Romênia

Dia 15 de agosto foi um feriado na Bélgica, Assunção de Maria, então aproveitei de pegar um fim de semana prolongado. Eu tinha procurado quais eram os destinos mais baratos para ir naquelas datas específicas – sempre um bom jeito de escolher novos lugares para viajar – e assim acabei pegando no sábado um voo para a cidade de Timişoara na Romênia.


Tenho que admitir que tive que dar uma olhada rápida no mapa na hora de comprar a passagem, porque sei que a Romênia fica na Europa do leste, mas onde exatamente… Assim aprendi que fica entre a Hungria, Sérvia, Bulgária, Moldávia e Ucrânia. A cidade da Timişoara fica bem no sudoeste, do outro lado então do capital Bucareste.

Eu também não sabia o que esperar de lá. Sei que tem uma imagem de ser mais pobre, então até fui avisada de me cuidar de não ser roubado, porém, eu achei que as pessoas eram bem respeitosas. Talvez um pouquinho frios sim, sem dar muito oi, mas mesmo assim educados. Inclusive enquanto,  por exemplo na cidade de Praga os vendedores gostam de te dar um troco errado de volta, em Romênia eles costumam de te mostrar claramente cada moeda e nota que estão te devolvendo, para você ver que está certo.

A imagem de ser um país pobre porém pareceu ser correta. As ruas têm bastante buraco, ainda tem cavalo puxando carroça e poços de água na frente das casas e tem muitas, mas muitas mesmo, casas destruídas ou incompletas. Como se tivesse começado a construir e o dinheiro acabou no meio do processo. E também as casas e prédios que são terminados e onde moram gente, são de estado bem quebrado.

Mas ok, talvez que é mais pobre, mas o que há em excedente é natureza bonita. Decidi  ir visitar um Parque Nacional uns 120 kms da cidade de Timişoara e indo de carro para lá (e assim descobrindo que, ainda bem, também há estradas sem buracos), passei por várias paisagens bonitas e vilazinhas com igrejinhas charmosas. E, por algum motivo, também dá para ver muito, mas muito mesmo, cachorro na rua. Não foram sempre os cachorros mais bonitos, mas foi algo diferente de ver, que eu só tinha visto antes na cidade de Pucón no Chile.

Um campo de girassóis (já mortos, mas ainda muito bonito)

 

Uma vilazinha no caminho para Cheile Nerei

 

Poço de água na frente de uma casa

 

 

Uma das muitas casas destruídas

 

Bastante cachorro de rua

 

O Parque Nacional,  chamado Cheile Nerei, também era lindíssima. Me lembrou de Chapada dos Veadeiros e o Parque Conguillío no Chile. É um parque de uns 36ha largo, com várias entradas onde você estaciona o carro e de lá dá para fazer caminhadas. Pelo tamanho, tem que escolher o que quer visitar e escolher a entrada certa. Eu acabei visitando a cachoeira de Beuşniţa e o lago azul de Ochiul Beului, e o dia seguinte a cachoeira de Bigar, que na verdade já dá para ver do lado da estrada que passa no meio do parque.

Uma fazenda na entrada do parque

 

O laguinho bem azul de Ochiul Beului

 

“Cascada Beuşniţa”, a cachoeira de Beuşniţa

 

 

Passando uma cachoeirinha caminhando no parque

 

“Cascada Bigar”, a cachoeira de Bigar

 

A cidade de Timişoara, onde tem o aeroporto, não é exatamente uma cidade famosa, mas realmente é uma cidade bacana para visitar. Por ter ido ao Parque Nacional eu só fiquei uma noite em Timisoara, mas acho que dá facilmente para passar uns 2 à 3 dias lá. O centro é cercado por um rio, com parques em ambos as margens do rio. No centro mesmo tem várias praças com prédios lindíssimos (me lembrando um pouco de Madrid), músicos de rua, barzinhos, restaurantes… No centro tem várias ruas sem carros e assim é bem agradável de passear.

A famosa Igreja Ortodoxa no centro da Timişoara

 

A praça de Uniri

 

 

A Romênia em geral me surpreendeu positivamente. Nem todo mundo fala inglês, mas a língua tem origem no Latim, então na verdade a língua parece uma mistura entre o Italiano e Russo. A parte russa é complicado, mas a parte parecendo Italiano pelo menos dá para entender um pouco.

Além disso, o país tem a vantagem de ter uma moeda barata, e assim tudo fica baratinho. Sempre legal para ir em um restaurante e experimentar várias comidas típicas de lá. O que é bem comum de comer lá é polenta e carne (de porco e de frango), no geral são pratos bem pesados. Uma sobremesa típica por exemplo chama “Papanasi” que é uma massa frita com creme de leite e geleia. Gostoso, mas talvez melhor pedir um prato para dois…

Uma sobremesa típica chamada de “Papanasi”

 

E já se prepare mentalmente a comer pratos esfriados: não descobri se é pelo fato do serviço ser tão devagar ou se eles realmente acreditam que um prato esfriado é melhor do que quente, mas um fato foi que todo prato que pedi chegou praticamente frio na mesa. Mas isso é um desconforto bem pequeno comparado com tudo o que tem de bom lá!

Com certeza a Romênia ganhou um lugar na minha lista de lugares a visitar novamente e a conhecer melhor! Acho que alugar um carro e fazer um passeio de uns 10 dias pelo país inteiro, deve valer muito a pena!

Bruxelas

“C’était au temps où Bruxelles chantait

C’était au temps où Bruxelles bruxellait”

 

Nos anos 60 o cantor belga Jacques Brel escreveu uma música sobre a Bruxelas  de antes da guerra, descrevendo uma cidade viva e divertida. Para mim, a música não precisava dos verbos no tempo passado: a Bruxelas É uma cidade divertida, bonita, cultural, e com algo de bom para todo mundo.
Os turistas, que geralmente ficam somente um ou dois dias e só visitam uma pequena parte da cidade, encontram um centro cheio de ruazinhas com lojinhas de chocolate e lembrancinhas, vendedores de wafels quente e batata frita e uma arquitetura lindíssima. Em várias  ruas no centro os carros são proibidos, e assim é uma caminhada agradável da praça central (‘Grand Place’) -o orgulho da cidade e impossível de tirar uma foto sem ter grupos de turistas aparecendo atrás de você- passeando pelos prédios magníficos de ‘la Bourse’ (‘a Bolsa’) e de ‘la Monnaie’ (‘a Moeda’)’ e indo visitar nosso ‘Manneke Pis’, a estátua mais famosa da Bélgica de um menininho fazendo xixi.

 

Lojinhas no centro

 

 

 

A prefeitura na Grand Place de Bruxelas


Quem está no centro, não esqueça de visitar o ‘Mont des Arts‘ (‘Morro das Artes’), um parquinho do lado da estação central com uma vista bem bonita.


O ‘Mont des Arts’, um lugar de tranquilidade e vista bonita no centro

Continuando nesta subida do Monts des Arts chega na Praça Royal (‘Place Royal’), de onde o caminho tradicional vai para a esquerda para o palácio do rei. Porém, ao direito dá para ver no final da avenida um outro prédio antigo, o palácio da justiça. O prédio mesmo não está tão bonito por já estar anos em andaimes, porém, lá é um outro ponto na cidade onde tem uma vista para a cidade inteiro (Place Poelaert). A diferença de altitude lá é tão grande que tem um elevador para descer para o bairro abaixo, chamado ‘Sablon‘ e conhecido pelas ruazinhas com lojas de antiguidades, perto do centro também.

Num dia de céu aberto até dá para ver o Atomium de lá, uma ampliação de 165 bilhões vezes do elemento químico de Ferro e mais um dos orgulhos da cidade.

Por de sol do Place Poelaert

 

O Atomium


Estes lugares são os pontos mais visitados pelas turistas, porém, a Bruxelas é muito mais do que só este centro e o Atomium. Inclusive, o distrito Bruxelas na verdade é um conjunto de 19 municipios. Cada município tem as próprias características ( leis e burocracia), e junto com a multiculturalidade tão típica de Bruxelas, por isso que muitas  pessoas não sabem realmente definir Bruxelas.

Tem o bairro ‘europeu’, onde todos os prédios da União Europeia estão localizadas. Aqui é bem calmo durante o fim de semana, quando todos os funcionários voltam para casa. Já que eles voltam para casa na sexta feira, a noite mais agitada neste bairro é na quinta feira: toda semana a praça de Luxemburgo, pelos locais chamado de ‘Place de Lux’, fica bem agitada, com os bares e restaurantes cheios de funcionários já contando as horas da semana de trabalho acabar.

(Inclusive é algo bem típico na Bélgica, de sair na quinta feira. Isso remonta ao tempo da faculdade, quando os estudantes saíam na quinta feira, aproveitando que só tinham mais um dia de aula e que na sexta-feira à noite  voltariam para a casa dos pais para o fim de semana).

O bairro europeu fica perto do ‘Parc du cinquantenaire‘ (“Parque do quinquagésimo”), que fica entre duas estações de metrô, Schuman e Merode. O parque foi construído em 1880 para comemorar o 50° aniversário da independência da Bélgica e chama atenção pelo Arco de Triunfo no meio do verde.

