Animais

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O que mais admiro nas religiões orientais e também na crença indígena é o respeito à natureza. É essa espiritualidade que consegue enxergar todos os seres viventes como uma grande comunidade global, onde cada ser, cada ecossistema, cada planta e animal está intimamente ligado ao Criador. Diante disso, toda vida é considerada sagrada, da formiga ao humano, da arara-azul ao elefante. O que me assusta é como o Cristianismo desenvolvido no ocidente transformou a natureza como um produto a ser desfrutado, consumido e extinto. Sim, extinto como tantas espécies já foram.

Recentemente uma reconhecida e tradicional marca de roupas francesa decidiu, temporariamente, substituir o famoso crocodilo da marca em suas camisas polo por 10 espécies ameaçadas de extinção. Esse projeto chama-se “Save our Species” (Salvem nossas espécies). Serão 1775 camisas. A quantia específica não é por acaso: o número representa exatamente a quantidade destas espécies remanescentes na natureza. Assim, por exemplo, foram fabricadas 50 camisas com o Lêmure Septentrional, pois só existem 50 de tal animal vivos atualmente. Somente 20 camisas foram bordadas com a Vaquita, um mamífero marinho, e 240 com a Iguana de Anegada.

A humanidade tem assassinado a natureza, porque quando li a manchete dizendo “Baleia cachalote com 6 kg de plástico no estômago é encontrada morta na Indonésia”, não pude pensar em outra palavra: Isso é crime! Querem detalhes do crime? Eis a perícia: “Plástico rígido (19 peças, 140g), garrafas plásticas (4 peças, 150g), sacos plásticos (25 peças, 260g), chinelos (2 peças, 270g), pedaços de barbante (3,26 kg) e copos plásticos (115 pedaços, 750g)”. Tudo isso – produção bem humana – assassinou o animal.

O que esperar um animal racional que não defende nem a vida de seu semelhante? Que ele zele pelo bem dos outros animais?

Tento exorcizar meu pessimismo acreditando que existem pessoas que se importam, que há empresas que não usam animais para seus testes na formulação de produtos, que há abate digno dos animais que se doam para nos alimentar. Alegrou-me saber que o estado do Rio de Janeiro proibiu o uso de canudos de plástico –é um começo “redentor” muito tímido. Embora esteja bem presente na minha memória o perturbador vídeo de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em sua narina.

Nós humanos seguimos sendo perigosos para os animais. Todos têm nas mãos o sangue de inúmeras espécies. Por isso, de uma coisa tenho plena certeza, “Se os animais tivessem religião o ser humano seria o Diabo”.

Bacharel em Teologia pela Faculdades EST, pomerano e capixaba de Santa Maria de Jetibá. Um tanto quanto narcisista, perfeccionista e analítico. Dialoga com teologia, filosofia e psicologia buscando na simplicidade do cotidiano sua inspiração espiritual.