3 livros para ler e refletir sobre a vida

Antes de qualquer coisa, quero dizer que foi bastante difícil reduzir esta lista à 3 títulos. Acumuladora que sou, tenho livros demais, e sou uma das pessoas mais indecisas do mundo, até mesmo no momento de escolher o que ler/assistir/ouvir. Mas independente do fato de ter muita coisa nas estantes, posso afirmar que alguns títulos se sobressaem.

Existem livros que nos fazem descansar a mente, enquanto outros nos fazem trabalhar ainda mais os neurônios. Alguns nos instigam a pensar e até mesmo a querer sermos melhores como ser humano; outros nos alertam sobre assuntos muitas vezes esquecidos por nós no dia a dia. Hoje escolhi 3 títulos que nos fazem pensar (e muito, na verdade). Vamos à lista!

  • Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

Obra que também possui uma produção cinematográfica e que dispensa maiores apresentações por conta do fator Saramago, não é mesmo? No livro, um homem é acometido à condição de cegueira repentinamente, mas não uma cegueira comum; aconteceu como se uma lente branca fosse colocada em seus olhos. Esse foi o primeiro caso da epidemia de cegueira branca que se espalharia gradativamente por todo o país.

A medida que os governantes tomavam conhecimento da “treva branca”, eles direcionavam todos os contaminados a um local de isolamento, onde eram obrigados a viver em conjunto, sem enxergarem e com pouquíssimos recursos. Apenas uma mulher ficou ilesa à cegueira, e ela ocupa um lugar bastante importante na narrativa, pelo fato de ter olhos quando os outros os perderam.

Conforme a trama se desenrola, conseguimos perceber que as pessoas não perdem os hábitos e nem mesmo seus pudores, já que em dados momentos onde trocam suas roupas, sentem-se envergonhados frente aos companheiros de isolamento. São assuntos que nos fazem repensar como vivemos, o que fazemos e que para onde iremos. O instinto de sobrevivência é algo fortemente abordado na obra, quando vemos o que as pessoas são capazes de fazer para continuarem vivendo; assim como a ganância pelo poder e pelo controle.

Afinal, quem somos? Saramago mostra com maestria que somos, no fundo, nada. O dinheiro não resolve tudo e todos vão para o mesmo lugar no fim das contas.

  • Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

Perturbador, sem um pingo de terror. É assim que este livro é. Conta a história de Kevin, uma criança muito difícil de lidar e até mesmo de ser dominada. Na trama, são contados todos os problemas de Kevin com sua família, onde descobrimos que ele não era uma criança amada pela mãe, que tinha uma dificuldade imensa para criar laços com a criança.

Kevin possuía qualidades especiais e causava problemas com muita facilidade, o que faz com que muitos leitores lidem com a personagem de maneira equivocada. Existem os que o veem como monstro, e existem aqueles que  entendem porque seus pensamentos são de tal maneira.

É um livro para se pensar, acima de tudo. Mas é preciso ter uma certa coragem e até mesmo um bom embasamento e estabilidade emocional para a leitura, já que a obra traz à tona muitos questionamentos familiares e até mesmo psicológicos. Um livro que retrata a maldade fria, cruel e calculista. Uma maldade que muitos de nós não acreditam existir por medo de acreditar que ela exista.

  • Extraordinário – RJ Palácio

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética que lhe deixou algumas sequelas. Com os problemas causados pela síndrome, Auggie precisou passar por diversas cirurgias e algumas complicações médicas e, por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade.

A iniciação de crianças na escola já não é algo muito fácil, pois acontece uma quebra de hábitos bastante intensa. E na condição de Auggie, com um rosto tão diferente, prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, o menino tem uma missão nada fácil pela frente: convencer seus colegas de que, apesar de sua aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

A autora criou uma história repleta de amor e esperança, onde um grupo de pessoas tenta espalhar compaixão, aceitação e gentileza. O livro é narrado da perspectiva de Auggie em boa parte, o que o torna mais emocionante ainda, e também por seus familiares e amigos. Contém momentos extremamente comoventes e alguns outros até mesmo descontraídos.

É um livro que consegue nos fazer refletir sobre a maneira como tratamos as pessoas e qual a importância que damos à nossa família e amigos. É forte, comovente e, sem dúvida alguma, vai tocar o leitor da melhor maneira possível. Ah, e vai virar filme em breve, fique de olho!

Indico fortemente a leitura destes 3 títulos. Tenho certeza de que muitas pessoas gostaram! Se quiser saber mais opiniões sobre o que eu costumo ler, acompanhe minhas redes sociais!

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Skoob: Even Vendramini

Literatura Nacional: os escritores do nosso Brasil

O dia 29 de outubro é conhecido como o Dia Nacional do Livro e aproveitamos a data para falarmos sobre o que nosso país e região tem de melhor.

As bibliotecas vendem livros de todos os tipos, mas os best-sellers da literatura estrangeira ainda são os mais procurados. É aí que paramos para perceber como ainda deixamos de valorizar os escritores nacionais que tanto lutam tanto pelo seu reconhecimento.

Pensando nos escritores do nosso Brasil, conversamos com dois deles, que reúnem talento, experiência e um jeitinho característico de escrever. André Timm e Anton Roos nos concederam entrevistas falando sobre a escrita, suas obras, o futuro dos livros impressos, livros escritos por Youtubers e até mesmo sobre eventos de incentivo à leitura, como a Bienal do Livro.

Vamos conferir?

André Timm

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André Timm é natural de Porto Alegre e, segundo ele mesmo, teve seu início na vida de escritor um pouco tarde, com 22 anos. Além de ser escritor, ele também trabalha na área de Branding como redator e estratégia de marcas. Recebeu Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura e foi selecionado para integrar a revista de Machado de Assis, uma publicação da Biblioteca Nacional que tem como objetivo divulgar autores brasileiros para o mercado editorial internacional. Em 2015 também foi finalista do Concurso Brasil em Prosa, da Amazon, com o conto Sonífera Ilha. André também é editor do site 2 mil Toques, que mostra rotinas e processos envolvidos na produção de escritores.

Quando perguntado sobre suas obras, André expõe sua vasta coleção de títulos:

Insônia (Design Editora, 2011), meu livro de estreia, traz uma série de contos que se passam em um mesmo edifício, cada um deles em apartamentos diferentes. Insônia recebeu Menção Honrosa no Prêmio
SESC de Literatura e foi selecionado para integrar a revista Machado de Assis, uma publicação da Biblioteca Nacional que tem como objetivo divulgar autores brasileiros para o mercado editorial internacional.

Com o conto Camaradinha (2014), participei do seleto projeto Formas Breves, idealizado por Carlos Henrique Schroeder e pelo selo e-Galáxia.

Meu conto Sonífera Ilha (2015) ficou entre os 20 finalistas (de 6.500 inscritos), da primeira edição do concurso Brasil em Prosa, da Amazon.

Em Cobain (2015), uma parceria junto com outros 24 autores, lançamos essa antologia cujo objetivo era prestar uma homenagem ao álbum Nevermind através de contos inspirados em canções do Nirvana. Para tanto, foram convidados 25 autores contemporâneos fãs da banda.

E por fim, o romance que acabo de terminar, Modos Inacabados de Morrer (2016), com lançamento marcado para dezembro, foi vencedor da maratona literária da editora carioca Oito e Meio. O livro narra a história de Santiago, um homem que sofre de uma doença chamada narcolepsia, que em condições severas, como a do protagonista, faz com que a pessoa caia em sono profundo imediatamente, contra a própria vontade, independente de local ou hora. A narrativa mostra sua infância, com a descoberta da doença e, depois, sua vida adulta, momento em que certos mistérios ocorridos anteriormente são revelados”.

Anton Roos

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Anton Roos é jornalista e pós-graduado em Jornalismo Digital pela PUCRS. É um dos autores de Luís Eduardo Magalhães e de toda região oeste inclusos no Mapa da Palavra, idealizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT) e Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Para se ter uma ideia, da cidade, foram apenas dois autores selecionados. É também colunista quinzenal do blog, com crônicas inteligentes e inspiradoras. “Tenho 37 anos, moro sozinho, sou fã inveterado da banda canadense Rush. Apaixonado por mulheres de óculos. Tímido. Difícil. Geminiano”, como ele mesmo diz.

