As mulheres, uma admiradora e o verbo oferecer

Nada é mais surpreendente que o imaginário de uma mulher. Em absoluto. Tanto já me falaram — olhos nos olhos e riso debochado — que não entendo nada sobre elas e, tanto, me disseram que as entendo como poucos e até possuo sensibilidade sem igual para compreendê-las.

Particularmente, exceção feita ao deboche, prefiro me reservar ao direito da primeira opção.

Não entendê-las.

É mais simples, mais cômodo e não exige esforço algum.

Essa semana me confidenciaram, por exemplo, que tenho, no meu vasto ambiente de trabalho, uma fã, ou, digamos assim, uma admiradora. Até aí tudo bem. Acontece que em pouco mais de 24h, a simples revelação e entusiasmo de quem soube — o anúncio se deu para uma sala cheia —, transformou-se quase em desdém.

Primeiro, no afã da descoberta:

— Humm, a menina tá te querendo.

— Ela faz teu tipo, vai lá.

— Se eu fosse você, iria agora mesmo falar com ela.

Depois, passado o entusiasmo inicial:

— Vixi Anton, ela é casada.

— Ela é interesseira, não quer pegar só você. Existem outros na lista dela.

— Não vai, ela é muito oferecida.

Do céu ao inferno com a benção de uma noite de lua minguante entre um dia e outro.

Bá.

Do bom partido inicial para uma mulher oferecida. Foi nisso que minha admiradora se transformou, sem — é bom que se diga — eu ao menos ter opinado ou tirado minhas próprias conclusões.

Aliás, nem tempo pra isso tive.

Quase num piscar de olhos, ela virou uma mulher oferecida e eu, praticamente impedido de me aproximar dela.

A impressão que tive, e ainda tenho, — obviamente que longe de fazer disso um aprendizado — é que as mulheres, em geral, reprovam e odeiam aquilo que chamam de oferecimento. Entre elas é, digamos que, proibido se oferecer para um homem. Mais: mulher oferecida não presta e quando se trata de um amigo ou um conhecido querido (acredito que seja o meu caso) não é pra você.

Essa oscilação de gênio, gratuita e inesperada, é ao mesmo tempo, parte do charme de toda e qualquer mulher, e também uma característica assustadora. Daí a afirmação inicial do imaginário feminino ser tão surpreendente.

Embora o que vá dizer a seguir soe tão clichê quanto dois mais dois serem quatro, aqui vai: as mulheres são uma caixinha de surpresa.

Okay, depois dessa o melhor a fazer é colocar logo o ponto final, antes que seja surpreendido mais uma vez.

Ah, e sem oferecimento, claro.