Drive

Uma das melhores e mais rápidas leituras que fiz esse ano, “Drive”, de James Sallis, é um prato cheio para amantes de histórias sobre crimes, ambientes sujos, personagens enigmáticos e carros, muitos carros. O Piloto, personagem principal cujo nome nunca é revelado, é o centro da história.

Ele, que costuma dizer que “apenas dirige”, é o melhor no que faz. Durante o dia, trabalha como dublê de filmes. À noite, faz serviços fora da lei. E ele deixa bem claro que sua única função é conduzir o veículo até o local, esperar o ato e fugir dali. Só que tudo desanda quando um dos assaltos não ocorre como esperado e, a partir daí, a trama gira em torno do Piloto tentando salvar a sua própria vida.

Seguindo uma linha do tempo não-linear, a estrutura pode deixar o desenrolar dos acontecimentos meio confuso a princípio, sendo necessário retornar algumas páginas em certos momentos para compreender melhor em qual parte do tempo determinado capítulo está. Porém, isso não atrapalha o entendimento da história. E alguns deles centram-se em outros personagens, como o Doutor e o vilão, Bernie Gold, o que deixa o livro ainda mais interessante.

O texto possui um vocabulário bem coloquial, cheio de gírias, palavrões e um humor negro bastante refinado. Os locais são bem detalhados, e o leitor, de certa forma, entra no ambiente. E por se tratar de relações entre personagens cujas atitudes são bem questionáveis, o teor de algumas cenas é de bastante violência.

Assim como o livro que falei sobre no último texto, “Drive” também ganhou uma adaptação (bem elogiada e vencedora de prêmios, por sinal) para os cinemas. Ryan Gosling fez o papel do Piloto e, apesar de achá-lo um bom ator, sua atuação não me convenceu e as mudanças da adaptação em relação ao livro me incomodaram. Entretanto, a película é de uma fotografia e direção impecáveis, lembrando muito a estética de filmes noir.

Falando em modo particular, até tento, não consigo desassociar a obra literária da cinematográfica. Logo, o filme não é tão brilhante quanto o livro. Se o leitor consegue fazer tal distinção, os dois serão de todo agrado.

Boneco de Neve

Nem Michael Fassbender conseguiu salvar a bomba que é o filme “Boneco de Neve”, baseado no ótimo livro do norueguês Jon Nesbo.

A obra impressa, que é narrada em terceira pessoa e alterna capítulos passados no presente e alguns flashbacks, conta a história de Harry Hole, um dos melhores (se não o melhor) detetives da polícia norueguesa e único do país a capturar um serial killer (isso na Austrália, se a memória não estiver falha) e Katrine Bratt, sua nova parceira de investigação, na busca ao chamado “Boneco de Neve”, suspeito de ser o primeiro serial killer a atuar na Noruega.

O livro surpreende com uma exuberante riqueza em detalhes, personagens muito bem desenvolvidos e momentos de pura tensão, enquanto o filme peca ao conduzir a história de forma rasa e simplória, deixando de lado o suspense (praticamente inexistente) e adotando uma forma mais direta em desenrolar os acontecimentos.

“Boneco de Neve” foi a terceira aventura que fiz no campo da literatura policial e, por coincidência, todas foram adaptadas ao cinema. Porém, ao contrário de “Boneco de Neve”, as outras duas histórias foram muito bem contadas na sétima arte.

Uma delas é “O Colecionador de Ossos”, onde acompanhamos Lincoln Rhyme, um brilhante investigador cuja carreira é interrompida após um acidente que o deixa tetraplégico. Porém, com a mente ainda funcionando, ele utiliza todo o seu conhecimento e percepção na busca pelo assassino que está assustando a população com métodos não-convencionais para levar suas vítimas à morte, tendo como base a Nova York do início do século 20. O filme baseado no livro tem a presença de Denzel Washington e Angelina Jolie nos papéis principais e é muito bom.

A outra é nada menos que “O Silêncio dos Inocentes”, um clássico absoluto do cinema. Aqui temos Clarice Starling, uma ainda novata do FBI que, a partir de conversas com o psiquiatra/psicopata Dr. Hannibal Lecter, investiga pistas para encontrar Buffalo Bill, um serial killer que esfola mulheres e as despeja em rios por vários estados diferentes. A atuação magistral de Anthony Hopkins como Lecter tornou o vilão um ícone da cultura pop.

É certo assumir certa injustiça ao exigir que um filme de duas horas consiga extrair por completo um tijolo de 418 páginas, mas o diretor Tomas Alfredson poderia, sim, ter contado a história de forma mais fiel e intensa quanto o livro, assim como os diretores de “O Colecionador de Ossos” e “O Silêncio dos Inocentes” fizeram. Decorrer uma investigação de modo tão raso e monótono foi como derreter o próprio boneco antes mesmo que ele tivesse alguma forma.

Os três livros eu encontrei na Americanas de LEM e todos com um ótimo preço, numa época em que a loja não estava infestada de livros de auto-ajuda e “biografias” de youtubers. Já os filmes, digamos que utilizei formas “alternativas” para assisti-los.

Oficina: Do hábito da leitura à escrita criativa

Agosto começará com uma oportunidade imperdível para os amantes da escrita em Luís Eduardo Magalhães. Na quarta-feira, dia primeiro de agosto, véspera de feriado, o jornalista, escritor e colunista do blog, Anton Roos, ministrará a oficina “Do hábito da leitura à escrita criativa: primeiros passos” a partir das 18h45 na sede da agência.