Ele afirma que começou sem querer sua vida de escritor. “Trabalhava em um jornal da cidade (LEM), assinava uma coluna de opinião semanal, depois quinzenal. Lembro que muitas pessoas, amigos e leitores do jornal, falavam que eu devia publicar essas crônicas em livro. A ideia amadureceu e daí surgiu meu primeiro livro e estreia no universo literário. Logo depois, desafiado, escrevi meu primeiro conto ficcional e aos poucos iniciei o processo de escrita do meu primeiro romance. Nesse meio tempo, escrevi e publiquei em formato e-book outros contos”, conta.

E quando perguntado sobre suas obras, Anton também tem uma vasta lista a citar:

A gaveta do alfaiate (2014), compilação de crônicas publicadas em jornais e revistas da região e que para o livro, ganharam uma nova roupagem.

A revolta dos pequenos gauleses (2015), livro que reúne seis contos ficcionais, lançado em formato pocket book. O diferencial dessa obra é que nenhum personagem desses contos tem nome.

Quando os pelos do rosto roçam no umbigo (2016), ainda em fase de pré-venda da versão digital e que terá uma versão limitada em formato físico até o final do ano. É meu primeiro romance.

Fragmentos (2015), antologia de autores de Luís Eduardo Magalhães que participo com um conto “Adolfo” e três crônicas.

Em formato e-book lancei e continuam disponíveis para download na Amazon os contos VarejeiraEu bandido, Você nuaMaquete, além de um conto na coletânea Então é Natal

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Nós conversamos um pouquinho com os dois para entender assuntos que sempre estão na boca do povo. Agora você pode conferir o que cada um deles pensa sobre cada um desses temas. Vamos lá?

A evolução dos formatos de livros para e-book é prejudicial para escritores? 

André vê com bons olhos o advento dos e-books e acredita que isso tenha seus prós e contras. “A vantagem do e-book é a rapidez e a acessibilidade. (…) O livro convencional tem suas vantagens: não quebra, não fica sem bateria. Além, é claro, do fetiche das benesses voltadas aos sentidos: o cheiro, o toque no papel, o peso. Dito isso, vejo ambos coexistindo  por muito tempo”, disse.

Anton acredita que, mesmo sendo algo natural em se tratando de tecnologia, é difícil afirmar se haverá ou não uma extinção do livro em formato de papel. “Para os escritores o universo virtual possibilitou que mais obras fossem publicadas e alcançassem um número maior de pessoas. No fundo, acaba tendo seus prós e contras. Na minha opinião, mesmo num futuro razoavelmente distante, continuará havendo espaço para ambos os formatos”, disse.

E os Youtubers? Como lidar com o sucesso repentino das figuras da internet?

André Timm foi objetivo quanto à sua resposta: “Cada caso é um caso. Mas quando os livros são ruins (e parece-me que em grande parte dos casos, são), os Youtubers prestam um desserviço à literatura, não apenas em razão do conteúdo questionável, mas porque, ao se aproveitar da audiência que têm na Internet, acabam criando condições de competição que são desiguais. Com toda a atenção das editoras, visto que esses fenômenos da internet são minas de fazer dinheiro, eles contam com grandes verbas de divulgação, destaques em ilhas e gôndolas de livrarias e assim por diante. Além disso, muitas vezes eles nem mesmo escrevem seus livros. Recorrem à uma prática que no meio editorial se chama gostwriting, que é basicamente quando alguém escreve o livro por você. Ou seja, em muitos casos, o cruzamento entre youtubers e literatura não passa de um engodo para ganhar dinheiro”.

Anton bate na tecla de que nada substitui o talento. “Os youtubers são um produto da internet, dessa tentativa de inovação constante e intrínseca do ser humano. No entanto, são pessoas vistas por centenas, talvez milhares de outras pessoas e por isso, com uma voz ativa muito forte, principalmente em relação a um público mais jovem. Agora, esses youtubers não estariam lançando livros se as editoras não estivessem investindo nessa fatia de mercado. Eu acredito e espero que esse sucesso atual seja algo passageiro”, conta.

Como é o mercado literário atual? É difícil conseguir “um lugar ao sol” em meio a tantos bons escritores?

André acredita firmemente que não é das coisas mais fáceis de se conseguir. “É difícil. E com o advento de fenômenos como a auto publicação e os youtubers, está ainda mais difícil se destacar. Todos os dias as editoras recebem pilhas de originais para avaliação. Penso que nesses tempos, o escritor precisa ser inteligente e inventar seus próprios métodos, caso contrário, se ficar esperando pelos meios convencionais, vai se frustrar. Buscar construir algum tipo de reputação e audiência na internet, através de atuações ou projetos relevantes, pode ser uma boa alternativa. Concursos literários também podem ser uma forma de se destacar. Se você não tem um contato quente, dentro de alguma editora, que fará seu original furar a fila das avaliações, é fundamental pensar em suas próprias estratégias”.

Anton diz que talvez o maior problema hoje não seja nem a qualidade, mas sim a quantidade. É muita gente escrevendo, publicando e disponibilizando suas obras na internet e em formato físico de maneira independente. É claro que não tem como diminuir a culpa das editoras por não haver um maior investimento em autores novos. Mas é preciso convir que vender livro no Brasil é uma tarefa difícil. Lê-se pouco, não há incentivo a leitura nas escolas. As crianças hoje nascem praticamente atualizando seus perfis no instagram ou publicando vídeos no snapchat. A velocidade da informação é maior e por conta disso tudo se torna mais ágil que a desculpa da falta de tempo para leitura se torna usual. Algo já fincado no cotidiano e no imaginário coletivo. Por outro lado, é importante que se tenha em mente que escrever é uma tarefa que exige muita dedicação e estudo. É preciso escrever e estar aberto a todo tipo de crítica. A partir do momento que um conteúdo seu se torna público, seja em formato digital ou impresso, você está passível de opiniões, as mais divergentes possíveis. Nem todo escritor está preparado para isso. O segredo talvez seja justamente não desistir. Escrever, publicar, saber absorver todo naipe de opiniões e buscar sempre o seu crescimento. Talvez o “lugar ao sol” não se traduza em milhões de livros vendidos, mas num grupo fiel de leitores que farão contagem regressiva quando uma nova obra sua estiver em vias de ser lançada”, acredita o escritor.

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E como disse nosso escritor favorito, mr. Roos, “todo e qualquer evento literário é importante”, não poderíamos deixar de citar que está acontecendo a III Bienal do Livro em Brasília, no espaço do Estádio Mané Garrincha. O evento se estende até o dia 30, domingo, e tem entrada franca. Na edição atual, serão recebidos mais de 200 escritores e promovidos seminários, debates, lançamentos, palestras e shows musicais. Se você tiver de bobeira em Brasília, não deixe de aproveitar.

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Eventos como a Bienal do Livro são importantes incentivadores da leitura e também da valorização de escritores nacionais. Muitos profissionais tem experiências ótimas participando das Bienais (que ocorrem no país todo). Esta edição acontece em Brasília e foi iniciada no dia 21 de outubro.

Anton afirma que Luís Eduardo Magalhães deveria ter um evento semelhante. “Barreiras, ainda que com inúmeras falhas, realizou eventos voltados à literatura, com razoável sucesso. No entanto, em paralelo a realização de bienais e feiras do livro é imprescindível que os governos apostem, cada vez mais, em políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura. E não só governos, mas a iniciativa privada e nós enquanto cidadãos. Não adianta apenas disponibilizar um espaço com um monte de livros, batizar de biblioteca, mas nunca, jamais incentivar as pessoas o hábito da leitura ou oferecer algo que sirva de incentivo para que crianças, adolescentes e adultos comecem a ler. Quantas pessoas a nossa volta nunca pegaram um livro para ler? Aliás, quantos livros você leu esse ano? A literatura vai se desenvolver ao passo que conseguirmos criar novos leitores. Ler precisa deixar de ser uma obrigação escolar para se tornar um hábito, um exercício diário. Esse é o grande e maior desafio, que precisa fazer parte da Bienal do Livro em Brasília, da conversa em família na hora do jantar e dentro da sala de aula”, acredita ele.

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E já que estamos falando de livros, que tal conferir algumas indicações de obras nacionais? Melhor ainda, as dicas vieram de quem entende intimamente do assunto.

