A contagem regressiva para o fim da era Temer começou

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Por mais esforço que se faça é impossível passar incólume quando o assunto é a política praticada no Brasil. Pode-se amá-la ou odiá-la, talvez ambos, mas, nunca ignorar o que se passa na Capital Federal, ou nos parlamentos estaduais ou municipais país a fora.

Quem o faz engana a si próprio. Isto é fato.

Fingir distanciamento, aparentemente, configura-se num erro grave, e de certo modo, catalizador do cenário nebuloso que nos encontramos e que tem na figura do atual Presidente da República, Michel Temer, seu principal personagem.

A superstição e o que mais o imaginário coletivo do brasileiro quiser, faz de agosto um mês tão impopular quanto o presidente de gel no cabelo grisalho e incontáveis truques de oratória e dedos em riste. De mês do cachorro louco a trocadilhos, vide desgosto, agosto é um mês que parece nunca ter fim. Os dois anos do governo Temer, guardadas as devidas proporções, conseguiram a proeza de soar como duas décadas infinitas e, jamais, a transição que se esperava pós retirada da presidente Dilma Rousseff de cena, no caso do impeachment.

A realização do primeiro debate com os candidatos à Presidência da República, na noite de 09 de agosto na BAND, no mínimo, aponta para uma virada de página ou o início de um novo capítulo. Assim sendo, para o bem e para o mal, esse agosto que se arrasta agonizante marca o início do fim da era Temer, na condição de Chefe de Estado Maior.

Político de carreira, Michel dedicou a maior parte da vida a causa pública ocupando espaços em praticamente todos departamentos governistas nas últimas décadas e — duvido que consiga provar o contrário — possuía expressividade quase nula, afinal, eram raras suas aparições e mínimo seu destaque nas decisões do governo de Dilma Rousseff, contabilizando tanto os finalmentes do primeiro mandato até o começo do segundo, no fatídico ano do vexatório 7 a 1 e quando a derrocada tornou-se iminente e sem volta. Longe de ser unanimidade, o vice catapultado a líder máximo da nação jamais conseguiu dois dígitos de aprovação, conseguindo tão-somente sobreviver no cargo graças a um “acordão” capaz de apaziguar ânimos afoitos e meio indecisos em relação as razões de seus protestos (aqueles iniciados em junho de 2013), talvez, com os interesses voltados para as eleições que se aproximam.

Empossado em maio de dois mil e dezesseis, o peemedebista (hoje, emedebista) empilhou medidas impopulares sob o pretexto de que era preciso se fazer o “trabalho sujo” — deixado teoricamente em segundo plano — pelo governo anterior para que o Brasil, supostamente, retomasse as rédeas do desenvolvimento. O jeitão Conde Drácula de Temer atraiu para si o descrédito de toda nação ao aprovar, por exemplo, o congelamento de gastos públicos por 20 anos, além de toda insistência para com a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária.

Não obstante, Michel se mostrou falho nas negociações das duas greves gerais que seu trepidante governo enfrentou. Praticamente todos escolhidos por ele como fiéis aliados (olha o “acordão” aí), ou, tiveram de se retirar as pressas do núcleo duro do governo, caso de Romero Jucá, ou, tornaram-se réus e acabaram presos, caso de Geddel Vieira Lima.

Amparado pelo ditado do “não há nada ruim que não possa piorar”, no seu devaneio mais recente, o presidente demonstra vaga preocupação com os cortes aventados para a ciência e pesquisa indo na total contramão do que é praticado ao redor do globo. No rompante de sua retirada, Temer parece um enfeite de Natal que, esquecido na porta de casa, viu-se vitimado por uma tempestade, caiu e virou brinquedo para o cachorro da família. Ninguém se importa, quando a hora chegar, um novo será colocado em seu lugar.

Assim, caso agosto chegue realmente ao fim e a contagem regressiva para as eleições de 7 de outubro se agigante, provável que o presidente tampão, sem muito esforço, consiga o feito de, com sobras, ser o pior de todos os tempos, tornando missão quase impossível apontar algo que possa se traduzir num legado positivo para os seus pouco mais de dois anos no Palácio da Alvorada.

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Nos próximos dias, o blog continuará publicando textos relacionados à política, em especial a respeito das campanhas eleitorais e dos candidatos aos cargos de presidente e governador. Aguardem!

Jornalista, gaúcho e amante de coisas simples como uma boa leitura, um bom filme - de preferência no cinema e caminhadas desaceleradas ao lado de quem se gosta. Observador, peculiar e sagaz: nada escapa à mente rápida desse guri de dentes separados na frente. Autor do livro A Gaveta do Alfaiate.