Chapada dos Veadeiros arde em chamas e clama por ajuda #SOSChapadaDosVeadeiros

Quem já teve a oportunidade de conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, sabe o paraíso que é. Por suas muitas cachoeiras, pelo cerrado preservado, animais, beleza naturais e a incrível energia que encanta cada ser humano que pisa lá. Mas, hoje, a Chapada dos Veadeiros vive dias de terror. Segundo voluntários na região, o cenário é de guerra.

Desde a última terça-feira (17) o fogo começou na Chapada dos Veadeiros e, hoje, mais de 35 mil hectares do Parque já foram devastados pelo fogo.  As labaredas já atingiram atrativos turísticos como a Cachoeira dos Saltos 120 metros, Trilha das 7 Quedas, Jardim de Maytrea, Morro da Baleia, Mirante da Janela, Cachoeira do Abismo e Ponte de Pedra.  Segundo o coordenador do núcleo de operações de combate a incêndios do Ibama, Devalcino Francisco de Araújo, em entrevista ao site G1, “todos os incêndios são criminosos, pessoas que foram queimar roça, lixo ou que colocaram propositalmente”.

As informações mais atualizadas estão sendo divulgadas por um Grupo Organizado de Voluntários da Sociedade Civil, intitulado REDE CONTRA FOGO, que montou um centro de comunicação e uma central de apoio na Vila do Paquito- Casa da Serena, Setor Central de Alto Paraíso e está movimentando doações e informações pelas redes sociais: Instagram @redecontrafogo.veadeiros e www.facebook.com/redecontrafogo.

Morro da Baleia

Segundo a Rede, até o momento, foram disponibilizados 4 aviões, 2 helicópteros e cerca de 500 pessoas foram mobilizadas na ação, unindo membros da sociedade civil, ONGs, redes de apoio, instituições e órgãos governamentais. O auxílio está sendo do Corpo de Bombeiros de Goiás e DF, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), IBAMA, Grupo de Ações Tática (GAT) do DF, PrevFogo e Polícia Federal Rodoviária.

Mesmo assim, o fogo continua sem cessar.  As prefeituras de Alto Paraíso e Cavalcante decretaram estado de calamidade pública devido ao incêndio.  Em novembro de 2015, Alto Paraíso também decretou situação de emergência devido à incêndios. O parque é considerado Patrimônio Natural da Humanidade e está com a visitação suspensa. Nesta manhã, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse nas redes sociais que o governo trabalha para conter o incêndio.

Segundo últimas informações divulgadas pela Rede, hoje à tarde, o fogo está vindo por trás da Serra das Cobras em direção a São Bento, CEB (Centro Budista) e ao Novo Portal da Chapada. Moradores dessa região já estão se mobilizando para combater no fogo.

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COMO AJUDAR

🚨VOLUNTÁRIOS!🚨 ⠀
Quem quiser e puder ajudar no combate aos incêndios, não é obrigatório ser brigadista, mas é imprescindível já ter participado de algum combate. Para ajudar, dirija-se à central de apoio seguindo as seguintes orientações:⠀
-Cubra o máximo de superfície de pele possível (calça comprida, manga longa, não usar tecido sintético – preferência por algodão e jeans);
-Use sapato fechado;
-Leve óculos e luvas, se tiver;
-Leve uma camisa para amarrar no rosto;
-Leve lanterna (preferencialmente de testa) e mochila (para se manter com as mãos livres);
-E não esquecer de levar uma garrafa de água para beber dentro da mochila.

🚨 Mais informações para voluntários, entrar em contato via inbox pelas redes sociais, através do Whatsapp (21) 972099220 ou diretamente na Central de Apoio em Alto Paraíso (Vila do Paquito – Cidade Alta).

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🙌 DOAÇÃO DE ALIMENTOS 🙌
Quem estiver ou puder ir a Alto Paraíso, pode deixar crédito nos caixas dos mercados Canaã e Paulista.

🙌COMBUSTÍVEL E DINHEIRO 🙌
Quem estiver na Chapada, deixar crédito diretamente no posto VALE DA LUA.

Estamos aguardando a divulgação da conta oficial do voluntariado para divulgação.

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SALVANDO OS ANIMAIS

Ainda segundo a Rede, a veterinária Amélia do ‘Veterinários na Estrada’ está se deslocando para Cavalcante com uma equipe especializada em Resgate de Animais Silvestres. O grupo já atuou em desastres como os de Mariana e Teresópolis. Um Centro de Atendimento aos animais feridos pelo fogo está sendo montado na Reserva Bacupari em Cavalcante. Para ajudar no resgate, você pode:

-Doar gaiolas e medicamentos💊💉
-Soro fisiológico e Ringer
-Pomadas com antibiótico e analgésicos
-Diazepan
-Quetamina
-Cateter 24 e 22
-Equipo de soro
-Muita gaze
-Seringas e agulhas
-Agulhas 25×7, 40×13 e 20×40

Os medicamentos podem ser deixados na própria Reserva Bacuri, localizada na Rua 241, Reserva Bacupari, Vila Morro Encantado, Cavalcante, Goiás, CEP 73790-000. Alguns desses remédios não podem ser comprados por pessoas comuns, mas vocês podem ajudar com qualquer quantia através da conta sinalizada abaixo e disponibilizada pela Rede. Quem doar, não esqueça de enviar os comprovantes!
Conta Poupança Caixa
Agência 3526
Operação 013
CP 2122_9
Amélia Margarida
Email: ameliavet@hotmail.com ou WhatsApp (35) 99911-9055

Todas as contas foram disponibilizadas pelo grupo Rede Contra Fogo nas suas redes sociais.

Poperinge

Bom dia!

No meu último post eu dei uma introdução sobre a Bélgica. Hoje quero introduzir uma cidade que conheço muito bem, tanto por ser a minha cidade natal onde meus pais ainda moram, quanto por ter trabalhado 8 verões no escritório de turismo da cidade. A Poperinge é bem pequena, e com certeza não aparece nos livros de turismo mais geral sobre a Bélgica, mas espero que com este post eu consiga convencer vocês que na verdade vale bastante a pena  visitar!
A Poperinge fica na fronteira com a França, 2 horas de trem do capital Bruxelas. O centro da cidade conta somente 12.000 habitantes, e junto com as vilazinhas em volta, tem um total de 21.000 habitantes. Então é pequeno, mas por ser bem cuidada, dá um ar de cidade mesmo, em vez de vilazinha. No centro tem uma praça central com barzinhos, tem umas ruas com lojas e mais barzinhos, e tem um parque da cidade bem nova ainda. Mas claro, tem cidades suficiente onde acha tudo isso. O que destaca a Poperinge e dá algo a mais à cidade, são estas duas duas características:  os campos de lúpulo e a história da primeira guerra mundial. Além disso, os visitantes sempre ficam encantados com a natureza em volta da cidade.

