Diabo

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Chamam-no de Belzebu, de “coisa ruim”, de Satã, Satanás e até mesmo de Serpente… Graças ao seriado hollywoodiano, ele voltou às telas com todo glamour e sedução apresentando-se como o galã Lúcifer Morningstar. Pelo visto, o mal responde por muitos nomes!

Porém, o que causou grande alvoroço em terras brasileiras foi o embate entre Jesus e Satanás apresentado por uma comissão de frente de uma famosa escola de samba. Segundo o carnavalesco responsável a ideia da representação chocar o público e provocar uma reflexão sobre a fé. Rasas como são a maioria das pessoas, houve muita comoção e pouca reflexão.

Na Bíblia encontramos duas nominações mais frequentes: “Satanás” e “Diabo”. O Satanás aparece como um subordinado da corte divina. Quem nos conta isso é o livro bíblico de Jó. A tarefa do Satanás é acabar com a paz de Jó e prestar contas de seu trabalho a Deus. Já a figura do Diabo aparece no Novo Testamento e sua função principal é produzir tentações para afastar as pessoas de Deus. O vocábulo grego que nomeia o Diabo é constituído pelo prefixo διά ‎(diá) «separação» e por βάλλω ‎(bállō), «atirar». Literalmente, Diabo indica aquele ou aquilo que desune (das pessoas), que afasta (da divindade), que destrói (a si próprio e a outrem). Tudo o que provoca des-união e des-truição é diabólico.

Logo, o Diabo está bem distante de figuras monstruosas de cor vermelha portando chifres, rabo e tridente. Oxalá que o Diabo se apresentasse assim! Facilmente o identificaríamos e manteríamo-nos longe de problemas. A questão é que o mal é muito mais ardiloso e suas facetas são mais atraentes do que a nossa vã filosofia pode lidar. O Mal (com “L”) existe! É contrário ao Bem. Esse Mal não vem com chifres, não é uma pífia caricatura. Tem muito diabo dentro de casa que se chama ‘marido’ e espanca esposa. Tem muito diabo dentro das repartições públicas desviando dinheiro da saúde. Tem muito diabo dentro das igrejas transformando a vida de irmãos e irmãs num verdadeiro inferno.

O palco do embate entre o Bem e o Mal não é o Sambódromo do Anhembi, tampouco uma pomposa batalha cósmica à moda “Marvel”. A queda de braço entre aquilo que quer nos separar do Bem acontece na trivialidade do dia a dia. Não é uma teodicéia, antes é uma luta ética: Quando toda e qualquer pessoa luta para não se tornar um diabo na vida do outro.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.