 

Arco de Triunfo no Parc du Cinquantenaire


Se daqui for mais para o Norte de Bruxelas, chega no bairro de Schaerbeek. Esta  região está em volta da uma das três estações de trem principais, com o nome bem criativo de ‘Bruxelas Norte’. Este é um bairro mais pobre, com muitos imigrantes e também um pouco mais perigoso à noite. Este bairro, junto com o bairro Sint-Jans-Molenbeek ficou famoso internacionalmente quando descobriram que os terroristas dos ataques em Paris e Bruxelas moravam nestes bairros.

Mas mesmo  não sendo os bairros mais seguros, tem os lugares bacanas com vários restaurantes e padarias multiculturais e tem alguns parques bem bonitos, o parque Josaphat e o Parque Elisabeth, com uma vista imponente para a basílica de Koekelberg.

 

A basílica de Koekelberg no anoitecer


Falando em parques -um assunto fácil de aparecer neste post porque a Bruxelas tem muitas áreas verdes- temos que dar um pulo para o sudeste de Bruxelas, onde bem na fronteira do distrito tem o ‘Forêt de Soignes’, uma floresta gigante que fica tanto no território de Bruxelas, quanto da Flandres e da Valônia. A parte mais conhecida desta área gigante é o ‘Bois de la Cambre’, que é um parque bem agradável com um lago (com até um restaurante numa ilhazinha no meio do lago) no sudeste da Bruxelas.

 

Só um de muitos lugares bonitos dentro do Forêt de Soignes


Normalmente eu pararia meu post por aqui, mas na verdade conheci um novo lado da cidade onde estou morando agora. Os bairros -ou na verdade tenho que dizer os municípios- de Saint-Gilles, Chatelain e uma parte de Forest são lugares com vários restaurantes e bares onde encontrará mais locais do que turistas. Tem também dois parques bem legais, o ‘Parc de Forest’ e o ‘Parc Duden’, e dá para se perder nas ruas cheias de casas bonitas.

Vista da Parc Duden para Parc de Forest e Bruxelas

 

A prefeitura de Saint-Gilles

 

Um pouco da arquitetura típica de Bruxelas

É difícil parar de escrever sobre a Bruxelas porque é uma cidade com tantos lados diferentes e todo mundo interpreta a cidade diferentemente. Eu pessoalmente resumiria a Bruxelas como uma cidade maravilhosa e um lugar bem fácil e divertido para morar. Tem uma atmosfera  única, bem diferente das outras cidades na Bélgica. A multiculturalidade é representada pela diversão, grande de restaurantes, barzinhos,  eventos e festivais de todos os tipos de música. Tem um transporte público bom, tem ruas de lojas agradáveis (Rue Neuve para lojas de roupas ‘normais’ e Avenue Louise para as lojas mais chiques) e tem muito verde. Tem ruas lotadas de gente no centro ao mesmo tempo que tem ruazinhas tranquilas com casas lindíssimas em outros bairros. Para quem está fazendo um roteiro na Europa de Paris, Londres e Amsterdam: inclua a Bruxelas! Não vai se arrepender!

As Ardenas e Champanhe

Hoje vou cruzar a fronteira da Bélgica para contar vocês sobre o último passeio que fiz. Fui com a minha família para uma região no norte da França, bem perto ainda da fronteira belga. Lá chama-se as Ardenas Francesas (“Les Ardennes Françaises”).

No meu primeiro post sobre a Bélgica expliquei vocês sobre a diferença entre a Norte e o Sul na Bélgica. Além da diferença de língua e cultura, também tem uma diferença grande na natureza. A Norte é principalmente plano, enquanto o Sul tem colinas. Esta região de natureza, que na Bélgica é a Valônia inteira, chama-se as Ardenas. E já que a formação de colinas não acaba bem na fronteira da França, lá continua uma parte destas Ardenas.

Ficamos o fim de semana numa vilazinha minúscula chamada Les Mazures. Lá tem um lago até grande bem na vilazinha, mas creio que também é a única coisa que tem mais ou menos de interessante lá. Mas escolhemos neste lugar porque de lá dava tanto para visitar as Ardenas, quanto a região do Champanhe.

Para começar pelas Ardenas, visitamos pouquinha coisa nesta região, mas o que vimos foi bem bonito! Veja por exemplo as fotos feitas na cidadezinha de Revin:

 

Bem pertinho desta região, indo um pouco mais para o sul, tem a região do Champanhe. Este lugar é exatamente o que você está pensando: a região onde o champanhe é produzido. A bebida só pode ser chamada de champanhe quando vier desta região. Por isso também que  quando falam ‘este champanhe é da França’, esta última parte da frase é totalmente redundante.

A cidade principal desta região chama-se Reims. É uma cidade grande, mas a parte turística, que também é a única parte bonita, é bem pequena e dá para facilmente caminhar num dia. O ponto principal, que sim, é bonito -mas como tantos prédios antigos na Europa estava em andaimes- é o Catedral de Notre-Dame.

Lá em Reims tem vários dos maiores produtores de Champanhe que você pode visitar. É recomendado de reservar de antemão, e não é muito barato: para a visita de um adulto, com um copo de champanhe incluso, era €18,00 (R$ 66,00). Mas é bem interessante, te explicam o processo da produção e te levam na adega. Neste que a gente foi, que foi uma parte da produção de Taittinger, tinha 3 milhões garrafas!

Mas o mais bacana é quando sai de Reims, e vai passando nos campos com o os vinhedos e as vilazinhas, onde ainda tem muito mais produtores ainda. Veja por exemplo a primeira vilazinha que passamos depois de sair de Reims, chamada Rilly-la-Montagne, com no centro já imediatamente dois produtores de champanhe do lado de um e outro.

Nesta cidadezinha achamos uma pequena caminhada chamada a Balade Fleurie, indicada com plaquinhas, bem legal para fazer.

 

Veja umas das paisagens no caminho:

 

 

 

Depois continuamos de carro para outras vilazinhas (inclusive, este tipo de tour também dá para fazer em grupo, organizado por agências de viagens/agência de turismo em Reims), e no caminho dá para ver o tempo todo produtores de champanhe.

Casa do produtor de champanhe Bollinger, na cidadezinha de Aÿ Nos campos, tem plaquinhas indicando de quem são as plantagens de uva, bem engraçado:


Tenho que dizer que eu não fazia ideia que tinha uma região tão bonita tão perto da minha casa (de Bruxelas para Reims são somente 3 horas de carro). Tanto as Ardenas, mais perto da fronteira, quanto a região toda sul de Reims, achei lindíssimas. Uma com a beleza mais selvagem de colinas e florestas, e uma com uma beleza de linhas certinhas cheio de plantas de uvas, que acabarão numa das bebidas mas exclusivas do mundo, o Champanhe.

Indo de Bruxelas para Paris ou o caminho contrário? Dá uma passada nesta região, vale a pena!

Poperinge

Bom dia!

No meu último post eu dei uma introdução sobre a Bélgica. Hoje quero introduzir uma cidade que conheço muito bem, tanto por ser a minha cidade natal onde meus pais ainda moram, quanto por ter trabalhado 8 verões no escritório de turismo da cidade. A Poperinge é bem pequena, e com certeza não aparece nos livros de turismo mais geral sobre a Bélgica, mas espero que com este post eu consiga convencer vocês que na verdade vale bastante a pena  visitar!
A Poperinge fica na fronteira com a França, 2 horas de trem do capital Bruxelas. O centro da cidade conta somente 12.000 habitantes, e junto com as vilazinhas em volta, tem um total de 21.000 habitantes. Então é pequeno, mas por ser bem cuidada, dá um ar de cidade mesmo, em vez de vilazinha. No centro tem uma praça central com barzinhos, tem umas ruas com lojas e mais barzinhos, e tem um parque da cidade bem nova ainda. Mas claro, tem cidades suficiente onde acha tudo isso. O que destaca a Poperinge e dá algo a mais à cidade, são estas duas duas características:  os campos de lúpulo e a história da primeira guerra mundial. Além disso, os visitantes sempre ficam encantados com a natureza em volta da cidade.

1. Lúpulo (e cerveja)
Para quem não conhece, o lúpulo é uma planta trepadeira, que começa a nascer na primavera e que é colhido em setembro. Já que é uma trepadeira, a paísagem da Poperinge é marcada por construções assim:

Uma construção para deixar crescer lúpulo

A partir de julho a planta começa ficar no tamanho máximo e começa a crescer uma florzinha, bem diferente e bonita:

Um campo de lúpulo

 

A flor do lúpulo

Esta flor tem um cheiro bom, então na hora da colheita, durante qual as flores são separadas (depois de tirar as plantas das construções), dá para sentir um cheiro bem gostoso passando do lado de uma fazenda de lúpulo. As flores são vendidas para cervejarias, que usam o lúpulo para dar sabor à cerveja.

Não tem mais muitas plantações de lúpulo na Bélgica, na verdade a Poperinge é uma das duas regiões que ainda tem estes campos. Assim temos bastante orgulho desta planta: o desenho da flor é o símbolo da cidade, a nossa cerveja mais famosa da cidade se chama “Hommelbier” (“cerveja de lúpulo”) e cada 3 anos temos um fim de semana de “Festas de lúpulo”, com um desfile no centro e bastante cerveja!

O desfile durante as “Festas de lúpulo”

 

Hommelbier, a cerveja típica de Poperinge

Falando sobre cerveja, a Poperinge tem mais uma cerveja bem famosa, produzida na vilazinha Watou que fica no território de Poperinge: Sint-Bernardus. Esta cerveja é conhecida pelo sabor muito bom, o que não é surpreendente: a cerveja tem a mesma receita da cerveja trapista Westvleteren, que foi eleita já 3 vezes como melhor cerveja do mundo. A diferença entre a Sint-Bernardus e a Westvleteren é que a última é produzida dentro de um monastério, e a primeira somente numa cervejaria.