1. Lúpulo (e cerveja)
Para quem não conhece, o lúpulo é uma planta trepadeira, que começa a nascer na primavera e que é colhido em setembro. Já que é uma trepadeira, a paísagem da Poperinge é marcada por construções assim:

Uma construção para deixar crescer lúpulo

A partir de julho a planta começa ficar no tamanho máximo e começa a crescer uma florzinha, bem diferente e bonita:

Um campo de lúpulo

 

A flor do lúpulo

Esta flor tem um cheiro bom, então na hora da colheita, durante qual as flores são separadas (depois de tirar as plantas das construções), dá para sentir um cheiro bem gostoso passando do lado de uma fazenda de lúpulo. As flores são vendidas para cervejarias, que usam o lúpulo para dar sabor à cerveja.

Não tem mais muitas plantações de lúpulo na Bélgica, na verdade a Poperinge é uma das duas regiões que ainda tem estes campos. Assim temos bastante orgulho desta planta: o desenho da flor é o símbolo da cidade, a nossa cerveja mais famosa da cidade se chama “Hommelbier” (“cerveja de lúpulo”) e cada 3 anos temos um fim de semana de “Festas de lúpulo”, com um desfile no centro e bastante cerveja!

O desfile durante as “Festas de lúpulo”

 

Hommelbier, a cerveja típica de Poperinge

Falando sobre cerveja, a Poperinge tem mais uma cerveja bem famosa, produzida na vilazinha Watou que fica no território de Poperinge: Sint-Bernardus. Esta cerveja é conhecida pelo sabor muito bom, o que não é surpreendente: a cerveja tem a mesma receita da cerveja trapista Westvleteren, que foi eleita já 3 vezes como melhor cerveja do mundo. A diferença entre a Sint-Bernardus e a Westvleteren é que a última é produzida dentro de um monastério, e a primeira somente numa cervejaria.

A Westvleteren ficou famosa não somente por ter ganhado este prêmio, mas também por ser vendido somente no bar que fica na frente do monastério (pelo menos, oficialmente, já vi a trapista em alguns outros bares). No bar In De Vrede dá também para comprar caixas de 6 cervejas para levar, ao máximo 2 por pessoa. Porém, nem sempre tem caixas disponível. Os monges  querem fabricar cerveja apenas o suficiente para poder viver, não para ganhar lucro. Assim, por ser difícil de encontrar, a cerveja ganhou mais fama ainda.

A cerveja trapista Westvleteren


2. A primeira Guerra Mundial
A primeira Guerra Mundial, que de 1914 até 1918 dividiu a Europa entre principalmente a Alemanha de um lado e a França e Inglaterra do outro lado, atingiu bastante a Bélgica. Na verdade a Bélgica queria ficar fora da guerra e se declarou neutra, porém, bem no começo a Alemanha decidiu que o melhor jeito de invadir a França era  passar pela Bélgica, e assim o país fez durante os 4 anos parte da guerra. O exército da Alemanha invadiu a Bélgica pela leste, e assim foi cruzando o país até que o exército britânico, francês e o restante do exército belga conseguiu pará-lo já bem perto da fronteira francesa. No mapa abaixo dá para ver a linha verde e amarelo, onde os dois exércitos inimigos ficaram 4 anos parados, lutando contra um e outro.

Mapa indicando a linha dos batalhas

Neste mapa também dá para ver a cidade de Ypres, bem em cima da linha, que fica 10 kms da Poperinge. Poperinge, ainda desocupada, virou um lugar de descanso e de cuidado para os soldados. Hoje ainda tem vários lugares na cidade para lembrar desta guerra, o mais impressionante sendo o cemitério Lyssenthoek. Este cemitério tem o mesmo nome do hospital que tinha durante a guerra do lado de lá, e os 10 mil mortos que estão enterrados, eram todos pacientes do hospital que não sobreviveram. Hoje o local virou um lugar de paz, onde familiares dos soldados, quase todos ingleses, ainda vem até hoje para deixar flores no túmulos.

O cemitério Lyssenthoek em Poperinge

Também a cidade de Ypres, onde tinha as batalhas, tem bastante lugares para lembrar a primeira guerra. O mais impressionante é chamado “Menin gate”, um “portão” de pedra branco onde tem os nomes escritos de todos os soldados de quem não sabem onde estão enterrados. Tem no total 55 mil (!) nomes gravados neste memorial. Em baixo deste “portão” tem até hoje uma cerimônia para honrar os soldados que morreram durante esta guerra. Todos os dias, às 20hs, 4 ou 5 trompetistas tocam uma música (sempre a mesma música) e são levados coroas de flores para colocar de baixo dos nomes. É um jeito para lembrar dos erros do passado e também deixar esta memória viva para as próximas gerações, para evitar que os mesmos erros acontecerem novamente.

  1. A natureza
    Não está convencido ainda sobre a Poperinge? Deixe eu te mostrar mais umas fotos da região em volta de Poperinge:

    Os campos de Poperinge

 

Os campos de Poperinge no inverno

 

Com sorte dá para encontrar um destes por-de-sol lindos!

 

Heuvelland, uma região do lado de Poperinge

 

Uma floresta em Heuvelland na primavera

Conclusão: Para quem vem visitar a Bélgica e tem um tempinho para de sair do roteiro típico de Bruxelas e Bruges, com certeza recomendo de pular num trem para a Poperinge! Vai caminhando um 1km da estação de trem para o centro onde tem vários hoteis, depois alugue uma bicicleta e vai passeando pelos campos de lúpulo, dando um pulo no bar In De Vrede para tomar uma cerveja Westvleteren (6 kms de Poperinge) e dando uma visita no cemitério Lyssenthoek. À noite dá para pegar o trem para Ypres (10 minutos) para assistir o Last Post às 20hs.

 

Quem sabe eu vejo um dia vocês lá na minha terra natal?

Até!

Terra Ronca em um dia: aventura e adrenalina nas cavernas

Tá cansado de passar o final de semana em casa? Quer variar a dupla barzinho-sertanejo? Sei que você ama netflix e ar-condicionado, mas que tal aproveitar seu domingo de uma forma inesquecível? Pois eu tenho uma ideia para compartilhar com você.

Pertinho daqui, ali nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, está o Parque Estadual de Terra Ronca, um dos lugares mais incríveis do Brasil por ser um dos maiores complexos de caverna do país e da América do Sul. Não só isso, duas das cavernas da Terra Ronca figuram também na lista das maiores cavernas do Brasil. “É um mundo totalmente diferente! Visitar as cavernas da Terra Ronca é impressionante. É um lugar muito preservado e rico de detalhes. É um privilégio encontrar um lugar como esse”, explica Rafael Sant’Ana, um dos guias locais.

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Foto: Marcio Cabral

Entre a infinidade de cavernas, quase 200 delas já foram catalogadas, e somente algumas estão disponíveis para visitação, entre elas as grutas Angélica, Terra Ronca I e II, São Bernardo e São Mateus. No parque também é possível fazer boia-cross no Rio São Vicente, rapel, lavar a alma nas cachoeiras das Palmeiras e São Bernardo, além de fazer trilhas e apreciar a paisagem, como a subida do Morro do Moleque. “As cavernas são enormes e raramente você precisa passar por lugares mais estreitos, um medo claustrofóbico que muitas pessoas tem antes de conhecer. O passeio é muito tranquilo, seguro e o visual é impressionante”.

