Difícil, pesado e irritante

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Perdi a conta de quantas vezes fui chamado de difícil. Uma amiga que já foi colega de trabalho e parceira nos bares da vida, e, com quem convivia todo santo dia não passava uma semana sem me chamar de difícil.

— Ô, homem difícil — dizia.

E na semana seguinte:

— Como tu é difícil Anton.

E depois:

Tu é o homem mais difícil que eu conheço.

Provável que uma coisa não tenha nada a ver com a outra, mas, a palavra utilizada, em ambos os casos, é a mesma:

Difícil.

DI-FÍ-CIL.

Então…

Uma pessoa, que tive a grata surpresa de conhecer esse ano, depois de terminada a leitura do meu livro Quando os pelos do rosto roçam no umbigo, me encontrou no supermercado e, antes mesmo, de guardar o pacote de cacetinhos na cestinha, me veio com essa:

Li teu livro e achei ele bem difícil.

Fez uma cara feia. Achei por bem desviar o olhar para a gôndola onde estão os quindins, mas ela, continuou, talvez, por sentir que faltava um desfecho, um complemento no que estava me dizendo e só difícil fosse insuficiente para descrever a sensação sentida depois de finalizar a leitura.

Continuou:

— É um livro pesado.

Pronto. Tirei o olhar da gondôla dos quindins, voltei atenção para ela, e seguimos passeando entre os corredores do supermercado, ela cheia de blá, blá, blás e mil assuntos e eu com aquelas duas palavras na cabeça, maquinando: Difícil e pesado.

É, talvez precise perguntar para a amiga que um dia foi colega de trabalho se ela também, algum dia, me achou — ou acha — um cara pesado.

Difícil e pesado.

Não que isso vá mudar alguma coisa. Eu ser um cara difícil e pesado e meu livro ser difícil e pesado. A coincidência, se é isto mesmo uma coincidência, seria engraçada. Apenas isso.

Quando os pelos do rosto roçam no umbigo é, de fato, um livro difícil. Pesado também. O personagem principal da estória é um homem sem nenhum carisma, que passa a maior parte do tempo repetindo para si mesmo que está na pior, no fundo do poço, e que, não tem muitas aspirações, senão àquela que se propõe (em segredo) desde as primeiras páginas do livro. Ele é irritante e isso, em se tratando de literatura, pode ser fatal, embora, ele, o personagem, seja real. Seu drama é real e é disso que o livro trata. De um homem que chegou ao seu limite e precisa tomar alguma atitude antes que as coisas piorem ainda mais.

Só.

(Okay, isso, em resumo poderia ser traduzido como: difícil e pesado)

Agora, por obséquio e curiosidade, quanto a mim, provável que precise consultar outra vez a amiga, afinal, será que sou, igualmente irritante?

Criador e criatura, autor e livro (personagem), difícil, pesado e irritante?

Será?

***

Se houver interesse de alguma parte com a leitura do livro em questão, quiçá, para tirar a prova do ser ou não difícil e pesado, e seu protagonista um ser humano irritante, a obra está disponível em formato digital aqui e em formato físico (pouquíssimos exemplares) diretamente comigo, bastando para tal me contatar via Facebook, Instagram ou e-mail: antonroos@gmail.com

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.