Estranhas exceções

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A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou em Pindorama um projeto de criminalização da homofobia. Até aí tudo certo, afinal assim como negros, indígenas e outras minorias, a orientação sexual e a identidade de gênero não podem ser alvo de discriminação. Afinal, somos todos iguais e temos os mesmos direitos constitucionais, certo? Não. Errado.

Segundo o Senado, para todo e qualquer cidadão a homofobia é crime, exceto se você estiver na igreja. Resumindo essa estranha exceção: No Brasil, dentro de igrejas ou quaisquer templos religiosos você pode ser preconceituoso, homofóbico, machista e misógino. Estranhamente, as igrejas que defendiam o “amor ao próximo” citando o nazareno Jesus, o Cristo, lutaram e conseguiram o “direito” de cometer um crime: Ofender, discriminar e perseguir pessoas.

Enquanto isso, um grupo de crianças para adoção “desfila” em passarela de shopping. O evento tinha por objetivo, conforme os idealizadores, ajudar crianças e adolescentes a encontrar um lar com o intuito de serem adotadas. Essa estranha exceção dentro do processo burocrático de adoção, me remete aos tempos do Brasil colônia, quando os brancos iam às praças comprar seus escravos… Daí a pouco encontraremos nos jornais anúncios do tipo “Adota-se uma criança, com faixa etária entre 01 e 03 anos, cor branca para chamar de ‘filho’”.

A problemática dessas “exceções” desmascara uma estranha faceta da sociedade pós-moderna: Ainda não conseguimos compreender e aceitar a individualidade das pessoas. Ainda não conseguimos compreender a integridade de um indivíduo que tem todo direito de ser humano como qualquer um dos mais de 7,53 bilhões de habitantes do planeta terra. Ainda olhamos os outros como objeto de pertença, como produto de escambo, como artigo de manipulação. Infelizmente, valoramos e desvalorizamos as pessoas por sua cor, etnia, classe social, sexualidade – e essas estranhas exceções respaldam isso.

Toda exceção pode tornar-se algo muito perigoso quando cerceia o direito de liberdade, igualdade e dignidade. Por isso, o direito à vida deveria ser regra e não exceção.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.