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Salão dos Espelhos – Gruta da Angélica | Foto Marcelo Peregrino

Para conhecer por dentro e por fora as incríveis grutas e cavernas da Terra Ronca é preciso contratar um guia. E sabemos que nem sempre temos tempo ou dinheiro suficiente para se jogar em uma aventura como essa. Mas isso não é problema com o roteiro de um dia da Peregrino Turismo e Aventura. O pacote Terra Ronca em um dia inclui passeio na Gruta da Angélica, rapel e boia-cross, além de lanche e almoço. E tudo isso por R$ 175 por pessoa. O grupo, de no máximo 20 pessoas, vai sair de Posse – GO e o passeio será no domingo, dia 21. Uma oportunidade única para quem quer conhecer um pouquinho da Terra Ronca sem pesar no bolso.

Confira o roteiro completo e os contatos para contratação abaixo:

 

Terra Ronca em um dia!

Data: 21 de maio de 2017

Saída: 05h00

Retorno: 19h00

Programação:

  • 04h30 embarque na praça da Liberdade, Posse – GO
  • 05h00 saída para Terra Ronca
  • 08h00 lanche
  • 09h00 passeio na Gruta da Angélica
  • 11h00 rapel na boca da caverna
  • 15h00 almoço na Pousada Alto da Lapa
  • 16h00 boia cross no rio São Vicente
  • 19h00 retorno

Boia

Observações:

As atividades são moderadas quanto à exigência de preparo físico e coragem.

As instruções serão passadas para todos durante o passeio por profissionais competentes e habilitados.

As técnicas adotadas seguem as normas das atividades – rigorosamente seguro.

Os equipamentos de segurança serão oferecidos pelos organizadores, porém alguns ítens são pessoais, como o calçado, a roupa etc.

 

O que levar?!

Cada pessoa deverá providenciar:

– calçado adequado para a prática de esportes, que deve ser fechado e de preferência que proteja também o tornozelo;

– roupas adequadas, que protejam o corpo de possíveis escoriações;

– roupa de banho;

– roupa seca para depois do banho;

– água para consumir durante o dia

– lanterna

– protetor solar

– repelente

 

Perguntas frequentes:

– Vai molhar o tênis?!

Sim, vai molhar o tênis.

– Devo levar toalha?

Sim, exceto se quiser retornar molhado.

– Tenho medo de desistir na hora do rapel.

Pague antes, assim na hora você vai fazê-lo para não perder o investimento. A partir de 13 anos já pode fazer o rapel.

– Eu não tenho experiência!

Não tem problema. As instruções são simples e serão passadas para todos.

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Foto: Marcelo Isola

Contatos:

Organização Peregrino Turismo e Aventura

(62) 999556331 Marcelo Peregrino

 

Facebook

 

E aí, vamos viver um domingo pra lá de diferente?

A Bélgica, uma introdução

Bom dia queridos leitores da Immagine!

A partir deste post estarei escrevendo sobre a Europa. Neste momento estou morando na Bélgica, mas de vez em quando tento aproveitar o fim de semana para ir num outro país e quando for assim, levarei vocês junto comigo!

Mas primeiro, a Bélgica. Dá para dizer que conheço bem este país. Nasci aqui e morei na cidade de Poperinge, uma cidade bem pequena perto da fronteira da França, até o final do meu ensino médio. Depois ainda morei em Leuven, Bruxelas, Ghent, trabalhei em Bruges e agora estou morando novamente em Bruxelas. Dedicarei uns postes para todas estas cidades, mas começarei a contar um pouco sobre a Bélgica mesmo.

No passado percebi que várias vezes que a Bélgica não entra no roteiro de turismo dos brasileiros. Ouvi bastante histórias de brasileiros que foram para Paris, Amsterdam e Londres, todos as capitais dos países aqui perto, mas que pulavam a Bélgica. Tudo bem que é muito fácil de pular, de tão pequeno que somos, mas isso não quer dizer que não temos coisas bonitas para ver!

Mas agora já percebi que mais e mais pessoas começaram a dar uma passada em Bruxelas ou em Bruges. Creio que a nossa fama da cerveja boa e chocolate gostoso está ajudando bastante. E ainda teve o Tomorrow Land que ajudou a colocar a Bélgica no mapa. Depois de lançar o festival no Brasil, que originalmente é daqui, ouvi mais e mais brasileiros falar, ‘ah sim, a Bélgica, de onde vem o Tomorrow Land’. Não é o meu tipo de música mas ainda temos muitos (muitos mesmo!) outros festivais no verão.

Mas antes de falar das coisas boas e lugares bonitos aqui da Bélgica, deixe eu explicar um pouquinho sobre este país que tanto tempo ficou um pouco invisível no mapa turístico. Tenho  certeza que o tamanho do país ajudou a escondê-lo: a Bélgica tem somente 30.500 km², ou seja, é 280 vezes menor do que o Brasil. Cruzando o país em vista aérea do oeste para leste, ou seja, da fronteira francesa para a fronteira holandesa, são somente 200 km. Cruzando do ponto mais norte para o sul, onde fica o país Luxemburgo, dá 300 km.

Não é surpresa então que temos uma população bem pequena, de somente 11 milhões de pessoas. O que é pouco, mas na verdade muito para um superfície tão pequeno, temos uma das densidades de população mais alta da Europa. Algo que resultou num problema bem grande de trânsito: tantas pessoas que vão de carro para o trabalho que nos horários de pico parece que a Bélgica inteira vira um engarrafamento.

Isso que o nosso transporte público não é ruim, bastante pessoas usam o trem para ir ao trabalho (é bem comum  trabalhar numa outra cidade de onde mora), mas na Bélgica ainda é comum de ganhar um carro do trabalho e assim aumenta o problema de trânsito. Mas para turistas que querem ir visitar outra cidade, recomendo  os trens que são bem confortáveis e para quais as passagens ida e volta durante os fins de semana ficam metade do preço.

Falando em ir visitar outras cidades, belgas têm uma noção de distância completamente diferente dos brasileiros. Por exemplo, como estudante é normal de ir estudar em outra cidade (já que somente as maiores cidades tem faculdade), ficar numa república perto da faculdade e nos fins de semana voltar para a casa dos seus pais (geralmente para levar as roupas sujas). Eu fui estudar em Leuven, duas horas e meia de trem da cidade dos meus pais. Eu tinha acabado de voltar do Brasil e achei esta distância bem tranquila, porém, os meus amigos me declararam de louca. Agora já morando um tempo de novo na Bélgica tenho que me acostumar de novo quando um goiano me fala: “Vou para Brasília, é rapidinho”. Sim claro, somente 3hs, o tempo que precisa aqui para cruzar o país inteiro…

Relacionado a este tamanho ridiculamente pequeno, a Bélgica tem duas características um pouco diferente:

As regiões e comunidades

A primeira é que a gente, mesmo já tão pequeno, ainda decidiu a se dividir em duas partes. Isso não foi totalmente sem motivo: originou da diferença de língua entre a norte, que fala holandês, e o sul do país, que fala francês. Ou seja, no meio do mapa da Bélgica tem uma fronteira, que por um lado eles falam holandês, e cruzando a fronteira, tudo está em francês. O norte chama-se Flandres, e a região sul chama-se Valônia.

