A mulher mais linda de Luís Eduardo Magalhães

Engraçado como são as coisas.

Só tive certeza sobre ela ser a mulher a mais linda de Luís Eduardo Magalhães, poucos dias antes de deixar a cidade.

Observando seu jeito e maneira de se expressar e se posicionar — por mais que ambos verbos soem um tanto quanto redundantes — ,embora esteja um pouco triste pelo distanciamento (in loco e ao vivo e a cores, que fique claro) que o futuro próximo irá suscitar, estou feliz.

Muito feliz.

Porque hoje tenho certeza e meu coração saltita de felicidade em saber e ter tido a chance de extravasar:

— Você é a mulher mais linda de Luís Eduardo Magalhães.

Eu disse para ela. Desse jeitinho. Tal qual um tonto que vê o mar pela primeira vez e prova da sua água só para atestar que ela é salgada mesmo.

Ela é uma mulher linda de um modo especial, muito, mas muito além de um rosto e corpo perfeitos.

É linda também pelo conjunto e, claro, pela marca de nascença na coxa.

Só dela, e revelada sob a égide da inocência do “estou aqui desde sempre e você nunca notou?”. Porque sinceramente, há quem possa não notar. Ser ainda mais tapado que eu fui e sempre serei. Coisas, talvez, do homem que não enxerga um palmo a frente do nariz ou que não sabe dar valor para o conjunto da obra. Que não sabe apreciar a delicadeza dos detalhes e vive eternamente nos dez segundos de encantamento da primeira impressão.

Você é a mulher mais linda de Luís Eduardo Magalhães pelo sorriso que inebria, o olhar que hipnotiza e, sim, não poderia ser diferente, pelos óculos tão perfeitamente encaixados em seu rosto de traços suaves.

É também a mais linda pelas atitudes e pelo que quer e não esconde.

É o furacão em vias de entrar em erupção, é paixão, é tesão. É charme. É fúria. Expressa na cara de brava que fez quando ganhou adjetivos no diminutivo.

Que tonto eu fui.

Você é gata. Gatona. Mulherão. Com M maiúsculo.

Talvez eu pudesse e até devesse propor um auto castigo por ser tão desatento na maioria das vezes, a ponto de perceber o que hoje é tão óbvio justamente as vésperas de começar uma nova jornada em outra cidade e estado.

Sempre fomos amigos confidentes. De conselhos mútuos e pipocas virtuais. Galanteios imaculados. Meio que a irmã caçula e o irmão mais velho, protetor, amigo. Sei lá. Sei, apenas que te quero por perto, ainda que precise — tantas vezes quantas forem preciso — lembrar os conselhos do amigo e aprender alguns passos de samba de gafieira.