Bela Marcha Fúnebre

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Em 26 de janeiro de 1979, quatro jovens rapazes entraram em um estúdio na Inglaterra com a pretensão de gravarem algumas demos. Ao todo, cinco canções saíram do forno dessa sessão. Porém, mal saberiam eles que estavam iniciando um forte movimento artístico e que logo cravariam na história da música os seus lugares.

Assim inicia-se a história do Bauhaus, considerada a precursora do gothic rock e responsável pela primeira gravação do estilo, com o single “Bela Lugosi’s Dead”. Agora, quase quarenta anos após tal feito, os ex-integrantes da banda (extinta há 10 anos, entre hiatos e voltas) juntaram-se à gravadora Leaving Records e lançaram o EP “The Bela Session”, com todas as cinco faixas gravadas naquela sessão. O mais interessante: três delas jamais haviam sido lançadas oficialmente.

Impressiona o talento dos caras para uma primeira sessão em um estúdio profissional, ainda mais as linhas de guitarra de Daniel Ash. O cara comanda a guitarra como um verdadeiro domador, criando riffs abafados, sujos, ora hipnóticos e que grudam na cabeça do ouvinte, vide a canção ‘Boys”, em sua gravação original.

‘Some Faces” e “Bite My Hip” possuem a clássica estética tônica do gothic rock e do post-punk, com uma ambientação enclausurada (parecendo ecos) e o vocal rasgado de Murphy entonando os versos, acompanhado pelo ótimo e criativo instrumental da banda. “Harry” é a canção mais interessante do EP, afinal, não é sempre que se ouve um reggae (sim, reggae!) que parece ter saído das tumbas de um filme de terror. Uma honrável homenagem à vocalista do Blondie.

Mas o ponto alto mesmo está na faixa inicial e mais famosa do conjunto, “Bela Lugosi’s Dead”. Na primeira estaca da bateria, começa a melancólica hipnose que dura quase dez minutos, em um lamento destruidor sobre o ator que ganhou um status cult após interpretar o Conde Drácula nos cinemas, há muito, muito tempo atrás.

 

 

No Youtube, você encontra fácil versões ao vivo das canções e outras que saíram em singles e b-sides obscuros, mas esse trabalho acompanhado diretamente pelos membros do Bauhaus na produção vale a pena ser conferido. Um grande presente para comemorar quatro décadas de carreira com uma contribuição imensa à arte.

O blog dará uma pausa e voltará à ativa no próximo ano, mais precisamente no dia 07 de janeiro.

Guilherme, 1993, Minas Gerais. Nem crítico e nem jornalista, apenas apreciador. Como diria o Rob do Alta Fidelidade: 'Livros, discos, filmes - essas coisas importam. Me chame de superficial, mas é a verdade.