preços”.

Em Luís Eduardo Magalhães, como forma de apoio a greve dos caminhoneiros a CDL iniciou uma campanha junto ao comércio local. “Estamos convidando todos a participarem das manifestações na BR, adesivar sua vitrine como forma de apoio a greve”, explica o presidente Gilson Sena. Para ele, aderir a situação de greve é um reflexo da indignação de toda população. “É injustificável e abusivo a quantidade de aumento praticado nos preços dos combustíveis”, avalia. Os adesivos foram confeccionados pela entidade (ver foto).

Como forma de engrossar o caldo da greve, a Associação Comercial e Empresarial de Luís Eduardo Magalhães convocou para a tarde desta quinta-feira, um ato em protesto contra os preços abusivos dos combustíveis e em apoio à MANIFESTAÇÃO GERAL. A ideia é que o comércio do município feche suas portas das 15h às 18h. “Fecharmos nossas portas em protesto é um ato justo e uma forma de mostrarmos nossa indignação”, diz o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Jother Lopes Arcanjo.

A empresária Silvana Sabadin, da loja Love Brands, apoia a iniciativa. Segundo ela é imprescindível que o comércio também faça sua parte. “Temos que aderir a essa manifestação, pois acredito que juntos somos mais fortes. Normalmente quando acontece esse tipo de manifestação, são os caminhoneiros quem tomam a iniciativa. Precisamos nos unir para termos um Brasil melhor”, explica. Silvana, acredita que se ninguém fizer nada, a tendência que a situação piore. “Precisamos pensar no futuro, sempre quem paga as contas somos nós”, diz. A empresária revela que tem mercadoria a receber e ainda não sabe como será, caso a greve continue por muito mais tempo.

Na tarde de ontem, quarta-feira, 23, um ato cívico em apoio à paralisação dos caminhoneiros reuniu autoridades políticas, entre elas o prefeito Oziel Oliveira, secretários e vereadores; empresários e população em geral. O ato ocorreu próximo ao complexo da Bahia Farm Show, um dos três pontos de paralisação no município. Os outros são: próximo ao Posto Imperador (sentido Brasília) e Centro Industrial do Cerrado (CIC) (sentido Tocantins). Para a tarde desta quinta-feira, 24, está prevista nova concentração em frente ao Hiper Santo Antônio na Avenida JK e, logo após, um buzinaço partindo em direção ao complexo Bahia Farm Show, também em apoio a greve dos caminhoneiros.

Bahia Farm Show e Jorge e Mateus

A propósito, a greve dos caminhoneiros mexeu num dos maiores eventos agrícolas do país. A 14ª edição da Bahia Farm Show agendada para começar na próxima terça-feira, 29, excepcionalmente este ano, terminará no domingo, 03, e não no sábado, como em anos anteriores. A mudança, segundo a organização da feira, fez-se necessária para garantir a segurança comercial dos expositores que ainda não conseguiram chegar à feira por conta da paralisação. Uma série de outras medidas foram anunciadas visando a manutenção do evento e segundo a organização da Bahia Farm Show “os produtores rurais do oeste baiano apoiam o movimento dos caminhoneiros e a importância da luta pela redução dos preços dos combustíveis, por entender ser uma reivindicação comum ao setor agrícola”, mas, “reconhece que a greve não pode atrapalhar a realização da feira, pois o seu cancelamento implicaria em prejuízos incalculáveis à região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), tanto na parte econômica como na parte social”.

O show da dupla Jorge e Mateus marcado para o próximo domingo, 27, é/era outro com risco de ser afetado pela greve. Em contato com a organização do evento, fomos informados que apesar das dificuldades por conta da greve o show deve acontecer como previsto.

*

A questão — que os governantes insistem em não entender — é que possivelmente não haja tempo, tampouco clima para uma discussão ou debate mais “sereno” como sugere o presidente da Petrobrás ou que represente uma “trégua” como é o desejo do presidente da república, Michel Temer. Exemplos não faltam que a estratégia de apostar na boa vontade alheia e com isso forçar o “lado mais fraco” a desistir, historicamente, só trazem prejuízos à população.

Uma agência incomum de comunicação integrada.