 

E claro, as duas partes não se gostam. No passado a Valônia foi a região mais rica, por ter minas, mas nas últimas décadas a Flandres está mais rica. A Flandres agora tem mais habitantes (6 milhões), mais empresas, tem os portos (a Valônia não tem costa, a Flandres sim) e simplesmente tem uma economia maior. O que faz os habitantes da Flandres reclamar que os nossos impostos estão sendo usados para ajudar as habitantes de Valônia (que de vez em quando são sendo chamados de ‘preguiçosos’). Os últimos anos parece que este assunto sumiu um pouco da agenda political, mas não foi tanto tempo atrás que o povo gostava de discutir a possível divisão do país em dois países.

A capital, Bruxelas – para ficar neutro – ganhou as duas línguas, tanto o holandês quanto o francês como língua oficial. Ou seja, toda a comunicação, por exemplo no transporte público, ou os nomes das ruas, são nas duas línguas.

Mas claro, duas partes mais uma capital com duas línguas oficiais, não seria suficiente não. Ainda precisávamos de pegar um pedacinho da Alemanha depois da segunda guerra e assim não temos somente duas regiões com outra língua, mas três! Muitas vezes é ignorada por ser uma parte tão pequena, mas  o Alemão é também uma língua oficial da Bélgica.

Esta estrutura resultou numa composição political bem complicada, com não menos do que 6 parlamentos! Olhe só: as regiões que têm uma língua diferente foram chamadas de ‘comunidades’, ou seja, uma comunidade holandesa, uma comunidade francesa e uma comunidade alemã. Além disso a Bélgica foi dividida em partes conforme as atividades econômicas, que resultou em três regiões: a região Flandres, a região Valônia (que contém a comunidade francesa mais a comunidade alemã) e a região de Bruxelas capital. E acima de tudo isso, tem o estado federal. Tudo isso daria 7 governos, mas a região Flandres, que territorialmente é igual à comunidade holandesa, decidiu de combinar o governo da região com a da comunidade. E assim temos 6 parlamentos… e bastante belgas que são politicos.

As províncias

E não é somente esta divisão que temos. Além destas regiões e comunidades e o capital, também somos divididas em províncias. Temos 10 províncias no total, 5 em Flandres e 5 em Valônia, e ainda temos a Bruxelas, que é separado (comparado com a Brasília). E, mesmo que todas estas províncias sejam muito pequenas, cada uma é bem diferente da outra, começando com um próprio dialeto e sotaque. E não estou falando de algumas outras palavras -do jeito que no Brasil cada região tem por exemplo uma outra palavra para mandioca- mas de uma língua totalmente diferente. Eu sou da província mais oeste da Flandres, e quando falo o dialeto de lá, alguém da província mais leste simplesmente não consegue me entender. Até dentro das províncias praticamente todas as cidades tem um próprio dialeto, de qual o sotaque e algumas palavras são diferente da cidade do lado (10 km de distância).

 

Bem, isto foi só uma pequena introdução sobre a Bélgica, mas agora pelo menos, o dia que vierem para a Bélgica, entenderão quando em uma cidade ouvir o francês e em outra cidade escutar o holandês…

No próximo post mais sobre este país pequeninho!

Até já!

A cultura indonésia

Hoje é meu último dia na Indonésia e gostaria de compartilhar mais umas coisas com vocês sobre a cultura, que na minha opinião é uma cultura muito bonita e que consequentemente acabei gostando bastante.

O que com certeza vai ficar mais na minha memória é a bondade das pessoas aqui. Não sei se é algo da cultura da Indonésia, da cultura da Java (a ilha onde estou) ou da cultura muçulmana – o mais provável é que é uma mistura das 3- mas as pessoas são muito gentis, abertas e hospitaleiras. Já falei isso no meu primeiro post mas é algo que marcou tanto a minha experiência aqui e de qual vi todo dia prova, que com certeza vale repetir de novo.

Além de serem muito gentis, eles são muito humildes. Na verdade achei que eles são quase humildes demais quando se trata de estrangeiros. Só de você estar na casa deles, eles já acham uma honra. Eles te enchem de comida, botam um membro da família para dormir na sala para que você possa ter um quarto e na hora de despedir ainda pedem desculpa porque acham que talvez fizeram algo errado.

Também no meu aniversário, que foi bem no final do primeiro projeto que eu fiz, as pessoas do bairro – que eu só conhecia durante um mês então – organizaram uma festa surpresa para mim, com decoração, um bolo, as crianças da minha aula de inglês cantando Happy Birthday,… No final da festa a organizadora me disse ‘Muito obrigada!’, e eu fiquei, ‘como assim, muito obrigada? Sou eu que tenho que agradecer você!’ Aí ela respondia: ‘Não, obrigada à você por ter gostado!’ Eles realmente ficam felizes por conseguir deixar você feliz.



Eles também são muito alegres, adoram dar risada, brincar, cantar (adoram karaoke), conversar com todo mundo que encontra na rua, ir na casa do vizinho onde sempre terá um chá bem doce e alguma comida (bem provavelmente frita). O que admiro muito aqui é que, por causa da religião, eles não bebem álcool. Eles adoram reunir pessoas, mas quando fazem está sendo servido água, chá ou café, e nunca álcool. Mas pela tanta de alegria e risada que tem nos eventos assim, dá para ver que com certeza não faz falta!

Falando da religião – que foi um dos motivos por quais achei legal eu vir para Indonésia e mais especificamente a ilha Java, já que aqui o Islam é a religião dominante e me pareceu interessante a conhecer melhor –  gostaria de fazer algumas observações sobre esta religião que nestes dias é tão mal vista. Eu pessoalmente são agnóstica então as observações são feitas de um ponto de vista cultural/antropológica, não religiosa.

Os muçulmanos indonésios são bastante religiosos. Por exemplo, desde criança eles aprendem a ler árabe para assim conseguir recitar o Alcorão. Todo mundo aqui realmente consegue ler e escrever a escrita árabe, fiquei bem impressionada com isso. Eles também só comem carne halal e não comem carne de porco. Conforme mencionei num post anterior, as mulheres também seguem as regras de roupa muçulmana, se vestem com manga comprida, roupa sempre cobrindo os joelhos e usando um véu (somente tampando o cabelo, não o rosto).