“Sempre fui um entusiasta da arte, já tive banda de rock, aceitei o desafio de participar de um curta-metragem e há quatro anos mergulhei na literatura, publiquei livros e participei de algumas coletâneas. É a primeira vez que retorno pra LEM desde que me mudei, então, nada mais justo que além de rever os velhos amigos, oportunize esse espaço para debater a escrita, a literatura e o hábito de ler”, diz Anton que há quatro anos escreve para o blog.

Na região oeste, Anton foi repórter e editor do jornal Classe A e da extinta Revista A, além de ter atuado com Assessoria de Imprensa nos setores público e privado. Em 2014, lançou seu primeiro livro de crônicas “A gaveta do alfaiate”. Na segunda Mostra de Moda Arte e Decoração (MMAD), em 2015, lançou o segundo livro, “A revolta dos pequenos gauleses”. Mudou-se para o Rio Grande do Sul no final de 2016. É autor ainda do romance “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo”. Participou da antologia “Fragmentos”, toda ela feita por autores de LEM e da coletânea “A natureza das coisas breves”, lançada em outubro de 2017 em São Paulo. Recentemente, no último dia 23, participou do lançamento da coletânea “Contos de Mochila”, pela editora Metamorfose de Porto Alegre/RS.

Após ter participado de oficinas com autores como Marcelino Freire, Daniel Galera e Natália Borges Pollesso, Anton acredita que o ato de escrever por ser traduzido de muitas maneiras. “Há quem diga que escrever é uma atividade solitária e também há quem defenda que escrever seja, tão-somente, resultado do duo: talento e inspiração. Independente de qual teoria se adotar para definir o ato da escrita, é preciso sempre, levar em conta a importância do aprendizado, da prática e, claro, do hábito da leitura”, resume.

A oficina terá duração de aproximadamente 2h30. Na programação, dicas de escrita, além de abordagens sobre gênero, estilo, criatividade, e alguns exercícios, tanto de escrita, quanto de leitura. As vagas são limitadas e o custo de participação é de R$ 20. Reservas e mais informações pelo whatsapp  (77) 9 9971-7341.

 

O QUÊ: Oficina “Do hábito da leitura à escrita criativa: primeiros passos”

QUANDO: Quarta-feira, 1º de agosto

HORÁRIO: Das 18h45 às 21h

ONDE: Sede da Agência Immagine, bairro Jardim Paraíso

Livro do mês: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Talvez esse seja o primeiro romance adulto que eu li e, por não ser tão escancarado, tenha me ganhado. É bastante descritivo (o que me incomoda um pouco), mas construído brasileiramente, onde os personagens podem ser facilmente criados na nossa imaginação.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios
Autor: Marçal Aquino
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005
Páginas: 232

O livro conta a história de um triângulo amoroso formado por Cauby, Lavínia e Ernani. O primeiro, um fotógrafo que chega numa cidade nova e conhece Lavínia, a mulher mais linda que talvez ele já tenha visto. Lavínia era “casada” com Ernani, pastor da igreja evangélica que sabia da vida quente e atribulada da garota, mas que fazia vista grossa para todos os seus efeitos.

Ela, que possui um passado mergulhado nos problemas familiares, nas drogas e na prostituição, encontra abrigo nos braços de Ernani, mas busca paixão nos braços de Cauby. Embora isso pareça apenas um livro de traição, o enredo vai muito mais a fundo, pois nele podemos encontrar poesia, mesmo que não feita em estrofes. Lavínia é a própria, com duas pernas, um corpo esguio e duas personalidades: contamos também com Shirley, a personalidade esvoaçante de uma mulher segura de si e determinada a ponto de cegar quem estiver pela frente. Lavínia é Lavínia, mas gosta de ser Shirley nas horas vagas.

No filme, Lavínia é interpretada por Camila Pitanga

Para deixar o livro mais poético, Aquino fez questão de incorporar à trama um elemento chave interessantíssimo: um livro de um terapeuta que fala sobre amores, suas dores, consequências e teorias. Não demora muito para que sejamos capazes de encaixar alguma frase em nossas vidas, já que somos humanos e sentimos tal e qual Cauby. Enquanto o livro se dá, percebemos que existe um passeio pelo passado, o que explica muitas das ações dos 3 personagens centrais.

Página que inicia o livro

O enredo é fluído, leve, e o livro não é muito grande. A história é escrita com uma linguagem moderna, que não coloca obstáculo algum ao seu entendimento.

Se você quiser ler, é mais fácil encontra-lo para download na internet, pois as versões físicas estão sempre esgotadas ou em falta nos sites. Já sabe, né? Se precisar, só me chamar! 😉

Mulheres na literatura: 5 livros para ler em 2018

O dia internacional da mulher está chegando. Algumas livrarias virtuais já anunciaram que vão fazer promoção para a data e eu acho muito digno que nós pensemos em dar uma chance para mulheres escritoras.

Graças ao bom Deus nós, mulheres, não precisamos mais sofrer quando queremos ser pessoas normais. Você já ouviu sobre as histórias antigas de mulheres que queriam apenas estudar e não podiam, tenho certeza. Hoje, eu jornalista, posso escrever, estudar e ser tão bem sucedida quanto ou até mais que um homem. E isso, meus amigos, é sensacional. Espero que cada vez mais possamos ver mulheres fazendo sucesso e ocupando postos que até ontem eram ocupados majoritariamente por homens.

E como eu falei ali em cima, vamos aproveitar que alguns sites irão fazer promoções com descontos interessantes e aumentar a listinha de leitura de 2018? Desta vez separei livros escritos por mulheres.

  • Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex

Não sei se você já ouviu falar no famoso caso do “manicômio” de Barbacena, cidade localizada em Minas Gerais. Esse livro fala sobre isso. É um livro-reportagem (meus preferidos) que retrata a história do Hospital Colônia de Barbacena, onde cerca de 60 mil pessoas morreram no século 20. Conta histórias, investiga o passado e relembra os horrores vividos pelos pacientes que, em sua maioria, sequer apresentavam problemas mentais. É um livro forte.

