Dia Mundial do Rock: listamos as canções mais “clássicas” feitas por bandas de LEM

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A alcunha “LEM Rock City” nunca foi apenas uma brincadeira de uma meia dúzia de fãs do gênero. Desde os primórdios da “capital do agronegócio”, Luís Eduardo Magalhães se notabilizou por bandas de rock com material autoral. A primeira delas foi a Largatos, inicialmente formada pelos irmãos Anton (bateria) e Saymond Roos (guitarra e voz) e pelo icônico Gabriel Motta, “Gutão” no baixo, mas que contou até o fim das suas atividades, com músicos que posteriormente ganharam notoriedade por bandas históricas como Os Químicos, caso do eterno Fio e a Unidade 8, caso de Fábio Brito, o Fabinho.

A propósito, o fim da Largatos deu origem à Lobos da Estepe, junção de ex-integrantes dos Químicos com a voz rasgada de Saymond e a própria Unidade 8, que nos seus primórdios contou com nosso colunista, Anton Roos, na bateria. O ápice dessa fase ocorreu entre 2004 e 2005, primeiro com a realização do I Encontro de Bandas, na área externa da Associação dos Moradores do Mimoso do Oeste (AMMO) e, em seguida, com a primeira vinda da lendária banda de punk rock gaúcha, Tequila Baby, para a região. Desse período cabe menção a bandas inesquecíveis como Riviera Dreitz, Muamba, The Drunks, Durock, Astérion, Zhadok e Metamoforse do Kalango Verde.

Embora muitas das bandas que fizeram parte daquela história tenham encerrado suas atividades alguns de seus integrantes continuam na ativa como o guitarrista Juninho Dias (ex-Zhadok), o baixista Rodrigo Faedo (ex-Químicos, Lobos da Estepe e Astérion) hoje na Vintage Tune, além do guitarrista e vocalista Ranieri Trevisan (ex-Metamorfose do Kalango Verde e Unidade 8), mas com um vasto currículo de serviços prestados ao rock de LEM, com passagens memoráveis por bandas como Hollywood House, Sérveros e Fala Pra Mãe.

O número de bandas já formadas em LEM é imenso e seria um equívoco — ao menos por agora — tentar elencar a todas. No entanto, é inegável o cacoete de todas elas para compor material próprio. A seguir, já que hoje é Dia Mundial do Rock listamos cinco canções que se tornaram verdadeiros clássicos de seu tempo e, de um jeito ou outro, sempre serão lembrados por quem viveu alguma das muitas fases da cidade mais rock n´roll do Oeste da Bahia — não, isso não é uma provocação.

Vamos a playlist.

 

Caos Social Injetável (Largatos)

A pioneira banda de rock de LEM Rock City se notabilizou pelas canções próprias. No tempo em que esteve na ativa a banda sempre incluía material próprio no set list dos seus shows, às vezes, fazendo das suas apresentações um desfile de músicas que por um tempo fizeram parte do imaginário e da história remota da cidade, como, “Vendaval”, “Poeta Medíocre”, “Bibelô” e, claro,“Caos Social Injetável”, normalmente usada para encerrar de maneira catártica seus concertos. Embora, nunca tenha sido gravada pela banda, versões dela tornaram-se frequentes no repertório das bandas lideradas pelo guitarrista Ranieri Trevisan.

 

Lágrimas de Sangue (Unidade 8)

A Unidade 8 foi a primeira banda de rock de Luís Eduardo Magalhães a gravar um CD. Em 2004, a banda viajou para Brasília onde registrou seu primeiro trabalho, “Fobia”, um clássico que marcou época e registrou algumas pérolas como “7 Minutos de Depressão”, “Não enche o saco” e a própria “Lágrimas de Sangue”, regravada pela banda em 2005, no EP gravado em Porto Alegre/RS e que contou com produção de Duda Calvin, da Tequila Baby. Essa é outra que se manteve viva graças as bandas Sérveros e Fala Pra Mãe que sempre a incluam em seus sets.

 

Rock Fuckin´Roll (Sérveros)

Originalmente composta por Bruno Lauck, ex-Astérion, Riviera Dreitz e Unidade 8, a canção ganhou fama e status na voz de Ranieri Trevisan e, em pouco, se transformou em hit, daqueles cantados por roqueiros de carteirinha e/ou meros simpatizantes das noitadas do saudoso Canela de Ema. Recentemente a música ganhou um clipe, produzido pela talentosíssima Geovana Cruz e, que inclusive, rendeu merecida homenagem aqui no blog.

 

Endless Void (Black Night)

O rock em Luís Eduardo Magalhães sempre contou com algumas fases bem peculiares, ora, de fartura, ora de vacas magras. Em 2016, Anton Roos quase dez anos depois do seu último projeto musical (os outros foram a Largatos e Unidade 8, como baterista e a lendária Astérion, como vocalista) voltou à ativa com músicos conhecidos da cena local, o baixista Fernando Felipetto (ex-Muamba), o baterista Thiony Trentin e o guitarrista Marcelo Vargas para prestar tributos as clássicas bandas de heavy hard das décadas de 1970 e 1980 principalmente. Após alguns shows memoráveis, antes de encerrar atividades no final de 2016, o quarteto deixou registrado sua única canção autoral, mas, que marcou uma fase especial para a cena rock da cidade, inclusive com a vinda de várias bandas de outros estados.

 

Alive Again (Vintage Tune)

Das cinzas da velha Zhadok, Juninho Dias arquitetou o alicerce do que viria a ser a Vintage Tune. “Alive Again” foi a primeira canção autoral gravada e lançada pela banda, formada também pela vocalista Vivi Marques, o baixista Rodrigo Faedo e o baterista Diego Dias. A canção ganhou uma versão com participação do baterista Ivan Busic (ex-Dr. Sin) e do baixista do Angra, Felipe Andreoli. À época do lançamento, batemos um papo com o casal Juninho e Vivi sobre a canção e essa nova fase da banda, o que pode ser lido aqui.

 

Menção honrosa:

Brutalizador (Omerta)

Eles não são a ovelha negra da turma, mas, com toda certeza, são os mais agressivos. Representantes do metal mais brutal, o grupo tem em sua formação original e mais clássica o vocalista Adriano Capitanio, o baterista Dênis Guirra, o guitarrista Robson Melo e o baixista Gabriel Froilan. No currículo apresentações em que ora desfilavam covers do saudoso Pantera e, ora, em que o apuro técnico de seus integrantes era evidente. Além disso, a banda sempre priorizou material autoral. “Brutalizador” foi o primeiro registro da banda, tendo inclusive recebido elogios de músicos da Project 46, um dos maiores representantes do metal brasileiro na atualidade.

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PS: Levantar o volume só não é uma ordem, pois, infelizmente, algumas dessas canções não tem registros oficiais e os poucos que existem devem estar trancafiados à sete chaves nos confins de algum HD de alguém que viveu e sentiu na pele alguma dessas fases:

PS 2: Feliz Dia Mundial do Rock a todos!

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.