A Westvleteren ficou famosa não somente por ter ganhado este prêmio, mas também por ser vendido somente no bar que fica na frente do monastério (pelo menos, oficialmente, já vi a trapista em alguns outros bares). No bar In De Vrede dá também para comprar caixas de 6 cervejas para levar, ao máximo 2 por pessoa. Porém, nem sempre tem caixas disponível. Os monges  querem fabricar cerveja apenas o suficiente para poder viver, não para ganhar lucro. Assim, por ser difícil de encontrar, a cerveja ganhou mais fama ainda.

A cerveja trapista Westvleteren


2. A primeira Guerra Mundial
A primeira Guerra Mundial, que de 1914 até 1918 dividiu a Europa entre principalmente a Alemanha de um lado e a França e Inglaterra do outro lado, atingiu bastante a Bélgica. Na verdade a Bélgica queria ficar fora da guerra e se declarou neutra, porém, bem no começo a Alemanha decidiu que o melhor jeito de invadir a França era  passar pela Bélgica, e assim o país fez durante os 4 anos parte da guerra. O exército da Alemanha invadiu a Bélgica pela leste, e assim foi cruzando o país até que o exército britânico, francês e o restante do exército belga conseguiu pará-lo já bem perto da fronteira francesa. No mapa abaixo dá para ver a linha verde e amarelo, onde os dois exércitos inimigos ficaram 4 anos parados, lutando contra um e outro.

Mapa indicando a linha dos batalhas

Neste mapa também dá para ver a cidade de Ypres, bem em cima da linha, que fica 10 kms da Poperinge. Poperinge, ainda desocupada, virou um lugar de descanso e de cuidado para os soldados. Hoje ainda tem vários lugares na cidade para lembrar desta guerra, o mais impressionante sendo o cemitério Lyssenthoek. Este cemitério tem o mesmo nome do hospital que tinha durante a guerra do lado de lá, e os 10 mil mortos que estão enterrados, eram todos pacientes do hospital que não sobreviveram. Hoje o local virou um lugar de paz, onde familiares dos soldados, quase todos ingleses, ainda vem até hoje para deixar flores no túmulos.

O cemitério Lyssenthoek em Poperinge

Também a cidade de Ypres, onde tinha as batalhas, tem bastante lugares para lembrar a primeira guerra. O mais impressionante é chamado “Menin gate”, um “portão” de pedra branco onde tem os nomes escritos de todos os soldados de quem não sabem onde estão enterrados. Tem no total 55 mil (!) nomes gravados neste memorial. Em baixo deste “portão” tem até hoje uma cerimônia para honrar os soldados que morreram durante esta guerra. Todos os dias, às 20hs, 4 ou 5 trompetistas tocam uma música (sempre a mesma música) e são levados coroas de flores para colocar de baixo dos nomes. É um jeito para lembrar dos erros do passado e também deixar esta memória viva para as próximas gerações, para evitar que os mesmos erros acontecerem novamente.

  1. A natureza
    Não está convencido ainda sobre a Poperinge? Deixe eu te mostrar mais umas fotos da região em volta de Poperinge:

    Os campos de Poperinge

 

Os campos de Poperinge no inverno

 

Com sorte dá para encontrar um destes por-de-sol lindos!

 

Heuvelland, uma região do lado de Poperinge

 

Uma floresta em Heuvelland na primavera

Conclusão: Para quem vem visitar a Bélgica e tem um tempinho para de sair do roteiro típico de Bruxelas e Bruges, com certeza recomendo de pular num trem para a Poperinge! Vai caminhando um 1km da estação de trem para o centro onde tem vários hoteis, depois alugue uma bicicleta e vai passeando pelos campos de lúpulo, dando um pulo no bar In De Vrede para tomar uma cerveja Westvleteren (6 kms de Poperinge) e dando uma visita no cemitério Lyssenthoek. À noite dá para pegar o trem para Ypres (10 minutos) para assistir o Last Post às 20hs.

 

Quem sabe eu vejo um dia vocês lá na minha terra natal?

Até!

A Bélgica, uma introdução

Bom dia queridos leitores da Immagine!

A partir deste post estarei escrevendo sobre a Europa. Neste momento estou morando na Bélgica, mas de vez em quando tento aproveitar o fim de semana para ir num outro país e quando for assim, levarei vocês junto comigo!

Mas primeiro, a Bélgica. Dá para dizer que conheço bem este país. Nasci aqui e morei na cidade de Poperinge, uma cidade bem pequena perto da fronteira da França, até o final do meu ensino médio. Depois ainda morei em Leuven, Bruxelas, Ghent, trabalhei em Bruges e agora estou morando novamente em Bruxelas. Dedicarei uns postes para todas estas cidades, mas começarei a contar um pouco sobre a Bélgica mesmo.

No passado percebi que várias vezes que a Bélgica não entra no roteiro de turismo dos brasileiros. Ouvi bastante histórias de brasileiros que foram para Paris, Amsterdam e Londres, todos as capitais dos países aqui perto, mas que pulavam a Bélgica. Tudo bem que é muito fácil de pular, de tão pequeno que somos, mas isso não quer dizer que não temos coisas bonitas para ver!

Mas agora já percebi que mais e mais pessoas começaram a dar uma passada em Bruxelas ou em Bruges. Creio que a nossa fama da cerveja boa e chocolate gostoso está ajudando bastante. E ainda teve o Tomorrow Land que ajudou a colocar a Bélgica no mapa. Depois de lançar o festival no Brasil, que originalmente é daqui, ouvi mais e mais brasileiros falar, ‘ah sim, a Bélgica, de onde vem o Tomorrow Land’. Não é o meu tipo de música mas ainda temos muitos (muitos mesmo!) outros festivais no verão.

Mas antes de falar das coisas boas e lugares bonitos aqui da Bélgica, deixe eu explicar um pouquinho sobre este país que tanto tempo ficou um pouco invisível no mapa turístico. Tenho  certeza que o tamanho do país ajudou a escondê-lo: a Bélgica tem somente 30.500 km², ou seja, é 280 vezes menor do que o Brasil. Cruzando o país em vista aérea do oeste para leste, ou seja, da fronteira francesa para a fronteira holandesa, são somente 200 km. Cruzando do ponto mais norte para o sul, onde fica o país Luxemburgo, dá 300 km.

Não é surpresa então que temos uma população bem pequena, de somente 11 milhões de pessoas. O que é pouco, mas na verdade muito para um superfície tão pequeno, temos uma das densidades de população mais alta da Europa. Algo que resultou num problema bem grande de trânsito: tantas pessoas que vão de carro para o trabalho que nos horários de pico parece que a Bélgica inteira vira um engarrafamento.

Isso que o nosso transporte público não é ruim, bastante pessoas usam o trem para ir ao trabalho (é bem comum  trabalhar numa outra cidade de onde mora), mas na Bélgica ainda é comum de ganhar um carro do trabalho e assim aumenta o problema de trânsito. Mas para turistas que querem ir visitar outra cidade, recomendo  os trens que são bem confortáveis e para quais as passagens ida e volta durante os fins de semana ficam metade do preço.

Falando em ir visitar outras cidades, belgas têm uma noção de distância completamente diferente dos brasileiros. Por exemplo, como estudante é normal de ir estudar em outra cidade (já que somente as maiores cidades tem faculdade), ficar numa república perto da faculdade e nos fins de semana voltar para a casa dos seus pais (geralmente para levar as roupas sujas). Eu fui estudar em Leuven, duas horas e meia de trem da cidade dos meus pais. Eu tinha acabado de voltar do Brasil e achei esta distância bem tranquila, porém, os meus amigos me declararam de louca. Agora já morando um tempo de novo na Bélgica tenho que me acostumar de novo quando um goiano me fala: “Vou para Brasília, é rapidinho”. Sim claro, somente 3hs, o tempo que precisa aqui para cruzar o país inteiro…

Relacionado a este tamanho ridiculamente pequeno, a Bélgica tem duas características um pouco diferente:

As regiões e comunidades

A primeira é que a gente, mesmo já tão pequeno, ainda decidiu a se dividir em duas partes. Isso não foi totalmente sem motivo: originou da diferença de língua entre a norte, que fala holandês, e o sul do país, que fala francês. Ou seja, no meio do mapa da Bélgica tem uma fronteira, que por um lado eles falam holandês, e cruzando a fronteira, tudo está em francês. O norte chama-se Flandres, e a região sul chama-se Valônia.

 

E claro, as duas partes não se gostam. No passado a Valônia foi a região mais rica, por ter minas, mas nas últimas décadas a Flandres está mais rica. A Flandres agora tem mais habitantes (6 milhões), mais empresas, tem os portos (a Valônia não tem costa, a Flandres sim) e simplesmente tem uma economia maior. O que faz os habitantes da Flandres reclamar que os nossos impostos estão sendo usados para ajudar as habitantes de Valônia (que de vez em quando são sendo chamados de ‘preguiçosos’). Os últimos anos parece que este assunto sumiu um pouco da agenda political, mas não foi tanto tempo atrás que o povo gostava de discutir a possível divisão do país em dois países.

A capital, Bruxelas – para ficar neutro – ganhou as duas línguas, tanto o holandês quanto o francês como língua oficial. Ou seja, toda a comunicação, por exemplo no transporte público, ou os nomes das ruas, são nas duas línguas.