  • O Sol é para Todos – Harper Lee

É considerado um clássico da literatura mundial e aborda questões como injustiça e racismo, narrando a história de um advogado que precisa defender um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. O livro é narrado por Scout, filha do advogado, que retrata as represálias sofridas pelo pai na sociedade racista de 1930.

  • Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

É um livro de poesia moderno, mas totalmente atemporal. A autora é indiana e tem como temática a sobrevivência, onde seus poemas retratam experiências de abuso, amor (inclusive o próprio) e a perda feminilidade. Ficou por mais de 40 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times. Apesar de não ser um dos meus preferidos – quem me conhece sabe que não suporto poesia -, reconheço que é um livro necessário principalmente para aquelas pessoas que precisam se lembrar de como é o amor próprio.

  • A Guerra Não Tem Rosto de Mulher – Svetlana Alexijevich

Svetlana foi a primeira bielorussa a receber o Prêmio Nobel e destaca que mesmo que as mulheres estejam na linha de frente, elas são inviabilizadas nas histórias de guerra. No livro a autora reconstrói conflitos da Segunda Guerra Mundial a partir da perspectiva das combatentes soviéticas – que eram mais de 1 milhão no Exército Vermelho.

  • A Vida que Ninguém Vê – Eliane Brum

Sou suspeita para falar de Elianinha. No livro, a autora é uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoas que não são celebridades. As crônicas reunidas na obra eram publicadas no final dos anos 90 no jornal Zero Hora, e agora emocionam os leitores pela sensibilidade de Brum.

Estes foram alguns títulos que podem te ajudar a sair da zona de conforto ou até mesmo a conhecer um pouco mais da literatura criada pelas mãos de mulheres. Existem outros nomes que merecem atenção, como:

– Elena Ferrante, Fernanda Torres, Cora Coralina, Lygia Fagundes Telles, Lena Dunham, Margaret Atwood, Alice Munro, Hilda Hist.

Já sabe, né? Se ler algum desses ou se tem alguma dica nova para compartilhar, chama nos comentários! Vamos prestigiar as mulheres desse mundo!

Livro digital: como surgiu a minha história de amor com o Kindle

Houve um tempo em que eu torcia o nariz para os famigerados e-books. Tempo não muito distante de hoje, inclusive. Sempre fui do tipo de gente que leva pelo menos um livro na bolsa, seja lá para onde for: fila do banco, sala de espera do médico, entrevista de emprego, natal com a família (sim, eu já fiz isso); e isso acabou moldando fortemente a minha preferência pela leitura.

Acontece que de uns tempos para cá, o mundo tem voltado seus olhos à tecnologia. Os e-books, livros digitais, PDFs, ou como você queira chamar, vieram para ficar e, até que provem o contrário, podem ter o mesmo encanto que aquele livro físico que você tanto ama. Digo isso porque sou suspeita e: me rendi ao Kindle!

 

Finalmente essa relação está acontecendo e nós dois, eu e ele, travamos uma amizade sincera. Muitos arquivos, muitos livros e uma interação que você não vê há muito tempo está rolando por aqui. Eu, singela leitora de páginas amareladas, decidi dar uma chance ao leitor digital e posso jurar de pés juntos que não me arrependo.

E se é lista de motivos para ter um Kindle que você quer, é lista que vai ter:

  • Espaço

Se você sofre com falta de espaço em casa, o Kindle é uma ótima opção, pois vai te privar do fato de acumular muitos livros em caixas ou sobre mesas e escrivaninhas. Cada Kindle possui pelo menos 4gb de memória interna e nele é possível carregar muitos livros sem sentir nadinha de peso.

  • Preço

Hoje é possível encontrar o Kindle em suas versões mais simples a partir de R$190,00; o que, se colocarmos na ponta do lápis, acaba sendo revertido em pouco mais do que 6 ou 7 livros físicos. A diferença é que, com o Kindle, você gasta esse dinheiro e depois passa a “economizar”, já que muitos livros digitais acabam sendo mais baratos que os físicos.

  • Interatividade

Muitas vezes a gente lê um livro com uma linguagem um pouco mais distante do nosso cotidiano e sempre ficam algumas dúvidas de vocabulário para trás. Eu, por exemplo, nunca lembrava de pesquisar as palavras anotadas no dicionário. Com o Kindle dá para fazer isso em um clique, sem precisar ao menos sair da página de leitura. O aparelho tem dicionários integrados ao seu sistema de busca, que te dão significados prontos em questão de segundos.

(Foto: Juliana Cirqueira)

 

  • Manuseio

Já tentou carregar para cima e para baixo um calhamaço de 1000 páginas ou mais? Lota a bolsa, faz as costas doerem, o próprio livro pode ficar estragado ou com marcas de uso. No Kindle é muito mais fácil ler livros longos e pesados sem sacrifício.

  • Ler sem esforço

Existem versões que possuem ajuste automático de iluminação integrado, mas também existem versões mais simples e que, mesmo assim, dão conta do recado. A luz do Kindle imita direitinho a luminosidade e a textura de uma página de papel, fazendo com que os olhos não se cansem.

Esses foram apenas alguns motivos simples e que você com certeza vai perceber logo de cara caso resolva comprar um Kindle também. No momento tenho usado muito o meu, e estou lendo “O Conto da Aia”, obra de Margareth Atwood e livro inspiração do seriado The Handmaid’s Tale, que até já falei sobre aqui no blog.