Eles também seguem o ‘sholat’, as 5 rezas por dia. Pode ser dentro da casa, onde existe um quarto separado para isso, ou na mesquita. É um costume que também os jovens ainda fazem. Eu sabia deste costume de rezar 5 vezes por dia antes de vir para cá e na época me pareceu algo meio radical. Mas na verdade, assistindo estes momentos de perto, deu para ver que são simplesmente 5 momentos por dia que eles tomam um tempinho para si mesmo e que eles conseguem expressar o gratidão deles para a vida que eles têm. Na vida ocidental está sendo muito recomendado de fazer meditação e Yoga já que as pessoas têm uma vida corrida demais e precisam de técnicas para relaxar. Na verdade não vejo diferença entre alguém precisar de um momento de Yoga, ou ir correr por meia hora, ou de relaxar na frente da televisão para poder desligar a cabeça um pouco, com estes momentos de reza. Algo que confirmou isso para mim foi quando uma menina aqui estava me contando sobre um momento estressante que ela tinha passado e me falou ‘eu só queria rezar naquele momento’.


Ao mesmo tempo que eles são bastante religiosos, eles são muito diferente daquela imagem radical do Islam. Por exemplo, nestes dois meses somente uma pessoa tentou me converter a virar muçulmana, e 3 outras pessoas pediram desculpa por ela ter feito isso.

 

Claro que como em todo lugar do mundo existem pessoas mais radicais. Tem por exemplo uns partidos políticos que acham que o governo deveria se basear nos princípios da Islam e que nestes dias estão protestando contra o governador de Jakarta, que é um cristão. Mas as pessoas com quem eu conversei aqui sempre condenam qualquer forma de violência no nome do Islam e enfatizam muito o fato que o Islam ‘puro’ é uma religião de tolerância e de paz. Inclusive a palavra ‘Islam’ vem da palavra árabe ‘salema’ o que quer dizer ‘paz, pureza’.

Também a imagem da mulher ser subordinada ao homem não faz parte da cultura indonésia. Na família na qual eu fiquei – de qual a mãe inclusive é uma professora de religião – ficou bem claro que é a mãe da casa que mandava em tudo, e o pai ajudava a limpar a casa e a cozinhar, bem o contrário do estereótipo.

Eu fui avisada na hora de chegar aqui que eu talvez encontraria homens que não iam querer dar uma mão para mulher para comprimentar. Por isso me avisaram que como mulher é melhor nunca esticar primeiro a mão para comprimentar um homem (algo difícil de lembrar). Mas na verdade todo homem sempre me dava uma mão que eu acabei de esquecer desta possibilidade… até claro acontecer que eu estiquei a mão e o homem não quis aceitar. Na hora é uma sensação bem ruim, principalmente porque eu estava do lado de um outro voluntário masculino de quem foi aceito sim, como se eu valesse menos do que ele. Mas mesmo quando foi assim, o homem não me olhava feio. Ele sorria, pressionava as duas  mãos juntos e acenava com a cabeça como jeito de cumprimentar. Nestes dois meses só encontrei uns 5 homens que me cumprimentavam assim em vez de dar uma mão.

 

Então não vou dizer que as mulheres são totalmente iguais ao homens ou que não existem homens que acham que as mulheres valem menos, mas encontrei mulheres com uma função alta em empresas, entre os jovens os meninos tem amizades normais com as meninas, e as meninas vão do mesmo tanto para a faculdade quanto os meninos.

Então para mim a imagem do islam que a mídia está pintando estes dias e os preconceitos que seguem a partir desta imagem, foi mais do que refutada graças à cultura que assisti aqui na Indonésia. Fiquei bastante feliz de ter conhecido esta cultura muito bonita, que ainda contém aspectos de uma vida simples que já ficou um pouco perdido na Europa: se preocupar mais com as outras pessoas do que com dinheiro, ser grato pela vida que tem e principalmente ser feliz e alegre.
Ainda tem bastante coisas a contar sobre a Indonésia então também vou dedicar meu próximo post à Indonésia, mais específico sobre mais alguns costumes daqui e os lugares que visitei. Até!

5 destinos turísticos para você conhecer no oeste baiano

Hoje, dia 02 de março é considerado no Brasil o Dia do Turismo. Essa data foi estabelecida com o objetivo de promover o turismo entre os brasileiros, afinal o nosso país é rico em lugares turísticos que merecem ser visitados antes mesmo de outros países. O turismo é considerado quando uma ou mais pessoas viajam para fora de seu ambiente residencial entre o período de 24 horas a 120 dias, sem exercer atividades profissionais. Não é preciso ir muito longe para se aventurar como turista. A Região Oeste da Bahia está rodeada de atrativos e pontos turísticos esperando para serem visitados. Nós fizemos um to 05 dos principais pontos turísticos dessa região. Na sua próxima viagem, planeje conhecer lugares lindos que estão pertinho de você!

01 Gruta do Catão – São Desidério

A gruta do Catão é atração turística de são Desidério e recordista em números de visitantes. As estruturas rochosas vistas no caminho até a gruta existem há mais de 400 milhões de anos. Nesse mesmo caminho é possível parar e observar a Lagoa Azul. A Gruta do Catão é uma grande Caverna que rodeada por uma vegetação intacta, aves, animais silvestres. No interior da gruta surgem águas cristalinas que completam a beleza estonteante do lugar.

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02 Sete Ilhas – Correntina 

Considerado os sete pedaços do céu, as Sete Ilhas, derivadas do Rio Corrente,  localizadas na cidade de Correntina é um dos pontos turísticos mais procurados por quem chega a cidade. Cada uma das sete ilhas tem seu respectivo nome, são elas: Ilha das Crianças, como diz o nome, a ilha é apropriada para crianças,  Ilha da Juventude, se difere da ilha das Crianças por ter águas mais profundas,  Ilha das flores, essa é uma ilha apenas para ser admirada e para passeios, não é apropriada para banho. Ilha dos Pássaros, ganhou esse nome por ser muito comum ouvir o canto dos pássaros no local.  Ilha da Melhor Idade possui águas calmas por isso é apropriada para a terceira idade. Ilha dos Namorados e Ilha dos Casais são mais procuradas por casais que querem passar um  momento romântico juntos.

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03 Cachoeira do Acaba Vida e do Redondo – Barreiras – Luís Eduardo

A principal cidade do Oeste Baiano, Barreiras é cheio de belezas naturais. Na divisa entre Barreiras e Luís Eduardo encontra-se as duas atrações turísticas mais relevantes desse lado da região. As cachoeiras Acaba Vida e Redondo. Com 36 metros de queda livre a cachoeira Acaba Vida tem uma visara deslumbrante e sua nascente forma uma piscina de rara beleza. Cerca de 20 km a frente encontra-se a cachoeira do Redondo, que ganha esse nome por ser uma queda d’água arredondada, sua nascente possui três metros de profundidade.