Mas claro, duas partes mais uma capital com duas línguas oficiais, não seria suficiente não. Ainda precisávamos de pegar um pedacinho da Alemanha depois da segunda guerra e assim não temos somente duas regiões com outra língua, mas três! Muitas vezes é ignorada por ser uma parte tão pequena, mas  o Alemão é também uma língua oficial da Bélgica.

Esta estrutura resultou numa composição political bem complicada, com não menos do que 6 parlamentos! Olhe só: as regiões que têm uma língua diferente foram chamadas de ‘comunidades’, ou seja, uma comunidade holandesa, uma comunidade francesa e uma comunidade alemã. Além disso a Bélgica foi dividida em partes conforme as atividades econômicas, que resultou em três regiões: a região Flandres, a região Valônia (que contém a comunidade francesa mais a comunidade alemã) e a região de Bruxelas capital. E acima de tudo isso, tem o estado federal. Tudo isso daria 7 governos, mas a região Flandres, que territorialmente é igual à comunidade holandesa, decidiu de combinar o governo da região com a da comunidade. E assim temos 6 parlamentos… e bastante belgas que são politicos.

As províncias

E não é somente esta divisão que temos. Além destas regiões e comunidades e o capital, também somos divididas em províncias. Temos 10 províncias no total, 5 em Flandres e 5 em Valônia, e ainda temos a Bruxelas, que é separado (comparado com a Brasília). E, mesmo que todas estas províncias sejam muito pequenas, cada uma é bem diferente da outra, começando com um próprio dialeto e sotaque. E não estou falando de algumas outras palavras -do jeito que no Brasil cada região tem por exemplo uma outra palavra para mandioca- mas de uma língua totalmente diferente. Eu sou da província mais oeste da Flandres, e quando falo o dialeto de lá, alguém da província mais leste simplesmente não consegue me entender. Até dentro das províncias praticamente todas as cidades tem um próprio dialeto, de qual o sotaque e algumas palavras são diferente da cidade do lado (10 km de distância).

 

Bem, isto foi só uma pequena introdução sobre a Bélgica, mas agora pelo menos, o dia que vierem para a Bélgica, entenderão quando em uma cidade ouvir o francês e em outra cidade escutar o holandês…

No próximo post mais sobre este país pequeninho!

Até já!

Kuala Lumpur

Bom dia queridos leitores da Immagine!

No começo de março, no finalzinho do meu projeto na Indonésia, dei um pulo em Kuala Lumpur, a capital do país vizinho, Malásia. Para quem nunca viajou para  Ásia não acha que Malásia é muito famosa. Mesmo quem já viajou às vezes não sabe muito da Malásia já que não é tanto um lugar turístico comparado com por exemplo Tailândia ou Indonésia.

O país na verdade é mais conhecido no mundo de negócios por Kuala Lumpur ser um hub internacional:  é uma base perfeita para quem quer fazer negócios no Sudeste Asiático. Fiquei sabendo também que é uma base boa para quem quer viajar para Austrália: às vezes fica mais barato comprar uma passagem para Kuala Lumpur e depois de Kuala Lumpur para Austrália (que tem voos de companhias aéreas de baixo custo) do que tentar ir direto. E quem está tentando lembrar da onde já ouviu o nome Kuala Lumpur antes: a cidade apareceu na mídia internacional quando o meio-irmão do líder da Coreia do Norte foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur (4 dias antes de eu ir para lá).

Mesmo não sendo tão turístico como alguns outros países na Ásia, a Malásia é um país bem interessante. O país existe de duas partes: uma parte, chamada ‘Malásia Peninsular’, está grudada na Tailândia e é onde fica localizado a capital. No sul desta parte fica Cingupura. A outra parte, chamada ‘Malásia Oriental’ fica na norte da ilha de Bornéu (onde também fica o país bem pequeno chamado Brunei, e que pelo resto é território da Indonésia). O país não é muito grande, com somente 30 milhões de habitantes. É um país até bem desenvolvido, um pouco mais caro do que a Indonésia, com uma infraestrutura e transporte público bom. A língua oficial é a ‘Bahasa Malaysia’, que é bem parecida com a língua da Indonésia.

Eu fiquei quase 4 dias lá, em quais principalmente passeei em Kuala Lumpur e também fui um dia para Putrajaya. Estes dois lugares dariam para comparar com a São Paulo e a Brasília, a Kuala Lumpur é o coração econômico, e a Putrajaya é o centro das atividades governamentais. Mas ao contrário do  Brasil, estas duas cidades só ficam 35km de distância entre um e outro.

KUALA LUMPUR

Não tem como descrever a Kuala Lumpur em algumas palavras. A cidade é uma mistura gigante de prédios antigos e novos, de arquitetura européia e árabe, de mesquitas, templos budistas e hindus, de bairros malaios, índios e chineses, e de comida de todo canto do mundo. Veja você mesmo:

  1. Torres gémeas de Petronas

Petronas é o Petrobras da Malásia (com menos escândalos). A empresa construiu estas torres, que na hora da inauguração em 1998 foram as mais altas do mundo.  Os dois prédios servem como escritório para Petronas e como um dos lugares turísticos mais visitados da cidade. As torres são localizadas no bairro chamado KLCC (Kuala Lumpur City Center), um bairro bem moderno com bastante shopping, lojas e escritórios e com um parque bem gostoso que fica nos pés das torres.

 

 

  1. Kampung Baru

Pertinho do KLCC tem um bairro que é exatamente o contrário do bairro moderno e cheio de KLCC. Kampung Baru (literalmente traduzido “aldeia nova”) é como se fosse uma cidadezinha de qual em volta a cidade foi crescendo. Nestes dias é famoso por ainda conseguir achar casinhas no estilo antigo (com na parte de trás os prédios modernos da KLCC) e também por ter uma concentração de restaurantes, o que virou o bairro num lugar muito popular à noite.

 

  1. A praça da Merdeka

Esta praça também é chamada ‘a praça da independência’, por ter sido o lugar onde em 1957 a independência da Malásia foi declarada. A praça mesmo na verdade não é espetacular –  é um lugar aberto com grama, pronto – mas em volta há alguns prédios bonitos, como por exemplo o prédio do Sultan Abdul Samad e o Royal Selangor Club.

 

A praça da Merdeka com do lado esquerdo a edificação do Sultan Abdul Samad

 

Pelo outro lado da praça, o Royal Selangor Club

 

  1. Mesquita Nacional da Malaysia – Masjid Negara

Não tão longe da estação de trem central ( KL Sentral), tem um bairro bonito com um parque muito grande e em volta alguns museus e o orgulho da cidade: a mesquita nacional. A mesquita tem uma arquitetura totalmente diferente das mesquitas tradicionais e é bem bonita para visitar. Cuidado, nos horários de reza não está aberto a turistas (isso conta para todas as mesquitas).

 

  1. As cavernas de Batu

Fora do centro de Kuala Lumpur tem as cavernas de Batu. Uma parte das cavernas dá para entrar gratuitamente. Precisa subir uma escada de 272 degraus e chega na entrada da caverna de 400m fundo e 100m alto. O lugar inteiro é um lugar de culto para os hindus: tanto nos pés da caverna quanto dentro da caverna há templos hindus, e -a parte mais chamativa deste lugar- na frente da entrada há uma estátua dourada de 42m de altura do Murugan, o deus hindu da guerra e da victoria.  

 

Uma outra parte que eu gostei bastante desta visita eram os macaquinhos que moram lá. Bem, eu gostei, já que nos meus olhos eles eram fofinhos, mas um dos outros turistas que estava subindo a escada na minha frente deve ter gostado menos: um macaco rasgou a sacola que ele estava carregando e comeu na hora o lanche do cara. Ou seja, para visitar este lugar: tente ir de manhã quando ainda não tem muito sol na escada para a subida ficar mais tranquila, e não leve comida (ou guarda bem dentro da mochila)!

 

  1. Caminhando nas ruas…

 

Uma partezinha da rua Jalan Bukit Bintang: uma rua cheia de shopping e lojas luxuosas.

 

 

Só para demonstrar as oposições da cidade: do mesmo tanto que tem prédios super chiques, você acha lugares muito mal cuidados e dilapidados.

 

Um templo hindu

 

 

O começo da rua mais popular da Chinatown, cheio de lojinhas

 

  1. Comida

Quem gosta de viajar e experimentar novas comidas, com certeza recomendo Malásia! Acho que experimentei mais comida do que vi lugares turísticos lá, e tem tanta coisa gostosa! Aqui alguns exemplos:

 

Roti tisu (literalmente traduzido ‘pão guarda-napo’), bem fininho, crocante, um pouco oleoso mas que gostoso! E com a bebida Teh tarik, bem típica da Malásia, feito com chá preto e leite condensado.

 

Cheese Naan: o pão de queijo da Malásia. Tem um queijo derretido lá dentro e vem junto com um molho.

 

 

Igual à Indonésia, gostam de fritar a comida, e a banana frita é um dos favoritos também. Mas eu gostei mais ainda da banana com leite condensado e chocolate, que delícia!

 

 

Exemplo de um buffet no restaurante

 

PUTRAJAYA

Conforme eu disse, a Putrajaya dá para comparar com a Brasília. Até que dá para fazer esta comparação não somente por ser construída por fins governamentais, mas por também ter uma arquitetura impressionante e por ser um lugar onde tudo fica tão longe de um e outro que precisa de um carro. É uma cidade novíssima, concluída somente em 1999.