Indicações do André:

  • Um silêncio avassalador – Lucas Barroso
  • Rebentar – Rafael Gallo
  • A instrução da noite – Maurício de Almeida
  • Os abraços perdidos – João Chiodini
  • Amoras – Natália Borges Polesso
  • As Fantasias Eletivas – Carlos Henrique Schoroeder

Indicações do Anton:

  • Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera
  • Abusado – Caco Barcelos
  • Rota 66 – Caco Barcelos
  • Garrincha – Ruy Castro
  • Anjo Pornográfico – Ruy Castro

Que este texto, as indicações dos autores e suas próprias obras possam ter inspirado você a ler um pouco mais. Aproveite as nossas dicas e se jogue na literatura este final de semana!

“Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” | Anton Roos lança seu terceiro livro

E temos novidades do escritor mais charmoso de todo o oeste baiano (e colunista do Blog da Immagine)! Anton Roos está lançando seu terceiro livro, “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo”. A obra fala sobre o amor não compartilhado, a perda, a desistência e a solidão, com aquele jeitinho caraterístico com que Anton escreve.

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Capa do livro

O romance conta a história de Andrei, um homem solitário e atormentado pelo fantasma de seu primeiro casamento e pelo fim de um relacionamento conturbado com uma mulher mais jovem. Desiludido e sem esperanças, ele adquire um estranho objeto para ajuda-lo com a mais importante e radical decisão de toda sua vida. Porém, após visitar uma casa de prostituição, conhece uma garota de programa chamada Bruna, e, aos poucos, a sucessão de erros cometidos por ele no passado e suas pretensões de futuro deixam de fazer sentido, fazendo com que sua vida ganhe novos contornos.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que fizemos com Anton para descobrir um pouco mais sobre sua nova obra. E já pode escrever no caderninho: você vai ficar morrendo de vontade de ler o livro!

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Suas primeiras linhas foram escritas em 2014, como conta o próprio Anton. “As primeiras coisas que escrevi para esse livro, a princípio, tinham uma conotação quase autobiográfica, no entanto, logo percebi que a história precisava seguir seu próprio rumo”, conta o escritor. “À época foi algo que eu precisava extravasar tipo numa espécie de desabafo que, no meio da madrugada, a gente faz na frente do espelho depois de chegar bêbado em casa”, disse. Mesmo com o início levado para o lado autobiográfico, no momento certo tais características passaram a ser apenas inspiração.

O livro mescla personagens com sutis apropriações de algumas pessoas que fazem parte da vida do autor, o que é natural para Anton que acredita que a inspiração está e precisa estar em todo lugar.

Mesmo falando sobre o amor, “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” não trata de amores clichês, pares perfeitos ou caras metade. Anton conta que “o livro fala daquele amor que se vive, se sente, mas muitas vezes não se pode compartilhar. Aquela espécie de amor que te consome e te impede de seguir em frente”.

O terceiro livro de Anton Roos marca sua permanência na ficção, já que seu segundo livro, “A revolta dos pequenos gauleses”, foi seu primeiro passo no gênero. O primeiro livro, “A gaveta do alfaiate”, é uma coletânea de crônicas. O escritor acredita que se não fossem as duas obras anteriores, provavelmente este terceiro não existiria e fala, ainda, sobre a importância deste último. “Talvez por ser um romance, esse novo livro tenha um significado ainda mais especial. Foi um livro difícil de escrever. Acredito que como tudo na vida tem sua hora de ser, esta é a hora para esse livro”, conta Anton.

Em conversa sobre o mercado editorial brasileiro, Anton o analisa atualmente como seletivo, acirrado e controlado por uma minoria que geralmente define o que é bom e o que não é bom para chegar às prateleiras das principais livrarias.

O escritor participou de um concurso de uma editora de pequeno a médio porte do Rio de Janeiro que teve mais de 500 inscrições para seleção de duas obras. “Infelizmente, as editoras maiores apostam muito pouco em novos talentos. E ai se não houver um bom apadrinhamento as chances se reduzem ainda mais. Felizmente, existe um mercado alternativo muito forte e crescente, mantido por gente que ama a literatura e ainda consegue dar suporte para uma quantidade considerável de publicações”, conta.

Anton publicou seus dois primeiros livros apenas com o suporte técnico de edição feito por uma editora pequena sediada em Luís Eduardo Magalhães, mas os custos ficaram mesmo por sua conta. O autor contou seus planos para a terceira obra: “Para esse terceiro livro, nesse primeiro momento, o foco é o lançamento em formato digital e ocasionalmente, quem sabe, abrir espaço para uma tiragem limitada em formato físico”, conta.

Como comprar um exemplar de “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo”?

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Começou hoje, dia 13 de outubro, a pré-venda do livro em formato de E-book. Você pode adquirir seu exemplar inicialmente até o dia 29 de outubro, pelo site da Amazon e com preço promocional: https://goo.gl/VvlWgO

A ideia é lançar o livro também na versão impressa, mas ainda não há data confirmada para isso.

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Você se interessou pelo livro, pela pré-venda ou até mesmo pela ideia de uma tiragem impressa? Então você precisa acompanhar as novidades a respeito da nova obra de Anton Roos.

Que tal assistir ao próprio autor falando sobre “Quando os pelos do rosto roçam no umbigo” no Facebook? Ele estará ao vivo na fanpage da Immagine neste sábado, às 11h! Já marque na sua agenda e não perca o horário!

Live com Anton Roos na fanpage da Immagine
Dia: Sábado, 15 de outubro
Horário: 11h

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“Escrever é traduzir os detalhes da vida. Seduzir por meio de palavras. Preencher as lacunas, os vazios. Escrever é uma experiência sem igual, até mesmo difícil de descrever. Quando você escreve muito, você acaba se isolando em um universo todo seu. Único. Cheio de sonhos e aspirações. Escrever é viver. Tentar tornar a vida das outras pessoas menos estafante. Escrever é estar vivo. Respirando”. (Anton Roos)

MMAD 2016 | Oficina de Escrita Criativa com Anton Roos

Desde a primeira edição do MMAD, a literatura e o escritor Anton Roos andam lado a lado com o evento, rendendo ótimos momentos e muita inspiração compartilhada com outros escritores e apaixonados pela escrita.

No sábado, 23, o terceiro MMAD apresentará uma oficina de Escrita Criativa, ministrada pelo jornalista e escritor local e também colunista deste blog, o talentoso Anton Roos. A oficina/bate-papo está marcada para as 14h. “A ideia é falar um pouco sobre a arte de escrever bem, com abordagens que irão desde a escrita do dia a dia até a literatura”, explica Roos.

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Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Jornalismo Digital, Anton Roos é autor de dois livros: A gaveta do alfaiate (2014) e A revolta dos pequenos gauleses (2015), além de ter participado da antologia Fragmentos. O primeiro livro é uma coletânea de crônicas escritas no período em que o jornalista atuou no Jornal Classe A e Revista A e o segundo, uma coletânea de contos ficcionais, lançado em formato pocket book, durante a segunda edição do MMAD!

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“Claro que na oficina vamos aproveitar para falar um pouco sobre o processo criativo desses dois livros, minha experiência como cronista e como se deu minha entrada no mundo da ficção. Tenho certeza que todos que forem prestigiar não se arrependerão, afinal, falar de arte sempre rende bons momentos”, pontua o jornalista e escritor.

A oficina é direcionada para quem trabalha na área ou simplesmente gosta de escrever, quer aprender mais sobre o processo criativo da escrita, desde técnicas até o comportamento em frente à página em branco, e se inspirar com o bom exemplo do escritor.

OFICINA: Escrita Criativa

DATA E HORÁRIO: Sábado, 23 de julho, 14h

ONDE: MMAD, no Senar / Sindicato Rural de LEM

INSCRIÇÕES GRATUITAS: Pelo SITE ou pelo WhatsApp 77 9 9933.3055

E começou a FLIB – Feira Literária de Barreiras | Veja a programação

Alô apaixonados por literatura!

Começou ontem a FLIB – Festa Literária de Barreiras, parte da programação oficial do mês de aniversário da cidade. O show de abertura ficou por conta do talento do cantor Bosco Fernandes, que hoje, 19 de maio, comemora 50 anos de vida. A festa reúne autores, estudantes, professores e a comunidade local com uma diversificada programação musical, feira e lançamento de livros, artesanato, roda de conversas, debates, literatura e muito mais. É um evento para você ir com toda a família e se deixar encantar pelo maravilhoso mundo da literatura.