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04 Santuário de Bom Jesus da Lapa

Considerada a capital baiana da Fé, a cidade de Bom Jesus da Lapa é composta por um morro em estilo gótico e de várias grutas que lhe dão um clima místico e diferente das outras cidades da região. É sobre uma dessas grutas, conhecida como Santuário de Bom Jesus da Lapa que acontece a terceira maior Romaria do Brasil. A gruta do Santuário fica em cima de um morro, que torna possível ter uma vista privilegiada do Rio São Francisco. O teto e a parede tem uma formação rochosa. Além disso existem vários monumentos e estátuas explanados, que embelezam ainda mais o Santuário.

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05 Cachoeira do Itaguari- Côcos 

O Rio Itaguari é visto por seus visitantes como o espelho de Deus e estão com toda razão, Itaguari é uma palavra indígena que significa Ita: Pedras, Guari: Águas Cristalinas. O rio segue rodeado por paredões encantadores e praias deslumbrantes. É na Fazenda Aliança que o as águas do rio formam uma cachoeira.  A cidade de Côcos faz divisa com Minas Gerais e apesar de ter essa cachoeira magnífica não é tão conhecida e merece ser mais explorada e visitada.

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Fazendo trabalho voluntário na Indonésia

Conforme mencionado no meu último post, hoje falarei sobre o trabalho voluntário que estou fazendo na Indonésia. Quando decidi que queria sair do meu emprego para conhecer outro lugar do mundo, tinha vários motivos que me ajudaram a escolher um projeto voluntário em vez de somente viajar.

Um dos maiores motivos, para mim, era que uma estadia longa em um mesmo lugar  realmente possibilita conhecer a cultura local. Você acaba fazendo amizades com pessoas de lá mesmo, em vez de somente conhecer outros viajantes com quem você compartilha um mesmo quarto no hostel durante uns 3 dias. E são estes amigos locais que te ensinarão a cozinhar os pratos típicos, com quem você vai praticar a língua e que te levarão naquela caminhada na natureza lindíssima que não está mencionada em nenhum livro turístico.

Fazer um trabalho voluntário também é uma oportunidade de desenvolver seus skills (habilidades) e conhecimento. Além da parte de aprender a língua local, também tem o fato que no trabalho voluntário você acabará fazendo atividades que no seu dia a dia normal não faria. Estas atividades diferentes te dão a oportunidade de sair da sua zona de conforto, o que sempre tem como resultado um autodesenvolvimento forte. E sim, além de ter novos skills, simplesmente o fato de mencionar que fez trabalho voluntário é algo que fica bom no seu currículo também.

Talvez você se pergunta agora: “Bem, isso são motivos meio egoístas, um trabalho de voluntarismo não deveria ser por querer ajudar os outros, em vez de ser bom para si mesmo?”

Na verdade, isso é o que fez dessa experiência ainda mais perfeita: enquanto eu estaria aprendendo novas coisas e vivendo uma experiência muito boa, eu também estaria fazendo algo bom. Porém, o motivo por qual não mencionei isso como a minha maior motivação, é porque eu comecei este projeto com uma visão muito realista sobre o quanto de impacto o meu trabalho teria. Ficar dois meses em um lugar onde não conhecia a língua nem os costumes? Eu não ia mudar a vida das pessoas. Se o meu maior motivo de fazer o projeto fosse melhorar o mundo, eu ficaria muito frustrada por somente poder fazer bem pouquinho. Mas aproveitar certas vantagens e, ao mesmo tempo, poder contribuir um pouquinho, me parece melhor do que nada.

Foi conversando com uma amiga sobre esta ideia, que ela me recomendou o site de uma organização belga que faz parcerias com organizações de projetos voluntários do mundo inteiro. Assim, eles tem um database com projetos que variam de ajudar tartarugas no México, construir casas na África, cuidar de elefantes na Tailândia e dar aula de arte para crianças no Rio de Janeiro. Tem projetos que focam em experiência cultural, por você ser o único voluntário lá, e tem projetos focando em trabalho com time internacional, quando você tem que executar um projeto junto com outros voluntários.

O processo de participar em um projeto de trabalho voluntário normalmente não é difícil – por exemplo comparando com conseguir uma bolsa para estudar num outro país – pelo simples motivo que você está pagando para participar. É algo de que muitas pessoas não têm consciência e até acham estranho, mas para participar em um projeto voluntário, você quase sempre tem que pagar uma taxa de participação. No meu caso eu precisei pagar uma taxa para a organização belga e chegando na Indonésia também tive que pagar uma taxa por mês à organização aqui. Além disso, tem o custo da passagem de avião e do seguro de viagem e saúde que também são de responsabilidade do participante.

Concluí estes passos administrativos e financeiros e no dia 3 de janeiro cheguei na cidade de Semarang. A organização local, chamada IIWC of PKBI, estava me esperando no aeroporto e me deu um dia de orientação sobre a Indonésia e o projeto. Depois me mudei para a Nuansa Mandiri, a cooperativa onde eu ia efetuar meu primeiro projeto.

Nuansa Mandiri, literalmente traduzida “Tons de independência” é uma cooperativa de microfinanciamento com 200 membros. Os membros são mulheres da classe baixa – geralmente proprietárias de estande de feira – que não se sentem bem-vindas em banco (por causa do horário de abertura limitado, as taxas altas, os requisitos para conseguir um empréstimo…) A Nuansa Mandiri funciona como banco, oferecendo empréstimo e/ou conta poupança para os membros. Porém, a grande diferença é que em vez dos membros terem que ir até o local da cooperativa, as funcionárias da Nuansa Mandiri vão todos os dias visitar os estandes dos membros para receber o dinheiro que irá pagar o empréstimo ou que gostariam de colocar na poupança (quantias pequenas variando de R$ 1 até R$ 25).

Parte do meu projeto era ir junto com estas funcionárias às feiras para buscar o dinheiro dos membros. De volta ao escritório eu ajudava com a parte administrativa da cooperativa. Foi bem interessante ver o funcionamento de microcrédito, um sistema que estimula o desenvolvimento social e econômico e para qual o inventor, Muhammad Yunus, ganhou o prêmio nobel em 2006.

Além disso, a Nuansa Mandiri oferece certas atividades sociais para os membros, por exemplo, seminários sobre saúde, aulas de inglês, aulas de esporte…
Estas atividades eram a minha principal responsabilidade e assim eu dava aula de inglês para as crianças, aula de aeróbica e aula de yoga.


Em primeiro de fevereiro me mudei da cidade para uma aldeia, chamada Mogá, para iniciar um segundo projeto, que é organizado por uma organização local non profit, chamada Literasi Kampung (“Alfabetização da aldeia”).  O que gostei desta organização é que foi iniciada por um grupo de jovens locais (entre 20 e 30 anos), que decidiram estabelecer a primeira biblioteca da aldeia. Além de construir esta biblioteca fixa, eles também levam os livros para outras aldeias em volta, criando assim uma biblioteca móvel.