Os três prédios mais impressionantes são:

  1. Perdana Putra

Este prédio é o escritório do primeiro ministro da Malásia, e o prédio que mais chama atenção na cidade, já que fica num morrozinho no final da avenida principal.

 

  1. Tribunal da Justiça

 

  1. A mesquita rosa – Masjid Putra

Esta mesquita é a mesquita principal da cidade e foi feita de granito rosa. Veja por você mesmo o tanto que é bonita:

 

 

 

ALGUMAS DICAS

  1. Ônibus gratuito em Kuala Lumpur

Chamado “Go KL”, existem 4 linhas de ônibus dentro de Kuala Lumpur que são completamente gratuitos. Você consegue uma mapa das linhas nos escritórios oficiais de turismo da cidade ou pelo site (clique aqui) . Não confunda o ônibus Go KL com os ônibus Hop-on Hop-off. Este último é especificamente para turistas e é meio caro, enquanto com o Go KL você também consegue passar por todos os pontos turísticos. Para ir nos lugares que estas linhas de ônibus não passam, ou para ir de um jeito mais rápido, posso recomendar muito o metrô. Não fica caro e é bem moderno.

  1. Do aeroporto ao centro

O aeroporto de Kuala Lumpur achei um pouco confuso, porque, igual a tantos outros aeroportos, ele tem dois terminais, chamados de KLIA1 e KLIA2, porém, para trocar enter os terminais não existe um trenzinho do aeroporto, mas precisa pegar um transporte público pago, como se você estivesse indo para um outro lugar. Acabou sendo bem baratinho, nem R$ 3,00, e rápido, mas achei meio confuso. Principalmente porque não todos os jeitos de transporte para o centro saem dos dois terminais.

O jeito principal, o trem chamado KLIA Express, dá para pegar tanto no terminal KLIA1 quanto no KLIA2. O trem vai até a KL Sentral, a estação de trem central em Kuala Lumpur. A viagem custa RM35 (~ R$ 25,00) e leva meia hora. Um jeito mais barato de ir ao centro é um ônibus. Tem o SkyBus, que também vai até a KL Sentral, ele leva uma hora e pouco e custa RM9 (R$ 6,5). Este ônibus somente sai do KLIA2, que é o terminal onde chegam principalmente os voos da companhia aérea AirAsia. Se chegar em KLIA1, dá para pegar o trem para KLIA2 e de lá pegar este ônibus, ou pegar um ônibus direto da KLIA1, por exemplo da companhia Airport Coach, que custa RM18 (R$ 13).

   

  1. Walkway KLCC – BB

Kuala Lumpur tem algo que eu achei genial e adorei: uma passarela no ar de um meio quilômetro, ar-condicionado, que interconecta o centro de shoppings da Jalan Bukit Bintang com o bairro do KLCC onde ficam as torres de Petronas. O que pelas ruas seria uma caminhada de quase 2km, ficou uma caminhada bem agradável no ar condicionado de nem 10 minutos.

Para concluir, posso dizer que a Kuala Lumpur me deixou com a mesma sensação de Singapore: parece uma cidade bem legal para morar, com de tudo um pouco. Tem uma atmosfera bacana à noite quando os habitantes locais saem para jantar (o que eles fazem até meio tarde, por volta das 21hs – 22hs você vê bastante pessoas ainda jantando) e ficam lá nas mesas conversando com os amigos. Para fins turísticos, acho que vale a pena de ter visto a cidade e ter ficado lá alguns dias, mas também acho uns 3 dias o suficiente.

Com este post terminei a série de posts sobre a minha aventura de alguns meses no Sudeste Asiático. Neste momento já estou morando de novo na Bélgica, então os próximos posts serão sobre a Europa!

Até!

Cingapura

Neste post  falarei sobre a Cingapura! Quando eu viajei para a Indonésia, não estava nos meus planos  visitar a Cingapura. Eu somente tinha agendado de visitar a Malásia, pelo simples motivo que o visto de turista na Indonésia é de ao máximo 60 dias, e eu ia ficar mais do que dois meses. Então depois destes 60 dias eu ia dar um pulo na Malásia para na volta conseguir um novo visto de turista na Indonésia.

Porém, quando eu troquei de projeto depois de um mês e me mudei de cidade, eu tive um contato não tão agradável com o departamento de imigração da nova região onde fui morar. Descobri que corrupção também existe na Indonésia, e que a burocracia talvez ainda é mais chata de que no Brasil. Este meu encontro com a imigração de Pemalang tinha a consequência que fui deportada, e assim fui obrigada a viajar –mais cedo do que planejado- para um outro país, para depois poder voltar na Indonésia e pegar um novo visto. Naquele momento a passagem para a Cingapura foi a mais barata, e assim acabei indo um fim de semana para lá.

A República de Cingapura é o menor país da Ásia sudoeste e o 20° menor país do mundo, com um tamanho de 716km² (a metade da área de São Paulo Capital). Na verdade, a classificação correta de Cingapura não é país mas “cidade-estado”, ou seja, uma cidade com todos os poderes de um país. Tem quase 6 milhões de habitantes, que principalmente são de três origens: 77% são chineses, 14% são da Malásia e 8% são da India. Assim, nos lugares públicos tudo está escrito em 4 línguas: Chinês (Mandarin), Bahasa Malaysia, Tamil e Inglês.

A Cingapura não estava na minha lista de destinos a visitar porque na minha cabeça era um lugar muito caro: do que eu lembrava era uma das cidades mais caras do mundo. Então, quando fiquei sabendo que eu ia viajar para lá, uma das primeiras coisas que joguei no Google foi: “budget traveling in Singapore” (“viajar com pouco dinheiro em Cingapura”). E fiquei surpresa em ver que tem muita opção para fazer a viagem de um jeito mais barato.

Inclusive enquanto eu estava escrevendo este post, saiu um artigo no BBC que tratou exatamente sobre isto: porque a Cingapura aparece já há 4 anos no index “Custo de viver” como a cidade mais cara, se na verdade dá para viver barato lá? No artigo explica que este index faz o cálculo levando em conta os custos de expats (os estrangeiros morando lá por causa do trabalho) que já tem um custo de vida mais alto, já que frequentem hotéis e restaurantes bons. E as coisas que geralmente são mais caras, ficam muito caras em Cingapura. Porém, é perfeitamente possível de visitar o país sem ter que ficar num hotel caro (existem hostels bons), ir em restaurante (tem alternativos para comer mais barato) e precisar de pegar um táxi (o transporte público é ótimo).

Já que só fiquei sabendo na quarta-feira que eu ia ter que ir naquela sexta-feira para Cingapura, a minha viagem não foi muito bem preparada. Também acabei só passando um dia lá, cheguei numa sexta à noite e no domingo meio dia já tinha que pegar o meu voo de volta. Mas deu para visitar uns dos pontos mais famosos naquele sábado:

 Merlion Park com vista para Marina Bay Sands, ArtScience Museum e Singapore Flyer

Comecei o meu dia bem cedo para pegar a vista do sol nascendo a partir do parque mais famoso do centro da Cingapura: o Merlion Park (na verdade não é um parque no sentido de ter grama e árvores, é mais uma praça). O “Merlion” é um dos ícones do país, uma estátua de uma figura mitológica com a cabeça de um leão e o corpo de um peixe. Quando cheguei no parque, a única estátua que vi foi esta:

Ok, é uma estátua da mistura de um leão com peixe, mas eu tinha muita certeza que nas fotos da Cingapura eu vi uma estátua maior do lado de um lago bem grande, não uma piscininha deste tamanho. Tirei a foto me sentindo um pouco ridícula, mas pensando bem, se eu não estou vendo nada maior, quem sabe que é esta aqui mesmo.

Aí foi só um pouco depois quando li por acaso uma placa que estava do meu lado que eu entendi. A placa dizia: “Desculpe-me enquanto estou tomando um banho”, e estava anexada à embalagem em volta do Merlion original.

 

A partir do Merlion Park, você consegue ver os outros ícones do país:

 

Ao lado direito tem o hotel cinco estrelas chamado Marina Bay Sands. Na frente fica um museu de arte e ciência com uma arquitetura bem diferente. Para o lado esquerdo tem a roda gigante chamada Singapore Flyer, que, com uma altura de 165m, foi a maior roda gigante até 2014.

Toda noite, às 20hs e às 21.30hs, a Marina Bay Sands tem um show de luzes (gratuito), que dá para ver perfeitamente do Merlion Park.

Gardens by the Bay

Este lugar com certeza foi o meu lugar favorito. Dava vontade de ir morar na Cingapura só para ir passeando neste parque todo dia. Fica ao outro lado de hotel Marina Bay Sands, com esta vista bonita:

 

O ponto mais chamativo do Gardens by the Bay são os Supertrees (“Superárvores”): construções de metal que representam árvores. Eles têm alturas entre os 25m e 50m, tem painéis solares para ser autossuficiente na questão de iluminação e também tem um sistema para guardar a água de chuva e poder reutilizar num sistema de irrigação. Veja o tanto que este lugar é impressionante:

 

 

À noite tem um show de luzes nestes árvores, chamado Gardens Rhapsody Light Show. Tem o show todas as noites às 19.45hs e às 20.45hs, e o acesso é gratuito. Com certeza recomendo! Eu fui na apresentação das 20.45hs para depois ir direto para o Merlion Park para assistir o show de luzes da Marina Bay Sands.