Segundo o site oficial do evento, AQUI, estão presentes na feira os autores Rui Rezende, Clebert Luiz, Roseane Muniz, Miriam Hermes, Solange Cunha, Ananda Lima, Alberto Mariani, Pádua, Pedro de Deus, Marilde Guedes, Celso, Roberto Sena, Ronaldo Sena, Luciana Roque, Irlã Rocha e Joaquim Reginaldo da Mata.

A programação da Flib se divide entre os espaços Tenda do Autor, Palco dos Artistas, Cinema Aberto (palco 1) e Flibinha. Entre os destaques há minicursos, aulão de literatura, oficinas, palestras, performances, lançamentos e muito mais. A programação completa você confere abaixo:

 QUINTA-FEIRACaptura de tela 2016-05-19 10.53.47

SEXTA-FEIRA

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SÁBADO

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DOMINGO

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A Flib está acontecendo no Parque de Exposições Engenheiro Geraldo Rocha e a entrada é gratuita. Também haverá lançamento de livros de novos e relançamento de algumas obras de escritores mais antigos. Ao todo são de cerca de 20 livros de autores da região. A exposição ficará aberta para o público até o dia 22 desse mês e depois os livros estarão expostos no Palácio das Artes.

Mais informações no site: http://festaliteraria.barreiras.ba.gov.br/

Aproveite a oportunidade e visite a FLIB!

Dia Mundial do Livro – Entrevista com Escritores

Já dizia Voltaire: “um livro aberto é um livro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído,um coração que chora“. Monteiro Lobato também disse que “um país se faz com homens e livros.” Como eles já afirmaram acima, é impossível negar a importância e o impacto que os livros têm na sociedade.

Livros têm o poder de mudar pensamentos, abrir a mente e interferir diretamente na formação do indivíduo. A literatura é cultura. Não importa o gênero, quando terminamos de ler um livro já não somos mais quem éramos antes, alguma coisa muda dentro de nós: uma ideia, uma opinião ou um novo aprendizado. Para aqueles que acham “chato” ler, o professor Pierluigi Piazzi dizia em suas palestras que “só obtém algo interessante da vida, da escola, do trabalho que lê muito e só lê muito quem lê por prazer.”

Em 1996, a UNESCO definiu o dia 23 de Abril como Dia do Livro e Dia do Direito ao Autor. Essa data também é bastante significativa por ser homenageado nela três dos maiores escritores de todos os tempos: nesse dia comemora-se o nascimento (1564) e a morte (1616) de William Shakespeare; a morte de Miguel de Cervantes e o nascimento de Vladimir Nabokov.

Como é impossível falar de livros sem falar dos autores que os escrevem, convidamos alguns representantes para uma entrevista especial no Dia do Livro! Conheçam nossos convidados e boa leitura:

Jader Pires (São Paulo), é escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.

Anton Roos (Luís Eduardo Magalhães) Jornalista e escritor, começou a escrever na adolescência e hoje é autor dos livros A gaveta do alfaiate (2014) e A revolta dos pequenos gauleses (2015). É também colunista aqui no blog onde escreve crônicas semanalmente.

Alec Silva (Luís Eduardo Magalhães), é começou a escrever motivado por Jurassic Park, mas o primeiro livro, Ariane, escrito em 2007, bebeu da lenda de Eros e Psiquê. Publicou Zarak, o Monstrinho em 2011, inaugurando o gênero autobiográfico fantástico e, em 2013, apresentou A Guerra dos Criativos.

 Baltazar de Andrade (Curitiba), nasceu com outro nome, mas acha Baltazar muito mais bonito. Criado nas imediações de Curitiba, cresceu rodeado pela coleção de livros do pai.  Metamorfose – O Inimigo Nas Sombras é seu primeiro livro. Paralelamente a série “Rastro Psíquico” está escrevendo o livro O Vidente de Aparelho Quebrado.
Amante inveterado da literatura nacional e criador relapso de idéias fugitivas.

Ricardo Haseo (Luís Eduardo Magalhães), é um leitor voraz, principalmente de horror, focando neste gênero para conceber seus trabalhos. Participou da coletânea Fragmentos (2015) estreando com o conto Imperdoável, em seguida publicou a noveleta O Último dos Dias. 

Como e quando iniciou seu interesse pela escrita?

Alec: Bem, não sei ao certo com que idade, mas sempre tive fascínio por letras, pelos símbolos que elas representam quando ainda não sabemos ler; quando aprendi a ler, algo me chamou tanto para a leitura quanto para a escrita, e quando dei por mim, em 2004, vendia livretos feitos a mão na escola e, em 2007, tinha escrito um livro com quase 100 folhas de sulfite, também a mão.

Anton: Minha relação com a escrita vem da infância. Creio que na adolescência isso se acentuou a partir de algumas boas influências e acabou por se consolidar com minha entrada para cursar jornalismo. Desde o primeiro dia na academia eu sabia que o que eu queria fazer era escrever.

Baltazar: Com o exemplo, meu pai não saía de casa sem algo pra ler, eu acabei pegando esse hábito. Desse vício moderado até a dose mais forte que é a escrita foi só um passo.

Jader: Foi algo tão orgânico que nem sei precisar. Mas buscando na memória, eu sempre fui de me meter com as artes. Tive banda quando era garoto, pichei muro, fiz grafitti, gostava de cantar, desenhar, assistir filme e desenho. Da música veio o gosto de botar palavras de um jeito bonito no papel. Poesia, cartinha para as namoradas, desejos, ficção. Cheguei aqui, nessa conversa contigo.

Ricardo: Quando criança, eu adorava criar minhas próprias brincadeiras, imaginava personagens e papéis. Na adolescência, não dava mais para ficar brincando com bonecos (risos), então desviei essa criatividade para o papel, primeiro com poemas, depois para pequenos contos.

O que te dá inspiração para escrever?

Alec: Uma música com uma letra legal, alguma coisa que leio numa revista, uma emoção ou um questionamento; qualquer coisa pode inspirar um conto, por exemplo. Mas, no geral, busco muita inspiração em mitologias, história antiga e simbologia, sobretudo porque escrevo histórias de teor fantástico.

Anton: Inspiração é algo bem subjetivo. Varia muito do meu humor, do momento que estou passando. Gosto das coisas do cotidiano, as miudezas desse universo real e fascinante dos seres humanos.

Baltazar: Só o vício me move, se eu ficar sem escrever por muito tempo ataco o vidrinho de Rivotril, então a inspiração é obrigada a aparecer.

Jader: Eu escrevo sobre o cotidiano. Um cara esperando para atravessar a rua e jogando seu cigarro no chão me dá motivos para escrever. O processo que fiz fui fazer do olhar, uma lente que vê beleza até no trivial e no sujo. O que me inspira é ver essa gostosura no que é bobo, ou seja, em todos nós.

Ricardo: Muitas coisas, desde filmes e livros a situações do cotidiano. Viver me dá inspiração, já que o mundo ao meu redor é vivo; na minha mente eu o distorço e o recrio sob uma nova ótica e ordem, depois é só passar para o papel. Meu gênero favorito é o horror, então creio que, entre todas as coisas, meus pesadelos sejam minha maior fonte de inspiração.

Você tem livros publicados?

Alec: Sim, tanto físicos quanto em e-books, que são em maior número.

Anton: Tenho dois livros publicados em formato físico: A gaveta do alfaiate (2014) e A revolta dos pequenos gauleses (2015). O primeiro é uma coletânea de crônicas e o segundo de contos ficcionais. Além destes, tenho um conto e três crônicas publicadas na antologia Fragmentos (2015), que reúne 100% de autores locais. Também participei de um e-book no final do ano passado com um conto chamado “Tapete de castanhas”, além das versões digitais dos contos “Maquete” e “Adolfo”, todas disponíveis na Amazon.

Baltazar: Só em e-book, um romance e uma porção de contos meia-boca.

Jader: Tenho o Ela Prefere As Uvas Verdes, meu primeiro livro de contos.

Ricardo: Tenho dois contos publicados, o primeiro se chama “Imperdoável”, publicado na coletânea “Fragmentos” (2015), que reúne contos, crônicas e poemas de autores locais; o segundo é “O Último dos Dias” (2015). Ambos possuem formato físico e digital, publicados pela EX! Editora Independente.