Eu não defendo que os livros físicos devam acabar, porque foram com eles que as minhas experiências de leitura começaram e, inclusive, ainda compro muitos e não pretendo parar. Mas o mundo felizmente muda, e se o Kindle é uma ferramenta que pode melhorar e até mesmo aumentar nossos hábitos de leitura, por que não dar uma chance?

Bora ler pelo menos um livro por mês comigo? Sempre publico sobre minhas leituras nas mídias sociais e você pode me encontrar no Instagram: @evenvendramini.

 

 

3 livros para ler e refletir sobre a vida

Antes de qualquer coisa, quero dizer que foi bastante difícil reduzir esta lista à 3 títulos. Acumuladora que sou, tenho livros demais, e sou uma das pessoas mais indecisas do mundo, até mesmo no momento de escolher o que ler/assistir/ouvir. Mas independente do fato de ter muita coisa nas estantes, posso afirmar que alguns títulos se sobressaem.

Existem livros que nos fazem descansar a mente, enquanto outros nos fazem trabalhar ainda mais os neurônios. Alguns nos instigam a pensar e até mesmo a querer sermos melhores como ser humano; outros nos alertam sobre assuntos muitas vezes esquecidos por nós no dia a dia. Hoje escolhi 3 títulos que nos fazem pensar (e muito, na verdade). Vamos à lista!

  • Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

Obra que também possui uma produção cinematográfica e que dispensa maiores apresentações por conta do fator Saramago, não é mesmo? No livro, um homem é acometido à condição de cegueira repentinamente, mas não uma cegueira comum; aconteceu como se uma lente branca fosse colocada em seus olhos. Esse foi o primeiro caso da epidemia de cegueira branca que se espalharia gradativamente por todo o país.

A medida que os governantes tomavam conhecimento da “treva branca”, eles direcionavam todos os contaminados a um local de isolamento, onde eram obrigados a viver em conjunto, sem enxergarem e com pouquíssimos recursos. Apenas uma mulher ficou ilesa à cegueira, e ela ocupa um lugar bastante importante na narrativa, pelo fato de ter olhos quando os outros os perderam.

Conforme a trama se desenrola, conseguimos perceber que as pessoas não perdem os hábitos e nem mesmo seus pudores, já que em dados momentos onde trocam suas roupas, sentem-se envergonhados frente aos companheiros de isolamento. São assuntos que nos fazem repensar como vivemos, o que fazemos e que para onde iremos. O instinto de sobrevivência é algo fortemente abordado na obra, quando vemos o que as pessoas são capazes de fazer para continuarem vivendo; assim como a ganância pelo poder e pelo controle.

Afinal, quem somos? Saramago mostra com maestria que somos, no fundo, nada. O dinheiro não resolve tudo e todos vão para o mesmo lugar no fim das contas.

  • Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

Perturbador, sem um pingo de terror. É assim que este livro é. Conta a história de Kevin, uma criança muito difícil de lidar e até mesmo de ser dominada. Na trama, são contados todos os problemas de Kevin com sua família, onde descobrimos que ele não era uma criança amada pela mãe, que tinha uma dificuldade imensa para criar laços com a criança.

Kevin possuía qualidades especiais e causava problemas com muita facilidade, o que faz com que muitos leitores lidem com a personagem de maneira equivocada. Existem os que o veem como monstro, e existem aqueles que  entendem porque seus pensamentos são de tal maneira.

É um livro para se pensar, acima de tudo. Mas é preciso ter uma certa coragem e até mesmo um bom embasamento e estabilidade emocional para a leitura, já que a obra traz à tona muitos questionamentos familiares e até mesmo psicológicos. Um livro que retrata a maldade fria, cruel e calculista. Uma maldade que muitos de nós não acreditam existir por medo de acreditar que ela exista.

  • Extraordinário – RJ Palácio

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética que lhe deixou algumas sequelas. Com os problemas causados pela síndrome, Auggie precisou passar por diversas cirurgias e algumas complicações médicas e, por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade.

A iniciação de crianças na escola já não é algo muito fácil, pois acontece uma quebra de hábitos bastante intensa. E na condição de Auggie, com um rosto tão diferente, prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, o menino tem uma missão nada fácil pela frente: convencer seus colegas de que, apesar de sua aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

A autora criou uma história repleta de amor e esperança, onde um grupo de pessoas tenta espalhar compaixão, aceitação e gentileza. O livro é narrado da perspectiva de Auggie em boa parte, o que o torna mais emocionante ainda, e também por seus familiares e amigos. Contém momentos extremamente comoventes e alguns outros até mesmo descontraídos.

É um livro que consegue nos fazer refletir sobre a maneira como tratamos as pessoas e qual a importância que damos à nossa família e amigos. É forte, comovente e, sem dúvida alguma, vai tocar o leitor da melhor maneira possível. Ah, e vai virar filme em breve, fique de olho!

Indico fortemente a leitura destes 3 títulos. Tenho certeza de que muitas pessoas gostaram! Se quiser saber mais opiniões sobre o que eu costumo ler, acompanhe minhas redes sociais!

Instagram: @evenvendramini
Skoob: Even Vendramini

Dia da Criatividade: o que te inspira?

Hoje, 17 de novembro, é comemorado o Dia da Criatividade. E nós escolhemos falar sobre essa data porque vivemos em busca de inspirações.

Consideramos a criatividade uma aptidão para inventar ou criar coisas novas. E costumamos dizer que uma pessoa criativa é inovadora e possui ideias originais (mesmo que seja tão difícil fugir do original hoje em dia). Estas características podem se revelar em várias áreas diferentes, como a música, pintura, escrita, etc. Mas em alguns casos, como o nosso, a criatividade é um elemento essencial. Convivemos com ela e às vezes temos alguns problemas e divergências, mas logo fazemos as pazes.