 

East Coast Park

Não vou dizer que o parque East Coast Park é um dos lugares mais turísticos, mas é um lugar muito gostoso para passear um pouco. O parque tem um comprimento de 15km seguindo a costa e tem uma pista de ciclismo, lugares para fazer churrasco, algumas praias pequeninhas,… É um lugar onde principalmente encontrará as pessoas locais no tempo lazer deles.

 

Estes 3 lugares foram os lugares onde passei o mais tempo, mas tem muito mais coisa ainda. Quando está no Merlion Park, já está do lado do centro onde fica o parlamento, a justiça, museus, shoppings etc. É um bairro bem legal para dar uma caminhada, já que tem muito prédio bonito. De lá dá para pegar o transporte público para Harbour Front, de onde sai um trem para a ilha Sentosa Island, um lugar bem turístico, principalmente conhecido pelo parque Universal Studios e as praias tropicais (que não são naturais, foram construídas com areia importada da Indonésia). Quase fui lá mas começou a nublar bem na hora que eu ia pegar o trem, então não fazia muito sentido ir numa praia sem sol. Tem também os jardins botânicos e vários outros parques, e até o aeroporto mesmo da Cingapura é legal para visitar!

Algumas dicas para quando estiver preparando a sua viagem:

Singapore Tourist Pass

O Singapore Tourist Pass é um cartão para pegar o transporte público tantas vezes que quiser. Existem cartões para somente um dia (~ R$ 22,0), para dois dias (~ R$ 36,0) ou para três dias (~ R$ 44,0). Na hora de comprar o cartão você tem que pagar o valor de 10 Dolares de Cingapura (~R$ 22,0) a mais, que você recebe de volta na hora de entregar o cartão no final da sua viagem. Tem como comprar o cartão no aeroporto ou em algumas estações de metrô. O cartão não é válido para 24hs mas somente até o final daquele dia que você o começou a usar. Então se chegar à noite em Cingapura, é melhor comprar um bilhete único, para o dia depois iniciar este cartão. Já que com certeza precisará do transporte público, vale muito a pena comprar este cartão!

Se prepare para caminhar muito

Eu cheguei lá com uma noção totalmente errada de distâncias: no mapa dá para ver claramente que tem a estrutura de uma cidade só, em vez de ser um país com várias cidades. Lembrando que era um país muito pequeno, eu olhava aquele mapa e jurava que tudo era pertinho de um e outro. Mas sim, é um país pequeno, mas quando aquele país pequeno é uma cidade só, quer dizer que a cidade é grande. Foi algo que meus pés acabaram descobrindo… Mesmo que peguei muitas vezes o metrô, eu andei muito! Até dentro da estação de metrô parece que já tem que andar duas quadras para sair de lá.

Hawker Centers

No começo do post mencionei que a sua estadia na Cingapura não precisa ser muito caro. Um aspecto muito importante para conseguir deixar sua visita mais barata são os Hawker Centers. Um Hawker dá para comparar com a praça de alimentação num shopping: é um lugar cheio de mesas e em volta várias lojinhas vendendo a comida delas. A comida é estilo “street food”, a comida típica que daria para comprar de vendedores ambulantes na rua. Geralmente na Ásia é meio arriscado de comer comida da rua, porém, estes Hawkers tem fiscalizações higiênicas e é bem tranquilo de comer lá. E os preços são ótimos, por volta dos 10 reais para um prato.

Leve em mente as regras

Cingapura foi declarado o segundo país mais seguro do mundo (depois da Suíça). Eu não sabia desta informação quando eu estava lá, mas dava para ver que era um país com muitas regras e muita vigilância, o que dava uma sensação de segurança. A vigilância não foi nem no sentido de ver muito policial na rua, mas foi na forma de placas deste jeito:

 

Como turista também tem que tomar cuidado com as regras que são diferentes, já que o governo da Cingapura aparentemente adora multa. Por exemplo, é proibido  tomar ou comer algo dentro do transporte público. Inclusive é proibido  entrar no transporte público com uma certa fruta de lá, chamada ‘durian’ (parece uma jaca pequena), já que a fruta tem um cheiro forte. Também pode levar multa se der comida aos pombos na rua. A Cingapura até tem uma lei que proíbe a venda e importação de chiclete. Só não tem lei que proíbe o consumo dele, vai entender. Mas se você estiver viajando com alguns pacotinhos de chiclete na bagagem de mão, é possível  ter que responder algumas perguntas no aeroporto. Se cruzar a rua sem ser na faixa de pedestre enquanto tem uma faixa perto (ao máximo 50m de distância), também pode levar multa.

Na minha opinião a Cingapura é uma cidade muito agradável, muito limpa. Tem um transporte público muito bom e tudo é bem explicado e fácil para achar. Com certeza me pareceu um lugar muito agradável para morar. Quando é para fins turísticos, creio que nuns 2 à 3 dias já são suficientes para ver todos os pontos mais bacanas e que depois já dá para seguir o caminho a outros lugares na Ásia.

O meu próximo post tratará sobre uma outra capital na Ásia, que fica até “pertinho” da Cingapura (leia: 9 horas de trem): Kuala Lumpur, capital da Malásia. Até!

A cultura indonésia (2)

Exatamente duas semanas atrás foi o meu último dia na Indonésia. Depois de uma passada curta na Bélgica estou agora curtindo bastante pão de queijo, coxinhas e brigadeiro nesta terra linda do Brasil. Mas conforme prometi, dedicarei mais um post a Indonésia, já que é uma cultura tão diferente que ainda tem bastante coisas a contar.

Vamos começar pela comida, sempre um assunto gostoso. No meu primeiro post, passei as palavras “pedas” (piquante) e “goreng” (frito) que já são um bom indicador de o que você pode esperar na Indonésia. Passarei mais umas palavras aqui relacionadas à comida, que – claro – foi o vocabulário que eu aprendi o mais rápido.

– Makan: Tem que começar a listinha pela palavra mais óbvia, “makan”, o que quer dizer “comer”. Se ficar hospedada na casa de alguém, pode ter certeza que será a palavra que mais escutará.
– Nasi: Na bahasa Indonesia existem várias palavras para arroz, já que eles fazem uma diferença entre o arroz que ainda está no campo, o arroz que já foi colhido e o arroz pronto para comer. Nasi é o arroz que está no seu prato mesmo e é o que eles comem como café da manhã, almoço e janta. Os Indonésios falam que, se para uma destas refeições não comer arroz, é igual a não comer nada, independente de quantas outras coisas tinha no prato. Um café da manhã com chá, pão, frutas e iogurte então é um absurdo para eles (um comentário que eu tive que ouvir bastante cada vez que eu optei para um café da manhã não-asiático).
Eles também preparam o arroz diferente do jeito brasileiro, já que eles usam uma máquina. Realmente todo mundo tem uma máquina assim em casa e também em restaurantes é como fazem o arroz. Isso quer dizer que eles simplesmente jogam água, sem adicionar nada de tempero. A primeira vez que mandei uma foto do meu prato com arroz para uma amiga brasileira, a reação dela foi: “este arroz está grudento demais!” E quando eu fiz um arroz para mim na Indonésia do jeito brasileiro, a avó da casa lá estava discordando muito com meu jeito de preparo. Precisei de uma tradutora para explicar para ela que era assim que eu queria comer e que não, não estava faltando água e tempo de cozinhar…


– Lontong: Como se não for suficiente de comer arroz três vezes por dia, existe algo chamado Lontong, que é um arroz pressionado junto e embalado em folha de banana. Às vezes é cortado para misturar num prato, mas muito vezes eles comem assim, na mão mesmo, como lanche!
– Ikan: Ikan quer dizer peixe, e algo que achei muito engraçado (e esperto) é que bastante casas no interior tinham um lagozinho no jardim com peixes. Na hora de querer comer peixe, era só pegar um, limpar um pouquinho e fritar!
– Warung: Um “warung” é o nome que dá para um pequeno restaurante, que geralmente é aberto na rua. Quando vai num outro país os turistas às vezes ficam com medo de comer num lugar assim que fica na rua e geralmente não é muito organizado. Mas nos meu tempo todo na Indonésia só almocei ou jantei em warung, e posso dizer que é a melhor escolha. Muitas vezes a comida é preparado na hora, é baratinho e é muito gostoso!


Também o jeito de comer é diferente. Os dois jeitos mais usados é de comer somente com colher, ou com a mão. Digo “a mão” no singular porque realmente é para usar somente a mão direita. Isso não é somente para por exemplo pegar a coxa do frango, mas é realmente para comer o prato todo, com arroz e tudo (descobri que se não quiser ter que ficar procurando arroz debaixo da sua unha, este método de comer não é recomendado a pessoas com unhas compridas). A ‘sorte’ é que na Indonésia é muito normal comer a sua comida morno ou até frio, então pelo menos não queima a mão. Para comer miojo eles também usam palitinhos, com como alternativa um garfo, mas para os outros pratos é somente colher mesmo. O hábito de usar uma faca não existe (eu sou especialista em cortar minha comida em pedaços extremamente pequenas então precisei de me acostumar bastante com isso), e praticamente nem tem faca em casa, só uma ou duas maiores para cozinhar.

Além disso, é muito normal de sentar no chão para comer. No dia a dia come na mesa, mas quando tem uma festa na casa de alguém o mais comum é de colocar um tapete e sentar no chão. Isso também existe em alguns “warung”: eles botam um tapete na calçada e você senta lá para almoçar ou jantar.