Quanto tempo levou para escrever seus livros e como foi a experiência? 

Alec: Depende muito o tempo de escrita; tem conto menor que 7 mil palavras que leva semana para ficar pronto; outros, com mais de 10 mil escrevi em quatro dias. Meu primeiro romance, em 2007, levei quatro meses; o mais demorado, que me exigiu pesquisas intensas acerca de física quântica, foi concluído em dois anos. E geralmente é divertido e enriquecedor, pois acabo aprendendo coisas no decorrer da escrita ou usando algo que sei e não teria muita utilidade no cotidiano em algum momento na história.

Anton: A gaveta do alfaiate estava praticamente escrito antes de sequer cogitar publica-lo. Tudo que fiz foi selecionar, revisar e dar uma nova roupagem para as crônicas escolhidas. Já no caso de A revolta dos pequenos gauleses, escrevi o conto que dá nome ao livro, a princípio para lança-lo isoladamente. Creio que demorei uns três meses pra finalizar esse material. Os demais contos do livro, escrevi no período em que o livro já estava começando a ser formatado. Para ambos livros, a experiência foi incrível. Primeiro, por ver um livro seu publicado, palpável. Segundo, por ter a oportunidade de descobrir na ficção um universo muito atraente e plenamente possível.

Baltazar: O romance, uma ficção científica, demorou sete meses pra ser escrito, sou uma tartaruga manca, escrevo bem devagar. Foi um laboratório, serviu para que eu pudesse obter certa maturidade quanto ao mercado

 Jader: Olha, acho que foram três meses para escrever o livro e mais uns três pra lapidar tudo, texto, revisão, capa, título. A experiência foi a mais deliciosa possível, finalmente botar em uma obra maior o meu esforço de contar histórias do cotidiano.

Ricardo: “Imperdoável” levou algumas semanas; já escrever “O Último dos Dias” foi uma experiência completamente diferente, levou cerca de oito meses desde o processo de escrita até revisão e publicação; foi um conto que me deixou orgulhoso, consegui transmitir nele todo meu estilo e formar meu perfil como escritor.

Quais são as dificuldades para que um autor consiga ter um espaço e ser conhecido no mercado literário brasileiro?

Alec: Falta incentivos de todos os lados, sobretudo do leitor, e arrisco até a dizer do leitor local, que parece ter receio ou preconceito quando descobre que o escritor é da cidade em que mora; mas isso aos poucos é trabalhado e acaba sendo derrubado. Há ainda o descaso do poder público, mas não entrarei muito nesse caminho. E para alcançar o mercado literário brasileiro, estar em livrarias, é preciso ter nome conhecido, e é difícil ter nome conhecido sem apoio ainda na base, quando estamos começando.

Anton: Tem vários fatores que dificultam. O primeiro deles é que naturalmente, em especial com a incursão cada vez mais assídua da tecnologia na vida das pessoas, o interesse pela leitura de livros impressos diminuiu. Isso, logicamente, acarretou em menos investimento na publicação de novos autores. As editoras, de um modo geral, tem apostado em autores que sejam certeza de bom retorno. Com isso, os autores iniciantes — que são muitos — pendem para a auto publicação e editoras menores, normalmente, bancando a maior parte dos seus livros.

Baltazar: Fica difícil numerar, tanto que nem gosto de falar das dificuldades. Se o autor for se importar com elas entra em depressão. Temos que vê-las apenas como degraus em um caminho de árduo aprendizado.

 Jader: São as mesmas de qualquer artista de qualquer vertente no Brasil que quer produzir mais arte que produtos culturais. É muito ruído e muita gente tentando para pouco público realmente engajado. O Brasil consome pouca cultura, infelizmente, o que impede, muitas vezes, que o cabra consiga simplesmente pagar suas contas com o que produz artísticamente. Não é nem ser famoso e rico. Só ter o mínimo. Mas a gente acorda, todos os dias, na luta. Eu tive a sorte de poder, hoje, sobreviver disso.

Ricardo: Dificuldades existem de sobra, desde conseguir uma editora de qualidade até ser publicado. A internet trouxe o advento das redes sociais, que possibilitaram os autores se divulgarem gratuitamente, e meios de publicação baratos e eficientes, como a Amazon. O grande problema é que há editoras de todas as formas, desde as picaretas até aquelas que querem realmente fazer um trabalho sério, mas acabam sendo esmagadas pelas “grandes”. Em meio a tanta competição, é quase impossível um autor conseguir um espaço significativo sem ajuda; contudo, há alguns que conseguem se sobressair e alcançar seu lugar ao sol, mas também há verdadeira joias literárias que ficam reservadas ao esquecimento.

 

Um livro nacional que você recomenda?

Alec: Há vários, mas citarei um que combina muito com o poder da leitura: “Livraria Limítrofe”, de Alfer Medeiros, um amigo e incentivador que me ajudou bastante quando eu estava amadurecendo a escrita.

Anton: Barba ensopada de sangue, Daniel Galera

Baltazar: Não há um livro em específico, mas indicaria todos do Samuel Cardeal, do Alfer Medeiros, Walter Tierno e vou parar por aqui pra não superlotar a lista.

Jader: Poxa, vou de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, do Raduan Nassar, e o clássico dos clássicos, Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa.

Ricardo: Não é preciso ir muito longe: Luís Eduardo Magalhães possui um acervo literário modesto, porém, precioso. “A Guerra dos Criativos” e “A Gaveta do Alfaiate” são leituras fascinantes, seja no campo da fantasia de Alec Silva ou no deleite das crônicas de Anton Roos.

Quais dicas você daria pra quem quer seguir a carreira de escritor?

Alec: Leia de tudo e muito, e não apenas o que você gosta. Escreva de tudo e muito, ou ao menos o suficiente para desenvolver sua escrita e seu estilo. Aceite conselhos, mas saiba recusá-los, aprenda com seus erros e os erros dos outros. E o mais importante: nunca aceite um elogio como uma verdade absoluta e nem uma crítica negativa como uma derrota definitiva; aprenda a extrair o melhor de cada momento.

Anton: Escreva. Não pare de escrever. Reescreva se for preciso. Não se desespere com as criticas. Elas viram e são necessárias para que você cresça como escritor. O mundo do escritor é muito solitário. Difícil. Você logo vai perceber que há pouca valorização, até mesmo de quem está próximo a você. Não estagne, achando que a oportunidade de ouro vai lhe bater a porta. Escreva. Publique suas obras em formato digital. Ouça o que outros autores tem a lhe dizer. Respeite e principalmente, não tente copiar ninguém. Seja você. Faça com que teus textos tenham a sua identidade.

Baltazar:  “Perdei toda a esperança, oh vós que entrais”, mas falando sério, a maioria pensa que é escrever, ser descoberto e faturar milhões. Quando a realidade é bem mais suor e gasto do que lucro financeiro. Se você quer escrever um livro porque quer ganhar dinheiro, pare por aqui. Eu escrevo pra ser lido, o resto é secundário.

Jader: Respira, amigo. Inspire (leia bastante, adquira repertório, vocabulário, estilos) e expire (transpire, escreva, trabalhe tudo o que você absorve). O hábito vai te lapidar.

Ricardo: Esteja ciente que este é um mercado competitivo e brutal, que você enfrentará dificuldades, mas se é isso que você quer, vá em frente, não desista. Absorva todas as críticas e tente melhorar com elas; e o mais importante de tudo: escreva primeiro para você, ame aquilo que você faz, se debruçar sobre a caneta ou o teclado, e coloque o coração naquilo, da forma mais crítica e séria possível, pois se nem você acreditar no que escreve, não tem o direito de pedir para que os outros acreditem.

 

Nossos sinceros agradecimentos aos autores que colaboraram com essa matéria!

Conheça melhor o trabalho de cada um:

Jader: AQUI

Ricardo Haseo: AQUI

Alec Silva AQUI

Baltazar de Andrade AQUI

Anton Roos AQUI

1º Fórum Territorial de Cultura acontecerá em Barreiras, dia 27

Já tem algum tempo que as atividades culturais na região estão conquistando mais espaço e valorização. Em LEM, iniciativas como a Mostra de Moda, Arte e Decoração (MMAD), o Festival Arte em Sintonia e o Cineclube Mimoso tem movimentado a cena cultural da cidade, atraindo atenção da mídia e divulgando a cultura em várias esferas.