É muito difícil definir com exatidão o que é ser criativo ou ter criatividade. Isso porque cada um tem uma maneira de perceber sua criatividade e sim, todos possuem essa habilidade. E, ao contrário do que muitos pensam, a criatividade não é um dom. Ela é uma habilidade que pode ser exercitada e melhorada, se houver determinação.

Sempre vemos muitas dicas para melhorar a capacidade de criar coisas novas, mas algumas vezes não conseguimos encaixá-las na nossa realidade. Isto porque o autoconhecimento é essencial para que consigamos exercer a criatividade e de nada vai adiantar tantas dicas sem que você se entenda e perceba como deve fazer.

Se você quiser conhecer um pouco mais de nossas experiências com a criatividade, fique com a gente até o fim do post!

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Como ser criativo quando a criatividade é necessária?

A necessidade é relativa. Geralmente buscamos trabalhar com algo que gostamos, para tornar os dias bem diferentes de uma obrigação. Acreditamos que a “não obrigação” torne a criatividade mais leve e a afaste da posição de fardo.

Dávila Kess: O mais legal é quando a necessidade se torna algo que somos apaixonados. Se você escolher uma profissão onde existe amor do acordar ao findar do dia e brilho nos olhos (até pelos problemas), a criatividade se torna uma questão de busca. Todos nascemos com doses de criatividade. Uns com doses extras, mas na maioria das situações tudo é uma questão de busca de referências. Estar interessado em obter novos olhares torna a necessidade uma grande satisfação. E aí tudo flui livremente.

Mônica Zanotto: É preciso buscar ferramentas que nos auxiliem no processo de criação: referências, cultura, conhecimento. É mais difícil ser criativo quando não se sabe nada sobre o assunto em questão.

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Como podemos aproveitar os erros no processo criativo?

Erros fazem parte da nossa vida, sempre, em qualquer cenário que estejamos inseridos. Quando nos propomos a criar algo, seja do zero ou não, precisamos ter o conhecimento de que erros poderão surgir. E aí temos duas opções: bater na tecla de que nossa ideia está certa (mesmo sabendo que não) ou admitir que erramos e tentar reverter a situação.

Tirar o aprendizado de um erro faz parte da capacidade de inovar. A inovação é o braço direito da criatividade.

Dávila: A criação tem várias faces e, no começo, você tem apenas uma ideia bruta que precisa de lapidação. Para entender a necessidade do meu cliente, por exemplo, preciso me despir dos meus conceitos e criar de acordo com as necessidades dele. O erro, em muitas situações, vem do desconhecimento íntimo das necessidades do outro. Errar é conhecer e isso faz parte do processo de criação

Errar é humano, mas devemos fazer do erro algo que nos traga um ensinamento.

Como lidar com bloqueios criativos?

Aqueles momentos terríveis onde você precisa escrever um texto de duas páginas e ainda não conseguiu sair das 10 primeiras linhas em 3 dias de trabalho árduo… Existe algo de errado, não? Nosso cérebro às vezes nos dá sinais de que o momento não é propício para criar algo. Talvez você precise de um tempo, para clarear as ideias e, quem sabe, conseguir inspirações. Mas em algum momento esse bloqueio criativo tem que acabar, não é?

Dávila: Devemos pensar fora da caixa, criando situações que nos façam sair da rotina do pensamento. Vale viajar, rir, pensar como uma criança, trabalhar num Café, conversar um pouco, observar pessoas e comportamentos e até mesmo descansar. As pausas também são necessárias para a criatividade. Dormir bem, se alimentar com saúde, se exercitar… a somatória desses fatores também vão te deixar bem distante de qualquer bloqueio

Mônica: O primeiro passo é: pare de fazer o que estiver fazendo e vá tomar um café! É preciso levar a mente para outro lugar, focar em outras coisas. Alimente-a!

A propósito, o café é uma grande amigo nosso. Todos os dias, pelo menos uma xícara, caso contrário o dia não é o mesmo. Pergunte aos seus amigos que trabalham com Comunicação, eles provavelmente serão amantes da bebida também.

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Como a criatividade pode nos ajudar no dia a dia?

De várias maneiras. A criatividade inspira autoestima, confiança, gera mais sorrisos e até mesmo consegue deixar nosso dia com mais ânimo. Faça o teste! Inicie o seu dia fazendo aquilo que você mais gosta e observe como a criatividade provavelmente vai fluir de maneiras mais leve.

Mônica: Se você alimenta seu “eu criativo”, vai conseguir pensar em soluções melhores para tudo. Ser criativo não vale apenas para artistas. Criar não deve ser levado em conta apenas no sentido da arte. Também podemos incluir a criação de estratégias e soluções. A criatividade facilita nossa vida.

 

O que nos inspira?

É chegado o momento em que indicamos aquilo que nos faz bem e nos mantém inspirados. Lembrando que isso não é uma regra. Existem músicas, livros, filmes e ‘otras cosita más’ que ajudam demais no nosso momento criativo. Queremos dividir tudo com vocês!

Dávila: A música é algo que está diretamente ligado ao meu processo criativo. Quando a demanda cerebral está muito alta, gosto de ouvir música calma para buscar inspiração. Tenho uma playlist no Spotify que se chama BE INSPIRED  e por lá juntei muita coisa que me desperta sensações maravilhosas, inclusive a criatividade.

Gosto de ler de tudo, mas adoro me inspirar na natureza. Estou sempre de olho em livros de fotografia do Ruy Rezende. Sempre compartilho meu tempo de leitura com livros relacionados ao trabalho e outros que não possuem nada a ver. Acho que o cérebro gosta desse tipo de estímulos de descompressão.