No meu primeiro post comentei sobre a atenção que estrangeiro (“bule” na língua indonésia) chama, mais ainda quando é branca, alta e com cabelo loiro como eu. Quando me mudei da cidade para a vilazinha, descobri que lá realmente tem pessoas que nunca viam uma pessoa branca na vida real. Assim uma pergunta típica das crianças era como foi que eu consegui ter olhos azuis, ou também se eu estava usando uma lente colorida. Até tinha criança perguntando para a professora porque eu sim fui liberado de pintar o cabelo e eles não (é moda de menino pintar o cabelo moreno, mas a escola não liberava). E já que eu tenho cabelo loiro, a única possibilidade para eles é que eu pintei.

O que sempre achei bem legal é que todo mundo te chama de “Miss” (= “senhorita”). Eles aprendem um pouquinho de inglês na escola e assim conhecem as palavra “Miss” ou “Mister”. Já que é uma cultura de respeito e bem educada, todo mundo, seja vendedor ou alguém querendo tirar foto com você ou aluno de escola, te chama de “Miss”. Até quando homem quer mexer com você na rua, o que nem tem muito (eles olham bastante, mas não mais do que as mulheres e as crianças), o máximo que acontece é que falam “Miss, how are you?”. Quase é bonitinho, principalmente se comparar com o que tem que ouvir andando nas ruas no Brasil.

Umas outras coisas típicas de Indonésia:
– Lagartixa: Se não gostar de lagartixa, você tem um problema. Ou seja, eu tinha um problema. Acho que no final parei de morrer de susto cada vez que passava uma na parede do meu lado e até quando tinha uma no meu quarto, eu ia dormir em vez de ficar morto de sono olhando ela para ver se com certeza ia sair alguma hora. Mas nunca vi tanta lagartixa na minha vida e com certeza não dentro da casa.
– Censura: O primeiro filme que por acaso vi passando na televisão era Os Três Mosqueteiros. A personagem feminina principal no filme usa um vestido de espartilho bem apertado e então, um decote bem chamativa. Isso no filme original, já que na Indonésia, o decote ficou censurado! Depois descobri que eles censuram tanto decote, quanto cigarro (mesmo que passa propaganda de marca de cigarro toda hora (mas somente depois das 22hs)), álcool e armas nas programas de televisão.
– Sapato: Sempre tem que tirar o sapato para entrar numa casa. Isso também é quando vai sentar por exemplo num “warung” que botou o tapete na calçada: você tire o sapato antes de pisar no tapete.
– Natação de roupa: Este foi bem diferente para mim: quando vai em piscina, mulher usa uma calça comprida, uma camiseta e continua com véu na cabeça. Não é muito confortável e com certeza não é prático para tomar sol (para mim então, já que as Indonésias não querem tomar sol mesmo).


– Gatos: Existe muito gato de rua na Indonésia e coitado dos bixinhos mas, eles são muito muito feios. Estão magro demais, não quero nem imaginar de quantas doenças tem e o pior de tudo, eles tem um rabo cortado! Na verdade eu pensava que o rabo foi cortado, e um Indonésio também me confirmou isso, mas parece que uma possível explicação é que eles nascerem assim, que é uma raça de gato. Eu só sei que eu perdi a vontade de ficar passando mão em gato de rua. Interessante também é que quase não vemos  cachorro, e muitas pessoas que conheci lá falaram que tem medo de cachorro. Na ilha de Java quase não tem porque muçulmanos acham que cachorro é sujo.
– Batik: Quem vai para Indonésia, com certeza vai encontrar este tecido. É um tecido estampado tradicional da Indonésia, que sempre é usado para roupas de festas e também para roupa formal por exemplo de funcionário público ou professor. Na verdade o tecido mesmo não achei muito agradável para usar como roupa, mas é bonito.

Para terminar meus posts sobre a Indonésia, gostaria ainda de contar sobre um lugar turístico, que na verdade é o único lugar bem famoso que visitei já que por causa do projeto de voluntária eu viajei pouco. Este é um lugar sobre qual achará informações em qualquer guia de turismo porque é um dos pontos mais famosos na ilha de Java. O lugar chama “Candi Borobudur”, traduzido como “Templo do Borobudur”, que é o maior monumento budista do mundo. Está localizada entre Semarang (onde eu fiz um mês de projeto) e Yogyakarta, uma cidade bem turística na Java. Deixo as fotos falarem por si mesmo:

No meu próximo post falarei sobre minha viagem de um dia para Cingapura, um país bem interessante e muito agradável!

Até!

A cultura indonésia

Hoje é meu último dia na Indonésia e gostaria de compartilhar mais umas coisas com vocês sobre a cultura, que na minha opinião é uma cultura muito bonita e que consequentemente acabei gostando bastante.

O que com certeza vai ficar mais na minha memória é a bondade das pessoas aqui. Não sei se é algo da cultura da Indonésia, da cultura da Java (a ilha onde estou) ou da cultura muçulmana – o mais provável é que é uma mistura das 3- mas as pessoas são muito gentis, abertas e hospitaleiras. Já falei isso no meu primeiro post mas é algo que marcou tanto a minha experiência aqui e de qual vi todo dia prova, que com certeza vale repetir de novo.

Além de serem muito gentis, eles são muito humildes. Na verdade achei que eles são quase humildes demais quando se trata de estrangeiros. Só de você estar na casa deles, eles já acham uma honra. Eles te enchem de comida, botam um membro da família para dormir na sala para que você possa ter um quarto e na hora de despedir ainda pedem desculpa porque acham que talvez fizeram algo errado.

Também no meu aniversário, que foi bem no final do primeiro projeto que eu fiz, as pessoas do bairro – que eu só conhecia durante um mês então – organizaram uma festa surpresa para mim, com decoração, um bolo, as crianças da minha aula de inglês cantando Happy Birthday,… No final da festa a organizadora me disse ‘Muito obrigada!’, e eu fiquei, ‘como assim, muito obrigada? Sou eu que tenho que agradecer você!’ Aí ela respondia: ‘Não, obrigada à você por ter gostado!’ Eles realmente ficam felizes por conseguir deixar você feliz.



Eles também são muito alegres, adoram dar risada, brincar, cantar (adoram karaoke), conversar com todo mundo que encontra na rua, ir na casa do vizinho onde sempre terá um chá bem doce e alguma comida (bem provavelmente frita). O que admiro muito aqui é que, por causa da religião, eles não bebem álcool. Eles adoram reunir pessoas, mas quando fazem está sendo servido água, chá ou café, e nunca álcool. Mas pela tanta de alegria e risada que tem nos eventos assim, dá para ver que com certeza não faz falta!

Falando da religião – que foi um dos motivos por quais achei legal eu vir para Indonésia e mais especificamente a ilha Java, já que aqui o Islam é a religião dominante e me pareceu interessante a conhecer melhor –  gostaria de fazer algumas observações sobre esta religião que nestes dias é tão mal vista. Eu pessoalmente são agnóstica então as observações são feitas de um ponto de vista cultural/antropológica, não religiosa.

Os muçulmanos indonésios são bastante religiosos. Por exemplo, desde criança eles aprendem a ler árabe para assim conseguir recitar o Alcorão. Todo mundo aqui realmente consegue ler e escrever a escrita árabe, fiquei bem impressionada com isso. Eles também só comem carne halal e não comem carne de porco. Conforme mencionei num post anterior, as mulheres também seguem as regras de roupa muçulmana, se vestem com manga comprida, roupa sempre cobrindo os joelhos e usando um véu (somente tampando o cabelo, não o rosto).


Eles também seguem o ‘sholat’, as 5 rezas por dia. Pode ser dentro da casa, onde existe um quarto separado para isso, ou na mesquita. É um costume que também os jovens ainda fazem. Eu sabia deste costume de rezar 5 vezes por dia antes de vir para cá e na época me pareceu algo meio radical. Mas na verdade, assistindo estes momentos de perto, deu para ver que são simplesmente 5 momentos por dia que eles tomam um tempinho para si mesmo e que eles conseguem expressar o gratidão deles para a vida que eles têm. Na vida ocidental está sendo muito recomendado de fazer meditação e Yoga já que as pessoas têm uma vida corrida demais e precisam de técnicas para relaxar. Na verdade não vejo diferença entre alguém precisar de um momento de Yoga, ou ir correr por meia hora, ou de relaxar na frente da televisão para poder desligar a cabeça um pouco, com estes momentos de reza. Algo que confirmou isso para mim foi quando uma menina aqui estava me contando sobre um momento estressante que ela tinha passado e me falou ‘eu só queria rezar naquele momento’.


Ao mesmo tempo que eles são bastante religiosos, eles são muito diferente daquela imagem radical do Islam. Por exemplo, nestes dois meses somente uma pessoa tentou me converter a virar muçulmana, e 3 outras pessoas pediram desculpa por ela ter feito isso.

 

Claro que como em todo lugar do mundo existem pessoas mais radicais. Tem por exemplo uns partidos políticos que acham que o governo deveria se basear nos princípios da Islam e que nestes dias estão protestando contra o governador de Jakarta, que é um cristão. Mas as pessoas com quem eu conversei aqui sempre condenam qualquer forma de violência no nome do Islam e enfatizam muito o fato que o Islam ‘puro’ é uma religião de tolerância e de paz. Inclusive a palavra ‘Islam’ vem da palavra árabe ‘salema’ o que quer dizer ‘paz, pureza’.