Agora mais um grande passo será dado, com o 1º Fórum Territorial de Cultura que acontecerá em Barreiras, no dia 27 de fevereiro, entre as 10h e 16h30, no Colégio Antônio Geraldo.

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Com o tema “Valorização cultural, como?”, o fórum é uma iniciativa da produtora cultural Diva Bomfim Pereira com o SATED/BA (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversões do Estado da Bahia) e tem como principal objetivo promover a discussão e fomentar ideias para a valorização cultural.

Mas, afinal, o que é o fórum? “O Fórum é um espaço democrático de discussão e de articulação permanente, composto de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com a questão cultural, não fazendo qualquer discriminação de origem étnica, de gênero, de religião e de linguagem artística. O Fórum é apartidário e aberto à cooperação com órgãos governamentais, com abrangência nos 417 municípios do Estado da Bahia se dispondo a discutir problemas e encontrar soluções estratégicas para gestão das políticas culturais no Estado”, explicou Diva. Resumindo, o Fórum é a oportunidade de todos os artistas, produtores e defensores culturais se unirem em prol da valorização e da movimentação de eventos e artistas.

Para entender melhor esse importante evento, conheça os objetivos do Fórum:

  1. Discutir o papel dos artistas no âmbito municipal e territorial, destacando sua importância no processo de construção da cidadania cultural e economia da cultura;
  2. Fortalecer e qualificar os espaços de diálogo entre o poder público, a comunidade cultural e a sociedade civil em suas diferentes esferas;
  3. Avaliar as políticas públicas de cultura, dando ênfase à atuação do Conselho Municipal de Cultura, Sistema de Cultura e os movimentos artísticos;
  4. Fomentar a elaboração de Propostas e Projetos destinados à cultura local e territorial;
  5. Propor estratégias para o desenvolvimento municipal e territorial da cultura;
  6. Estimular a criação de planos culturais;
  7. Entender o verdadeiro papel do Conselho Municipal de Cultura;
  8. Elaborar Plano de Ação para as futuras atividades do Conselho de Cultura;
  9. Contextualizar o papel do Conselho com a dinâmica das Políticas Culturais do Município;
  10. Estimular a atuação democrática do conselho de Cultura no Campo das Políticas Culturais;
  11. Debater e subsidiar as ações dos Conselheiros frente ao Conselho de Cultura;
  12. Mapear as ações do Conselho Municipal de Cultura do município e dos territórios.

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Quem pode e deve participar deste movimento? “Qualquer pessoa que tenha envolvimento artístico ou deseje contribuir com o movimento cultural”.

Os desafios do caminho da valorização cultural e da promoção de atividades culturais constantes são muitos. Mas o primeiro passo para isso acontecer de fato é a união entre todos aqueles que fazem parte desse movimento, de artistas à associações, do pequeno ao grande, dos antigos aos novos.

“Percebo que um dos grandes desafios é o fato de que a maioria dos gestores que estão à frente da cultura não buscam o entendimento de gestão cultural e muitos desconhecem a importância do que é ARTE e CULTURA. Não conseguem visualizar que investir nesse setor traz resultados positivos a toda sociedade e, em especial, aos jovens. Além disso, precisam entender que cultura gera emprego e renda. Que a cultura é um vetor sadio de desenvolvimento econômico sustentável. O mais gritante ainda é colocar pessoas à frente da pasta cultural que não tem afinidade com o saber fazer artístico e cultural e muito menos sensibilidade para compreender os anseios dos artistas e suas manifestações. Essas pessoas precisam entender que cultura é todo um modo de vida de um povo/comunidade e que as artes são os seus dons”, afirmou Diva.

O público-alvo do fórum é formado por:

  • Membros do Conselho de Cultura, gestores, técnicos, agentes, produtores, criadores culturais, movimentos artísticos, culturais e sociais, grupos artísticos, representantes de classes artísticas, entidades afins;
  • Segmentos dos diversos ramos culturais (Teatro, Artes Plásticas, Música, Dança, Manifestações Culturais, etc.);
  • Representantes do Poder Executivo;
  • Representantes do Poder Legislativo;
  • Representantes de Alunos e Professores do Ensino Médio e Universidades;
  • Representante dos Municípios que compõem a Bacia do Rio Grande, Rio Corrente e Velho Chico;
  • Entidades Religiosas, Publica e Privadas.

 

Em resumo, é neste fórum que você terá voz e, junto à outras pessoas do mesmo segmento artístico que o seu, poderá elaborar estratégias para FAZER ACONTECER! Os artistas que desejarem ter o Registro Profissional DRT e Carreira da Ordem dos Músicos poderão aproveitar a oportunidade para levar a documentação para análise e orientação feita pelo presidente do SATED/BA (a lista dos documentos necessários está disponível no site http://www.satedba.com.br/).

Confira abaixo a programação do Fórum e faça já a sua inscrição pelo link: http://territorialcultura.wix.com/forum. A participação é gratuita.

PROGRAMAÇÃO

 

10:00 às 12:00 Credenciamento – Apresentações Artísticas – Almoço.

13:00 Abertura.

13:05 O que é um Fórum e objetivo do Fórum Territorial de Cultura.

13:20 Leitura e assinatura do Manifesto.

13:25 Grupos de Trabalho por Linguagem Artística.

– Escolha de 2 representantes por linguagem artística para compor o Colegiado do Fórum Territorial.

– Levantar as principais demandas / desafios / dificuldades de cada linguagem artística.

– Eleição das três principais demandas / desafios / dificuldades de cada linguagem artística.

14:00 Síntese das demandas e apresentação dos representantes de cada linguagem artística que irão compor o Colegiado do Fórum Territorial.

14:30 Palestra de Fernando Marinho, representante do Sated/BA, sobre as questões de interesse dos artistas.

15:10 Debate entre Fernando Marinho e os artistas, produtores, pesquisadores e representantes de grupos e entidades culturais.

15:30 Análise documental dos artistas e técnicos que pretendem participarem do Sated/BA.

– Apresentações artísticas.

16:30 Encerramento.

 

Quem desejar mais informações pode entrar em contato com a Diva pelo telefone 71 9 9185-4597. Há um grupo no whatsapp reunindo os interessados no Fórum para debater e sugerir ideias para o mesmo. Faça parte!

 

Serviço

Fórum Territorial de Cultura e Cidadania Cultural

Data: 27 de Fevereiro de 2016

Local: Colégio Antônio Geraldo – Barreiras/BA

Horário: 10h às 16h30

Site: http://territorialcultura.wix.com/forum

 

 

 

Nossas sugestões para o Carnaval: 2 filmes, 2 séries e 2 livros

Bom dia foliões da Unidos do Sofá! A folia de vocês vai ser no estilo sofá + pipoca, livro + chá ou filme + edredom? Então vão gostar muito desse post! Afinal, são 04 dias para você ler ou assistir todos os filmes e séries que queria, mas que não tem tempo durante a semana.

E como dica boa é DICA COMPARTILHADA, a Dávila e a Mônica selecionaram um livro, filme e série para vocês colocarem na listinha desse Carnaval. Vamos ver?

FILME

Dica da Dávila: O Regresso

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“Um dos melhores e mais caros filmes feitos na história de Hollywood, O Regresso promete arrebatar muitos Oscar’s na premiação que acontecerá em 26 de fevereiro. O filme infelizmente ainda não chegou no cinema de LEM (está previsto para estrear no final de semana do Oscar), mas já foi lançado Brasil a fora nos grandes cinemas.
Esta obra dirigida por Alejandro Gonzáles Iñárritu, mesmo diretor de Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância, traz DiCaprio em uma arrebatadora atuação. Ainda vamos ouvir falar muito desta dupla. Ainda não assisti, mas está na minha lista dos TOP’s OF MIND. Contudo, já assisti inúmeras cenas e trailers e o que se pode constatar é que se trata de um filmão que marcará uma época, com uma fotografia fabulosa. Na história DiCaprio interpreta Hugh Glass, um forasteiro que atua como guia para americanos que caçam animais em uma região perigosa e pouco acolhedora dos Estados Unidos, em 1820. Atacado por um urso, ele fica bastante ferido e acaba abandonado para morrer pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy). Glass, no entanto, acaba sobrevivendo e luta para sobreviver com um único objetivo: ir atrás de Fitzgerald.”