*

Mônica: A música me inspira, mas não tenho uma específica para isso. Gosto muito de livros e vou indicar alguns que também podem te ajudar:

Redação Publicitária – a prática na prática (Zeca Martins): é um livro com muitos exercícios que sempre me fez pensar fora da caixa. Releio sempre que posso!

Fundamentos da Publicidade Criativa: (este ainda quero ler)

Um Chute na Rotina (Roger Von Oech): tem foco no processo criativo através de quatro personagens – o explorador, o artista, o juiz e o guerreiro;

Os filmes que me inspiram não falam de criatividade, mas de personagens. Filmes como O Fabuloso Destino de Amelie Poulain ou documentários sobre grandes personagens do mundo todo são inspiradores!

Jornalista lança novo livro em formato digital e com tiragem impressa limitada

O jornalista Anton Roos disponibilizou desde o início deste mês de novembro seu primeiro romance para donwload no site da Amazon. O livro que leva o nome de Quando os pelos do rosto roçam no umbigo é o terceiro lançado pelo autor. Os outros dois são “A gaveta do alfaiate”, de 2014 e “A revolta dos pequenos gauleses”, de 2015. Uma pré-venda da versão impressa está em andamento até o próximo dia 23 de novembro.

“A ideia é priorizar as pessoas que realmente tiverem interesse em adquirir a obra. Em dezembro, com os livros em mãos, quem fez o pedido será contatado para receber seu exemplar”, conta o autor. O livro físico terá um custo de R$ 25, os interessados devem entrar em contato com o autor por e-mail (antonroos@gmail.com) ou através do Whatsapp pelo número 77 99971 7341. “Se alguém tiver alguma dúvida sobre como proceder não hesite me procurar, tanto por e-mail, Whatsapp ou mesmo via chat do Facebook”, complementa.

Embora Quando os pelos do rosto roçam no umbigo fale sobre o amor, o autor explica que o leitor não irá encontrar nas páginas do livro o amor clichê de pares perfeitos ou caras metade, mas, aquele amor que se vive, se sente, mas muitas vezes não se pode compartilhar. “O personagem principal do livro, é um homem que carrega em si um fardo e uma carga afetiva muito grande. Alguém que com certeza, muitas vezes, cruza por nós no dia-a-dia, mas que nunca temos oportunidade de saber sobre sua história de vida” diz Anton, revelando que o livro começou a ser escrito há dois anos. “Em linhas gerais, esse é um livro que trata da solidão e das inúmeras perdas e desilusões as quais estamos submetidos na vida”, pontua.

SINOPSE do livro:

“Prestes a completar quarenta anos, Andrei é um homem solitário, atormentado pelo fantasma de seu primeiro casamento e pelo fim de um conturbado relacionamento com uma mulher bem mais jovem. Desiludido e sem esperanças, adquire um estranho objeto para ajuda-lo com a mais importante e radical decisão de toda sua vida. Porém, após visitar uma casa de prostituição, conhece uma garota de programa chamada Bruna, e, aos poucos, a sucessão de erros cometidos por ele no passado e suas pretensões de futuro deixam de fazer sentido, fazendo com que sua vida ganhe novos contornos. Quando os pelos do rosto roçam no umbigo, primeiro romance do jornalista Anton Roos, é um livro sobre o amor não compartilhado. A perda, a desistência e a solidão”.

O AUTOR:

antoncapa

“Jornalista, pós-graduado em Jornalismo Digital pela PUCRS. Autor da compilação de crônicas A gaveta do alfaiate (2014) e do livro de contos A revolta dos pequenos gauleses (2015), foi um dos autores selecionados para integrar o Mapa da Palavra.BA, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT). Estreou na ficção com o conto “Adolfo”, na antologia Fragmentos (2015). É fã do trio canadense Rush, futebol americano e admirador inveterado de mulheres de óculos. Quando os pelos do rosto roçam no umbigo é seu primeiro romance”

Link para a versão digital: http://migre.me/vrS7Z

Link para mais informações sobre a pré-venda da tiragem impressa limitada: http://migre.me/vrS9m

Contatos:
E-mail: antonroos@gmail.com
Whatsapp: 77 99971 7341

Literatura Nacional: os escritores do nosso Brasil

O dia 29 de outubro é conhecido como o Dia Nacional do Livro e aproveitamos a data para falarmos sobre o que nosso país e região tem de melhor.

As bibliotecas vendem livros de todos os tipos, mas os best-sellers da literatura estrangeira ainda são os mais procurados. É aí que paramos para perceber como ainda deixamos de valorizar os escritores nacionais que tanto lutam tanto pelo seu reconhecimento.

Pensando nos escritores do nosso Brasil, conversamos com dois deles, que reúnem talento, experiência e um jeitinho característico de escrever. André Timm e Anton Roos nos concederam entrevistas falando sobre a escrita, suas obras, o futuro dos livros impressos, livros escritos por Youtubers e até mesmo sobre eventos de incentivo à leitura, como a Bienal do Livro.

Vamos conferir?

André Timm

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André Timm é natural de Porto Alegre e, segundo ele mesmo, teve seu início na vida de escritor um pouco tarde, com 22 anos. Além de ser escritor, ele também trabalha na área de Branding como redator e estratégia de marcas. Recebeu Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura e foi selecionado para integrar a revista de Machado de Assis, uma publicação da Biblioteca Nacional que tem como objetivo divulgar autores brasileiros para o mercado editorial internacional. Em 2015 também foi finalista do Concurso Brasil em Prosa, da Amazon, com o conto Sonífera Ilha. André também é editor do site 2 mil Toques, que mostra rotinas e processos envolvidos na produção de escritores.

