Com chave de ouro

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Mês de março começa sua despedida e eu não poderia encerra-lo sem fazer um post dedicado as pessoas que neste mês possui um dia internacional: as mulheres.

O dia 8 de março, dia Internacional da Mulher representa muitas coisas e dentre elas uma luta que muitos desconhecem, esqueceram ou simplesmente trocaram por uma flor, ‘feliz dia das mulheres’ e promoções. Nada contra flores e promoções, só não adianta um dia do ano respeitar e nos outros 364 dias manter o velho discurso.

Entretanto este post não tem este objetivo em específico, de focar no grande debate do Dia Internacional das Mulheres, e sim dar o centro das atenções as mulheres escritoras que em vida tiveram que quebrar muitas barreiras para terem suas obras publicadas, aceitas pelo público e acima de tudo, serem levadas a sério como escritoras.

Ser mulher na nossa sociedade atual implica em lutas diárias, imagina em meado de 1900, 1800? Recentemente ganhou destaque nas mídias a situação de dois colegas de trabalho que trocaram as assinaturas de e-mail – um homem e uma mulher. A mulher teve seu período mais produtivo do qual nunca experimentou enquanto assinava com o nome de seu colega, já ele, não manteve sua produtividade, teve processos travados e seus clientes tornaram-se teimosos. Suas opiniões e ideias eram todas questionadas. Seu ponto de vista e profissionalismo não era levado a sério.

Com as Autoras do mundo afora, e de épocas diferentes, não foi diferente. Para adquirem credibilidade perante o público, e perante as próprias editoras tiveram de usar muita criatividade.

Currer, Ellis e Acton Bell

Quadro pintado pelo irmão Branwell

O Livro ‘Poemas’ de 1846 tem como autores três irmãos. Charlotte, Emily e Anne Brontë usaram estes pseudônimos masculinos para poderem ser levadas a sério em uma sociedade amplamente machista. O sucesso e reconhecimento real veio só com as obras Jane Eyre, O Morro dos Ventos Uivantes e Agnes Grey, estes já publicados com seus nomes.

 

George Eliot

Passado o período que mulher não escrevia livros, agora se escrevia era apenas livros de romances. Mary Ann Evans não queria ser limitada por este estereótipo. Assim, no século XIX, começou a usar o pseudônimo masculino de George Eliot para publicar seus livros.

George Sand

Amandine Aurore Lucile Dupin

 Amandine Aurore Lucile Dupin. Baronesa de Dudevant é considerada a maior escritora francesa e uma das precursoras do feminismo. Amandine casou-se aos 18 anos e deste casamento nasceram dois filhos. Devido ao alcoolismo e infidelidade do marido, culminou-se o divórcio em 1836, algo extremamente raro para aquela época. Em 1832 usou pela primeira vez seu famoso pseudônimo George Sand (pseudônimo masculino para sua obra ser aceita no meio literário), para o romance Indiana que por fim se tornou um grande sucesso. Amandine escreveu muitos romances que falavam sobre os desejos naturais do feminino e suas frustrações posteriores, deixando clara uma posição de reivindicar o direito da mulher pelo amor e vida livres.

 

Norah Vincent

A jornalista americana que se apresentou como Ned Vincent por 18 meses para poder escrever um livro sobre gêneros. Ela queria descobrir se seria de fato tratada diferentemente como homem e, para tanto, fez todo um trabalho de descaracterização de seus traços femininos e caracterização como homem. O resultado desta experiência está no livro “Self-Made Man” publicado em 2006.

 

Com a exceção de Norah que esteve em um experimento, as demais escritoras sofreram com o peso dos estereótipos de gênero. Por um longo período mulheres não podiam ser escritoras e, quando aceitas como tal, a zona pelo qual poderiam percorrer eram poemas, poesias e romances. Qualquer passo fora deste limite imaginário era sentença de barreiras.

 

Joanne K. Rowling

 

Os pseudônimos hoje em dia são utilizados por muitos motivos, porém, um deles não muito agradável é de escritoras precisarem no princípio de suas carreiras utilizar pseudônimos masculinos para receber a devida atenção do mercado. Para exemplificar Phyllis Dorothy James, romancista policial, assina como P. D. James para deixar seu gênero neutro e não cair no divisor de águas ainda existente – mulheres devem escrever comédias e romances e homens os estilos terror, policial e suspense. Outro caso bem conhecido é Joanne. K. Rowling, que foi convencida por um editor a não colocar seu nome e sim apenas suas iniciais (novamente gênero neutro). Para ele, garotos não se interessariam em histórias escritas por mulheres.

Ao fim, o que mostro a vocês são grandes mulheres, escritoras de sucessos, obras que se tornaram clássicos e que, o principal, os anos e a história encarregou-se de entregar-lhes seus devidos créditos por seus feitos. Nós, como amantes da leitura agradecemos em silêncio por elas não terem desistido.

 

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Teimosa de doer e de personalidade forte, eu sou a Caroline e evito pronunciar meu sobrenome completo porque nunca acertam. Amo demais o meu trabalho e a rotina louca que todos os meus compromissos me proporcionam. Livros, gato, whisky, vinho e o churrasco do papai são minhas paixões.