Dica da Mônica: Entre o Amor e a Paixão

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“Eu tenho centenas de filmes preferidos, tanto que não saberia escolher um só para indicar. Então resolvi dar a dica do último filme que assisti e que me impressionou. Entre O Amor e A Paixão não é o melhor filme do mundo, mas é daqueles filmes que vou ver toda vez que tiver passando. Resumindo: ele me faz pensar, me deixa pensativa. A história é simples: Margot é uma escritora casada com Lou, que se apaixona por um estranho que conhece no avião, Daniel. E não é simplesmente uma história de infidelidade ou destino. Ela obviamente ama seu marido, mas a paixão, aquela faísca que as pessoas tanto desejam, parece não estar mais presente quando ela passa a se incomodar com a rotina. É assim: sua vida é feliz, claro, mas falta emoção. Já o estranho Daniel vira seu vizinho e a convivência faz a atração imediata crescer ainda mais. E então: ela deve escolher entre o amor, a vida que já conhece com Lou, ou a paixão, com as promessas de um romance com Daniel? É agoniante e interessante acompanhar o desenrolar da trama, que é sutil e um pouco caricata, mas que poderia acontecer comigo e com você. É um filme bonito e dolorido de se ver. Sem dar spoiler, no final do filme a Margot (e eu) percebe que independente da escolha que fizer, tudo um dia vai ser a mesma coisa, vai virar rotina. Muito bom!”

P.S.: Passa direto nos canais da Sky!

LIVRO

Dica da Dávila: Grande Magia – Vida Criativa Sem Medo

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“Depois do carnaval é que o ano começa de verdade na Bahia né? E que tal o ano recomeçar de um modo mais criativo? Para te ajudar a enxergar possibilidades mágicas que a criatividade pode lhe proporcionar, a autora do best-seller Comer, Rezar e Amar trás para nós um novo ângulo para enxergar a vida em seu novo livro. A Grande Magia, de Elizabeth Gilbert, é um livro especial. Eu estou me deliciando com ele neste verão e recomendo muito para você que acredita que se entregar àquilo que amamos pode mudar tudo n vida. Ela nos traz inspirações das suas próprias histórias de vida e nos mostra que com coragem e curiosidade a vida pode ser ainda mais bela.”

Dica da Mônica: Redação Publicitária – A Prática na Prática

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“Eu AMO esse livro. Indico para todos que quiserem aprender a escrever melhor. Hoje em dia, com tantas pessoas gerenciando as redes sociais das suas próprias empresas e negócios, é preciso saber comunicar bem e de forma criativa na internet. O escritor, Zeca Martins, é pra mim um dos melhores publicitários do mundo e sabe escrever muito bem. O livro é muito dinâmico e divertido, com dicas para exercitar a criatividade e com exercícios práticos no final de cada capítulo. A primeira vez que estudei esse livro foi na biblioteca do primeiro ano de faculdade, quando estudava Publicidade e Propaganda em Blumenau. Foi amor à primeira vista. Mas há anos procurava o livro e não achava mais pra comprar, até que o meu namorado achou e me deu no Natal. Se você trabalha com publicidade, leia o outro livro do Zeca: Publicidade é isso aí.”

SÉRIE

Dica da Dávila: Lie To Me

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“Mais do que uma série maravilhosa, que te prende e te envolve, “Lie to Me”, Engana-me Se Puder em português, enriquece nosso conhecimento sobre a linguagem corporal. A série se baseia em situações reais e traz da ciência para uma ficção bem feita. A série é sobre as investigações de uma equipe formada por especialistas em detectar mentiras. As mínimas expressões e gestos são interpretados por esses cientistas do comportamento, que prestam seus serviços para diversas entidades, como o FBI, polícia, empresas particulares ou mesmo pessoas que estejam dispostas a descobrir a verdade que alguém pode estar escondendo.”

Dica da Mônica: The Good Wife

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“Gosto de séries com teor político e no universo do Direito. Comecei a assistir The Good Wife por acaso e me apaixonei. É uma série dramática que tem como protagonista a vencedora do Emmy Juliana Marguiles como Alicia Florrick, esposa e mãe que assume responsabilidade total sobre sua família e volta a trabalhar como advogada depois que seu marido, o procurador Peter, vai para a cadeia por causa de um escândalo de sexo e corrupção. Além do fator pessoal de todos os personagens, a série retrata o mundo jurídico com fidelidade e consegue sempre balancear os ótimos casos de tribunal com os bastidores da política e dilemas pessoais de seus personagens. É uma série muito interessante, bem escrita, com ótimos atores e um enredo perfeito. Já vai para a sétima temporada e ganhou vários prêmios.”

Gostaram das nossas dicas? Fiquem ligados no blog que em breve trazemos mais sugestões para vocês!

Beijos e bom Carnaval a todos!

Seria melhor ele ficar no céu pra sempre

Nos tempos de faculdade, meu sonho era escrever como Gay Talese, nada mais, do que o pai do que se convencionou chamar de jornalismo literário. À época, a junção entre jornalismo e literatura soava como um oásis onde eu poderia repousar meu ascendente talento. Sendo o mais sincero que se pode ser: nunca sequer cogitei atuar em TV ou rádio.

A escrita sempre foi minha única opção e o gênero que apostava na narrativa de fatos da vida real com elementos da ficção parecia-me perfeito, embora parido num período em que as redações usavam máquinas de escrever e havia-se tempo e inúmeras publicações que investiam fortunas na produção de grandes reportagens, que duravam duas ou três semanas, quando não um mês ou mais.

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Um a um, comprei seus enormes livros, começando, claro, pelo clássico Fama e Anonimato. Nessa época, após devorar cada uma de suas 536 páginas, fui levado a acreditar que o perfil de Frank Sinatra, em que Talese entrevista todos menos o famoso cantor de Fly me to the moon, é o suprassumo do jornalismo e pela eternidade afora será considerada como uma das melhores – senão a melhor – reportagem já feita.

O texto, publicado originalmente em 1966 pela Revista Esquire, é realmente incrível. Genial e escrito com maestria. Uma obra-prima, mesmo que uma afirmativa como essa seja, não mais do que óbvia e até certo ponto burra.

Aliás, cada palavra e frase contida em Fama e Anonimato e em especial no perfil “Frank Sinatra está resfriado”, representam ipsis leteris o que eu queria fazer depois de ter meu canudo de comunicador social com habilitação em jornalismo em mãos.

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Sem tirar nem por. Em caixa alta: ESCREVER, melhor: ESCREVER BEM.

Passados alguns anos da minha formatura, diga-se de passagem, em gabinete, com a presença, além de meu pai, de uma amiga e do coordenador do curso de comunicação da faculdade, confesso até ter escrito algumas matérias/reportagens que me orgulham enquanto profissional de comunicação.

No entanto, preciso ser honesto e assumir: o encanto, em geral, acabou. Não pela profissão que escolhi, o jornalismo, mas por toda mágica que caras como o próprio Gay Talese e outros como John Hersey impuseram – e grosso modo, ainda impõe – aos seus textos.

Em suma, o que esses caras fizeram é e continuará sendo referência. Para mim e toda uma legião de visionários que continuará apostando no jornalismo como curso universitário e carreira profissional a seguir (ainda que, hoje, isso seja quase como um nadar contra a correnteza, no sentido mais abissal possível). Particularmente, eu jamais vou poder negar que minha paixão pela escrita está intimamente ligada a esses autores.

Escrever era e é o que sempre quis para minha vida.

Usar minha formação acadêmica para isso.

Ver meu nome grifado logo abaixo do título uma matéria/reportagem escrita, revisada e apurada por mim, estivesse ele impresso em jornal ou revista. Uau. Era isso que eu queria. Meus sonhos profissionais, vale dizer, sempre estiveram diretamente relacionados a fisgar leitores, novos e velhos, reportar e narrar.

Sempre.

Acontece, entretanto, que dias atrás terminei a leitura de um desses tantos outros livros de autoria do clássico repórter americano: Vida de escritor. Não sei – talvez ainda esteja assimilando o conteúdo do livro, seu impacto e ensinamento –, mas, provável que tenha sido depois dessa leitura que minha fé (encanto) tenha se esvaído um pouco mais, a ponto de estar tão – ou mais – desacreditado.

