Geração Ctrl C e Ctrl V

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Lavoisier, considerado o pai da química moderna, dizia que no mundo nada se cria, tudo se transforma. O popular apresentador Chacrinha dizia que na TV nada se cria, tudo se copia. Atualmente aprimoramos as falas de Lavoisier e Chacrinha e as condensamos na praticidade do Ctrl C e Ctrl V. Acabamos de “copiar” e “colar” uma citação sem ao menos nos darmos o trabalho de citar a autoria ou de ler o texto na íntegra.

Sou do tempo em que usava-se livros físicos – de páginas e capas – para pesquisar. Ter uma coleção de enciclopédias era algo para poucos, principalmente porque possuir tais volumes ostentosos custava caro. As gerações mais antigas, desenvolveram então um rito muito interessante: Passar horas a fio em bibliotecas, abrindo livros, lendo páginas e páginas para fazer resenhas críticas. Ah! Tenho até arrepios em pronunciar a palavra “resenha”.

Aos que desconhecem o termo, resenha era o exercício – prazeroso para uns, doloroso para outros – de sintetizar as principais ideias de um autor ou livro em poucos parágrafos. Era extrair o suprassumo de uma obra e agregar sua opinião sobre o assunto. Uma resenha poderia durar algumas horas ou até mesmo dias, dependendo da densidade da obra. Sem dúvida, ter acesso a um texto digital e poder ‘copiar’ e ‘colar’ as suas ideias poupa muito tempo, faz uma pesquisa ser ágil e simplifica a vida. Porém, Ctrl C e Ctrl V não significa que estejamos nos apoderando de conhecimento. Isso é o que mais me preocupa na educação atualmente. Tem-se muita informação, tem-se um fácil acesso a diversos conteúdos, mas por causa do “copiar e colar” seguimos formando pessoas rasas de conhecimento.

Seria tolice não admitir o quanto somos tentados e regidos por esse mecanismo. Copiamos a moda, copiamos cortes de cabelo, copiamos receitas, copiamos bons e péssimos hábitos. Toda vez que damos Ctrl C sem a devida parcimônia e reflexão crítica estamos meramente reproduzindo algo de forma robótica. Há que se tomar conta especialmente do Ctrl C e Ctrl V nas redes sociais. O mal das redes sociais é que têm criado egos super-inflados. Pessoas que não entendem de nada, comentando como “especialistas” fatos e situações e uma geração do Ctrl C e Ctrl V seguindo tudo o que elas dizem. É muito bom ter opinião, é muito bom poder expressar sua opinião, mas ser um formador de opinião é algo muito sério. Por isso, antes de sair copiando o que alguém diz, fala ou escreve, leia e se informe de verdade. Conhecimento leva tempo… Fazendo um trocadilho jocoso com Lavoisier, acredito piamente que no mundo nada se cria, mas o conhecimento transforma.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.