As minhas tarefas envolvem esta biblioteca móvel e também o intercâmbio cultural: visito as escolas das aldeias em volta daqui, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, para contar um pouco sobre a vida na Europa e dar uma oportunidade às crianças e adolescentes de praticarem o Inglês.


Uma parte do meu projeto também se localiza numa outra aldeia, chamada “Tourism village of Cikendung”. É um lugar lindíssimo, no meio de plantações de chá, campos de arroz e bananeiras, que está tentando desenvolver o turismo. Lá dou aula de inglês para os guias (que são treinados para subir o vulcão “Mount Slamet” que fica aqui perto), e tenho a sorte que, em troca disso, a cidade me oferece atividades culturais que também são oferecidas às turistas. Assim estou aprendendo a tocar Gamelan e a dançar Menthelan, um estilo de música e uma dança tradicional.


Neste momento quase terminei meu segundo mês de projeto e depois de uma pequena viagem para Kuala Lumpur, o capital da Malásia, eu já estarei voltando para a Bélgica.

Com certeza foi uma experiência única que realmente recomendo a todo mundo. Claro que não é todo mundo que tem 2 meses para ir fazer um projeto voluntário, mas às vezes pode ser legal incluir um projeto de 2 semanas na sua trajetória, ou em vez de tirar um mês de férias para ir pulando de cidade em cidade, usar este mês para fazer um projeto voluntário. O que você “perderia” em ver lugares turísticos e famosos, vai ganhar em dobro de experiência cultural.

VIAGEM | A lendária e fantástica Ibiza

Hello galera! Voltamos.

Hoje iremos até uma ilha no mar mediterrâneo, ao leste da Espanha, com 575 km², que é famosa mundialmente por suas praias paradisíacas e suas festas, boates e festivais de música eletrônica, os quais lançam tendências neste estilo e que recebe grande número de turistas todos os anos em busca de diversão. Esta é Ibiza.

Falar de Ibiza é falar em música eletrônica. Lá encontram-se os club’s mais famosos do mundo, tais como Space, Pacha, Privilege Ibiza, Amnesia, DC10, El Divino, Café del Mar ou EsParadis. Lá encontram-se, também, os principais DJ´s, artistas de Hollywood e jogadores baladeiros, entre junho e outubro, quando ocorrem os principais festivais de música house, trance e techno.

Nos clubs descritos acima, você encontra DJ´s como Carl Cox, Pete Tong e Tiësto como DJ´s residentes (desculpa aí, hehe). Alguns iniciam as festas ao meio dia até à tarde, quando os clubbers vão para outros clubs que entram noite adentro e terminam às 6h da matina (por lei), mas sempre rola um “afterzinho” particular.

Porém, além da agitação, existe a parte histórica da cidade e o descanso. A ilha foi povoada pela civilização fenícia, sucedida pelos cartagineses, por romanos e pelos hippies. Essa mistura deixou na ilha uma arquitetura, biodiversidade e cultura singular, o que a tornou patrimônio mundial pela UNESCO.

Para chegar em Ibiza, pode-se voar de Barcelona, Roma ou até mesmo de Londres (aliás, os londrinos que possuem “pouca grana” costumam reservar seus camarotes nos clubs. Eles saem de Londres, a balada os recebe no aeroporto, coloca-os nos camarotes, onde eles curtem a festa e os próprios clubs os deixam de manhã novamente no aeroporto. Chique, hein).

A ilha onde Ibiza se localiza é chamada de Baleares e é bem grandinha. O ideal é alugar um carro para conhecer toda a extensão dela. Uma boa dica é conhecer o Dalt Vila, onde fica a catedral, e o Castelo de Ibiza, no alto de uma colina, de onde pode-se ver quase toda Ibiza e conhecer como foi a história da ilha e as invasões que lá ocorreram. Por lá está a catedral de Ibiza, a Igreja de Sant Rafael, o Edifício Las Boas e o Problado Fenicio.

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Castelo de Ibiza
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Vista de Ibiza

Ibiza tem uma parte mais badalada que atrai muitos turistas por sua vida noturna. Nas praças, crianças que estão aprendendo a andar ainda já dançam música eletrônica.

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Porto de Ibiza

Ao Oeste da ilha, está a Cova de Can Marçà, aninhada em um penhasco no porto de San Miguel de Balansat. Esta foi utilizada pelos contrabandistas para esconder suas mercadorias no século passado. Nela, existem formações de estalagmites, estalactites, colunas e lagos subterrâneos sucessivos de cor verde-esmeralda. O principal destaque da Cova de Can Marçà é a cascata, uma cortina de água que cai levemente dos níveis superiores da caverna até as profundezas escuras abaixo. A cachoeira é iluminada por luzes coloridas. Os efeitos de som contribuem para o clima hipnotizador do local. Sem contar a vista que a mesma possui, frente ao mar Mediterrâneo.

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Lagoas coloridas
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Vista do Mediterrâneo

Todas as praias são muito belas, mas destacam-se a Cala Benirras (oeste da ilha), Cala Comte (costa oeste), Cala Es Bol Nou (costa sul) e Cala Salada (costa norte da ilha).

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Cala Benir
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Cala Comte
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Cala Es Bol Nou

Essa é uma viagem que você deve fazer para curtir todas as facetas da ilha!

Agenda Cultural

Hoje é quinta-feira e aqui no Blog da Immagine você vai conhecer a programação cultural da região. Essa semana tá mais tranquila, mas já adiantamos um dos eventos mais legais do ano que acontecem semana que vem… Vem com a gente!

Programação do Cinema Premier / LEM

De 25 a 31 de agosto

Filme: Pet’s – A vida secreta dos bichos (3D)

Horário: 17:30 e 19:30

“Max é um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua querida dona traz para casa um novo cão chamado Duke, Max não gosta nada, já que seus privilégios parecem ter acabado. Mas logo eles vão ter que pôr as divergências de lado quando um incidente coloca os dois na mira da carrocinha. Enquanto tentam fugir, os animais da vizinhança se reúnem para o resgate e uma gangue de bichos que moram nos esgotos se mete no caminho da dupla”. 

Filme: Esquadrão Suicida (3D)

Horário: 21:30

Após a aparição do Superman, a agente Amanda Waller (Viola Davis) está convencida que o governo americano precisa ter sua própria equipe de metahumanos, para combater possíveis ameaças. Para tanto ela cria o projeto do Esquadrão Suicida, onde perigosos vilões encarcerados são obrigados a executar missões a mando do governo. Caso sejam bem-sucedidos, eles têm suas penas abreviadas em 10 anos. Caso contrário, simplesmente morrem. O grupo é autorizado pelo governo após o súbito ataque de Magia (Cara Delevingne), uma das “convocadas” por Amanda, que se volta contra ela. Desta forma, Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach) são convocados para a missão. Paralelamente, o Coringa (Jared Leto) aproveita a oportunidade para tentar resgatar o amor de sua vida: Arlequina.”