Quando perguntado sobre suas obras, André expõe sua vasta coleção de títulos:

Insônia (Design Editora, 2011), meu livro de estreia, traz uma série de contos que se passam em um mesmo edifício, cada um deles em apartamentos diferentes. Insônia recebeu Menção Honrosa no Prêmio
SESC de Literatura e foi selecionado para integrar a revista Machado de Assis, uma publicação da Biblioteca Nacional que tem como objetivo divulgar autores brasileiros para o mercado editorial internacional.

Com o conto Camaradinha (2014), participei do seleto projeto Formas Breves, idealizado por Carlos Henrique Schroeder e pelo selo e-Galáxia.

Meu conto Sonífera Ilha (2015) ficou entre os 20 finalistas (de 6.500 inscritos), da primeira edição do concurso Brasil em Prosa, da Amazon.

Em Cobain (2015), uma parceria junto com outros 24 autores, lançamos essa antologia cujo objetivo era prestar uma homenagem ao álbum Nevermind através de contos inspirados em canções do Nirvana. Para tanto, foram convidados 25 autores contemporâneos fãs da banda.

E por fim, o romance que acabo de terminar, Modos Inacabados de Morrer (2016), com lançamento marcado para dezembro, foi vencedor da maratona literária da editora carioca Oito e Meio. O livro narra a história de Santiago, um homem que sofre de uma doença chamada narcolepsia, que em condições severas, como a do protagonista, faz com que a pessoa caia em sono profundo imediatamente, contra a própria vontade, independente de local ou hora. A narrativa mostra sua infância, com a descoberta da doença e, depois, sua vida adulta, momento em que certos mistérios ocorridos anteriormente são revelados”.

Anton Roos

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Anton Roos é jornalista e pós-graduado em Jornalismo Digital pela PUCRS. É um dos autores de Luís Eduardo Magalhães e de toda região oeste inclusos no Mapa da Palavra, idealizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT) e Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Para se ter uma ideia, da cidade, foram apenas dois autores selecionados. É também colunista quinzenal do blog, com crônicas inteligentes e inspiradoras. “Tenho 37 anos, moro sozinho, sou fã inveterado da banda canadense Rush. Apaixonado por mulheres de óculos. Tímido. Difícil. Geminiano”, como ele mesmo diz.

Ele afirma que começou sem querer sua vida de escritor. “Trabalhava em um jornal da cidade (LEM), assinava uma coluna de opinião semanal, depois quinzenal. Lembro que muitas pessoas, amigos e leitores do jornal, falavam que eu devia publicar essas crônicas em livro. A ideia amadureceu e daí surgiu meu primeiro livro e estreia no universo literário. Logo depois, desafiado, escrevi meu primeiro conto ficcional e aos poucos iniciei o processo de escrita do meu primeiro romance. Nesse meio tempo, escrevi e publiquei em formato e-book outros contos”, conta.

E quando perguntado sobre suas obras, Anton também tem uma vasta lista a citar:

A gaveta do alfaiate (2014), compilação de crônicas publicadas em jornais e revistas da região e que para o livro, ganharam uma nova roupagem.

A revolta dos pequenos gauleses (2015), livro que reúne seis contos ficcionais, lançado em formato pocket book. O diferencial dessa obra é que nenhum personagem desses contos tem nome.

Quando os pelos do rosto roçam no umbigo (2016), ainda em fase de pré-venda da versão digital e que terá uma versão limitada em formato físico até o final do ano. É meu primeiro romance.

Fragmentos (2015), antologia de autores de Luís Eduardo Magalhães que participo com um conto “Adolfo” e três crônicas.

Em formato e-book lancei e continuam disponíveis para download na Amazon os contos VarejeiraEu bandido, Você nuaMaquete, além de um conto na coletânea Então é Natal

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Nós conversamos um pouquinho com os dois para entender assuntos que sempre estão na boca do povo. Agora você pode conferir o que cada um deles pensa sobre cada um desses temas. Vamos lá?

A evolução dos formatos de livros para e-book é prejudicial para escritores? 

André vê com bons olhos o advento dos e-books e acredita que isso tenha seus prós e contras. “A vantagem do e-book é a rapidez e a acessibilidade. (…) O livro convencional tem suas vantagens: não quebra, não fica sem bateria. Além, é claro, do fetiche das benesses voltadas aos sentidos: o cheiro, o toque no papel, o peso. Dito isso, vejo ambos coexistindo  por muito tempo”, disse.

Anton acredita que, mesmo sendo algo natural em se tratando de tecnologia, é difícil afirmar se haverá ou não uma extinção do livro em formato de papel. “Para os escritores o universo virtual possibilitou que mais obras fossem publicadas e alcançassem um número maior de pessoas. No fundo, acaba tendo seus prós e contras. Na minha opinião, mesmo num futuro razoavelmente distante, continuará havendo espaço para ambos os formatos”, disse.

E os Youtubers? Como lidar com o sucesso repentino das figuras da internet?

André Timm foi objetivo quanto à sua resposta: “Cada caso é um caso. Mas quando os livros são ruins (e parece-me que em grande parte dos casos, são), os Youtubers prestam um desserviço à literatura, não apenas em razão do conteúdo questionável, mas porque, ao se aproveitar da audiência que têm na Internet, acabam criando condições de competição que são desiguais. Com toda a atenção das editoras, visto que esses fenômenos da internet são minas de fazer dinheiro, eles contam com grandes verbas de divulgação, destaques em ilhas e gôndolas de livrarias e assim por diante. Além disso, muitas vezes eles nem mesmo escrevem seus livros. Recorrem à uma prática que no meio editorial se chama gostwriting, que é basicamente quando alguém escreve o livro por você. Ou seja, em muitos casos, o cruzamento entre youtubers e literatura não passa de um engodo para ganhar dinheiro”.