12295 - Vida de escritor

Não quero parecer apenas mais um pessimista e choramingar minhas pitangas dizendo o mais do mesmo de sempre: “ninguém mais lê”, “a internet matou o jornalismo”, “todo mundo é repórter”, “os jornais vão acabar”, “o futuro está nos blogs”.

Longe de mim. Talvez, eu tenha contribuído para com esse descontentamento todo, afinal, assisti calado a decisão do ministro do STF Gilmar Mendes em 2007, a derrocada do jornalismo impresso e a ascensão dos blogs desse jeito mambembe que se vê hoje.

Certa vez, em uma de suas passagens pelo Brasil, Talese disse que o “jornalismo está se tornando preguiçoso”. Sei lá. Acho que todos nós estamos nos tornando preguiçosos, apontando nosso dedo indicador para uma suposta falta de tempo quando questionados sobre as leituras que fazemos ou os jornais, sites que acessamos para nos manter informados.

Manter a fé no bom jornalismo?

Pra que, se “não há tempo” e todos de seus celulares, alimentam a grande rede como bem querem e sem um pingo sequer de apuro, salvo raras, mas muito raras, exceções.

Em uma das melhores passagens de Vida de escritor, Gay Talese conta sua epopeia para entrevistar a jogadora de futebol chinesa, Liu Ying, que em 1999, na final da Copa do Mundo Feminina, foi a responsável por desperdiçar a penalidade que acabou dando as americanas o título da competição. O livro abre e fecha com a saga de Talese para contar a história da atleta, porque era Liu a personagem a se entrevistar. A história a ser contada. O que, afinal, se passou na cabeça dela, após desperdiçar o pênalti decisivo? E o que pensou, na longa viagem área no retorno pra casa?

Eis as palavras de Liu:

“Seria melhor ele (o avião) ficar no céu pra sempre”

Sim.

Às vezes, no jornalismo nosso do dia-a-dia, nas idas e vindas de nossa rotina estafante, na falta de tempo que julgamos ser a responsável por tudo que deixamos para amanhã ou depois, nas escolhas erradas que tomamos.

Talvez, o “seria melhor ele ficar no céu pra sempre” seja exatamente as aspas que estamos segurando na garganta, pura e simplesmente, por medo.

Do desconhecido.

De sermos e fazermos aquilo que, de fato, sempre sonhamos.

Festival Arte em Sintonia – Oportunidade dos artistas regionais mostrarem sua arte

Luís Eduardo Magalhães é uma cidade em plena adolescência, que em março deste ano completa apenas 16 anos de emancipação política (fazendo a comparação: eu já sou mais velha e provavelmente você que me lê também). Além de jovem, é uma cidade de “vindas”. A maioria dos luiseduardenses não nasceram aqui. Vieram de outras cidades, outros estados, outras culturas. O resultado é uma cidade promissora, de gente trabalhadora, mas ainda sem uma identidade cultural definida. São muitas as referências que trouxemos para cá, mas poucas as que levamos daqui. O que geralmente acontece é você conhecer a cultura de um amigo ou colega e levar um pouquinho dela com você. Mas LEM precisa de uma identidade cultural. Precisa valorizar seus artistas, que são muitos, e junto com eles perceber que a cultura luiseduardense é multifacetada, criativa e promissora.

Não é de hoje que acreditamos nisso. Foi por este motivo que em 2013 criamos o MMAD – Mostra de Moda, Arte e Decoração, um evento anual que propõe divulgar o trabalho dos artistas locais e oferecer um espaço de arte e conhecimento com workshops e palestras gratuitos para a população. E na última quarta-feira (13), tivemos o prazer de acompanhar o lançamento do 1º Festival Arte em Sintonia, realizado pela Fundação Alzira da SilvaCorrêa e Oranjje Comunicação, com apoio da Prefeitura Municipal e promoção da Rádio Moderna. “Há 03 anos retomamos as atividades da Fundação Alzira da Silva Corrêa através da Rádio Moderna. O nosso objetivo é trabalhar em prol da cultura e da educação em Luís Eduardo Magalhães. O Festival é um dos nossos projetos mais antigos e esperamos que o sucesso desta realização nos possibilite colocar muitos outros em prática”, afirmou o vice-presidente da Fundação, Antônio Corrêa Jr.

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Antônio Corrêa Jr

O Festival vai acontecer nos dias 29 e 30 de março de 2016, na Praça dos Três Poderes, junto com a programação oficial do Aniversário de LEM, e vai reunir apresentações gratuitas de artes cênicas, musicais e plásticas. Essa é uma oportunidade para o artista, que irá mostrar o seu talento, e para o público em geral, que terá um rico evento cultural à disposição para assistir às apresentações e conhecer artistas, histórias e talentos. “É ótimo ver eventos como esse acontecendo. A maioria dos artistas de LEM ainda estão se estruturando e a visibilidade que se consegue em um festival assim é muito importante para que eles se fortaleçam. O Festival também apresenta à população a existência de uma atividade cultural regional, onde existe artistas e arte de qualidade”, afirmou Michel Santos, ator, cineclubista, professor de teatro e um dos integrantes da produção coletiva Alguma Coisa na Vida (curta metragem produzida em LEM), que ganhou dois prêmios durante o 8° Curta Taquary – Festival Internacional de Curta Metragem.

Serão selecionados 78 trabalhados divididos em 08 modalidades artísticas para os dois dias do Festival: 08 de música, 06 de dança, 08 de pintura, 15 de artesanato, 06 de teatro, 10 de literatura, 10 de cinema e 15 de fotografia. No último dia de evento haverá ainda a primeira apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia – OSBA no interior da Bahia, com o concerto “As Quatro Estações” (Le Quattro Stagioni), uma das obras mais famosas do compositor italiano Antonio Vivaldi.

ARTE

Artistas, profissionais ou amadores, companhias, grupos e escolas de toda a região oeste da Bahia poderão participar da seletiva para o Festival. “Fiquei muito feliz de saber que um festival com essa proposta multicultural venha a acontecer em LEM e da abertura do evento para que artistas de outras cidades da região oeste possam apresentar suas produções. Faz todo sentido essa proposta, visto que ela partiu de uma fundação cultural comprometida de verdade com o que se faz de cultura na região. Outra coisa de extrema importância será a possibilidade de prospecção e mapeamento das produções culturais do oeste baiano. Sem dúvida um grande passo está sendo dado. Parabéns a todos os envolvidos no projeto”, parabenizou Ruy Guedes, produtor cultural e integrante da banda RIPA, que saiu de Barreiras para LEM afim de participar do lançamento.

ARTE EM SINT

INSCRIÇÕES E REGULAMENTO

O Festival tem como objetivo prestigiar a produção artística de LEM e região e, portanto, será aberto à participação popular. As regras para as inscrições e a seleção dos trabalhos estão no regulamento criado pela Comissão Organizadora e disponível no endereço http://modernafm.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Arte-em-Sintonia-REGULAMENTO-1.0.pdf

O período de inscrição será do dia 11/01/2016 a 28/02/2016 e a Comissão Organizadora selecionará as peças teatrais, as apresentações de dança/música, os filmes, as pinturas/fotografias/artesanato, assim como os temas e palestrantes dos workshops até o dia 15/02.

A ficha de inscrição será disponibilizada para download no dia 20/01 (atualizaremos o post com a mesma!) e o candidato pode se inscrever pelo email: arteemsintonialem@modernafm.com.br ou pessoalmente no Centro Cultural de Luís Eduardo Magalhães, na av. Enedino Alves da Paixão, Chácaras n.º 55, 56 e 57, Bairro Santa Cruz.

Em todas as categorias, serão selecionados os candidatos que obtiverem maior número na soma dos pontos dos quesitos:

  1. Adequação à mostra
  2. Criatividade
  3. Regionalidade
  4. Técnica de execução

Portanto, se você tem talento em alguma dessas áreas, prepare-se para inscrever seu trabalho no Festival. Anote as datas para não perder o prazo e mande sua inscrição.

ARTE EM SINTONIA

Aproveite essa grande oportunidade para ter seu trabalho analisado e seu talento divulgado!

Maiores informações pelo facebook https://www.facebook.com/arteemsintonialem, na Rádio Moderna ou no Centro Cultural.