Ex-machista

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A preposição latina ex– indica claramente que uma pessoa deixou de ser algo: ex-marido; ex-aluna; ex-alcoólatra e por aí vai. O processo de tornar-se “ex” é antecedido por uma grande ruptura, que pode ser natural via amadurecimento de ideias e transformação do ser ou de forma brusca, quando a pessoa é obrigada a abandonar crenças, relacionamentos de uma hora para outra.

Independentemente de como se dê o processo de tornar-se “ex”, o importante é sair transformado para melhor. Fato é que existem certos hábitos, vícios e maneiras de pensar que são tão arraigados e cotidianos que são muito difíceis de desvencilhar. O machismo estrutural é parte fundante de muitas culturas e sociedades. É um mal difícil de romper, pois esquadrinha e permeia nossa maneira de pensar, falar e agir.

Machismo é uma construção sociocultural que inculca nas pessoas uma supervalorização das características físicas e culturais associadas ao sexo masculino (eu disse: s-u-p-e-r-v-a-l-o-r-i-z-aç-ã-o), em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. Não anula-se as diferenças entre homens e mulher. Evidencia-se que mesmo sendo diferentes, ambos os sexos devem ter os mesmos direitos e deveres.

É assombroso como a maioria das pessoas não tem noção da definição de ‘feminismo’. Tenho a sensação de que muitos ouvem essa palavra e já a demonizam. É assustador o que a falta de informação, leitura e conhecimento podem fazer! Vamos esclarecer? “Femismo” é a ideologia que prega a superioridade do gênero feminino sobre o masculino (é tão danosa e perigosa quanto o machismo). “Feminismo”, de modo muito simplista e resumido, é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. É muito importante que as pessoas antes de debaterem asneiras na internet e criarem mil-e-uma fake news sobre feminismo compreendam o que significa essa terminologia.

Graças às ideias feministas, muitos homens (e mulheres) tem questionado sua maneira de ser e agir. Muitas empresas têm se dado conta e corrigido práticas injustas para com suas funcionárias. Leis têm sido revistas para garantir os mesmos direitos para homens e mulheres. Mulheres e moças tem sido empoderadas para tomar as rédeas da própria vida. O corpo da mulher deixou de ser objeto do homem e produto de escambo para oficializar casamentos e negócios. Famílias têm educado seus filhos para uma cultura de respeito à integridade da pessoa, independentemente da sexualidade.  Homens e mulheres dentro desse parâmetro deveriam orgulhar-se de nominarem-se feministas.

Felizes os que questionam a cultura machista e patriarcal na qual cresceram e foram educados. Felizes os que rompem com o machismo! Como um amigo que me ligou dizendo que não conseguiu terminar de ouvir uma música por causa de seu conteúdo misógino (“misoginia” significa o ódio contra as mulheres e está diretamente relacionada com a violência contra a mulher) que incitava o estupro. Parabéns meu caro! Você é um ex-machista. Ou melhor: Meu amigo, bem vindo ao grupo dos feministas!

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.