QUINTA-FEIRA
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Sertanejo Acústico com Lílian Vilassa

Quinta, 25 de agosto

Onde: Espetinho do Japão

Onde fica: Rua São Francisco, Mimoso I, LEM

SEXTA-FEIRA

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Evento: Inauguração Buteco da Viola com João Pedro e Nando & Lucas

Sexta, 26 de agosto

Onde: Buteco da Viola

Onde fica: Rua Pará, Centro, LEM (antigo Espetinho do Gaúcho)

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Noite do Rock com Rafael Gomes

Sexta, 26 de agosto

Onde: Picanha na Chapa

Onde fica: Rua Paraná, 418, Centro, LEM

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Show com Bosco Fernandes

Sexta, 26 de agosto

Onde: Trapiche

Onde fica: Rua Amazonas, Barreirinhas, Barreiras

SÁBADO

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Coquetel Fit com a nutri Deize Bettanin & Aulão Funcional

Sábado, 27 de agosto

Onde: Studio Core

Onde fica: Rua 13 de maio, 190, Jardim Paraíso, LEM

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Festa G Prime com DJ Wesley Souzza

Sábado, 27 de agosto

Onde: Studio Mariana

Onde fica: Próximo à Magnum, na rua da Tratomec, Barreiras

DIA 27

Evento: Dance of Days com Amor Fati, Mucambo Beats, Fugitivos da Matriz e Vomitos Punk

Sábado, 27 de agosto

Onde: Boteco Crioula

Onde fica: Rua Dudú Coité, nº6/8 – Jardim Ouro Branco, Barreiras

DOMINGO

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Rock com Rafael Gomes

Domingo, 28 de agosto

Onde: Casa do Rio

Onde fica: Barreiras

E semana que vem…

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Um festival alternativo no Trapiche, point mais cultural de Barreiras, com seis atrações musicais, exposição e feirinha com livros, vinis, t-shirts, moda e muito mais!

 

 

 

VIAGEM | A pitoresca e fantasmagórica Edimburgo

Olá pessoal, tranquilidade? Depois dos posts sobre Cartagena (AQUI e AQUI), iremos um pouquinho mais longe. Sairemos da América e partiremos para a capital da Escócia, Edimburgo.

Sabe aqueles filmes góticos de suspense e terror, tipo Sherlock Holmes, Frankenstein e O Médico e o Monstro, onde tudo é sombrio e nebuloso, com umas ruelas bem estreitas? Edimburgo é assim.0

Por isso, é considerada a cidade mais mal assombrada da Europa. Ela é a fria capital escocesa, fundada em 1492, onde as temperaturas, no verão, não passam de 20° C. A mesma está localizada sobre um escorrimento vulcânico e no seu topo encontra-se o Castelo de Edimburgo.

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O medieval Castelo de Edimburgo é o principal atrativo da cidade e está localizado bem no topo de um vulcão inativo, no centro da antiga cidade. Neste gigante castelo encontram-se as joias da coroa escocesa, salões gigantes onde pode-se empunhar uma espada medieval (como em Game of Thrones).2

No castelo é possível sentir-se um prisioneiro do rei, observar o maior canhão medieval (que pesa “apenas” 6 toneladas), ver os memoriais de guerra, com várias peças capturadas dos alemãs e japoneses durante a II Guerra Mundial, além de curtir o disparo do one o´clock gun, um canhão que dispara todos os dias às 13h e que norteava os navios quanto ao horário correto. No dia que visitei o castelo também houve um casamento típico escocês, bem interessante.

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Casamento escocês no castelo

Indo pela Castle Hill, a principal rua da cidade e onde a maioria dos pontos turísticos estão, pode-se visitar o Scotch Whisky Experience, a câmera obscura (são 5 andares cheios de espelhos que provocam várias ilusões), comprar um Kilt (aquela roupa escocesa, com um espécie de saia), fazer uma boa refeição ou descansar (uma boa opção é entrar na fenomenal e histórica St. Gilles Catedral, de estilo gótico).

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Descendo pela Castle Hill ao peculiar som das gaitas de fole.
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St. Gilles Catedral

Outro lugar bem interessante para observar a cidade do alto é a Carlton Hill, com seu Nelson Monument e o National Monument, os quais lembram os da acrópole, de Atenas.5

Vale a pena conhecer o Palácio de Holyroodhouse, um palácio fundado inicialmente como um mosteiro, por David I da Escócia, em 1128, que serviu como principal residência dos reis e das rainhas da Escócia desde o século XV. E quem gosta de museus, existem o Scottish National Gallery e mais afastado do centro, o HMY Britânia, um antigo iate real da Família real britânica, em especial, da Rainha Elizabeth II.

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Quem gosta de Harry Potter, não pode perder o The Elephant House, café da Rua George IV Bridge, onde Rowling escreveu boa parte dos livros da série (incluindo o primeiro) enquanto sua filha dormia ao seu lado em um carrinho de bebês. 

Dica: Para comer, vale saborear o delicioso sanduíche típico de carne de porco, na Grassmarker, uma pracinha charmosa cheia de bons pub’s e restaurantes e uma feirinha nos fins de semana.

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Ao lado, em uma antiga igreja gótica, está o bar Frankenstein Edimburgo, com sua famosa cadeira de choque elétrico. Encontrei por ali a mulher com mais piercings do mundo, pelo Guiness Book, Elaine Davidson.

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Como Edimburgo é uma cidade conhecida pelos seus túneis subterrâneos e pelos cemitérios mal-assombrados, vamos ao que interessa, ou seja, os passeios nestes lugares. Existem vários, todos oferecidos na Hight Street (perto do Castelo). O Edinburgh Dungeon é um teatro que conta como era a vida medieval na cidade, como o esgoto era jogado pelas janelas e como a peste assolava a cidade, além de explicar como os cadáveres eram roubados para o estudo da medicina.

O Mercat Tour é a operadora que tem como ponto de encontro a câmara secreta, monumento onde as pessoas eram julgadas, torturadas e mortas (as marcas dos chicotes permanecem ainda por ali), em plena  praça da Catedral St. Gilles8

O passeio segue por túneis subterrâneos cheios de histórias fantasmagóricas e finaliza no cemitério Greyfriars Kirkyard. Desde o início da visitação pública ao cemitério, surgiram os mais diversos relatos, que vão da sensação de calor ou frio, até os traumas por arranhões e socos. Foi ali que o cão Bobby ficou sobre o túmulo de seu dono, John Gray, até morrer. Neste cemitério está também o famoso túmulo do “Poltergeist Mackenzie”, o mais assombrado da Europa.

Nesse cemitério ainda há várias lápides com grades na sua superfície, que foram colocadas ali para que os corpos não fossem roubados para estudo de medicina, nos séculos XVIII e XIX. E existe uma ala fechada para visitação normal, com vários acontecimentos paranormais, onde somente a operadora City of the Dead Tours possui acesso (chegando nesta ala às 24h de uma noite nebulosa).

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Enfim, a cidade é história medieval pura, sem precisar ficar debruçado por sobre livros.

Take care, people. E até o próximo post.