Ataque de ciúme

Dor lancinante. Embora sem razões, eu encontro os meus motivos. Pode ser um atraso teu, uma desculpa esfarrapada ou simplesmente nada. Não consigo aplacar a raiva que ferve dentro de mim e que transborda em indagações.

Sei que você não é meu objeto. Não te comprei ou adquiri. Você decidiu estar comigo. Mas isso não vem ao caso. Por que ele, o ciúme, me cega. Me emudece. Me agarra pelo calcanhar, atinge meu ponto fraco e me faz perder as estribeiras. E eu, este homem pacato e simples me torno um serial killer. Mato ele, ela, você, todos.

Você não percebeu? Não?! Pois eu vi. Vejo além do que você vê. Aquela cantada barata, aquelas segundas intenções que ficam no ar. Ah como odeio os que não respeitam o relacionamento dos outros!

Confio em você. Não confio nos outros e se duvidar, não confio em mim mesmo. E não venha me dizer que acha isso tudo fofinho… Não é. É monstruoso. Embrulha meu estômago.

Não diga que não tenho motivos para desconfiança. Eu tenho os meus motivos. Ressuscito em minha ancestralidade esse instinto animal de defender a sua caça. Uso tacape se for necessário, invento a roda e o fogo… O que é meu é meu. E sou afligido pela voz que insiste em perguntar: será?

Resta-me comungar com a sensação de que ninguém é de ninguém. Preciso confiar que você me quer como eu te quero. Mas ele, o ciúme, não deixa.

Tolice minha, no final, quem sofre sou eu.