Também a imagem da mulher ser subordinada ao homem não faz parte da cultura indonésia. Na família na qual eu fiquei – de qual a mãe inclusive é uma professora de religião – ficou bem claro que é a mãe da casa que mandava em tudo, e o pai ajudava a limpar a casa e a cozinhar, bem o contrário do estereótipo.

Eu fui avisada na hora de chegar aqui que eu talvez encontraria homens que não iam querer dar uma mão para mulher para comprimentar. Por isso me avisaram que como mulher é melhor nunca esticar primeiro a mão para comprimentar um homem (algo difícil de lembrar). Mas na verdade todo homem sempre me dava uma mão que eu acabei de esquecer desta possibilidade… até claro acontecer que eu estiquei a mão e o homem não quis aceitar. Na hora é uma sensação bem ruim, principalmente porque eu estava do lado de um outro voluntário masculino de quem foi aceito sim, como se eu valesse menos do que ele. Mas mesmo quando foi assim, o homem não me olhava feio. Ele sorria, pressionava as duas  mãos juntos e acenava com a cabeça como jeito de cumprimentar. Nestes dois meses só encontrei uns 5 homens que me cumprimentavam assim em vez de dar uma mão.

 

Então não vou dizer que as mulheres são totalmente iguais ao homens ou que não existem homens que acham que as mulheres valem menos, mas encontrei mulheres com uma função alta em empresas, entre os jovens os meninos tem amizades normais com as meninas, e as meninas vão do mesmo tanto para a faculdade quanto os meninos.

Então para mim a imagem do islam que a mídia está pintando estes dias e os preconceitos que seguem a partir desta imagem, foi mais do que refutada graças à cultura que assisti aqui na Indonésia. Fiquei bastante feliz de ter conhecido esta cultura muito bonita, que ainda contém aspectos de uma vida simples que já ficou um pouco perdido na Europa: se preocupar mais com as outras pessoas do que com dinheiro, ser grato pela vida que tem e principalmente ser feliz e alegre.
Ainda tem bastante coisas a contar sobre a Indonésia então também vou dedicar meu próximo post à Indonésia, mais específico sobre mais alguns costumes daqui e os lugares que visitei. Até!

Fazendo trabalho voluntário na Indonésia

Conforme mencionado no meu último post, hoje falarei sobre o trabalho voluntário que estou fazendo na Indonésia. Quando decidi que queria sair do meu emprego para conhecer outro lugar do mundo, tinha vários motivos que me ajudaram a escolher um projeto voluntário em vez de somente viajar.

Um dos maiores motivos, para mim, era que uma estadia longa em um mesmo lugar  realmente possibilita conhecer a cultura local. Você acaba fazendo amizades com pessoas de lá mesmo, em vez de somente conhecer outros viajantes com quem você compartilha um mesmo quarto no hostel durante uns 3 dias. E são estes amigos locais que te ensinarão a cozinhar os pratos típicos, com quem você vai praticar a língua e que te levarão naquela caminhada na natureza lindíssima que não está mencionada em nenhum livro turístico.

Fazer um trabalho voluntário também é uma oportunidade de desenvolver seus skills (habilidades) e conhecimento. Além da parte de aprender a língua local, também tem o fato que no trabalho voluntário você acabará fazendo atividades que no seu dia a dia normal não faria. Estas atividades diferentes te dão a oportunidade de sair da sua zona de conforto, o que sempre tem como resultado um autodesenvolvimento forte. E sim, além de ter novos skills, simplesmente o fato de mencionar que fez trabalho voluntário é algo que fica bom no seu currículo também.

Talvez você se pergunta agora: “Bem, isso são motivos meio egoístas, um trabalho de voluntarismo não deveria ser por querer ajudar os outros, em vez de ser bom para si mesmo?”

Na verdade, isso é o que fez dessa experiência ainda mais perfeita: enquanto eu estaria aprendendo novas coisas e vivendo uma experiência muito boa, eu também estaria fazendo algo bom. Porém, o motivo por qual não mencionei isso como a minha maior motivação, é porque eu comecei este projeto com uma visão muito realista sobre o quanto de impacto o meu trabalho teria. Ficar dois meses em um lugar onde não conhecia a língua nem os costumes? Eu não ia mudar a vida das pessoas. Se o meu maior motivo de fazer o projeto fosse melhorar o mundo, eu ficaria muito frustrada por somente poder fazer bem pouquinho. Mas aproveitar certas vantagens e, ao mesmo tempo, poder contribuir um pouquinho, me parece melhor do que nada.

Foi conversando com uma amiga sobre esta ideia, que ela me recomendou o site de uma organização belga que faz parcerias com organizações de projetos voluntários do mundo inteiro. Assim, eles tem um database com projetos que variam de ajudar tartarugas no México, construir casas na África, cuidar de elefantes na Tailândia e dar aula de arte para crianças no Rio de Janeiro. Tem projetos que focam em experiência cultural, por você ser o único voluntário lá, e tem projetos focando em trabalho com time internacional, quando você tem que executar um projeto junto com outros voluntários.

O processo de participar em um projeto de trabalho voluntário normalmente não é difícil – por exemplo comparando com conseguir uma bolsa para estudar num outro país – pelo simples motivo que você está pagando para participar. É algo de que muitas pessoas não têm consciência e até acham estranho, mas para participar em um projeto voluntário, você quase sempre tem que pagar uma taxa de participação. No meu caso eu precisei pagar uma taxa para a organização belga e chegando na Indonésia também tive que pagar uma taxa por mês à organização aqui. Além disso, tem o custo da passagem de avião e do seguro de viagem e saúde que também são de responsabilidade do participante.

Concluí estes passos administrativos e financeiros e no dia 3 de janeiro cheguei na cidade de Semarang. A organização local, chamada IIWC of PKBI, estava me esperando no aeroporto e me deu um dia de orientação sobre a Indonésia e o projeto. Depois me mudei para a Nuansa Mandiri, a cooperativa onde eu ia efetuar meu primeiro projeto.

Nuansa Mandiri, literalmente traduzida “Tons de independência” é uma cooperativa de microfinanciamento com 200 membros. Os membros são mulheres da classe baixa – geralmente proprietárias de estande de feira – que não se sentem bem-vindas em banco (por causa do horário de abertura limitado, as taxas altas, os requisitos para conseguir um empréstimo…) A Nuansa Mandiri funciona como banco, oferecendo empréstimo e/ou conta poupança para os membros. Porém, a grande diferença é que em vez dos membros terem que ir até o local da cooperativa, as funcionárias da Nuansa Mandiri vão todos os dias visitar os estandes dos membros para receber o dinheiro que irá pagar o empréstimo ou que gostariam de colocar na poupança (quantias pequenas variando de R$ 1 até R$ 25).

Parte do meu projeto era ir junto com estas funcionárias às feiras para buscar o dinheiro dos membros. De volta ao escritório eu ajudava com a parte administrativa da cooperativa. Foi bem interessante ver o funcionamento de microcrédito, um sistema que estimula o desenvolvimento social e econômico e para qual o inventor, Muhammad Yunus, ganhou o prêmio nobel em 2006.

Além disso, a Nuansa Mandiri oferece certas atividades sociais para os membros, por exemplo, seminários sobre saúde, aulas de inglês, aulas de esporte…
Estas atividades eram a minha principal responsabilidade e assim eu dava aula de inglês para as crianças, aula de aeróbica e aula de yoga.


Em primeiro de fevereiro me mudei da cidade para uma aldeia, chamada Mogá, para iniciar um segundo projeto, que é organizado por uma organização local non profit, chamada Literasi Kampung (“Alfabetização da aldeia”).  O que gostei desta organização é que foi iniciada por um grupo de jovens locais (entre 20 e 30 anos), que decidiram estabelecer a primeira biblioteca da aldeia. Além de construir esta biblioteca fixa, eles também levam os livros para outras aldeias em volta, criando assim uma biblioteca móvel.

As minhas tarefas envolvem esta biblioteca móvel e também o intercâmbio cultural: visito as escolas das aldeias em volta daqui, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio, para contar um pouco sobre a vida na Europa e dar uma oportunidade às crianças e adolescentes de praticarem o Inglês.


Uma parte do meu projeto também se localiza numa outra aldeia, chamada “Tourism village of Cikendung”. É um lugar lindíssimo, no meio de plantações de chá, campos de arroz e bananeiras, que está tentando desenvolver o turismo. Lá dou aula de inglês para os guias (que são treinados para subir o vulcão “Mount Slamet” que fica aqui perto), e tenho a sorte que, em troca disso, a cidade me oferece atividades culturais que também são oferecidas às turistas. Assim estou aprendendo a tocar Gamelan e a dançar Menthelan, um estilo de música e uma dança tradicional.


Neste momento quase terminei meu segundo mês de projeto e depois de uma pequena viagem para Kuala Lumpur, o capital da Malásia, eu já estarei voltando para a Bélgica.

Com certeza foi uma experiência única que realmente recomendo a todo mundo. Claro que não é todo mundo que tem 2 meses para ir fazer um projeto voluntário, mas às vezes pode ser legal incluir um projeto de 2 semanas na sua trajetória, ou em vez de tirar um mês de férias para ir pulando de cidade em cidade, usar este mês para fazer um projeto voluntário. O que você “perderia” em ver lugares turísticos e famosos, vai ganhar em dobro de experiência cultural.