Anton bate na tecla de que nada substitui o talento. “Os youtubers são um produto da internet, dessa tentativa de inovação constante e intrínseca do ser humano. No entanto, são pessoas vistas por centenas, talvez milhares de outras pessoas e por isso, com uma voz ativa muito forte, principalmente em relação a um público mais jovem. Agora, esses youtubers não estariam lançando livros se as editoras não estivessem investindo nessa fatia de mercado. Eu acredito e espero que esse sucesso atual seja algo passageiro”, conta.

Como é o mercado literário atual? É difícil conseguir “um lugar ao sol” em meio a tantos bons escritores?

André acredita firmemente que não é das coisas mais fáceis de se conseguir. “É difícil. E com o advento de fenômenos como a auto publicação e os youtubers, está ainda mais difícil se destacar. Todos os dias as editoras recebem pilhas de originais para avaliação. Penso que nesses tempos, o escritor precisa ser inteligente e inventar seus próprios métodos, caso contrário, se ficar esperando pelos meios convencionais, vai se frustrar. Buscar construir algum tipo de reputação e audiência na internet, através de atuações ou projetos relevantes, pode ser uma boa alternativa. Concursos literários também podem ser uma forma de se destacar. Se você não tem um contato quente, dentro de alguma editora, que fará seu original furar a fila das avaliações, é fundamental pensar em suas próprias estratégias”.

Anton diz que talvez o maior problema hoje não seja nem a qualidade, mas sim a quantidade. É muita gente escrevendo, publicando e disponibilizando suas obras na internet e em formato físico de maneira independente. É claro que não tem como diminuir a culpa das editoras por não haver um maior investimento em autores novos. Mas é preciso convir que vender livro no Brasil é uma tarefa difícil. Lê-se pouco, não há incentivo a leitura nas escolas. As crianças hoje nascem praticamente atualizando seus perfis no instagram ou publicando vídeos no snapchat. A velocidade da informação é maior e por conta disso tudo se torna mais ágil que a desculpa da falta de tempo para leitura se torna usual. Algo já fincado no cotidiano e no imaginário coletivo. Por outro lado, é importante que se tenha em mente que escrever é uma tarefa que exige muita dedicação e estudo. É preciso escrever e estar aberto a todo tipo de crítica. A partir do momento que um conteúdo seu se torna público, seja em formato digital ou impresso, você está passível de opiniões, as mais divergentes possíveis. Nem todo escritor está preparado para isso. O segredo talvez seja justamente não desistir. Escrever, publicar, saber absorver todo naipe de opiniões e buscar sempre o seu crescimento. Talvez o “lugar ao sol” não se traduza em milhões de livros vendidos, mas num grupo fiel de leitores que farão contagem regressiva quando uma nova obra sua estiver em vias de ser lançada”, acredita o escritor.

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E como disse nosso escritor favorito, mr. Roos, “todo e qualquer evento literário é importante”, não poderíamos deixar de citar que está acontecendo a III Bienal do Livro em Brasília, no espaço do Estádio Mané Garrincha. O evento se estende até o dia 30, domingo, e tem entrada franca. Na edição atual, serão recebidos mais de 200 escritores e promovidos seminários, debates, lançamentos, palestras e shows musicais. Se você tiver de bobeira em Brasília, não deixe de aproveitar.

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Eventos como a Bienal do Livro são importantes incentivadores da leitura e também da valorização de escritores nacionais. Muitos profissionais tem experiências ótimas participando das Bienais (que ocorrem no país todo). Esta edição acontece em Brasília e foi iniciada no dia 21 de outubro.

Anton afirma que Luís Eduardo Magalhães deveria ter um evento semelhante. “Barreiras, ainda que com inúmeras falhas, realizou eventos voltados à literatura, com razoável sucesso. No entanto, em paralelo a realização de bienais e feiras do livro é imprescindível que os governos apostem, cada vez mais, em políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura. E não só governos, mas a iniciativa privada e nós enquanto cidadãos. Não adianta apenas disponibilizar um espaço com um monte de livros, batizar de biblioteca, mas nunca, jamais incentivar as pessoas o hábito da leitura ou oferecer algo que sirva de incentivo para que crianças, adolescentes e adultos comecem a ler. Quantas pessoas a nossa volta nunca pegaram um livro para ler? Aliás, quantos livros você leu esse ano? A literatura vai se desenvolver ao passo que conseguirmos criar novos leitores. Ler precisa deixar de ser uma obrigação escolar para se tornar um hábito, um exercício diário. Esse é o grande e maior desafio, que precisa fazer parte da Bienal do Livro em Brasília, da conversa em família na hora do jantar e dentro da sala de aula”, acredita ele.

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E já que estamos falando de livros, que tal conferir algumas indicações de obras nacionais? Melhor ainda, as dicas vieram de quem entende intimamente do assunto.

Indicações do André:

  • Um silêncio avassalador – Lucas Barroso
  • Rebentar – Rafael Gallo
  • A instrução da noite – Maurício de Almeida
  • Os abraços perdidos – João Chiodini
  • Amoras – Natália Borges Polesso
  • As Fantasias Eletivas – Carlos Henrique Schoroeder

Indicações do Anton:

  • Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera
  • Abusado – Caco Barcelos
  • Rota 66 – Caco Barcelos
  • Garrincha – Ruy Castro
  • Anjo Pornográfico – Ruy Castro

Que este texto, as indicações dos autores e suas próprias obras possam ter inspirado você a ler um pouco mais. Aproveite as nossas dicas e se jogue na literatura este final de semana!